Expositores refrigerados devem ser fabricados conforme as normas técnicas

Os expositores refrigerados permitem ter facilmente visíveis e conservados os produtos necessários. Sendo equipamentos que cumprem bem a função de manter sob temperatura mais baixa os itens ali armazenados, podem servir tanto para expor bebidas como frios e laticínios e conferem bastante praticidade, à medida em que podem ser como as conhecidas e funcionais prateleiras, mas com o benefício da refrigeração sob medida.

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Da Redação –

Hoje, com as campanhas de conscientização sanitárias contínuas houve um aumento do conhecimento sobre o amparo legal do direito dos consumidores e uma maior percepção deles em relação aos produtos ofertados no ambiente de compra. Neste ambiente a percepção do consumidor atua de maneira instigante, ou seja, especulativa, comparativa e qualitativa dos produtos expostos.

A função precípua da refrigeração, que inicialmente estava restrita ao armazenamento e conservação de mercadorias por meio das conhecidas câmaras frias, atualmente, possibilita a oferta dos alimentos refrigerados no próprio ambiente de compra. A nova atuação da refrigeração no cotidiano, proporcionada pelo autosserviço, é resultante da possibilidade do acondicionamento destes alimentos pré-embalados em expositores que possuem o princípio da circulação do ar frio.

O desenho e a aplicação do princípio da refrigeração nestes expositores se deparam com fatores formais, humanos e funcionais. Os projetistas, especialistas e engenheiros da área procuram durante a prática profissional quebrar paradigmas que envolvem estas questões. Buscando assim, dentro do processo de desenvolvimento de novos produtos, aperfeiçoar ideias e transpor os possíveis limites projetuais existentes para os expositores refrigerados que devem ser fabricados obrigatoriamente conforme as normas técnicas.

A NBR ISO 23953-1 de 08/2018 – Expositores refrigerados – Parte 1: Vocabulário estabelece os termos e definições relativos aos expositores refrigerados utilizados na venda e exposição de produtos alimentícios. Não é aplicável às máquinas frigoríficas de autosserviço (refrigerated vending machines), nem as destinadas ao uso em serviços de bufê ou em outras aplicações no comércio varejista. Além dos termos em inglês e francês, dois dos três idiomas oficiais da ISO, esta Parte da NBR ISO 23953 fornece os termos equivalentes em alemão, italiano e espanhol; estes são publicados sob a responsabilidade dos órgãos membros da Alemanha (DIN), Itália (UNI) e da Espanha (AENOR). No entanto, apenas os termos e definições fornecidos nas línguas oficiais podem ser considerados como termos e definições ISO.

A NBR ISO 23953-2 de 08/2018 – Expositores refrigerados – Parte 2: Classificação, requisitos e condições de ensaio especifica os requisitos para a construção, as características e o desempenho de expositores frigoríficos utilizados na venda e na exposição de produtos alimentícios. Especifica as condições de ensaio e os métodos para verificar o cumprimento dos requisitos, assim como a classificação dos expositores, a etiquetagem e a lista das características a serem informadas pelo fabricante.

Não é aplicável a máquinas frigoríficas de autosserviço (refrigerated vending machines) Também não é aplicável ao uso em serviços de bufê ou em outras aplicações que no comércio varejista, não trata tampouco da decisão quanto à escolha do tipo de produtos alimentícios a serem mantidos nos expositores.

Algumas definições são importantes. Um expositor refrigerado é um gabinete provido de um sistema de refrigeração que permite que os produtos alimentícios no estado resfriado ou congelado nele, colocados para exposição, sejam mantidos dentro de limites de temperatura prescritos. Um expositor refrigerado vertical pode ser semivertical, multiprateleiras, de frente basculante (roll-in) ou com porta de vidro.

O expositor refrigerado semivertical deve possuir altura total que não ultrapasse 1,5 m, com abertura de exposição vertical ou inclinada. O expositor refrigerado horizontal possui uma abertura de exposição horizontal em sua face superior e com acesso por cima. O expositor refrigerado fechado tem o acesso aos produtos alimentícios por uma porta ou uma tampa e o expositor refrigerado de atendimento permite que um atendente sirva os consumidores com produtos alimentícios pré-cortados ou embalados.

O expositor refrigerado para autosserviço é um balcão de autoatendimento no qual o consumidor tem acesso direto aos produtos alimentícios. O gabinete para ilha inclui a descarga de ar posicionado no centro, de forma que o compartimento de armazenagem do produto seja constituído em dois volumes separados. Dois gabinetes abertos tipo parede, montados costa a costa, não são considerados expositores para ilha com descarga pelo centro. O expositor terminal é destinado a ser instalado na extremidade de um conjunto ilha, ver figura abaixo.

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O expositor e suas partes devem ser construídos com resistência e rigidez adequados para as condições normais de manuseio, uso e transporte, dando-se atenção aos seguintes aspectos: os acessórios internos, incluindo prateleiras, cestas, trilhos etc. e seus suportes devem apresentar resistência adequada às suas funções; as prateleiras, cestas, bandejas ou gavetas corrediças devem manter sua forma e a facilidade de movimento quando totalmente carregadas; qualquer acessório dotado de batente para evitar sua remoção acidental deve se autossuportar quando totalmente carregado e deslocado até o limite do batente; batentes.

Os tubos e as conexões para partes móveis ou montadas em suportes resilientes devem ser dispostos de forma a não danificar ou transmitir vibrações que afetem outras partes. Todos os outros tubos e conexões devem ser ancorados de forma segura, com comprimento livre adequado, e/ou devem ser dotados de eliminadores de vibrações, a fim de prevenir falhas por fadiga. Quando necessário, os tubos e válvulas devem ser isolados termicamente, de forma adequada.

Drenos, bandejas de recolhimento de condensados ou receptáculos de evaporação devem ter ampla capacidade e serem facilmente acessíveis e limpáveis. Qualquer receptáculo de condensados ou de água de degelo que exija esvaziamento manual deve ter capacidade equivalente a no mínimo 48 h de operação normal na classe de clima apropriada para a qual o expositor foi projetado.

Os expositores refrigerados fechados devem satisfazer aos seguintes requisitos especiais. Coberturas e portas articuladas devem abrir em diferentes ângulos de ao menos 60°. Coberturas e portas transparentes devem permanecer livres de condensação na classe de clima especificada pelo fabricante. Dobradiças e trincos devem ter ação suave e positiva sob condições normais de uso, devendo ser projetados para operar sem desgaste indevido.

Quando portas ou tampas projetadas para assegurar a vedação do espaço refrigerado estiverem fechadas, não pode haver infiltração indevida de ar exterior para o interior. As portas ou tampas não podem abrir por sua própria iniciativa. A gaxeta de vedação deve ser feita de material cujas características são compatíveis com as condições operacionais (especialmente temperaturas). Se o fechamento for mecânico, um batente ou outro dispositivo deve ser provido para evitar uma deformação excessiva da gaxeta.

Todas as juntas e emendas de construção na face interna do perímetro do volume útil devem prevenir o acúmulo de substâncias potencialmente contaminantes. Todas as juntas e emendas na face interna do perímetro do volume útil devem permitir a fácil remoção de qualquer depósito de substâncias potencialmente contaminantes.

No caso de exposição e venda de produtos alimentícios não embalados, a frente do expositor constitui-se em uma proteção contra o risco de contaminação produzida por consumidores por contato, tosse, espirros, etc. Para ser efetiva, a soma da dimensão vertical A e da dimensão horizontal B, indicadas na figura abaixo, não pode ser inferior a 1.500 mm.

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Os materiais devem ser duráveis e impedir o crescimento de fungos ou emitir odores. Sob condições normais de uso, materiais em contato com alimentos devem ser resistentes à umidade e não podem ser tóxicos nem contaminar os alimentos. Os acabamentos internos e externos devem ser resistentes ao desgaste e capazes de serem efetivamente limpos e higienizados. Os acabamentos não podem trincar, produzir lascas, descascar ou amolecer sob condições normais de uso ou durante a limpeza.

As partes metálicas utilizadas na construção dos expositores devem apresentar resistência à corrosão adequada à sua localização e função. A isolação térmica deve ser eficiente e fixada de forma permanente. O material de isolação não pode, em particular, estar sujeito a encolhimento, e não pode acumular umidade sob condições normais de operação (ver 4.2.4). Devem ser utilizados os meios adequados, para evitar a deterioração da isolação térmica, pela penetração de umidade.

Sempre que o espaço da isolação estiver exposto ao interior do expositor, deve-se assegurar que partículas do material isolante não escapem para o compartimento de exposição de alimentos. No caso de material de isolação fibroso, não pode ser possível inserir um corpo-de-prova rígido de 1 mm de diâmetro por meio de qualquer abertura que dê acesso ao material isolante, com o corpo de prova sendo inserido com força desprezível.

O projeto e a construção de todas as partes de um sistema de refrigeração sujeito a pressões internas devem considerar a pressão máxima de trabalho a qual elas estarão submetidas com o expositor em operação ou parado. No caso de expositores refrigerados incorporando unidades condensadoras ou seus componentes, carregados com fluido frigorífico antes do transporte deve-se considerar a temperatura máxima a que eles serão expostos durante o transporte.

Todos os componentes que contêm fluido frigorífico devem estar de acordo com a ISO 5149-2. A localização do sensor de temperatura deve permitir o fácil acesso para verificação da correta indicação da temperatura e a reposição do instrumento em serviço. O sensor de temperatura de um termômetro é considerado de “fácil acesso” se ele puder ser alcançado diretamente para exame. Pode ser necessário remover o (s) painel (éis) de acesso para proceder à substituição.

Para expositores com resfriamento por convecção natural, o posicionamento do sensor em um tubo-guia (poço) é também considerado de “fácil acesso” se o sensor puder ser introduzido ou retirado do tubo-guia sem o auxílio de ferramenta. Para controlador eletrônico, é possível indicar uma temperatura calculada.

Sempre que possível, o método de montagem não pode fornecer ou retirar calor do sensor de temperatura. O sensor de temperatura deve ser protegido contra radiação de calor do ambiente externo. A localização do sensor de temperatura é definida como parte do ensaio de temperatura do expositor refrigerado.

Durante o ensaio de temperatura, as temperaturas do ar na localização declarada do sensor devem ser medidas e estes valores devem ser anotados no relatório de ensaio. É de responsabilidade do fabricante e do usuário final, assegurar que as medições de temperatura atendam às legislações locais vigentes referentes a temperatura de produtos alimentícios.

Quando instrumentos de medição da temperatura forem utilizados em expositores refrigerados: um instrumento deve ser utilizado para cada expositor dotado de seu próprio circuito frigorífico; no caso de diversos expositores com circuito frigorífico comum operando na mesma classe de temperatura, deve ser utilizado no mínimo um instrumento para no máximo dois expositores com um comprimento total de no máximo 3,75 m; no caso de diversos expositores com circuito frigorífico comum operando em classes de temperatura diferente, o requisito anterior deve ser observado, porém devem ser utilizados instrumentos diferentes para cada classe de temperatura.

Deve-se, igualmente, estabelecer os requisitos de dados normativos para classificações-padrão de expositores refrigerados com unidades de condensação remotas ou incorporadas. Destina-se à orientação da indústria, incluindo fabricantes, engenheiros, instaladores, mantenedores e usuários. Os valores reportados permitem comparar o consumo específico de energia (SEC) de diferentes modelos de expositores refrigerados comerciais dentro da mesma família de produtos, na mesma classificação de temperatura do produto, em condições de classificação padrão. Além disso, utilizando o Anexo D, é possível comparar o consumo de energia específico do mesmo modelo de gabinete quando são utilizados componentes elétricos alternativos.

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Enfim, cada expositor deve ter as seguintes informações, marcadas de forma permanente e legível, em locais de fácil acesso: nome do fabricante ou marca comercial, ou ambos (não necessariamente o mesmo nome que o da unidade condensadora); modelo e número de série do expositor, da (s) unidade (s) condensadora (s) incorporada (s) etc. ou informação suficiente que permita a identificação adequada das peças de reposição ou a manutenção necessária; uma descrição dos acessórios internos do expositor; toda a informação relativa à fonte de energia elétrica para a qual o expositor foi projetado; para expositores com unidade condensadora incorporada, o código internacional do (s) fluido (s) refrigerante (s) utilizado(s) (ver ISO 817) e sua massa (carga); para expositores com unidade condensadora incorporada, a marcação de acordo com a ISO 5149-2.

As seguintes informações devem ser fornecidas pelo fabricante para cada modelo de expositor. Por exemplo, todas as dimensões externas na instalação e todas as dimensões externas em operação, incluindo: distância dp entre a parte traseira do gabinete e o painel vertical de ensaio, se aplicável (ver 5.3.2.1).

Para a classificação do expositor (ver NBR ISO 23953-1, Seção 3.6.5) e para cada uma das classes, as seguintes informações: área aberta de exposição; área total de exposição (ver Anexo A); área de prateleira refrigerada, quando aplicável; máxima carga, em quilograma (kg), permitida nas bandejas, prateleiras e nos cestos ou plataforma da base para os vários métodos de arranjo destes no expositor; consumo diário de energia elétrica direto, DEC, em quilowatt-hora, em 24 h, medido de acordo com o ensaio descrito em 5.3.5; consumo diário de energia elétrica específica SEC, em quilowatt-hora, por 24 h, por metro quadrado de área total de exposição; caso a unidade condensadora não esteja acoplada ao expositor refrigerado, a informação referente à taxa de extração de calor, de acordo com 5.3.6.

Para temperatura e classe de clima, ver 4.2.2 e 5.3.1.3.1, e para expositores com tampa noturna e/ou iluminação, indicar se os resultados são para ensaio a) ou b) de 5.3.2.7.1 e 5.3.2.7.2 ou para ambos os ensaios. Dois conjuntos de resultados são fornecidos para 5), 6) e 7). Deve-se informar a localização do sensor de temperatura e os valores máximos indicados pelo instrumento ou medidos no local do sensor sob condições estáveis de operação.

Informar o valor máximo indicado pelo instrumento ou medido no local da instalação do sensor na condição mais quente durante ou imediatamente após o período de degelo e as condições em que a indicação da temperatura pode ser interrompida (por exemplo, durante o degelo).



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