Os requisitos para o conforto de um calçado

calçados

É importante se estabelecer os métodos de ensaio e os requisitos para determinação do índice de conforto dos calçados.

Guilherme Papa – 

Os primeiros calçados só surgiram entre os anos de 12.000 a.C. e 15.000 a.C.,  no período paleolítico. Seu objetivo era claro: proteger os membros inferiores. Em regiões com temperaturas mais baixas, os primeiros modelos eram parecidos com uma “bola de couro”, que embrulhava os pés de nossos ancestrais e os aquecia.

Em regiões mais quentes, o calçado era aberto, muito parecido com um chinelo ou sandália. Cada civilização antiga criou a sua versão, que tinha como base uma sola rija presa ao pé com tiras, que poderiam ser de fibras como o papiro, tiras de couro ou tecidos. A partir deste momento, o calçado passa a ser, além de um objeto protetor, algo que simboliza o poder e a riqueza entre as civilizações antigas, como a egípcia, por exemplo.

Muitos séculos de evolução tecnológica possibilitaram que a indústria de calçados se desenvolvesse e adaptasse os modelos com o passar dos anos. Atualmente existe uma infinidade de combinações entre tamanho, cor, material, finalidade e marcas para se fabricar um calçado.

Entre tantas possibilidades, uma das características mais desejadas pelo consumidor é o conforto do produto. Afinal, muitas pessoas passam uma grande parcela do dia utilizando um mesmo calçado. A NBR 14834 — Conforto do calçado e componentes — Requisitos e ensaios estabelece os métodos de ensaio e os requisitos para determinação do índice de conforto dos calçados e contribuição dos componentes para conforto em calçados, bem como define as características para a seleção de modelos de calce.

A amostra deve consistir em três pares de calçados do mesmo modelo/referência, acompanhado de ficha técnica com foto do calçado. Os ensaios em calçados femininos devem ser realizados com os pares de numerações 35, 36 e 37; em calçados masculinos devem ser utilizados pares de numerações 40, 41 e 42; e em calçados infantis, três pares de numerações diferentes da mesma classificação e/ou, de acordo com a grade de fabricação, a menor, intermediária e a maior numeração. A classificação bebê varia da numeração 14 – 19, a “pré-Infanto” varia da numeração 20 – 23, a “infanto” varia da numeração 24 – 27 e a “infanto-juvenil” varia da numeração 28 – 34.

Os componentes para o ensaio são dois: forro e palmilha. A amostra consiste em três pares de protótipo de forro, de numeração 35. O material para confecção destes corpos de prova deve ter as dimensões de 1 m² da amostra.

A amostra consiste em três placas do mesmo material da palmilha, nas dimensões de (50 ± 5) cm × (30 ± 5) cm. Para o ensaio, deve-se condicionar os corpos de prova em ambiente climatizado de (23 ± 2)°C de temperatura e (50 ± 5)% de umidade relativa do ar, conforme a NBR 10455 – 08/2014 – Climatização de materiais usados na fabricação de calçados e correlatos, por um período mínimo de 24 h. Os acessórios para os ensaios são um par de meias com 55% a 75% de algodão para calçados masculinos, femininos, infantis e esportivos. Para calçados abertos e calçados sociais femininos, não se aplica o uso de meias.

As características dos modelos adultos e infantis são: modelo com experiência em caminhar em esteira ergométrica, exceto para os modelos infantis; modelo com resistência física para suportar 30 min caminhando em esteira ergométrica, a uma velocidade de 5 km/h para homens e de 4 km/h para mulheres, exceto para os modelos infantis; modelo sem alterações e/ou lesões neuromúsculo-esqueléticas e sem alterações nos padrões da marcha; modelo sem deformidades estruturais e sem calosidades nos pés; modelo com alinhamento articular nos membros inferiores (joelho e calcâneo alinhados e pés); modelo com o primeiro pico de força (PPF) da componente vertical da força de reação do solo, durante a marcha descalça, com valor inferior a 122% do peso corporal (1,22 unidade normalizada); modelo com o índice de assimetria na marcha descalça, entre o segmento esquerdo e o segmento direito, para o PPF inferior ou igual a 5 %. A velocidade média da marcha deve ser de 5 km/h (± 5%) para calçados masculinos, 4 km/h (± 5%) para calçados femininos e entre 3 km/h a 4 km/h (± 5%) para calçados infantis. A classificação do nível de conforto de um calçado deve ser determinada pelas normas indicadas na Seção 5 da NBR 14834, totalizando oito níveis.

Os ensaios de calçados infantis são realizados de acordo com a classificação do calçado, conforme a tabela abaixo.

Tabela 1 calçados

O índice de conforto do calçado é determinado pela pontuação total dos ensaios (total de 72 pontos), sendo definido pela soma de todos os pontos obtidos pelo calçado em cada um dos ensaios descritos na norma, exceto no caso de pontuação 1 em uma ou mais normas, no qual o índice de conforto é igual à menor pontuação, ou seja, desconfortável.

A tabela abaixo apresenta o índice de conforto do calçado com a respectiva pontuação. Para os calçados infantis, a pontuação total refere-se ao número de ensaios por classificação, conforme a tabela anterior, sendo que a pontuação máxima em cada ensaio é igual a 9 pontos.

Tabela 2 calçados



Categorias:Metrologia, Normalização

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1 resposta

  1. Parabens pelo artigo, informativo e curioso.

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