O vício em internet

Em inglês, a internet addiction disorder possui vários sinais, sintomas, diagnósticos e tratamentos para aqueles que podem ser viciados na web no computador ou telefone celular. Joga videogames na internet em excesso? Está comprando compulsivamente online? Não pode deixar de verificar fisicamente o facebook ou instagram? O uso excessivo de computador ou celular está interferindo em sua vida cotidiana – relacionamentos, trabalho, escola, etc.? Se respondeu sim a qualquer uma dessas perguntas, talvez esteja sofrendo de transtorno da dependência da internet, também conhecido como uso compulsivo da internet, uso problemático da internet ou idisorder.

internet2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

O vício é um mecanismo de fuga emocional em que o indivíduo obtém prazer e foge de sua dor. Existem infinitos tipos de vícios, que são prejudiciais em diferentes proporções. O que separa o vício de um hábito comum é justamente o prejuízo que este comportamento causa na vida da pessoa.

Muitas pessoas encontram no vício uma maneira de suprir um vazio emocional relacionado às interpretações de sua infância e vida intrauterina. Toda criança, em algum momento, sente que não é boa suficiente, seja pela ausência dos pais, por receber muitas críticas, por enfrentar situações traumáticas ou por ter entendido alguma situação de maneira equivocada.

Existem muitos fatores que levam uma pessoa a desenvolver um vício: desequilíbrio emocional, necessidade de ser aceito, baixa autoestima, insegurança, busca por status ou influência do comércio e da mídia. Por exemplo, as pessoas que tiveram pais viciados tendem a se tornar adultos com vícios ou aversão a comportamentos compulsivos, uma vez que as crianças repetem ou repelem os comportamentos dos pais. Outras que tiveram pais ausentes e que eram compensados com bens materiais crescem com a ideia de que qualquer coisa externa será capaz de suprir o amor e o vazio emocional.

Igualmente, os que tiveram todas as necessidades atendidas prontamente também têm uma grande tendência aos vícios, pois crescem sem limites e com dificuldade para lidar com frustrações, buscando prazer a qualquer custo. As que foram rejeitadas ou muito comparadas com outras crianças durante a infância podem desenvolver vícios para se sentirem aceitas. Essas pessoas são muito influenciadas pela mídia e pela moda.

Podem ser acrescentados os indivíduos que não têm inteligência emocional e não sabem como lidar com suas emoções encontram no vício uma forma de fugir do mundo interior. O descontrole e a falta de consciência fazem com que a pessoa seja levada pelo impulso do vício e pelo desejo de suprir as suas necessidades.

Atualmente, fruto da Tecnologia da Informação (TI), o vício em internet ou internet addiction disorder foi teorizado satiricamente como uma desordem em 1995 pelo médico Ivan Goldberg que comparou seu modelo original a um jogo patológico. Desde essa espécie de problema, a desordem rapidamente ganhou terreno e tem recebido atenção de muitos pesquisadores, conselheiros de saúde mental e médicos como um distúrbio verdadeiramente debilitante.

Embora não seja oficialmente reconhecido como um transtorno, sua prevalência nas culturas americana e europeia é impressionante – afetando até 8,2% da população em geral. No entanto, alguns relatórios sugerem que esse problema está afetando até 38% da população geral.

A diferença amplamente variável nas taxas de prevalência pode ser atribuída para o fato de que nenhum critério verdadeiro e padronizado foi selecionado para o transtorno do vício em internet. Está sendo pesquisado de forma diferente entre cientistas e profissionais de saúde mental e em todas as culturas étnicas. Contudo, seu avanço tem sido negativamente impactado pela falta de padronização na área.

Tem sido geralmente aceito entre os pesquisadores, mas apenas como um subconjunto do vício em tecnologia em geral. Como o nome indica, sua concentração é compulsiva em relação à internet – assim como em outras áreas da dependência da mídia, como o vício em televisão, na dependência de rádio, etc.

Devido à explosão da era digital, o vício em internet está sendo considerado e principal culpado é o vício em tecnologia. Na era digital, a internet se tornou vital e importante. Não consegue encontrar a camisa que você quer na loja? Não se preocupe – a internet tem isso.

Precisa fazer um pedido de pizza? Por que ligar? Complete um pedido online! Não pode chamar um amigo para jogar um videogame às 3 da manhã quando está sofrendo de insônia e não consegue voltar a dormir? Há alguém em todo o mundo que está acordado e pronto para jogar. Em essência, é por isso que esse distúrbio pode ser tão perturbador – até mesmo no tratamento. É difícil viver esses dias se livrando da internet. Os seres humanos estão cercados por isso – e a maioria vai usar isso diariamente.

Só porque se usa muito a internet – assistir a muitos vídeos do YouTube, fazer compras online com frequência ou gostar de verificar mídias sociais não significa que você sofra do vício em internet. O problema surge quando essas atividades começam a interferir na sua vida diária.

Normalmente, esse vício é subdividido em categorias variadas. As categorias mais comumente identificadas de vício em internet incluem jogos, redes sociais, e-mail, blogs, compras online e uso inapropriado de pornografia. Outros pesquisadores sugerem que não é a quantidade de tempo gasto na internet que é particularmente problemática – ao contrário, é como a internet está sendo usada.

Ou seja, o risco do uso da internet pode ser tão importante quanto o tempo gasto. Outros fatores de risco multidimensionais identificados incluem deficiências físicas, prejuízos sociais e funcionais, deficiências emocionais, uso compulsivo e dependência da interne.

O que causa isso? Como a maioria dos transtornos, não é provável identificar uma causa exata. Este distúrbio é característico de ter múltiplos fatores contribuintes. Algumas evidências sugerem que, se você está sofrendo dele, sua composição cerebral é semelhante daqueles que sofrem de dependência química, como drogas ou álcool.

Alguns estudos ligam a dependência da internet a modificações físicas na estrutura do cérebro – afetando especificamente a quantidade de substância cinzenta e branca em regiões do cérebro pré-frontal. Essa área do cérebro está associada à lembrança de detalhes, atenção, planejamento e priorização de tarefas. Sugere-se que uma das causas é que as mudanças estruturais na região pré-frontal do cérebro são prejudiciais à sua capacidade de priorizar tarefas em sua vida, tornando-o incapaz de priorizar sua vida, ou seja, a internet tem precedência às tarefas necessárias do cotidiano.

A dependência da internet, além de outros transtornos, parece afetar o centro de prazer do cérebro. Esse comportamento aditivo desencadeia uma liberação de dopamina para promover a experiência prazerosa ativando a liberação desse produto químico. Com o tempo, mais e mais atividades são necessárias para induzir a mesma resposta prazerosa, criando uma dependência.

Ou seja, se as pessoas acham que os jogos ou compras online são uma atividade prazerosa, eles sofrem com o vício da internet e precisarão se envolver mais e mais no comportamento para instituir o mesmo sentimento de prazer antes de sua dependência.

Segundo alguns estudiosos, as predisposições do vício em internet podem estar relacionadas à ansiedade e depressão. Muitas vezes, se as pessoas possuem esses sintomas, ficar na internet pode aliviar o seu sofrimento.

Da mesma forma, os indivíduos tímidos e aqueles com problemas de relacionamentos sociais também podem estar em maior risco de sofrer de dependência da internet. Ao sofrer de ansiedade e depressão, pode-se recorrer à internet para preencher um vazio. Se é tímido ou socialmente desajustado, pode-se recorrer à internet porque não requer interação interpessoal e é emocionalmente recompensador.

Os sinais e sintomas da dependência da internet podem se apresentar em manifestações físicas e emocionais. Alguns dos sintomas emocionais podem incluir: depressão, desonestidade, sentimento de culpa, ansiedade, euforia ao usar o computador ou celular, incapacidade de priorizar ou manter horários, isolamento, nenhum senso de tempo, defensividade, evitar o trabalho, agitação, mudanças de humor, medo, solidão, tédio com tarefas de rotina e procrastinação.

Já os sintomas físicos podem incluir: dor lombar, síndrome do túnel carpal, dores de cabeça, insônia, má nutrição (não comer ou comer excessivamente para evitar ficar longe do computador ou celular), má higiene pessoal (por exemplo, não tomar banho para ficar online), dor de pescoço, olhos secos e outros problemas de visão, e ganho ou perda de peso. Os seus efeitos incluem problemas nas relações pessoais, vida profissional, finanças ou vida escolar. Indivíduos que sofrem dessa condição podem estar se isolando dos outros, passando muito tempo em isolamento social e impactando negativamente seus relacionamentos pessoais.

Questões de desconfiança e desonestidade também podem surgir nos viciados em internet que tentam esconder ou negar a quantidade de tempo que passam online. Além disso, esses indivíduos podem criar personalidades alternativas online, na tentativa de mascarar os seus comportamentos online.

Em São Paulo (SP), o Ambulatório Integrado do Controle dos Impulsos/PRO-AMITI abre vagas para tratamento de dependências tecnológicas como o uso abusivo de internet, jogos pela internet e uso abusivo de celular. Os interessados devem ser maiores de 18 anos e terem disponibilidade para realizar o tratamento às quintas-feiras no período da manhã, prioritariamente.

Para se cadastrar, ligue no telefone (11) 2661-7805, em horário comercial, excetuando às quintas-feiras. Para a equipe, o dependente da internet deve apresentar, pelo menos, cinco dos oito critérios abaixo descritos:

(1) Preocupação excessiva com a internet;

(2) Necessidade de aumentar o tempo conectado (online) para ter a mesma satisfação;

(3) Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da internet;

(4) Apresentar irritabilidade e/ou depressão;

(5) Quando o uso da internet é restringido, apresenta labilidade emocional (internet como forma de regulação emocional);

(6) Permanecer mais conectado (online) do que o programado;

(7) Ter o trabalho e as relações familiares e sociais em risco pelo uso excessivo;

(8) Mentir aos outros a respeito da quantidade de horas conectadas.

Para pessoas acima de 18 anos, o tratamento para a dependência da internet tem abordagem multidisciplinar. Após a pré-triagem para averiguar o quadro de sintomas, o psiquiatra realiza uma consulta para avaliação, só então é oferecido ao paciente um plano terapêutico em grupo e/ou individual que constitui de acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Esse processo inclui: um tratamento semanal de psicoterapia de grupo para adolescentes com a duração de 1:30 h por 18 semanas consecutivas, às quintas-feiras no período da manhã; tratamento psiquiátrico; psicoterapia individual, quando necessário; grupo de orientação continuada para pais e familiares de adolescentes e adultos com frequência quinzenal, às quintas-feiras pela manhã; programa de educação continuada aberto ao público envolvendo saúde mental e internet.

Como orientações dos médicos do Hospital das Clínicas, se a pessoa costuma gastar suas horas com atividades online mais do que com pessoas da sua família, amigos ou de outro tipo de relacionamento, realmente você precisa ficar atento, pois este é um dos primeiros sintomas do problema. Quando não se consegue manter seu próprio controle na net e caso se conecte na internet apenas para dar uma olhada e acaba ficando bem mais do que o planejado, cuidado. Este pode ser um claro sinal de dependência de internet.

Se a pessoa acha que sem a internet não dá para ficar ou por qualquer razão não pode estar online durante algumas horas/períodos e percebe-se ansioso ou com tédio ou irritado e, quando volta a conectar-se fica bem de novo. Este é um péssimo sinal.

Quando se percebe incapaz de diminuir o tempo online, mas, pelo ao contrário, ele só aumenta. Caso já tenha feito tentativas frustradas para diminuir o tempo de uso e vem notando que a cada dia que passa, permanece mais tempo conectado na net para ter a mesma satisfação. Muito cuidado, este é um forte sinal de dependência.

Se tem mentido ou disfarçado para os outros sobre o tempo que você fica conectado, ou seja, tem tentado enganar ou mentir para seus familiares ou pessoas mais próximas a respeito da relação que você estabelece com o tempo na internet. Isto é um gritante aviso.

Sem a internet a vida não teria graça. Se não consegue mais sentir o mesmo prazer que antes nas atividades offline ou sente-se melhor na vida virtual do que em qualquer outra situação real. Ou ainda, tem notado que de um tempo para cá, desde que começou a usar com maior frequência a internet, vem sentindo-se irritado ou deprimido. Cuidado.

Mesmo sem estar na frente do computador ou celular, preocupa-se com o que está acontecendo no mundo virtual? Se está envolvido em outras tarefas cotidianas e não pode estar online (nossa, que ansiedade), chega em casa e corre para ligar seu computador ou fica no celular para ficar inteirado dos acontecimentos virtuais. Estas atitudes podem indicar dependência da internet.

Os médicos especialistas dizem que juntamente com o aumento na popularidade do uso da rede mundial e dos jogos eletrônicos, surgiram relatos na imprensa leiga e na literatura científica de indivíduos que estariam dependentes da realidade virtual da internet e dos jogos eletrônicos. Esta é uma das queixas frequentes em consultórios psiquiátricos por parte de pacientes mais velhos ou mesmo de pais preocupados com seus filhos ao referirem aumento do isolamento social e piora nos rendimentos escolares e acadêmicos.

Embora esses fenômenos ainda sejam pouco estudados, a maioria dos autores sugere que o uso excessivo do videogame e da internet pode se tratar de um novo transtorno psiquiátrico. Pesquisas realizadas principalmente em países desenvolvidos e nos tigres asiáticos, onde o acesso à tecnologia ocorre de modo mais intenso, apontam que uma parcela da população jovem e adulta apresenta características de uso problemático desses novos recursos eletrônicos.

Tais estudos, porém, são bastante heterogêneos e a variabilidade da nomenclatura e a inexistência de uma síndrome clinicamente identificável e confiável, devido à falta de critérios diagnósticos e definições operacionais estabelecidos, são alguns dos fatores responsáveis por essa heterogeneidade. Para Cristiano Nabuco, psicólogo e que atua em consultório particular há 32 anos, tem pós-doutorado pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, trabalha junto ao PRO-AMITI do Instituto de Psiquiatria do HC/FMUSP, os estudos mostram que os usuários excessivos não só se distraem com extrema facilidade com seus celulares, como também apresentam dificuldade em controlar o tempo gasto.

“Indivíduos que fazem uso excessivo de telefones móveis apresentam também problemas interpessoais e, em especial, algum tipo de deteriorização da vida familiar onde, com frequência, essa pessoa atende chamadas e/ou mensagens de texto, ignorando a conversa com os outros membros da família. Não sei se você sabe, mas isso também tem criado problemas nas empresas. A troca de mensagens eletrônicas através do celular aumenta a percepção da carga de trabalho entre os funcionários”, escreve ele.

E qual a razão pela qual as pessoas perdem a noção do tempo quando estão manuseando seus celulares? É fácil perceber isso em restaurantes, aeroportos, cinemas ou salas de aula. Isso ocorre, pois os usuários adentram em um estado de consciência alterado e a isso se chama experiência de fluxo.

Para Nabuco, tal vivência ocorre quando se faz algo que é muito prazeroso e, ao mesmo tempo, gratificante. Dançarinos, jogadores de xadrez, alpinistas, cirurgiões e todos aqueles que expressam grande devoção em uma atividade de sua preferência podem experimentar esta sensação. No caso do uso da tecnologia (navegar na internet ou usar o celular), pode ocorrer exatamente o mesmo.

Certas tecnologias possibilitam isso, pois oferecem a possibilidade de viver uma infinidade de experiências e sensações nas quais o usuário desfruta do estado progressivo de contemplação, atingindo então o que afirmam ser a experiência ideal. “Sentimos que o tempo passa mais devagar, e assim as pessoas gastam com os seus eletrônicos mais tempo do que o inicialmente planejado. É por esta razão também que muitas pessoas se tornam dependentes da tecnologia, pois percebem que ao usar os eletrônicos, podem atingir esse estado maior de bem-estar consigo mesmos, afastando-se temporariamente de seus problemas e de suas aflições pessoais”, acrescenta.

“Como profissional de saúde, devo dizer que tenho testemunhado continuadamente que na esfera da vida privada, nossas capacidades, talentos e possibilidades estão, a cada dia, desidratando. Ficamos mais isolados em nosso trabalho, ao fracionar a concentração exigida pelas demandas corporativas e, por outro lado, nossos gadgets. Em nossa vida privada, quando junto à nossa família, alternamos a atenção entre nosso grupo afetivo e os tablets ou laptops que nos acompanham do início ao final do dia. Nas academias, os alunos que antes disputavam um lugar no reflexo no espelho, agora possivelmente destinam mais cuidado para seus celulares. Nossa vida recreativa? Basta apenas dar uma olhada no que acontece em bares, teatros, restaurantes, aeroportos ou até mesmo nas praias. Quase todos vivendo absortos e desatentos”, explica o médico.

Assim, é possível que os seres humanos estejam se tornando cada vez mais preparados em função do convívio e da exposição sistemática à tecnologia, entretanto, não seria insensato dizer que a vida psicológica, em muitos casos, está sofrendo um encolhimento pelo efeito tinder, facebook, viper, whatsapp, etc. No local onde se deve manejar as frustrações, desejos e inquietudes, ergue-se um mundo paralelo de engessamento e de simplificação emocional. “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas”, afirmou Albert Einstein. Este é o grande paradoxo da internet.

Acesso à internet no Brasil

Uma pesquisa patrocinada pela Fundação Telefonica/Vivo afirma que 51,25% da população brasileira têm acesso ao computador, à internet, ao celular e ao telefone fixo. Entre 156 países, o Brasil ocupa a 72ª posição no Índice Integrado de Telefonia, Internet e Celular de Inclusão Digital.

Segundo os cálculos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Fundação Telefônica/Vivo, com base em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Gallup, 51,25% da população brasileira têm acesso ao computador, à internet, ao celular e ao telefone fixo. O país com o melhor indicador é a Suécia (95,8%), seguido pela Islândia e Cingapura, empatadas com 95,5%. Nas últimas colocações da lista, estão a Etiópia (8,25%), a República Centro-Africana (5,5%) e Burundi (5,75%), todos no Continente Africano.

A pesquisa também avaliou a inclusão digital entre os municípios brasileiros. Das mais de 5.000 cidades listadas no Censo 2010, a conectividade é maior em São Caetano do Sul (SP), Santos (SP), Florianópolis (SC), Vitória (ES) e Niterói (RJ) – todas com indicador acima de 70%. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília ocupam a 19ª, 20ª e a 21ª posições no ranking nacional, respectivamente.

A internet chega a três em cada quatro domicílios do país, concluiu a PNAD Contínua TIC 2017, pesquisa domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que investiga o acesso à internet e à televisão, além da posse de telefone celular para uso pessoal. O percentual de domicílios que utilizavam a internet subiu de 69,3% para 74,9%, de 2016 para 2017, representando uma alta de 5,6 pontos percentuais. Nesse período, a proporção de domicílios com telefone fixo caiu de 33,6% para 31,5%, enquanto a presença do celular aumentou, passando de 92,6% para 93,2% dos domicílios.

Entre as 181,1 milhões de pessoas com dez anos ou mais de idade no país, 69,8% acessaram à internet pelo menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa. Em números absolutos, esse contingente passou de 116,1 milhões para 126,3 milhões, no período. O maior percentual foi no grupo etário de 20 a 24 anos (88,4%). Já a proporção dos idosos (60 anos ou mais) que acessaram a Internet subiu de 24,7% (2016) para 31,1% (2017) e mostrou o maior aumento proporcional (25,9%) entre os grupos etários analisados pela pesquisa.

De 2016 para 2017, o percentual de pessoas que acessaram à internet através do celular aumentou de 94,6% para 97,0% e a parcela que usou a televisão para esse fim subiu de 11,3% para 16,3%. Já a taxa dos que utilizaram microcomputador para acessar à internet caiu de 63,7% para 56,6%.

“Enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail” foi a finalidade de acesso à rede indicada por 95,5% dos usuários da internet. “Conversar por chamada de voz ou vídeo” foi a finalidade que apresentou o maior aumento de 2016 (73,3%) para 2017 (83,8%).

A parcela da população de dez anos ou mais que tinha celular para uso pessoal passou de 77,1% (2016) para 78,2% (2017). Na área urbana, esse percentual era de 81,9%, e, em área rural, 55,8%, em 2017.

Em 96,7% dos 70,4 milhões de domicílios do país havia aparelho de televisão, dos quais 79,8% tinham conversor (integrado ou adaptado) para receber o sinal digital de televisão aberta. O percentual de domicílios que já recebiam esse sinal cresceu de 57,3% (2016) para 66,6% (2017) e a parcela dos que não tinham nenhuma das três condições de acesso ao sinal digital (conversor, antena parabólica ou televisão por assinatura) caiu de 10,3% (2016) para 6,2% (2017).

internet3

O uso da TI envolve as técnicas de segurança para a segurança cibernética. A NBR ISO/IEC 27032 de 06/2015 – Tecnologia da Informação – Técnicas de segurança – Diretrizes para segurança cibernética fornece as diretrizes para melhorar o estado de segurança cibernética, traçando os aspectos típicos desta atividade e suas ramificações em outros domínios de segurança, em especial: a segurança de informação; a segurança de rede; a segurança da internet; e a proteção da infraestrutura crítica de informação (CIIP). Ela abrange as práticas básicas de segurança para as partes interessadas no espaço cibernético.

Esta norma fornece: uma visão geral de segurança cibernética; uma explicação da relação entre segurança cibernética e outros tipos de segurança; uma definição de parte interessada e descrição de seus papéis na segurança cibernética; orientação para abordar as questões comuns de segurança cibernética; e uma estrutura para capacitar as partes interessadas a colaborar na resolução de questões de segurança cibernética.

O espaço cibernético é um ambiente complexo resultante da interação de pessoas, software e serviços na internet, suportado por instrumentos físicos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e redes conectadas e distribuídas pelo mundo inteiro. No entanto, há questões de segurança não abrangidas pela atual segurança da informação, segurança de internet, segurança de redes e as melhores práticas recomendadas de segurança de TIC, assim como as lacunas entre esses domínios, bem como a falha de comunicação entre as organizações e provedores no espaço cibernético.

Isso ocorre porque os dispositivos e redes conectadas que suportam o espaço cibernético têm vários proprietários, cada um com suas próprias preocupações comerciais, operacionais e regulamentares. O foco diferente colocado por cada organização e fornecedor no espaço cibernético em domínios de segurança relevantes em que pouca ou nenhuma colaboração é buscada em outra organização ou provedor, resultou em um estado fragmentário de segurança para o espaço cibernético.

Como tal, a primeira área de foco desta norma é a segurança do espaço cibernético ou as questões de segurança cibernética que se concentram em preencher as lacunas nos diferentes domínios de segurança do espaço cibernético. Em particular, esta norma oferece diretriz técnica para tratar os riscos de segurança cibernética comuns, incluindo: ataques de engenharia social; hacking; a proliferação de softwares mal intencionados (malware); software espião (spyware); e outros softwares potencialmente indesejados.

A diretriz técnica proporciona controles para lidar com estes riscos, incluindo controles para: preparar-se contra ataques, por exemplo, de malware, de meliantes ou de organizações criminosas na internet; detectar e monitorar ataques, e responder a ataques. A segunda área de foco desta norma é a colaboração, assim como uma necessidade de compartilhamento de informações eficiente e eficaz, para coordenação e gestão de incidentes entre as partes interessadas (stakeholders) no espaço cibernético. Esta colaboração deve ocorrer de maneira segura e confiável que também proteja a privacidade dos indivíduos envolvidos.

Muitas dessas partes interessadas podem residir em diferentes localidades geográficas e fusos horários e é provável que sejam regidos por diferentes regimes regulatórios. São consideradas partes interessadas: consumidores, que podem ser de vários tipos de organizações ou indivíduos; e provedores, que incluem prestadores de serviços. Esta norma também fornece uma estrutura para: compartilhamento de informação; coordenação; e gestão de incidentes.

A estrutura inclui: elementos chave para estabelecimento de confiança; processos necessários para colaboração, intercâmbio e compartilhamento de informações; assim como os requisitos técnicos para integração de sistemas e interoperabilidade entre diferentes partes interessadas. Dado o escopo desta norma, os controles previstos são necessariamente de alto nível. Diretrizes e padrões detalhados de especificação técnica aplicáveis para cada área são referenciados por esta norma para orientação posterior.

Esta norma aplica-se aos prestadores de serviços no espaço cibernético. O público-alvo, no entanto, inclui os consumidores que utilizam esses serviços. Na medida em que organizações prestam serviços no espaço cibernético às pessoas, para uso em casa ou em outras organizações, elas podem precisar criar, com base nesta norma, orientações que contenham explicações adicionais ou exemplos suficientes para permitir ao leitor compreender e agir conforme estes. Esta norma não trata de: cuidados no espaço cibernético; crime cibernético; CIIP; proteção na internet; e crimes relacionados com a internet.

Reconhece-se que há relações entre os domínios mencionados e a segurança cibernética. No entanto, está fora de o escopo desta norma tratar essas relações e o compartilhamento de controles entre estes domínios. É importante notar que o conceito de crime cibernético, embora mencionado, não é abordado.

Esta norma não fornece orientação sobre aspectos legais relacionados ao espaço cibernético ou à segurança cibernética. A orientação desta norma é limitada à concretização do espaço cibernético na internet, incluindo os usuários finais.

No entanto, a extensão do espaço cibernético para outras representações espaciais por meio de mídias e plataformas de comunicação não é abordada, nem os aspectos de sua segurança física. Por exemplo, não é abordada a proteção dos elementos de infraestrutura, como meios de comunicação que mantêm o espaço cibernético.

Caia fora das redes sociais

Para o filósofo da computação Jaron Lanier, as pessoas devem sair fora das redes sociais. “Evito as redes sociais pelo mesmo motivo que evito as drogas”, diz, afirmando, categoricamente, que todos devem apagar todas as suas contas.

A grande questão, para Lanier, é o modelo regido pela publicidade e a propaganda que hoje conduz a internet – um antigo paradigma, que antes simplesmente nos oferecia um produto, mas que agora, através do complexo jogo de algoritmos, pretende modificar a maneira com que pensamos, agimos e tomamos decisões. “Sem que percebamos, feito um silencioso e invisível vírus que entra por nossos olhos vidrados, tal adestramento visa somente o lucro e o poder dos poucos magnatas que hoje comandam a internet – e, com isso, nossas vidas”.

Pode parecer paranoico: tanto quanto parecia quando se dizia, na década de 1960 e 1970, que o cigarro destruiria a saúde. Basta lembrar, para ficar na camada mais evidente, das últimas eleições americanas e brasileiras, para sentir o peso das redes sociais sobre nossa saúde política, comportamental, eleitoral, democrática.

Hoje, há a certeza do mal que o cigarro faz, mas será que já se sabe, mesmo que intuitivamente, dos males das redes sociais? Só não se gosta de admitir, de saber que se deve realmente largá-las. Foi em forma de manifesto, como um convite de libertação, que Lanier, um dos precursores da internet e da realidade virtual, escreveu o livro Dez Argumentos para você deletar agora suas redes sociais.

internet4

Para entender melhor o que Lanier acusa em seu livro, leia abaixo alguns argumentos do livro para as pessoas caírem fora das redes sociais.

– Você está perdendo seu livre-arbítrio – Como ratos em laboratórios, através do registro de nossas ações em redes, somos parte de um experimento, no qual empresas, partidos políticos ou difusores de notícias falsas aproveitam momentos mais suscetíveis para nos enviar suas mensagens – a fim de nos vender uma ideia, uma mentira, um produto, e assim pautar nosso comportamento financeiro, ideológico ou eleitoral.

– Estão nos deixando infelizes – Apesar da promessa e da impressão de aproximação e conexão que as redes sugerem, através do bullying virtual, dos trolls e principalmente da manutenção e ostensão de padrões de beleza, riqueza e status (na maioria das verdades também falsos), o efeito que pesquisas comprovam é, em verdade, de uma sensação ainda maior de isolamento – aprofundada pela maneira com que os algoritmos efetivamente nos isolam em bolhas, e com isso nos rotulam e definem.

– Estão acabando com a verdade – Através do uso de bots, não só mentiras funcionais, com intenções políticas ou financeiras, se transformam em verdade para a manipulação da opinião pública, como teorias estapafúrdias e delirantes, como o terraplanismo e os movimentos contra as vacinas. Isso acaba ganhando contornos reais, criando, por exemplo, uma tendência contrária à ciência, ao bom jornalismo, às pesquisas ou à verdade de modo geral que nos traz perigos efetivos e, esses sim, reais.

– As redes destroem nossa capacidade de empatia – A grande questão por trás desse argumento é a tal bolha: o isolamento em nossas bolhas, pelo algoritmo que nos oferece somente aquilo que já conhecemos, concordamos, reconhecemos e com o qual nos sentimos confortáveis – e, com isso, não vemos ideias e pessoas com as quais não concordamos, que nos desafiam, que exijam de nós nossa compreensão e diálogo, lidando somente com a caricatura (eventualmente mentirosa) de tais expressões.

– Elas não querem sua dignidade econômica – O modelo de rendimento através da publicidade encobre o fato de que atualmente são os usuários que produzem o conteúdo sobre os quais as empresas anunciam – sem que recebem um centavo por isso. A solução sugerida por Lanier seria que pagássemos para utilizar as redes, e pudéssemos receber alguma compensação pela produção de conteúdo que hoje são ofertados gratuitamente para que se tornem matéria de publicidade.



Categorias:Normalização, Qualidade

Tags:, , , , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: