A ameaça de fofocas e boatos, e aproveite as críticas para crescer

Administrar sua própria carreira não é fácil. Mas, na verdade, não há muita escolha: no mercado competitivo em que se vive, quem não cuida do lado profissional vai ficando para trás. Por isso, segue algumas dicas fundamentais, para que você comece agora mesmo a administrar melhor sua carreira.

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Mauricio Ferraz de Paiva

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A ameaça de fofocas e boatos

Escritório, loja, indústria, fábrica… seja qual for o seu ambiente profissional, é nesse local onde você passa metade da sua vida. Trabalhar no que você realmente gosta é um ensinamento que muitos recitam por aí, mas que, na prática, nem sempre funciona.

Uma grande parte dos profissionais não atua na área em que realmente gostaria de estar. Essa é uma escolha que nem todos, infelizmente, podem fazer.

Porém, as regrinhas a seguir dizem respeito a todos os profissionais, sejam eles afortunados por trabalharem no que gostam ou não. Afinal, problemas no ambiente de trabalho não são exclusividade de poucos.

A grande maioria das empresas passa por momentos de conflitos internos. Umas superam, outras se perdem no meio do caminho. Mas qual é a técnica utilizada por uma equipe de sucesso para driblar esses problemas internos? O que é preciso fazer para que problemas entre profissionais não virem uma bola de neve dentro dos setores?

Bem, antes de tudo, vamos tentar entender um pouco como surgem esses problemas. Como dissemos no início, cada um de nós passa grande parte do dia no ambiente de trabalho. Com isso, há um envolvimento cada vez maior entre os profissionais.

Alguns se tornam amigos inclusive fora da empresa, outros procuram manter o relacionamento apenas no horário de trabalho. Mas, em ambas situações, há sempre um mínimo de convivência entre as pessoas.

Por isso, em um momento de conflito, preocupação, estresse, ou ainda problemas pessoais, a atitude mais comum é a de desabafar com seu colega, esquecendo, muitas vezes, tudo o que possa estar envolvido. Em momentos de raiva, então, um simples comentário ingênuo pode tomar proporções enormes, pois nem sempre conhecemos bem a pessoa com quem resolvemos desabafar.

Este é o pontapé inicial para a explosão de intrigas, boatos e fofocas dentro de uma empresa. Afinal, nem sempre o que falamos é passado para frente exatamente da mesma forma. Sábio é aquele famoso e antigo ditado: Quem conta um conto, aumenta um ponto.

Assim, o assunto que era inicialmente só um desabafo, rapidamente se torna público. A consequência de uma fofoca ou intriga pode ser desastrosa, podendo resultar, inclusive, em demissão dos profissionais envolvidos.

Por isso, quando sentir que esse tipo de problema está rodeando sua mesa, pare e analise: se a fofoca for insignificante, não desperdice seu tempo tentando esclarecê-la. Você estará perdendo energia com pessoas e fatos que não valem a pena.

No entanto, se o boato for sério e estiver diretamente ligado com sua performance profissional, moral ou conduta, esclareça-o o quanto antes, para que não tome proporções maiores. E, mesmo depois de resolvido, dedique sua atenção ao assunto: no mundo competitivo em que vivemos atualmente, você pode estar incomodando simplesmente por ser competente no que faz. Sendo assim, redobre então sua atenção.

A empresa contrata um profissional para que ele possa desenvolver suas habilidades, criar, estudar novas possibilidades de negócio. Portanto, usar seu tempo para tomar conta da vida de outros é um total desperdício para sua performance profissional.

Porém, nem todos veem assim: para os fofoqueiros, que geralmente são pessoas muito infelizes consigo mesmo, olhar as coisas pelo lado negativo é quase que um hobbie. Como não têm perspectivas futuras e nem motivação, falar mal da vida alheia é um dos únicos prazeres que esse tipo de pessoa pode ter. E desabafar com essa pessoa é o mesmo que entregar em mãos a possibilidade de mais um desgaste.

Uma boa dica para evitar esse tipo de problema é deixar sempre claro a quem quer que seja que ninguém pode falar por você. Qualquer um que venha a falar algo em seu nome, não deve ser levado em consideração.

E isso vale para quando você estiver do outro lado também, ou seja, se alguém vier lhe falar que fulano ou ciclano falou tal coisa de você, não dê ouvidos, ou então esclareça na mesma hora junto à pessoa. E pense sempre: se ela está falando mal de fulano para você, quem garante que não faz o mesmo com você quando vira as costas? Coloque-se na situação da pessoa que está sendo lesada, e não entre no jogo do fofoqueiro.

Todos nós já presenciamos e até participamos de situações de fofoca, dentro e fora do trabalho. O tempo que se perde analisando esses fatos sem importância são minutos e horas que poderiam ser utilizados para o seu desenvolvimento, lazer, ou seja, qualquer outra coisa mais aproveitável.

Por isso, evite ao máximo participar desse tipo prejudicial de troca de informações. Contribua assim para o desenvolvimento de um ambiente saudável em sua empresa, não dando vez para aqueles que estão lá somente para atrapalhar.

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Aproveite as críticas para crescer

Aceitar críticas está longe de ser uma tarefa fácil para qualquer pessoa. Às vezes você se esforça, faz o máximo para acertar no resultado, mas nem sempre o desenrolar da história ajuda na conquista deste objetivo. E é nesse momento que vêm as críticas, sejam elas provenientes do seu chefe, gerente, colega de equipe, ou mesmo de alguém de fora que nada tem a ver com a situação.

Quando isso acontece, o mais comum é ouvirmos daqueles profissionais mais experientes conselhos como o de saber diferenciar as críticas construtivas das destrutivas, utilizando-as em nosso favor. Mas, se na teoria isso funciona perfeitamente, na prática é um pouco mais difícil de se encarar. Isso porque, geralmente, a crítica nos soa como algo do tipo “Dessa vez você errou, hein?!”, e, para a maioria dos seres humanos, aceitar que cometeu um erro é algo difícil.

Mas, o que a maioria de nós não sabe é que há diversos exemplos de pessoas famosas que já sofreram com esse mesmo problema. Ou seja, rejeitar críticas não é única e exclusivamente uma característica nossa.

Um dos exemplos mais conhecidos que temos é o de Isaac Newton – físico, matemático e astrônomo inglês -, que, acredite se quiser, adiou a publicação de um trabalho seu por mais de dez anos, esperando que seu crítico morresse. Porém, você há de convir que essa não é uma das soluções mais eficazes para o problema.

Se receber críticas faz parte do nosso dia-a-dia, principalmente na esfera profissional, temos que achar soluções para que isso não prejudique nossa carreira. Mas como fazer isso? Como podemos fazer das críticas nossas maiores aliadas no desenvolvimento profissional?

Bem, em primeiro lugar, uma dica básica: sempre analise de quem estão vindo as críticas. Infelizmente, o ambiente de trabalho é regado por diversos sentimentos negativos, como a inveja e a cobiça. Por isso, o mais importante é verificar, antes de qualquer coisa, quem é o autor das críticas.

Além disso, há que se tomar cuidado com os profissionais mal preparados, que opinam mesmo sem saber de que estão falando. Neste caso, estará perdendo seu precioso tempo com comentários que não fazem o menor sentido.

Ou pior: estará mudando algo que pode estar certo simplesmente por causa desses comentários, diminuindo as chances de resultados positivos. Essas são as chamadas críticas destrutivas.

Além disso, há também aquelas pessoas que insistem em ver somente os aspectos negativos das situações. Se o dia está chuvoso, é ruim pois têm muita preguiça para levantar! Se o sol aparece, também está ruim pois o dia fica muito quente! Quem nunca conviveu com este tipo de pessoa no ambiente de trabalho? Pois se as críticas vêm de profissionais como esse, talvez o mais correto seja ignorá-las.

Por outro lado, se ao analisar a crítica você chegar à conclusão de que alguns pontos têm fundamentos, haja com humildade e aceite o problema como uma oportunidade de mudança. Não é fácil, isso todos nós sabemos, mas você estará dando uma chance a si mesmo de consertar a situação.

Errar faz parte do nosso dia-a-dia. Mas ignorar críticas construtivas pode fazer com que você repita o erro, o que pode começar a se tornar uma situação complicada. Dê essa chance então a você mesmo!

Agora, você já parou para pensar que pode estar exatamente do outro lado, daquele que critica? Neste caso, o problema é bem mais simples de ser resolvido: evite apenas comentar os defeitos e pontos negativos dos outros.

Reforce as qualidades e conquistas de seus colegas. Quando recebemos elogios, nos sentimos mais confiantes, e isso nos ajuda na busca de resultados melhores. Portanto, faça a sua parte, e cultive assim relações mais agradáveis ao seu redor.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



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