Os sintomas clínicos da distonia respiratória
Redação
A distonia respiratória, também chamada de distonia laríngea respiratória, é uma condição neurológica rara que afeta os músculos da garganta. Ela causa espasmos involuntários nas pregas vocais durante a inspiração, gerando falta de ar e ruídos ao respirar, mas curiosamente costuma preservar a voz normal durante a fala.

A distonia respiratória ou disfunção das cordas vocais é uma doença com um mecanismo semelhante à disfonia espasmódica, mas em que as cordas vocais durante a respiração se aproximam fazendo um movimento inverso ao desejado (movimento paradoxal das cordas vocais), dificultando a entrada do ar: em vez de se abrirem quando se inspira e expira, fecham-se, dificultando a entrada e saída de ar na via área superior. Os sintomas incluem a falta de ar, dificuldade em respirar ou em entrar ar na via aérea superior; sensação de aperto na garganta; impressão de asfixia; respiração barulhenta (chiado ou som estridente); e voz rouca.
O MS-PCDT: Distonias e Espasmo Hemifacial explica que a distonia é um distúrbio do movimento caracterizado por contrações musculares sustentadas ou intermitentes que produzem movimentos anormais, posturas anormais ou ambos. Os movimentos são tipicamente estereotipados, em torção, podendo ser tremulantes.
A distonia é com frequência iniciada ou exacerbada por movimento ou postura e associada a transbordamento da ativação muscular. As distonias são classificadas, segundo a Movement Disorders Society, em dois eixos, baseados nas características clínicas (Eixo 1) e na etiologia (Eixo 2).
O principal objetivo dessa classificação é facilitar o reconhecimento clínico, o diagnóstico e, por consequência, uma escolha terapêutica adequada. O Eixo 1, que enfoca as manifestações clínicas das distonias, inclui quatro características baseadas nos seguintes fatores: idade de início, distribuição corporal, padrão temporal e qualquer manifestação clínica associada.
O Eixo 2, baseado na etiologia presumida, é classificado de acordo com evidência de doença do sistema nervoso (processo degenerativo, lesão estrutural ou ambos) e hereditariedade (hereditária ou adquirida). Quando a etiologia não é definida, é classificada como idiopática.
A incidência das formas focais de distonia é estimada em dois novos casos por milhão de habitantes por ano, resultando em uma prevalência de 29,5 casos por 100.000 habitantes. Esses números são maiores do que de outras doenças neurológicas bem conhecidas, como doença do neurônio motor, miastenia grave ou doença de Huntington.
O tratamento das distonias é essencialmente sintomático e se baseia no alívio das contrações musculares, revertendo os movimentos e as posturas anormais e a dor associada e prevenindo contraturas e deformidades. A toxina botulínica tipo A (TBA) representa uma opção reconhecida para esse tratamento, sendo considerada o tratamento de escolha na maioria das distonias.
O espasmo hemifacial é definido como uma condição na qual ocorrem contrações involuntárias crônicas irregulares ou movimentos tônicos dos músculos inervados pelo sétimo nervo craniano ipsilateral. Os espasmos geralmente começam como espasmos da pálpebra inferior, seguidos pelo acometimento periorbital e dos músculos faciais, periorais e platisma.
Essa condição, muitas vezes, leva ao constrangimento social e interfere na visão por fechamento involuntário dos olhos. Embora o espasmo hemifacial seja, muitas vezes, atribuído a uma compressão vascular do nervo facial ipsilateral, outras etiologias devem ser consideradas no diagnóstico diferencial, visto que esse espasmo pode ser confundido com outros distúrbios do movimento, como blefaroespasmo, miocimia facial, tiques, distonia oromandibular e espasmo hemimastigatório.
O tratamento sintomático não invasivo mais eficaz do espasmo hemifacial consiste em injeções de TBA em intervalos de 3 a 4 meses, conforme a resposta clínica. Em casos graves e refratários, a cirurgia de descompressão vascular está indicada.
Uma crise repentina e grave pode exigir tratamento hospitalar de urgência. Ela pode ser causada por uma infecção respiratória superior, odores ou vapores fortes, fumo do tabaco, refluxo ácido, emoções fortes e estresse e exercício físico intenso.
Diagnóstico
O médico observa as cordas vocais do paciente sob visão direta com espelho laríngeo ou inserir um pequeno tubo de fibra ótica (laringoscópio) pelo nariz até a parte posterior da garganta, onde as cordas vocais podem ser visualizadas. Este procedimento é feito com uma pequena anestesia local e em ambulatório.
Pode ser necessário a realização de espirometria a qual, durante a crise, geralmente mostra bloqueio do ar que flui para a traqueia (a espirometria pode ser normal se não for realizada em plena crise de distonia). Pode também ser necessário inalar um medicamento chamado metacolina para provocar os sintomas de distonia respiratória.