Publicado em 16 jun 2026

As causas clínicas da bronquiectasia

Redação

As bronquiectasias são dilatações anômalas e irreversíveis dos brônquios e bronquíolos. Este problema é mais frequente em mulheres. Embora a sua causa exata possa nem sempre ser identificada, existem duas condições que podem contribuir para o desenvolvimento da doença: a iinfecção pulmonar durante a infância e os doentes imunodeprimidos.

A bronquiectasia é caracterizada por dilatações irreversíveis dos brônquios que impedem a depuração adequada do muco respiratório, resultando em infecções bacterianas de repetição. O espessamento da parede da via respiratória (remodelamento) ocorre na bronquiectasia como parte do processo inflamatório crônico, frequentemente associado ao broncospasmo.

Clinicamente, a bronquiectasia manifesta-se principalmente por tosse produtiva crônica, frequentemente com expectoração purulenta, além de dispneia e obstrução do fluxo aéreo. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é o exame recomendado para o diagnóstico e diferenciação das bronquiectasias em relação a outras doenças pulmonares, mostrando dilatação brônquica característica.

A cultura do escarro pode ser útil para identificar infecções bacterianas, como Pseudomonas aeruginosa, que está associada a pior prognóstico e maior risco de bronquiectasias. Complicações possíveis incluem cor pulmonale, hemoptise, hipoxemia em casos graves, pneumonia recorrente e depressão.

O tratamento envolve medidas para controle das infecções, fisioterapia respiratória para remoção do muco, uso de broncodilatadores e mucolíticos, como a acebrofilina, que tem eficácia demonstrada na melhora dos sintomas relacionados ao broncoespasmo, sibilância e dispneia. A acebrofilina atua como broncodilatador, mucolítico e expectorante, sendo eficaz na melhora dos sintomas em pacientes com bronquiectasias, entre outras doenças respiratórias.

Estudos clínicos demonstraram boa tolerabilidade e melhora clínica significativa em pacientes tratados com acebrofilina. Além disso, a bronquiectasia pode ser uma causa frequente de hemoptise, e deve ser considerada na investigação diagnóstica de sangramentos pulmonares, especialmente em pacientes com história de infecções pulmonares crônicas ou tuberculose prévia.

Em suma, estima-se que a bronquiectasia afete 680/100.000 indivíduos anualmente em todo o mundo. A bronquiectasia é mais bem considerada como o ponto final comum de várias doenças que causam inflamação crônica das vias respiratórias.

Ela pode ser difusa (afetando muitas áreas dos pulmões) ou focal (aparecendo em apenas 1 ou 2 áreas pulmonares). A bronquiectasia se desenvolve mais frequentemente em pacientes com defeitos genéticos, imunológicos ou anatômicos que afetam as vias respiratórias.

A causa de muitos casos parece ser idiopática, em parte porque provavelmente o início é tão lento que o problema desencadeador não é prontamente evidente no momento em que a bronquiectasia é reconhecida. Entretanto, após investigação utilizando testes genéticos e imunológicos, uma etiologia é mais frequentemente encontrada nesses casos idiopáticos.

A fibrose cística (FC) é comumente associada à bronquiectasia difusa que predomina classicamente nos lobos superiores, e a FC não diagnosticada anteriormente pode representar até 20% dos casos idiopáticos. Mesmo pacientes heterozigotos, que normalmente não têm manifestações clínicas da fibrose cística, podem ter maior risco de bronquiectasias.

A bronquiectasia também frequentemente coexiste com condições mais comuns como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a asma. É uma complicação cada vez mais reconhecida de aspiração crônica e recorrente e refluxo gastroesofágico.

Artigo atualizado em 05/06/2026 01:45.
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