Publicado em 30 jun 2026

Os sintomas clínicos da bronquiolite

Redação

A bronquiolite é uma inflamação aguda das vias aéreas inferiores, muito frequente nos dois primeiros anos de vida e com predomínio no fim do outono e no inverno. Os bronquíolos são as vias aéreas menores e mais estreitas que fazem a comunicação entre os brônquios de maior calibre e os alvéolos. Os alvéolos são a porção dos pulmões onde ocorrem as trocas de oxigénio e de dióxido de carbono. O vírus sincicial respiratório é o agente responsável por mais de 70% dos casos.

A bronquiolite viral aguda é uma doença respiratória aguda que afeta principalmente crianças com menos de dois anos, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. O agente infeccioso mais comum é o vírus sincicial respiratório (VSR), mas outros vírus respiratórios também podem causar a doença, como adenovírus, vírus parainfluenza, vírus influenza e rinovírus.

Os sintomas incluem a obstrução nasal, irritabilidade, coriza clara, dificuldade para respirar, tosse, respiração rápida e sibilância, febre. Em casos mais graves, podem ocorrer sonolência, cianose, gemência e pausas respiratórias.

O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e ocorrência epidêmica. Exames complementares podem incluir: oximetria de pulso, radiografia de tórax (em casos graves), e testes moleculares para antígenos do VSR em lavados ou aspirados nasais em crianças gravemente enfermas

Não existe tratamento específico para a bronquiolite viral, pois é causada por vírus. O manejo é sintomático e inclui a terapia de suporte, suplementação de oxigênio conforme necessário, hidratação, uso de broncodilatadores, especialmente se houver sibilos evidentes, antibióticos somente se houver infecção bacteriana secundária.

Os corticosteroides são usados na prática, mas não demonstram eficácia comprovada e a taxa de mortalidade é geralmente baixa (<1%), mas pode chegar a 30% em grupos de alto risco, como prematuros e imunocomprometidos. O nirsevimabe é indicado para prevenção da doença do trato respiratório inferior causada pelo VSR em recém-nascidos e bebês durante a primeira temporada do VSR, especialmente em crianças com fatores de risco como doença pulmonar crônica da prematuridade, doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, imunocomprometidos, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.

Estudos clínicos demonstraram que a dexametasona oral em dose única de 1 mg/kg pode ser eficaz em crianças com bronquiolite aguda moderada a grave, reduzindo a hospitalização e melhorando os sintomas na fase inicial do tratamento. Em comparação com prednisona/prednisolona para asma aguda, duas doses de dexametasona mostraram eficácia semelhante a cinco dias de prednisona/prednisolona.

A acebrofilina, que se dissocia em teofilina e ambroxol, tem sido utilizada como broncodilatador, mucolítico e expectorante, mostrando eficácia na melhora dos sintomas relacionados ao broncoespasmo, sibilância e dispneia em crianças com condições respiratórias agudas.

O diagnóstico da doença é, na maioria dos casos, clínico, baseado na avaliação da história clínica e dos sinais e sintomas apresentados. Em alguns casos, como em pacientes hospitalizados com síndrome respiratória aguda grave (SRAG), podem ser realizados testes para identificação do vírus em amostras respiratórias por exame de biologia molecular (RT- PCR) em tempo real.

Não existe um tratamento medicamentoso específico para a doença. O manejo é baseado no tratamento dos sinais e sintomas, como: lavagem nasal, controle da febre e hidratação. Em casos graves é necessário hospitalização para suplementação de oxigênio e outras medidas de suporte, se necessário.

Artigo atualizado em 16/06/2026 04:06.
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