Publicado em 27 jan 2026

As características da doença denominada amiloidose

Redação

As amiloidoses têm como mecanismo fisiopatológico comum a proteotoxicidade de moléculas precursoras aberrantes, devido à mutação ou outro mecanismo que se desagregam em formas intermediárias e, finalmente, se depositam como fibrilas de amiloide no interstício tecidual. Este depósito causa disfunção de diversos órgãos.

A amiloidose é um grupo de doenças caracterizadas pelo depósito de proteínas anormais, chamadas de amiloides, nos tecidos e órgãos do corpo. A amiloidose primária é associada a doenças de células plasmáticas, onde as cadeias leves de imunoglobulinas se depositam como amiloide.

A secundária é resultante de condições inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide ou doença de Crohn e a familiar está ligada a mutações no gene da transtirretina (TTR), que pode ser hereditária ou não.

Os pacientes podem apresentar sintomas variados, dependendo dos órgãos afetados, incluindo polineuropatia, dor e parestesias nos membros, disautonomia. Cardiomiopatia, arritmias, hipertrofia cardíaca, síndrome nefrótica, albuminúria, diarreia, constipação, perda de peso inexplicada e opacificação da córnea.

A confirmação do diagnóstico é frequentemente feita por biópsia de tecidos afetados, que deve ser corada com vermelho Congo para visualizar depósitos de amiloide. A avaliação de proteínas no sangue e urina, além de testes genéticos em casos de amiloidose familiar.

O tratamento pode incluir estabilizadores da TTR, como tafamidis e, em alguns casos, transplante hepático. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para gerenciar os sintomas e complicações da doença.

O prognóstico varia conforme o tipo de amiloidose e a rapidez do diagnóstico e tratamento. A amiloidose pode levar a complicações graves e progressivas, especialmente se não tratada.

Conforme o MS-PCDT: Amiloidoses associadas à Transtirretina, as amiloidoses sistêmicas são um grupo de doenças que se caracterizam pelo depósito de substância amiloide nos tecidos. Existem diferentes tipos de amiloidoses sistêmicas, entre elas as amiloidoses ligadas a proteínas precursoras que sofreram mutação, tais como a transtirretina (TTR).

A TTR é uma proteína predominantemente sintetizada no fígado (98%) e que tem a função de ser carreadora da tiroxina e do retinol. Quando a TTR sofre desestabilização de sua estrutura tetramérica, por mutação nas formas hereditárias (familiares) ou por outro mecanismo, na forma selvagem (essa ligada ao depósito tecidual de TTR nativa), há a consequente dissociação em monômeros e deposição tecidual sob a forma de agregados de filamentos amiloides.

A amiloidose transtirretina (ATTR) do tipo selvagem foi descrita pela primeira vez em 1876 e sua prevalência permanece desconhecida. No entanto, estudos sugerem que é subdiagnosticada e que pode ser a forma mais frequente de amiloidose cardíaca. A ATTR selvagem é uma condição não hereditária, encontrada principalmente em homens e, em geral, começa após os 70 anos (por isso foi anteriormente conhecida como amiloidose senil), ainda que existam casos diagnosticados em indivíduos mais jovens

Na forma hereditária (familiar), variantes gênicas ligadas à amiloidose do gene da TTR têm herança autossômica dominante. Conforme a variante apresentada, o paciente pode desenvolver manifestações clínicas distintas, que surgem em idades diferentes, o que permite uma boa correlação genótipo-fenótipo para a maioria das mutações já descritas. A variante mais prevalente é a p.Val30Met, caracterizada por manifestações que se iniciam, geralmente, aos 30 anos de idade, com polineuropatia marcante.

Artigo atualizado em 15/01/2026 10:34.
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