A Qualidade dos transportadores de correia

Uma das ferramentas básicas na indústria de manuseio de materiais, os transportadores de correia (TC) são mais comumente usados no transporte de materiais a granel (grãos, sal, carvão, minério, areia, etc.). Esses sistemas consistem em duas ou mais polias, também conhecidas como tambores. Um loop infinito de meio de transporte – a correia transportadora – gira sobre eles. Para mover a correia e o material que ela transporta, uma ou ambas as polias são acionadas. A polia acionadora é chamada de polia motriz, a não impulsionada é conhecida como polia intermediária. Há a necessidade de se conhecer os procedimentos normativos de fabricação dos transportadores de correia e os requisitos de segurança para os seus projetos.

correia2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

Os transportadores de correia no manuseio de materiais, como as caixas móveis dentro de uma instalação, formam uma classe diferente de levar grandes volumes de recursos e materiais. Com base no uso proposto, as correias transportadoras são fabricadas com PVC ou borracha, consistindo em uma ou mais camadas de material.

A maioria das correias no manuseio geral de materiais consiste em duas camadas. A carcaça é o nome da camada inferior que fornece resistência e forma lineares, enquanto a capa é o nome da camada superior. Poliéster, náilon e algodão são usados com mais frequência para criar a carcaça, enquanto uma variedade de compostos de borracha ou plástico especificados pelo uso da correia são usados para criar a capa.

As correias transportadoras são um dos meios mais eficazes de transportar materiais a granel, contudo como as pessoas estão trabalhando com um equipamento móvel, há uma chance muito séria de ferimentos ou morte se os funcionários não forem treinados sobre como trabalhar em torno das correias transportadoras. O treinamento é a parte básica e fundamental de preparar os funcionários para se manterem seguros em todos os ambientes industriais.

A gerência deve transmitir todas as questões de segurança aos seus novos funcionários e ter certeza de que eles entendem o quão perigoso o equipamento que eles trabalharão pode ser. Assim, um sinal sonoro deve ser emitido imediatamente antes de iniciar o transportador. Se a estação de operação estiver em um local remoto, disposições similares para parar o motor ou o motor devem ser fornecidas no local do motor ou do motor.

Igualmente, deve haver um interruptor de parada de emergência disposto de modo que o transportador não possa ser iniciado novamente até que o interruptor de parada de acionamento seja redefinido para funcionar na posição ligado. Os transportadores helicoidais devem ser protegidos para impedir o contato dos funcionários com os problemas de viragem.

Devem ser providenciadas proteções para os funcionários que precisam trabalhar abaixo dos transportadores que passam por áreas de trabalho, corredores ou passagens. Esses cruzamentos, corredores e passagens devem ser visivelmente marcados com sinais adequados.

Os transportadores devem ser bloqueados ou tornados inoperantes e marcados com uma etiqueta Não operar durante os reparos e quando a operação for perigosa para os funcionários que estão realizando o trabalho de manutenção. Todos os transportadores em uso devem atender aos requisitos aplicáveis para projeto, construção, inspeção, teste, manutenção e operação conforme prescrito nas normas técnicas abaixo.

Os transportadores contribuem para uma das formas mais comuns de se machucar e quando os visitantes estão na instalação devem ser informados sobre as formas de se proteger em torno das correias transportadoras e outros equipamentos móveis. Outras regras importantes relativas à segurança das correias transportadoras são: somente pessoal de manutenção autorizado deve atender os transportadores; nunca ande, pise ou sente-se em uma esteira a qualquer momento; nunca remova as proteções, pois estão lá como proteção contra partes móveis, como engrenagens e correntes; conheça a localização dos controles de início/parada e mantenha a área livre de obstruções; limpeza apenas quando o transportador estiver parado; relatar todas as práticas inseguras ao seu supervisor; nunca carregue uma correia transportadora parada ou o sobrecarregue em funcionamento.

Importante também lembrar que, tentar limpar os atolamentos do conversor, pode criar condições inseguras e possivelmente danificar o equipamento. Deve-se usar técnicas de levantamento corretas. As posições e postura inseguras podem causar ferimentos ao trabalhar em torno das correias transportadoras. Certifique-se de que a área esteja livre de detritos e riscos de tropeço.

Não se deve esquecer de que, se as pessoas trabalharem por baixo das correias transportadoras, deve haver redes instaladas para capturar qualquer item em queda e que a manutenção nunca deve ser realizada até que todas as fontes de energia hidráulica, elétrica e de gravidade tenham sido bloqueadas e bloqueadas.

Os técnicos recomendam que seja utilizado o Equipamento de Proteção Individual (EPI) relevante para a tarefa e área de trabalho. Por exemplo, as luvas que proporcionam boa aderência são necessárias para o manuseio de itens volumosos, óculos de segurança devem ser usados quando os materiais na esteira são perigosos e apoios para as costas de segurança ajudarão os trabalhadores a fazer o levantamento. Mantenha o cabelo, roupas soltas, dedos e todas as partes do corpo longe da esteira.

Segundo a Conveyor Equipment Manufacture Association (Cema), as correias transportadoras detêm uma posição dominante no transporte de materiais devido às suas inerentes vantagens, como economia e segurança de operação, confiabilidade, versatilidade e enorme gama de capacidades. Utilizadas nos mais diversos segmentos de mercado, possuem características técnicas que permitem sua aplicação em sistemas de transporte e elevação de materiais de pequeno, médio e grande porte, dependendo de sua adequada configuração.

No setor mineral e metalúrgico, observa-se que os transportadores de correia constituem o meio mais difundido de transporte para grandes quantidades de materiais a granel, reduzindo desta forma, a quantidade de caminhões e o custo deste tipo de serviço. Em adição, são utilizadas em numerosos processos, em conexão com seu propósito normal de providenciar um fluxo contínuo de materiais entre operações.

O sistema é basicamente formado por uma correia sem fim, a qual é estendida entre dois tambores (acionamento e de retorno) principais e roletes justapostos, sobre os quais a correia desliza, com baixo atrito, possibilitando a movimentação de cargas pesadas. O sistema possui alguns fatores limitantes como a velocidade do transporte e a inclinação da correia. A velocidade da correia depende do material a ser transportado e a inclinação da correia pode ser usada, segundo alguns autores, entre 12° e 15° em relação ao plano horizontal.

A conformidade com os requerimento ambientais incentivou a seleção de correias transportadoras sobre outros meios de transporte. Baseando-se nesse contexto e no custo energético empregado no processamento de minérios, torna-se de suma importância o desenvolvimento e a aplicação de métodos cada vez mais precisos para o projeto dos transportadores de correia. Um mau projeto destes equipamentos pode causar, dentre outros danos, o acúmulo de sujeiras nas suas lonas que podem se espalhar ao longo do transportador, acumulando-se em roletes de retorno e entradas de descarga.

Tudo isso provoca acidentes e travamentos da correia e uma parada imprevista para manutenção acarreta prejuízos na linha de produção Para o projeto desses equipamentos, são comumente empregados dois métodos: método prático e método Cema. O método prático, mais simplificado, aplica-se aos transportadores simples e de pequena capacidade. Neste, calcula-se primeiramente a potência necessária para o transporte e, a partir desta, as tensões na correia. O método Cema, mais sofisticado, é aplicável a transportadores de vários lances, curtos ou longos, onde calcula-se inicialmente as tensões em cada lance da correia, e, após isto, calcula-se a potência de acionamento.

Historicamente, conforme a Cema, o uso dos transportadores de correia teve início a partir da segunda metade do século XVIII na Inglaterra, movidos a vapor. O desenvolvimento de transportadores de correia capazes de transportar virtualmente qualquer material a granel a milhares de toneladas por hora, em um fluxo contínuo e uniforme é uma das inovações mais importantes da indústria moderna. Em 1891, os transportadores com correias de borracha foram utilizados nos Estados Unidos pela primeira vez para manusear materiais a granel pesados, previamente considerados transportáveis apenas com equipamento móvel e gravidade, quando Thomas Edson experimentou utilizar correias planas, similar àquelas utilizadas na indústria de grãos para transportar minério pesado e abrasivo, na sua mina de ferro e planta de processamento em Ogdensburg, Nova Jérsei.

As correias eram simplesmente em brim de algodão. Ficou constatado que as correias em algodão e roletes em madeira não eram páreo para os minérios pesados e abrasivos. A troca dos roletes e das correias se fazia necessária a cada ciclo de um ou dois meses.

No mesmo ano de 1891, Thomas Robbins sugeriu que Thomas Edson tentasse usar uma correia em brim de algodão revestida com uma cobertura de borracha. Edson concordou e a nova correia provou ser a solução para o desgaste. Iniciou-se um relacionamento de trabalho entre os dois inventores.

Robbins persuadiu Edson a usar roletes tipo carretel para formar o leito, o que se demonstrou ser uma falha, porque a borda superior do rolete movia-se a uma velocidade periférica maior que a base do leito, causando danos ao lado inferior da correia devido à resistência de atrito.

A solução recomendada por Robbins foi dividir o carretel em três rolos cilíndricos independentes, cada um suportado por rolamentos nas extremidades de seus eixos. Essas duas inovações, as coberturas de borracha para as correias e o rolete de três rolos independentes tornaram-se a base para o projeto moderno dos transportadores de correia.

A NBR 16275 de 03/2014 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Sistema de limpeza – Método de obtenção de valor de referência para avaliação da eficiência de raspadores estabelece o método para obtenção do valor de referência para avaliação da eficiência do sistema de raspadores de correias transportadoras. A NBR 6110 de 02/2015 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Larguras e comprimentos de correias transportadoras estabelece os requisitos relativos à largura e tolerâncias para larguras e comprimentos de correias transportadoras. A NBR 16422 de 11/2015 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Distâncias mínimas para instalação de raspadores secundários em chutes de transferência de transportadores de correia especifica as distâncias mínimas para instalações de raspadores secundários em chutes de transferência de transportadores de correia.

A NBR 6678 de 09/2017 – Transportadores contínuos – Transportadores de correias – Roletes – Projeto, seleção e padronização especifica as dimensões de rolos e suportes, arranjos e folgas de roletes, cargas admissíveis e procedimentos para seleção e inspeção de roletes para transportadores de correia. Não se aplica aos roletes de transportadores portáteis, exceto os rolos que devem atender integralmente aos requisitos aqui estabelecidos. Aplica-se aos seguintes tipos, de acordo com a NBR 6177. Nos roletes de carga: rolete de carga plano; rolete de carga triplo com três rolos iguais e alinhados; rolete de carga duplo com dois rolos iguais e alinhados. Nos roletes de impacto: rolete de impacto plano; rolete de impacto triplo com três rolos iguais e alinhados; rolete de impacto duplo com dois rolos iguais e alinhados.

Nos roletes de carga autoalinhantes: rolete de carga plano; rolete de carga triplo com três rolos iguais e alinhados; rolete de carga duplo com dois rolos iguais e alinhados. No rolete de transição variável com três rolos iguais. Nos roletes de retorno:  rolete de retorno plano, rolo único; rolete de retorno plano com anéis de borracha, rolo único; rolete de retorno plano, rolo duplo; rolete de retorno plano com anéis de borracha, rolo duplo; rolete de retorno em “V”; rolete de retorno em “V” com anéis de borracha. roletes de retorno autoalinhantes: rolete de retorno plano, rolo único; rolete de retorno plano com anéis de borracha, rolo único; rolete de retorno plano, rolo duplo; rolete de retorno plano com anéis de borracha, rolo duplo; rolete de retorno em “V”; rolete de retorno em “V” com anéis de borracha.

A identificação dos roletes deve ser feita da seguinte forma e ordem: letras RS indicativas de rolete; tipo do rolete; diâmetro do eixo no rolamento; diâmetro do eixo entre rolamentos (quando aplicável o escalonamento do eixo, quando houver. Somente para roletes de retorno e carga planos, diâmetro nominal do rolo, Incluir ainda o número do rolamento; e a largura da correia; ângulo de inclinação do rolo lateral (aplicável para os roletes duplos e triplos).

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Quanto aos critérios construtivos e características dos rolos, o corpo do rolo deve ser constituído por um tubo de aço, com espessura e diâmetro adequados ao uso previsto e projetado nas suas extremidades para obter a máxima precisão de montagem. As sedes dos rolamentos são características específicas de cada fabricante, e devem ser resistentes e rígidas, projetadas em conformidade com a carga máxima para os diversos tipos de rolos.

As sedes dos rolamentos devem ser projetadas de modo a reduzir o ângulo entre o rolamento e o eixo causado pela deflexão do próprio eixo sob carga. Recomenda-se que o diâmetro interno do alojamento dos rolamentos para todas as séries seja calibrado ou usinado, e os limites de tolerância deste diâmetro devem estar de acordo com a NBR 6158, classe M7.

O eixo é o elemento sustentador do rolo e deve ser dimensionado em função da carga e do comprimento do rolo, obedecendo aos critérios de deflexão máxima nos rolamentos definidos nesta norma. Para o sistema de vedação e lubrificação, um rolo de qualidade é caracterizado pela eficiência de seu sistema de vedação. A eficiência do sistema de vedação pode ser avaliada em comum acordo entre usuário e fabricante, em conformidade com a NBR 16169. Recomenda-se que os rolos sejam fornecidos com sistema de lubrificação permanente.

O tipo e a dimensão de um rolo a ser aplicado em um transportador de correia dependem de algumas informações, como: capacidade do transportador de correia; velocidade da correia; largura da correia; peso da correia por metro linear; característica do material que está sendo transportado; condições ambientais; condições de operação; condições de manutenção; espaçamento dos roletes; tipo do rolete; temperatura de trabalho. A seleção do rolo deve considerar a condição mais crítica em operação: correia 100 % carregada, desalinhamento vertical, forças de impacto em pontos de carregamento, etc.

As condições ambientais e de manutenção do transportador não têm uma base matemática exata, porém estas condições afetam a vida útil do rolo dimensionado. O valor de carga em um rolete depende do tipo (carga, retorno ou impacto), do número de rolos por suporte e da inclinação dos rolos. Para determinação da carga sobre o rolo de maior solicitação, os valores mínimos, considerando-se a correia 100% carregada, devem ser usados conforme a tabela abaixo.

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Os roletes de impacto sofrem cargas dinâmicas adicionais resultantes do impacto do material sobre a correia. Normalmente, um projeto adequado do chute de alimentação e a utilização de um espaçamento da ordem de 300 mm a 400 mm entre roletes, permitem a utilização do mesmo rolamento e eixo dos roletes de carga, porém como o cálculo das forças envolvidas depende da experiência, o fabricante deve ser consultado para a confirmação dos rolos de impacto.

Para selecionar o rolo mais adequado ao serviço pretendido, deve ser adotado o seguinte procedimento geral: calcular a carga atuante Pa em um rolo; calcular a carga para seleção Ps em um rolo, resultante da carga atuante Pa, do peso da correia, do peso das partes móveis do rolo e dos fatores de correção; com a carga para a seleção Ps, escolher o rolo mais adequado; verificar a vida do rolamento e a capacidade do suporte. Se a vida do rolamento for inferior à desejada ou se a capacidade do suporte for insuficiente, escolher um rolo da série imediatamente superior e realizar nova verificação.

A NBR 6172 de 10/2014 – Transportadores contínuos – Transportadores de correias – Tambores – Dimensões padroniza as dimensões básicas e alguns critérios de qualidade de tambores de transportadores de correia contínuos. Aplica-se aplica aos seguintes tipos de tambores: quanto à superfície de contato: tambores revestidos; tambores sem revestimento; quanto à forma geométrica: tambores planos; tambores abaulados; quanto ao acionamento: tambores de acionamento; tambores livres. Na tabela abaixo estão indicados os materiais normalmente aplicáveis aos tambores, devendo os casos especiais ser acordados entre usuário e fabricante.

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Nas séries normalizadas, os tambores são divididos em dois grupos, conforme a seguir. A série completa engloba todas as larguras de correias, diâmetro de tambores e mancais. É recomendada para instalações com condições severas de carga e trabalho. A distância centro a centro de mancais foi estabelecida prevendo-se a utilização de mancais com vedação que possuam dois ou mais elementos com injeção de graxa entre esses elementos, garantindo o purgamento de contaminantes para fora da caixa.

A série reduzida não contempla todas as larguras de correia. A distância centro a centro de mancais é menor do que a da série completa, pois foi determinada prevendo-se a utilização de mancais sem vedação com dois ou mais elementos. O diâmetro máximo do eixo no mancal foi limitado em 140 mm.

A identificação dos tambores deve ser feita com os seguintes dados, na ordem indicada a seguir. O tipo de tambor na sequência: função: de acionamento ou livre; geometria: plano ou abaulado; superfície de contato: revestido ou sem revestimento; revestimento: borracha (liso ou ranhurado), cerâmico ou metálico; comprimento do tambor; diâmetro do tambor sem revestimento, em milímetros; diâmetro do eixo no mancal, no cubo e entre cubos, nesta sequência, em milímetros; diâmetro do eixo no acoplamento, em milímetros, quando se tratar de tambor de acionamento; para outros detalhes, indicar número do desenho. Se o tambor apresentar características especiais, como ponta para contra recuo, após a codificação deve ser indicado o número do desenho, mostrando detalhes adicionais.

A NBR 8205 de 01/2014 – Transportadores contínuos — Transportadores de correia — Cálculo de força e potência estabelece os procedimentos para obtenção da potência requerida no transportador de correia, a partir das condições de carregamento e de suas resistências ao movimento. Em sistemas contendo configurações de menor complexidade, a partir da metodologia de cálculo apresentada nesta norma, obtêm-se satisfatoriamente os valores de forças e potências que são críticas na seleção da correia, dos tambores e na definição dos conjuntos de acionamentos dos transportadores contínuos. Esta norma não se aplica aos transportadores que apresentam elevada complexidade, contendo perfil misto, acionamento em vários pontos, curvas horizontais ou força média maior que 70.000 N.

A resistência total ao movimento de um transportador de correia é o somatório de diversas resistências, que podem ser classificadas em cinco grupos: resistências distribuídas – FD; resistências localizadas – FL; resistências especiais distribuídas – FED; resistências especiais localizadas – FEL; resistências de elevação – FH. Estes cinco grupos incluem as resistências que o conjunto de acionamento de um transportador de correia deve superar (atrito, inclinação, flexão, etc.), assim como aceleração do material até a velocidade de regime, na zona de carregamento. As resistências distribuídas e localizadas aparecem em todos os transportadores, enquanto as resistências especiais aparecem somente em certos casos.

As resistências distribuídas apresentam-se continuamente ao longo do transportador, enquanto as localizadas aparecem apenas em alguns pontos específicos. A resistência de elevação pode ser positiva, negativa ou nula, dependendo da inclinação do transportador. Pode também apresentar-se de uma maneira contínua ao longo do transportador ou somente em certos trechos.

Com relação à eficiência energética, para o cálculo de potência de determinadas naturezas de transportadores, é recomendável considerar a característica viscoelástica especial da correia, que permite a redução de atrito entre correia e rolos, e consequentemente a potência de acionamento. As forças induzidas na correia variam ao longo de todo o transportador. Seus valores dependem: do perfil do transportador; da quantidade e da disposição dos tambores de acionamento; das características dos sistemas de acionamento e de frenagem; do tipo e da disposição de carga do transportador, ou seja, em regime, na partida, na parada, com carregamento parcial, etc.

As forças devem ser as mais baixas possíveis, para que não seja necessário empregar componentes (correia, tambores, etc.) mais robustos que o necessário. Entretanto, para uma operação segura do equipamento, é indispensável que as forças na correia satisfaçam duas condições: com qualquer condição de carregamento, as forças periféricas aplicadas a todos os tambores de acionamento devem ser transmitidas à correia através de atrito sem qualquer escorregamento; as forças em qualquer ponto do lado de carregamento devem ser sufi cientes para reduzir a flecha da correia entre roletes a um valor máximo de 2%.

A NBR 16169 de 04/2013 – Transportadores contínuos, transportadores de correia — Metodologia para ensaio dinâmico de vedação em rolos de transportadores de correia em tanque de lama determina a metodologia a ser seguida para ensaio do desempenho de vedações de rolos transportadores em tanque de lama para rolos utilizados em transportadores de correias. A NBR 8011 de 11/2014 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Cálculo da capacidade estabelece os requisitos exigíveis para determinação da capacidade dos transportadores de correia planos ou côncavos com roletes planos, duplos ou triplos de rolos iguais. A NBR 6177 de 03/2016 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Terminologia define os termos empregados em transportadores de correia.

A NBR 13861 de 02/2013 – Transportadores contínuos — Transportadores de correia — Armazenagem, embalagem e manuseio de correias transportadoras estabelece os requisitos a serem adotados na armazenagem, embalagem e manuseio de correias transportadoras. A NBR 15391 de 06/2015 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Emenda por colagem à frio de correias transportadoras – Método de ensaio estabelece o método de ensaio para colagem a frio de emendas em correias transportadoras. A NBR 16139 de 01/2013 – Transportadores de correias — Procedimento para ensaio dinâmico para rolos de carga — Método de ensaio determina os procedimentos a serem seguidos para ensaio dinâmico de rolos de carga utilizados em transportadores de correia. Além disso, especifica os critérios de avaliação dos rolos ensaiados.

A NBR 6171 de 05/2015 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Folga das bordas das correias padroniza a folga das bordas das correias transportadoras em relação ao obstáculo lateral mais próximo. A NBR 8163 de 01/2014 – Transportadores contínuos — Transportadores de correia — Espessuras de correias transportadoras e suas coberturas padroniza as espessuras das coberturas e as tolerâncias da espessura total e da espessura das coberturas de correias transportadoras.

Quanto à segurança, a NBR 13742 de 01/2009 – Transportadores contínuos – Transportadores de correia – Procedimentos de segurança estabelece os procedimentos de segurança para transportadores de correia (TC), a serem observados pelos usuários destes equipamentos, de forma a se garantirem condições seguras de operação e manutenção. Os transportadores de correia são equipamentos de alta confiabilidade, desde que respeitadas algumas condições mínimas. Para garantir o seu desempenho sem danos à vida útil ou riscos operacionais, devem-se respeitar as condições básicas do projeto, principalmente a sua capacidade (tonelagem por hora).

Alguns pontos são potencialmente perigosos e todo cuidado deve ser tomado quando próximo destas áreas. Embora proteções adequadas, conforme NBR 13862, devam estar instaladas, ocasionalmente, por falhas variadas, estes locais podem não estar protegidos. Nestes locais, devido às forças existentes internamente na correia, acidentes fatais podem ocorrer. Nas figuras abaixo são mostrados alguns destes pontos perigosos.

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Normalmente, não é necessária a proteção dos pontos de encontro correia-rolete. Entretanto, em alguns casos específicos, devido às forças que puxam a correia contra o rolete, deve-se estudar a necessidade de se proteger ou não estes pontos. Existem locais nos quais, embora não haja risco de acidente fatal, existe risco muito grande para as mãos, que podem ficar presas e sofrer lesões.

Se a distância entre a correia e o obstáculo for pequena (inferior a 50 mm), as mãos podem ficar presas. Uma distância entre 70 mm e 120 mm, que pode prender um braço, deve ser evitada. Nos transportadores de alta velocidade (superior a 3,5 m/s) estas situações são ainda mais graves. Somente pessoal treinado e qualificado deve ser autorizado a operar ou manter transportadores de correia.

Estas pessoas devem ter sólidos conhecimentos sobre o funcionamento e operação do equipamento, suas limitações e dispositivos de segurança. Ao desenergizar um transportador de correia, devem-se manter as chaves elétricas devidamente etiquetadas e bloqueadas, para garantir que pessoas não autorizadas não coloquem novamente equipamentos em operação. Se for uma máquina de pátio (empilhadeira, retomadora ou outra), também deve ser desenergizada e bloqueada, pois o seu movimento pode provocar o movimento do transportador.

Um transportador de correia não deve receber manutenção em locais não protegidos, quando em operação. Porém, quando assim necessário, somente pessoas experientes e treinadas, com conhecimento dos perigos a que estão sujeitas, devem executá-la. A área em manutenção deve ser cercada e/ou sinalizada. Esta é uma operação de extremo risco.

Em caso de manutenção com o equipamento em operação em locais não protegidos, uma segunda pessoa habilitada deve vigiar a pessoa trabalhando para, em caso de emergência, acionar rapidamente um dispositivo de segurança capaz de parar imediatamente o equipamento. Um transportador de correia que tenha parado por causa de alguma emergência só deve partir novamente após cuidadosa inspeção. O sistema de partida deve ser bloqueado enquanto a inspeção é realizada.

As -áreas de carregamento ou descarregamento de material, quando abertas, devem ser devidamente sinalizadas para evitar lesões em pessoal. Ao atravessar de um lado para o outro de um transportador de correia, devem ser utilizadas sempre as passarelas. Se estas não existirem, devem ser instaladas.

Não é permitido andar em cima de um transportador de correia, pois graves acidentes podem ocorrer se o transportador entrar ou estiver em operação. A lubrificação com o transportador em operação somente deve ser executada em pontos protegidos e onde não houver necessidade de retirada de guardas de proteção. Deve-se identificar de forma bem visível, pelo menos um local adequado (acesso, espaço, iluminação, etc.) para emenda e reparos da correia.

Para garantir a segurança do material e do equipamento, os dispositivos de segurança devem ser rigorosamente mantidos em bom estado. Testes regulares devem ser realizados para avaliar as suas condições. Não se deve retirar ou contornar (através de by-pass) um dispositivo elétrico sem ter certeza de sua função e consequências desta modificação. Todo dispositivo de segurança utilizado, seja elétrico ou mecânico, deve ser certificado por órgão de idoneidade e competência.

Chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem ser instaladas junto ao acionamento e em ambos os lados do transportador contínuo, exceto quando o acesso for de um lado só, a uma distância entre duas chaves adjacentes não superior àquela indicada pelo fabricante. Os cabos de puxamento devem estar em bom estado, correndo facilmente e tensionados por molas, sendo seu comprimento não superior ao indicado pelo fabricante. As chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem ser providas de monitoramento de cabo rompido, para que seja garantida a função de segurança de parada, em situação de emergência do equipamento.

A NBR 13862 de 05/2017 – Transportadores contínuos — Transportadores de correia — Requisitos de segurança para projeto estabelece os requisitos de segurança para o projeto de transportadores de correia, a serem observados pelos fornecedores, fabricantes, projetistas, empresas de engenharia ou quaisquer outros envolvidos com o projeto destes equipamentos, de forma a se garantirem condições seguras de operação e manutenção. Existem diferentes riscos associados aos transportadores de correias, como partes móveis, ruídos e poeira, que podem levar a graves acidentes, inclusive fatais.

Alguns pontos são potencialmente perigosos nos transportadores de correia e especial atenção deve ser dada à proteção destes locais durante o desenvolvimento de novos projetos. Proteções adequadas devem ser instaladas conforme os critérios estabelecidos nesta norma e conforme os critérios de definição dos princípios gerais de projeto e apreciação e redução de riscos constantes na NBR ISO 12100.

De igual modo, o projeto de transportadores de correias deve ser precedido das correlações pertinentes às definições da NBR 13743. As chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem ser instaladas ao longo dos transportadores, de ambos os lados, exceto quando o acesso for de um só lado. A distância entre duas chaves adjacentes e a distância das extremidades não podem ser superiores àquelas indicadas pelo fabricante.

O cabo de puxamento e as chaves de emergência devem ser instalados do lado de fora das grades de proteção lateral, instalados ao longo do transportador. A fixação do cabo e da chave não pode ser feita na grade, de forma a conferir necessidade de desmontagem do cabo ou da chave na remoção da grade. O cabo de puxamento, molas de tensionamento e demais acessórios devem ser de material altamente resistente à corrosão.

As chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem parar imediatamente o equipamento e o seu rearme só deve ser possível localmente. Na região do acionamento, em local de fácil acesso e bem visível, deve ser instalado um botão de emergência tipo soco, também com rearme somente local. Se o acionamento possuir mais de um motor situado em lados opostos da correia, deve ser instalado um botão de emergência tipo soco, para cada lado. Se o transportador possuir acionamentos em locais separados, como em transportadores de longa distância, estas condições devem ser atendidas para cada local.

O suporte da chave deve ser pintado na cor amarela (segurança). As chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem ser providas de monitoramento de cabo rompido, para que seja garantida a função de segurança de parada em situação de emergência do equipamento. As chaves de emergência pré-tensionadas por cabo devem ser providas de elementos de comutação com manobra positiva de abertura, ou seja, elementos de contatos ligados ao dispositivo de comutação por peças com ligação rígida (ruptura positiva).

Deve ser efetuado estudo de classificação de risco de cada correia transportadora, conforme NBR 14153. As chaves de desalinhamento de correia devem estar instaladas de forma a impedir que a correia ultrapasse limites laterais preestabelecidos. De um modo geral, não é permitido que a correia toque em estruturas ao desalinhar.

As chaves devem ser instaladas em ambos os lados da correia, pelo menos nos seguintes pontos: próxima ao tambor de cabeça; próxima ao tambor de retorno; próxima ao tambor de acionamento; na região do esticamento, no lado do retorno; próxima ao tambor da cabeça de tripers; em região com estruturas especiais que possam danificar a correia. Os detectores de rasgo devem ser instalados em locais apropriados para manutenção e correta atuação.

Existem diversos tipos de detectores de rasgos para evitar a propagação do rasgo longitudinal em correias transportadoras. O não funcionamento de um detector de rasgo pode significar um grande prejuízo. Todo trabalho de detecção deve ser feito na parte de carga do transportador nos primeiros 30 m após o (s) chute (s) de carga. É nesta região, após a alimentação do transportador, que reside a maior probabilidade de ocorrências de rasgos que podem ser ocasionados por diversos materiais, como chapas de desgastes, materiais laminares, dentes de escavadeiras, etc.

O tipo de rasgo mais comum é o rasgo longitudinal central, ou seja, na carga. A área de proteção dos pontos de encontro da correia-tambor deve impedir totalmente o contato com o homem. Do centro do tambor à extremidade da proteção, acompanhando a linha da correia, deve haver uma distância mínima de 1.100 mm. Qualquer área ou componente onde haja perigo em potencial para o homem deve ser adequadamente protegido.

As guardas de proteção devem permitir a inspeção visual do componente protegido. As guardas de proteção devem ser fixas ou móveis. As fixas devem ser mantidas em sua posição de maneira permanente ou por meio de elementos de fixação que só permitam sua remoção ou abertura com o uso de ferramentas. As móveis podem ser abertas sem o uso de ferramentas, geralmente ligadas por elementos mecânicos à estrutura da máquina ou a um elemento fixo próximo; esta última, a móvel, deve se associar a dispositivos de intertravamento, conforme disposto na legislação vigente.

Em transportadores elevados, para se evitar a queda de roletes de retorno ou outros objetivos, deve ser instalada uma proteção em tela, chapa expandida ou chapa xadrez, ao nível do passadiço e embaixo da correia, no lado do retorno. A abertura máxima deve ser de 38 mm × 75 mm. Todas as estruturas integrantes de transportador na área de ação da correia devem ter as abas dos seus perfis viradas para fora, de forma que, no desalinhamento da correia, esta não toque uma aresta e sim, sempre, uma superfície plana.

Somente os perfis junto aos roletes superiores podem ter as abas viradas para dentro. Os perfis inferiores das treliças ou galerias também devem ter as abas viradas para fora, de forma a dificultar o acúmulo de material e permitir a fácil colocação de anteparo de segurança contra a queda de rolete ou chapa de fechamento. As guardas de proteção de tambores também devem atender ao critério estabelecido nesta subseção.

A distância existente entre as bordas da correia e a estrutura do transportador deve ser mantida constante ao longo de todo o transportador. Especial atenção deve ser dada às estruturas do esticamento, tambores de desvio e outros locais de estrutura especial. Ao redor de tambores de desvio, a estrutura deve ser projetada de forma a atender aos seguintes critérios: a retirada do tambor deve ser possível de ambas as laterais da estrutura e também pela parte inferior; não convém ser necessária a retirada de diagonais ou outras peças para permitir a remoção do tambor completo com mancais.

Na parte inferior, é permitida a colocação de peças removíveis e o corrimão deve ser removível nesta região. O passadiço na região dos tambores de desvio do esticamento deve ter sua largura aumentada para 1.000 mm, exceto quando fisicamente impossível. Para possibilitar condições mais seguras de manutenção, alguns requisitos devem ser atendidos. As estruturas ao redor de tambores devem sempre permitir a sua fácil retirada, sendo fixadas por parafusos, permitindo facilmente a desmontagem.

As torres e as casas de transferência devem ser projetadas de forma a permitir a fácil retirada dos componentes. Monovias devem ser instaladas para este fim. Ao nível do piso, pelo menos dois lados devem permitir a entrada de veículo de limpeza. Diagonais ou contraventamentos não podem impedir a limpeza das torres ou casas de transferências. Tubos, eletrodutos, etc. não podem impedir a limpeza embaixo da correia no retorno.

A instalação de tubos, eletrodutos, etc., quando indispensável, só deve ser de um dos lados do transportador. Todas as áreas sujeitas à manutenção em potencial (acionamentos, transferências, etc.) e situadas em cima de passagem de pessoal devem ter seus pisos em chapa xadrez, a fim de evitar a queda de material, peças, etc. nos pisos inferiores. O pé-direito mínimo deve ser de 2.100 mm. O projeto de transportadores de correia deve sempre considerar a necessidade de limpeza das áreas ao seu redor.

Relatório sobre a Terra e a mudança climática

Um novo relatório especial do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) sobre a mudança climática, desertificação, degradação da terra, manejo sustentável da terra, segurança alimentar e fluxos de gases de efeito estufa em ecossistemas terrestres.

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Segundo o relatório do IPCC, Climate Change and Land: an IPCC special report on climate change, desertification, land degradation, sustainable land management, food security, and greenhouse gas fluxes in terrestrial ecosystems, a Terra já está sob crescente pressão humana e a mudança climática está aumentando esses problemas. Ao mesmo tempo, manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC pode ser alcançado apenas com a redução das emissões de gases de efeito estufa de todos os setores, incluindo o uso dos solos e a produção de alimentos.

O documento mostra que uma melhor gestão da Terra pode contribuir para combater as alterações climáticas, mas não é a única solução. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa de todos os setores é essencial para que o aquecimento global seja mantido abaixo dos 2ºC, se não 1,5ºC . Em 2015, os governos respaldaram a meta do Acordo de Paris de fortalecer a resposta global às mudanças climáticas, mantendo o aumento da temperatura média global abaixo dos 2ºC acima dos níveis pré-industriais e buscando esforços para limitar o aumento a 1,5ºC.

A Terra deve permanecer produtiva para manter a segurança alimentar à medida que a população aumenta e os impactos negativos das mudanças climáticas sobre a vegetação aumentam. Isso significa que há limites para a contribuição da Terra para lidar com as mudanças climáticas, por exemplo, através do cultivo de culturas energéticas e florestamento. Também leva tempo para as árvores e os solos armazenarem carbono de forma eficaz. A bioenergia precisa ser cuidadosamente gerenciada para evitar riscos à segurança alimentar, à biodiversidade e à degradação da Terra. Os resultados desejáveis dependerão de políticas e sistemas de governança localmente apropriados.

A Terra se tornou um recurso crítico

A Terra poderia descobrir que o mundo está em melhor posição para enfrentar as mudanças climáticas quando há um foco geral na sustentabilidade. “A Terra desempenha um papel importante no sistema climático”, disse Jim Skea, do IPCC. “Agricultura, silvicultura e outros tipos de uso da Terra representam 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, os processos naturais de terra absorvem dióxido de carbono equivalente a quase um terço das emissões de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e da indústria”.

O relatório mostra como a gestão sustentável dos recursos da Terra poderia ajudar a lidar com a mudança climática, disse Hans-Otto Pörtner, do IPCC. “Terrenos já em uso poderiam alimentar o mundo em um clima em mutação e fornecer biomassa para energia renovável, mas é necessária ação precoce de longo alcance em várias áreas”, disse ele. “Também para a conservação e restauração de ecossistemas e biodiversidade”.

Desertificação e degradação do solo

Quando o solo é degradado, ele se torna menos produtivo, restringindo o que pode ser cultivado e reduzindo a sua capacidade de absorver carbono. Isso exacerba a mudança climática que, por sua vez, exacerba a degradação da Terra de muitas maneiras diferentes. “As escolhas que fazemos sobre o manejo sustentável do solo podem ajudar a reduzir e, em alguns casos, reverter esses impactos adversos”, disse Kiyoto Tanabe, do IPCC.

“Em um futuro com chuvas mais intensas, o risco de erosão do solo nas plantações aumenta e o manejo sustentável é uma maneira de proteger as comunidades dos impactos negativos dessa erosão do solo e dos deslizamentos de terra. No entanto, existem limites para o que pode ser feito, por isso, em outros casos, a degradação pode ser irreversível”, disse ele.

Aproximadamente 500 milhões de pessoas vivem em áreas que vivenciam a desertificação. Terras secas e áreas que vivenciam a desertificação também são mais vulneráveis às mudanças climáticas e a eventos extremos, incluindo seca, ondas de calor e tempestades de poeira, com uma população global crescente fornecendo mais pressão. O relatório estabeleceu as opções para combater a degradação do solo e prevenir ou adaptar-se a mudanças climáticas adicionais. Também examinou os possíveis impactos de diferentes níveis de aquecimento global.

“O novo conhecimento mostrou um aumento nos riscos de escassez de água, danos causados por incêndios, degradação do permafrost e a instabilidade do sistema alimentar, mesmo para um aquecimento global de cerca de 1,5 ° C”, disse Valérie Masson-Delmotte, do IPCC. “Altos riscos relacionados à degradação do permafrost e à instabilidade do sistema alimentar são identificados a com mais 2°C de aquecimento global”.

Segurança alimentar

A ação coordenada para lidar com a mudança climática pode simultaneamente melhorar o solo, a segurança alimentar e a nutrição, e ajudar a acabar com a fome. O relatório destacou que as mudanças climáticas estão afetando todos os quatro pilares da segurança alimentar: disponibilidade (produção e rendimento), acesso (preços e capacidade de obtenção de alimentos), utilização (nutrição e culinária) e estabilidade (interrupções na disponibilidade).

“A segurança alimentar será cada vez mais afetada pela futura mudança climática através de quedas nos rendimentos – especialmente nos trópicos – aumento de preços, redução na qualidade de nutrientes e interrupções na cadeia de fornecimento”, disse Priyadarshi Shukla, do IPCC. “Veremos diferentes efeitos em diferentes países, mas haverá impactos mais drásticos nos países de baixa renda da África, Ásia, América Latina e Caribe”.

O relatório registrou que cerca de um terço dos alimentos produzidos é perdido ou desperdiçado. Causas de perda de alimentos e resíduos diferem substancialmente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, bem como entre regiões. Reduzir essa perda e desperdício reduziria as emissões de gases de efeito estufa e melhoraria a segurança alimentar.

“Algumas escolhas dietéticas exigem mais terra e água e causam mais emissões de gases que prendem o calor do que outras”, disse Debra Roberts, do IPCC. “Dietas balanceadas com alimentos à base de plantas, como grãos, leguminosas, frutas e vegetais, e alimentos de origem animal produzidos de forma sustentável em sistemas de emissão de gases de efeito estufa baixos, apresentam grandes oportunidades para adaptação e limitação da mudança climática”.

O relatório concluiu que existem maneiras de gerenciar os riscos e reduzir a vulnerabilidades na Terra e no sistema alimentar. A gestão de risco poderia melhorar a resiliência das comunidades a eventos extremos, o que tem impacto nos sistemas alimentares. Isto pode ser o resultado de mudanças na dieta ou assegurar uma variedade de culturas para evitar mais degradação da Terra e aumentar a resiliência ao clima extremo ou variável.

Reduzir as desigualdades, melhorar os rendimentos e assegurar o acesso equitativo aos alimentos, para que algumas regiões (onde não se consegue fornecer alimentos adequados) não sejam prejudicadas, sejam outras formas de adaptação aos efeitos negativos das alterações climáticas. Existem também métodos para gerenciar e compartilhar riscos, alguns dos quais já estão disponíveis, como sistemas de alerta antecipado.

Um foco geral na sustentabilidade, juntamente com ações antecipadas, oferece as melhores chances de enfrentar as mudanças climáticas. Isso implicaria um baixo crescimento populacional e redução das desigualdades, melhor nutrição e menor desperdício de alimentos.

Isso poderia permitir um sistema alimentar mais resiliente e tornar mais solo disponível para bioenergia, enquanto ainda se protege florestas e ecossistemas naturais. No entanto, sem uma ação antecipada nessas áreas, mais solo seria necessário para a bioenergia, levando a decisões desafiadoras sobre o futuro uso da terra e a segurança alimentar. “Políticas que apoiam o manejo sustentável da Terra podem garantir o fornecimento de alimentos para as populações vulneráveis e mantêm o carbono no solo enquanto reduzem as emissões de gases de efeito estufa”, disse Eduardo Calvo, do IPCC.

Respostas sobre a Terra e as mudanças climáticas

As políticas que estão fora dos domínios da Terra e da energia, como os transportes e o ambiente, também podem fazer uma diferença crítica no combate às alterações climáticas. Agir cedo é mais rentável, pois evita perdas.

“Existem coisas que já estamos fazendo. Estamos usando tecnologias e boas práticas, mas elas precisam ser ampliadas e usadas em outros lugares adequados que não estão sendo usadas agora”, explicou Panmao Zhai, do IPCC. “Há um potencial real através de um uso mais sustentável da Terra, reduzindo o consumo excessivo e o desperdício de alimentos, eliminando o desmatamento e a queima das florestas, evitando a colheita excessiva de lenha e reduzindo as emissões de gases do efeito estufa, ajudando a enfrentar as questões das mudanças climáticas”. Acesse o relatório (em inglês): https://www.ipcc.ch/srccl-report-download-page/



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