O mesotelioma e a asbestose são doenças causadas pelo amianto
Redação
O asbesto ou amianto é uma fibra de origem natural, muito usada pela indústria devido a sua elevada resistência ao calor, até 1.000ºC, aos produto químicos e à tração, grande flexibilidade, durabilidade, isolamento sonoro e pelo seu baixo custo, porém ele pode causar doenças pulmonares e câncer.

O amianto é uma família de silicatos que são um tipo de mineral de ocorrência natural, cujas propriedades estruturais e de resistência ao calor são úteis na construção e em materiais para construção de navios, em freios de automóveis e em alguns produtos têxteis. A asbestose é uma forma de doença pulmonar intersticial causada pela exposição ao amianto.
O período entre a exposição ao amianto e a apresentação da doença é geralmente de 20 a 40 anos. A asbestose aparece mais cedo em pessoas que tiveram uma exposição mais prolongada e mais intensa ao amianto.
A exposição ocupacional direta continua a ser a causa predominante de doenças relacionadas ao amianto. Na maioria dos países desenvolvidos, o uso do amianto diminuiu nas últimas décadas. O amianto ainda pode ser encontrado em materiais de construção antigos e em alguns produtos e, atualmente, a maioria das exposições ocupacionais ocorre durante o reparo, a renovação, a remoção ou a manutenção de produtos contendo amianto instalados em épocas anteriores.
Já o mesotelioma maligno da pleura (MMP) é um câncer raro associado à exposição ocupacional e ambiental a fibras de asbesto (amianto) e outras fibras minerais alongadas, como erionita e fluoro-edenita. A incidência basal da doença é estimada em 1 a 2 casos por 1.000.000 de habitantes em sociedades sem produção ou consumo de asbesto.
A mortalidade do MMP é próxima à sua incidência, com maior ocorrência em países da Europa Ocidental, Japão, Austrália e EUA. Homens têm maior risco devido à exposição ocupacional predominante em atividades masculinas, mas a exposição ambiental também é relevante, especialmente em mulheres.
O tempo de latência entre exposição ao asbesto e desenvolvimento do MMP é longo, variando de 15 a 60 anos. Os sintomas iniciais são inespecíficos e comuns a outras doenças pleurais: dispneia, dor torácica, tosse, perda de peso, astenia e fadiga.
Radiografia de tórax e tomografia computadorizada (TC) são exames iniciais importantes, sendo a TC mais sensível e acurada. A presença de derrame pleural associado a sintomas é um achado frequente.
O diagnóstico definitivo é baseado em exame histopatológico com imuno-histoquímica, que ajuda a diferenciar o MMP de outras neoplasias pleurais. A toracoscopia é o procedimento padrão para obtenção de tecido tumoral com alta sensibilidade (>90%).
A citologia do líquido pleural tem sensibilidade variável (30-75%) e não é suficiente isoladamente para diagnóstico definitivo. Técnicas moleculares, como a demonstração da deleção do gene p16 por FISH e perda da expressão do BAP1, auxiliam no diagnóstico diferencial.
A microscopia eletrônica tem papel restrito e é menos utilizada devido à disponibilidade de métodos mais rápidos e acessíveis. O MMP apresenta três principais subtipos histológicos: epitelioide (mais comum e com melhor prognóstico), sarcomatoide e bifásico (misto).
Existem variantes raras, como o mesotelioma papilar bem diferenciado (MPBD) e o mesotelioma multicístico (MPMC), que têm características clínicas e prognósticos distintos.Em locais com dificuldade para exames imuno-histoquímicos, o diagnóstico pode ser baseado em clínica, imagem e histologia compatível, especialmente em não fumantes ou ex-fumantes.
Tratamento
O tratamento depende do estágio e da extensão da doença, com opções que incluem cirurgia, quimioterapia e terapias combinadas. O pemetrexede em combinação com cisplatina é uma das opções quimioterápicas para MMP.
Já a asbestose é uma doença pulmonar causada pela inalação de fibras de asbesto, levando à formação de tecido cicatricial (fibrose) nos pulmões. A gravidade depende da duração e quantidade da exposição, bem como do tipo de fibra inalada.
Os sintomas podem demorar 20 anos ou mais para aparecer após a exposição. Dor torácica, tosse, dispneia progressiva, sensação de aperto no peito. Pode haver alterações nas unhas (hipocratismo digital) e outros sinais.
Exame físico pode revelar crepitações (rales) ao auscultar os pulmões. Radiografia de tórax e tomografia computadorizada são úteis para detectar placas pleurais e fibrose.
Testes de função pulmonar ajudam a avaliar o comprometimento respiratório. Não há cura; a principal medida é cessar a exposição ao asbesto.
Tratamento sintomático inclui drenagem de fluidos, fisioterapia respiratória, uso de oxigênio suplementar e, em casos selecionados, transplante pulmonar. Vacinação contra gripe e pneumonia é recomendada para prevenir infecções respiratórias.
O prognóstico depende da quantidade e duração da exposição. Pacientes com asbestose têm maior risco de infecções pulmonares e desenvolvimento de câncer de pulmão e mesotelioma.