Os procedimentos clínicos para as pessoas com deficiência auditiva
Redação
A deficiência auditiva/surdez traz mudanças especialmente na forma de se comunicar, mas a deficiência é sentida na medida em que os ambientes não estão preparados para acolher diferentes formas de comunicação e acesso ao conteúdo.

Os procedimentos clínicos para pessoas com deficiência auditiva incluem uma série de diretrizes e práticas estabelecidas para garantir a assistência adequada no Sistema Único de Saúde (SUS). A assistência deve ser realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, utilizando métodos e técnicas terapêuticas específicas.
Os estabelecimentos de saúde devem oferecer ações e serviços de saúde, incluindo promoção e prevenção de afecções otológicas, diagnóstico e tratamento clínico e cirúrgico. Cirurgias para implante coclear unilateral e bilateral, com acompanhamento ambulatorial.
Cirurgias para a colocação de próteses auditivas ancoradas no osso, com acompanhamento e manutenção. Exames como audiometria, imitanciometria e potenciais evocados auditivos são essenciais para o diagnóstico e acompanhamento.
Os serviços devem dispor de equipamentos adequados, como microscópios cirúrgicos, audiômetros, e sistemas de monitoramento intraoperatório. Deve-se manter prontuários detalhados dos pacientes, incluindo histórico clínico, diagnósticos e procedimentos realizados.
Em crianças, fazer os acompanhamentos frequentes nos primeiros anos de uso do implante coclear, com redução na frequência conforme a idade avança. Em adultos, acompanhamentos regulares, especialmente no primeiro e segundo ano após o implante.
Os estabelecimentos devem ter materiais pedagógicos, instrumentos de avaliação e reabilitação audiológica, além de um laboratório de análises clínicas disponível 24 horas. O CRM-CFM: PARECER 25 detalha que a audiologia é a área da ciência que estuda a audição e os sons.
A audição humana é uma função muito complexa e faz parte de um sistema extremamente especializado de comunicação. Esse sistema permite o processamento de eventos acústicos como a fala, tornando possível tanto a comunicação, tão essencial ao nosso desenvolvimento, quanto a expressão do pensamento.
O ser humano apresenta faixa de frequência audível que varia de 20 Hz (mais grave) a 20.000 Hz (mais aguda). Os exames de audição, aliados a boa história clínica e anamnese, são ferramentas essenciais para ajudar no diagnóstico de problemas auditivos.
Usam-se sons específicos para determinar a capacidade de audição do paciente, verificando, assim, se existe alguma dificuldade. Ao longo da história, esses exames evoluíram dos mais básicos até simulações em testes on-line.
Hipócrates foi o pesquisador e médico mais famoso da Grécia e também o responsável pelos inéditos testes auditivos. Em 1863, Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz deu os primeiros passos para o uso da eletricidade na medição da sensibilidade aos sons e, em 1879, David Edward Hughes deu origem a um dos dispositivos mais famosos na área: o audiômetro de Hughes.
O equipamento contava com uma espécie de microfone que amplificava o som de um relógio. Assim, era possível testar a sensibilidade dos pacientes à audição do barulho dos ponteiros.
Muito do que se testava da audição, no passado e até os dias atuais, estava vinculado ao uso dos diapasões para avaliar a capacidade auditiva do paciente. Em 1908, o austríaco Robert Bárány inventou a noise box com o objetivo de ajudar a entender a capacidade de audição.
Já em 1917, C.C. Bunch desenvolveu o inédito equipamento de varredura. Em 1919, surgiu o primeiro dispositivo eletrônico capaz de oferecer maior controle e análise de resultados.
Porém, somente em 1923 foi criado o primeiro audiômetro de grande uso, e em 1924 foram publicadas as metodologias iniciais de audiometria. Dentre as indicações do exame audiométrico, destacam-se determinar o limiar mínimo de audição; estabelecer um topodiagnóstico, ou seja, pela audiometria pode-se determinar o local de uma lesão ao longo do caminho que o som percorre e realizar o tratamento; explorar os restos auditivos, em caso de surdez; e determinar se há alguma possibilidade cirúrgica.