Especificando os vidros para a construção civil conforme a norma técnica

É fundamental conhecer os requisitos para projeto, execução e aplicações de vidros na construção civil.

Da Redação –

vidro

O vidro usa como matéria prima preparada a partir da fusão de diversos insumos básicos, entre os quais os principais são: barrilha (60%), areia (5 a 12%), calcário (5 a 15%) e feldspato (7 a 18%). A reciclagem é fator importante a considerar, pois a fusão de cacos é feita a temperatura mais baixa gerando economia de combustível e vantagens ambientais, além de divisas, pois parte da barrilha é importada devido a sua escassez no Brasil.

As etapas seguintes do processo produtivo, que vão do resfriamento da matéria prima fundida até o produto, podem envolver diferentes tecnologias. No caso do vidro plano a tecnologia float consiste basicamente na formação de lâmina sobre chumbo derretido, dando uma superfície sem imperfeições (ondulações).

Os vidros impressos são os lisos com o trabalho final antes do resfriamento total. Outros trabalhos resultam em maior resistência, curvatura, refletividade, etc.

A construção civil usa quase 55% do vidro produzido no Brasil. Ele é utilizado principalmente pela sua transparência, que proporciona luz e sol no interior das habitações e locais de trabalho, visão para o exterior, decoração, divisões internas como box e outras. Os vidros mais utilizados são os lisos, de diversas espessuras (2, 3, 4, 5, 6, 8 e 10mm) e os impressos ou fantasia (canelado, pontilhado, etc.). Os temperados são vidros que receberam um processo térmico que lhes conferiu maior resistência, porém não podem sofrer mais operações de corte, lixamento ou outros.

Os temperados são aplicados diretamente nas alvenarias através de buchas de náilon, trilhos, etc., os lisos e fantasias, chamados comuns, são aplicados nas esquadrias de madeira, aço ou alumínio através de baguete de fixação com gaxetas de neoprene ou através de massa de vidraceiro. A finalidade da gaxeta ou da massa é dar estanqueidade e eliminar vibrações.

O vidro temperado, tem esse nome por analogia ao aço temperado. Ambos têm sua resistência aumentada pela têmpera, um processo que consiste em aquecer o material a uma temperatura crítica e depois resfriá-lo rapidamente.

Os vidros de segurança temperados são especialmente indicados onde o projeto especifique vidros em locais sujeitos a impactos, choques térmicos ou utilização sob condições adversas, que requeiram resistência mecânica. Na construção civil, são utilizados em locais onde o projeto arquitetônico requeira o máximo de transparência, com um mínimo, ou mesmo ausência, de estruturas verticais de sustentação. Exemplos de sua aplicação são as fachadas de edifícios, divisórias, portas, boxes para banheiros, vitrines, tampos de mesas, etc.

A NBR 7199 (NB226) de 07/2016 – Vidros na construção civil — Projeto, execução e aplicações especifica os requisitos para projeto, execução e aplicações de vidros na construção civil. As fórmulas contidas na norma não se aplicam para projetos de vidros estruturais.

Existem vários tipos de vidros, como o vidro float (vidro flotado); o vidro impresso (vidro comum, vidro aramado); o vidro temperado; o vidro laminado; o vidro laminado temperado; o espelho; o vidro insulado; o vidro de controle solar; o vidro serigrafado; o vidro gravado (jateado, acidado); e o vidro esmaltado. Os vidros podem combinar duas ou mais características dos tipos citados anteriormente, como, por exemplo: vidro temperado serigrafado, espelho de prata laminado, etc.

Quanto à transparência, existem o vidro transparente; o vidro translúcido; e o vidro opaco. Quanto à planicidade há o plano; e o curvo. Quanto à coloração: o vidro incolor; e o vidro colorido. Quanto à colocação: instalação em esquadrias; instalação autoportante; instalação mista; instalação estrutural; painel colado (estrutural); e revestimento.

Para instalação autoportante, o projeto deve incluir no mínimo o desenho da instalação completa (elevação com indicação de vista) por vão, contendo: todas as subdivisões, como portas de abrir, de correr, pivotantes, sanfonadas, com os respectivos sentidos de aberturas; bandeiras e laterais (fixos, basculantes, pivotantes); localização das peças de fixação e suas respectivas discriminações; dimensões totais do vão acabado, considerando nível e prumo, bem como de todas as subdivisões, detalhes quanto à laboração, excetuando os das peças de fixação.

Para o vidro temperado, só se admitem os acabamentos de borda filetado, lapidado e bisotê, com ângulo superior ou igual a 30º. A aplicação de contraventos é necessária para assegurar a resistência, a rigidez e a estabilidade da instalação.

Deve-se atentar para o tipo de acabamento dos elementos que compõem o vão; para esses elementos podem ser aplicadas as peças de fixação (forro falso, posição de passagem de canos e dutos, e outros). A especificação deve levar em conta a espessura; o tipo; a transparência; a laboração; e a coloração.

Importante saber a localização da instalação na obra indicando detalhes da construção que possam influir no envidraçamento; os detalhes de colocação de materiais de apoio (calço), fixação e vedação contendo as especificações do material e dimensões a serem usadas; os detalhes construtivos que permitam a limpeza periódica e a eventual troca da peça de vidro, com segurança de trabalho.

Cada peça de vidro deve ser identificada por meio de etiqueta de fácil remoção, que deve conter o tipo do vidro, a espessura, a cor e a dimensão. Para vidros revestidos ou que necessitem de identificação da face a ser instalada, a etiqueta deve ser colocada do lado externo da aplicação.

As peças de vidro devem ser manuseadas de forma que não entrem em contato com materiais que possam provocar danos físicos em suas superfícies ou bordas. As peças de vidro, quando transportadas ou armazenadas, devem ser separadas por intercalários que protejam suas superfícies.

Cada unidade de acondicionamento deve identificar o tipo de vidro e suas dimensões, bem como conter símbolos convencionais de manuseio, proteção contra umidade e choques mecânicos. As peças de vidro float ou impresso, a serem utilizadas em esquadrias, para formar um conjunto, devem atender aos requisitos especificados na NBR 10821-2, para as pressões de vento aplicadas conforme altura da edificação e a região do país, e desta forma podem apresentar espessuras menores do que os valores obtidos no cálculo.

A espessura nominal mínima de vidro float ou impresso é de 3 mm, mesmo que os resultados da aplicação da fórmula e os resultados dos ensaios em esquadrias indiquem espessuras menores. O envidraçamento deve obedecer a algumas disposições. As peças de vidro devem ser colocadas de tal forma que não sofram esforços oriundos de dilatação, contração, torção, vibração ou deformação do sistema (esquadria, estrutura), não senso permitido o contato das bordas das peças de vidro entre si, com alvenaria, peças metálicas ou qualquer material de dureza superior ao vidro.

A fixação das peças de vidro deve ser tal que impeça o seu deslocamento em relação aos elementos de fixação, excetuados os casos em que o projeto prevê movimentações e toda instalação composta por vidro, cuja presença não seja perfeitamente discernível, deve ser sinalizada adequadamente, a fim de se evitar a ocorrência de acidentes.

Quando houver peças de vidro com bordas expostas, estas devem ser laboradas e as bordas das peças de vidro, em qualquer caso, não podem apresentar defeitos que venham a prejudicar a utilização ou a resistência do vidro após a colocação. O envidraçamento em vidro float ou impresso deve ter todo o seu perímetro fixado em rebaixo e o envidraçamento em esquadrias e em contato com o meio exterior deve atender ao especificado na NBR 10821.

Todos os materiais utilizados no envidraçamento devem ser compatíveis entre si, com as peças de vidro e com os materiais das esquadrias e os contatos bimetálicos, que ocasionam a corrosão de um dos metais, devem ser evitados. As intervenções feitas em envidraçamentos devem considerar eventuais alterações nas características térmicas do vidro.

A variação de temperatura que possa ocorrer na superfície do vidro não pode originar tensões que ultrapassem as tensões admissíveis do vidro e a massa de vidraceiro só pode ser utilizada em vidros incolores, coloridos, impressos, aramados, float ou temperado e, quando utilizada, deve ser aplicada de maneira que não forme vazios, devendo sua superfície aparente ser lisa e regular. Após a colocação da peça de vidro, a massa de vidraceiro deve ser protegida contra as intempéries (por exemplo, pinturas, obturadores), salvo nos casos em que sua composição química dispensar tal proteção.

A massa de vidraceiro e gaxetas (guarnições) em geral deve adaptar-se às dilatações, deformações e vibrações causadas por variações de temperatura ou ações mecânicas, e não podem escoar nem assentar, mantendo boa aderência ao vidro e esquadria, sendo que antes de sua colocação deve-se verificar se os rebaixos estão convenientemente preparados.

As gaxetas (guarnições) devem atender aos requisitos da NBR 13756 e os locais sob as áreas de envidraçamento, durante sua execução, devem ser interditados para fins de segurança pessoal ou, caso não seja possível, estes locais devem ser adequadamente protegidos. Não devem ser usados os produtos higroscópicos, alcalinos, ácidos ou abrasivos (por exemplo, cal e alvaiade) ou outros produtos e métodos que sejam agressivos ao vidro como forma de marcação, sinalização ou identificação, mesmo que provisória.

Em aplicações horizontais (coberturas) ou verticais (fachadas), expostas à insolação constante, recomenda-se o uso de vidros revestidos para controle solar, conforme NBR 16023, de forma a minimizar a entrada de calor por transmissão e controle da entrada de luz natural. Estes vidros têm características de fabricação que possibilitam a redução na carga térmica da edificação, o que resulta em um ambiente mais confortável para o usuário, com redução da necessidade de climatização e otimização do gasto energético.

O envidraçamento com massa pode ser utilizado em esquadrias que utilizem vidro float, ou vidro impresso ou vidro temperado. O envidraçamento com massa não pode ser utilizado: em esquadrias de alumínio, PVC; em envidraçamentos que utilizem vidro laminado, vidro insulado ou qualquer outro vidro que tenha tratamento de superfície.

Na construção civil, o vidro deve ser considerado por seu desempenho estrutural ou a resistência às solicitações de vento, a cargas acidentais, etc. Igualmente, ocorre o desempenho relacionado à entrada de luz e à visibilidade e o desempenho acústico, já que ele pode reduzir o nível de ruído em edifícios. Também, pode contribuir para o conforto térmico do ambiente interno, ou seja, pode controlar a passagem de calor de um lado para outro.

Para a Associação Nacional de Vidraçarias (Anavidro), os benefícios do uso do vidro, como o aproveitamento da luminosidade, a possibilidade de maior economia e conforto e mesma a beleza do acabamento proporcionado pelo material, têm sido cada vez mais aproveitados na arquitetura e na construção civil.

Comumente utilizado em fachadas, coberturas, pisos, divisórias, portas, janelas, escadas e paredes, além de ser usado como elemento de segurança em guarda-corpos, o vidro proporciona muita interação entre ambientes e garante amplitude, leveza e visibilidade.

A definição do tipo de vidro a ser utilizado em cada projeto depende de dois fatores primordiais: o esforço ao qual o material será submetido e o efeito desejado pelo cliente em seu produto. Porém, os avanços e as inovações que têm alavancado as linhas de produção tanto em quantidade como em qualidade de material têm garantido um número de possibilidades de aplicação cada vez maior ao material.

Atualmente, os projetos mais complexos aproveitam-se das possibilidades oferecidas e particularidades dos vidros planos comuns, dos laminados, dos refletivos, dos temperados e dos serigrafados, utilizando os materiais das estruturas aos itens decorativos, demonstrando a riqueza e a utilidade desse produto.

Reciclagem do vidro

O vidro sempre será uma melhores embalagens para diversas coisas, além é claro de ser um material reciclável. O vidro é um dos produtos mais utilizados nas tarefas do dia a dia e, ao ser descartado por pessoas e empresas, pode passar por um processo de reciclagem que garante seu reaproveitamento na produção do vidro reciclado. O vidro reciclado tem praticamente todas as características do vidro comum. Ele pode ser reciclado muitas vezes sem perder suas características e qualidade.

A reciclagem do vidro é de extrema importância para o meio ambiente. Quando se recicla o vidro há uma contribuição com o meio ambiente, pois este material deixa de ir para os aterros sanitários ou para a natureza (rios, lagos, solo, matas). Não se pode esquecer também, que a reciclagem de vidro gera renda para milhares de pessoas no Brasil que atuam, principalmente, em cooperativas de catadores e recicladores de vidro e outros materiais reciclados.

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Uma das etapas mais importantes no processo de reciclagem de vidro é a separação e coleta seletiva. Nas empresas, condomínios e outros locais existem espaços destinados ao descarte de vidro. Uma das primeiras etapas no processo de reciclagem do vidro é sua separação por cores (âmbar, verde, translúcido e azul) e tipos (lisos, ondulados, vidros de janelas, de copos, etc.).

Esta separação é de extrema importância para a fabricação de novos objetos de vidro, pois garante suas características e qualidades. Tipos de vidros recicláveis: garrafas de sucos, refrigerantes, cervejas e outros tipos de bebidas; potes de alimentos; cacos de vidros; frascos de remédios; frascos de perfumes; vidros planos e lisos; para-brisas; vidros de janelas; pratos, tigelas e copos (desde que não sejam de acrílico, cerâmica ou porcelana).

O Brasil produz aproximadamente mais de 800.000 toneladas de embalagens de vidro anualmente e 27,6% (220,8 mil toneladas) desse total corresponde as embalagens de vidro recicladas. Deste montante, 5% é gerado por engarrafadores de bebidas, 10% por sucateiros, 0,6% oriundo de coletas promovidas pelas vidrarias e 12% provém de refugos de vidro gerados nas fábricas. Dos outros 72,4%, parte é descartada, parte é reutilizada domesticamente e parte é retornável.

O vidro reciclado tem praticamente todas as características do vidro comum, podendo passar pelo processo de reciclagem várias vezes, sem perder suas características e qualidades. Estima-se que mais de 40% das embalagens de vidro produzidas no Brasil são de material reciclado e a expectativa é que este número aumente.

O vidro é uma substância inorgânica, amorfa e fisicamente homogênea, obtida por resfriamento de uma massa em fusão que endurece pelo aumento contínuo de viscosidade até atingir a condição de rigidez, mas sem sofrer cristalização. Industrialmente pode-se restringir o conceito de vidro aos produtos resultantes da fusão, pelo calor, de óxidos ou de seus derivados e misturas, tendo em geral como constituinte principal a sílica ou o óxido de silício (SiO2), que, pelo resfriamento, endurecem sem cristalizar.

As composições individuais dos vidros são muito variadas, pois pequenas alterações são feitas para proporcionar propriedades específicas, tais como índice de refração, cor, viscosidade, etc. O que é comum a todos os tipos de vidro é a sílica, que é a sua base.



Categorias:Normalização

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2 respostas

  1. Excelente artigo sobre uso de vidros na construção civil, contudo creio que faltou análise sobre uso de vidros blindados hoje muito aplicado em edifícios.

    • Caro Andre de Pauli: o problema que eu vejo é em relação à normalização técnica quanto se fala em blindagem arquitetônica. O vidro blindado é muito comum em carros de luxo e obrigatório nos veículos de transporte de valores, e passaram a chamar a atenção do mercado da construção civil para compor projetos arquitetônicos comerciais, residenciais e de infraestrutura. o vidro blindado tornou-se um das opções que podem proporcionar maior proteção e segurança as edificações. Os vidros blindados são fabricados por meio de processo de calor e pressão pra unir suas diversas camadas num só bloco de alta resistência, geralmente as diversas camadas intercaladas que compõem o blindado utilizam películas de polivinilbutiral (PVB) ou resina, acrescidas de películas de poliuretano e lâminas de policarbonato, que se unem fortemente ao vidro, tornando o conjunto resistente a impactos, vandalismo e até mesmo a disparo de armas de fogo. A espessura e a quantidade de camadas de um vidro blindado variam de acordo com o nível de proteção desejada.
      No fundo, a blindagem arquitetônica usa, basicamente, três tipos de materiais: concreto armado (feito com brita), aço e vidro. No caso das paredes, são usadas chapas de aço dentro da estrutura de alvenaria. Na construção, é possível trabalhar com materiais mais pesados e com espessura maior, porque o peso não é problema, como na blindagem automobilística. Um vidro mais espesso pode custar até três vezes menos. A NBR 15000 de 12/2005 – Blindagens para impactos balísticos – Classificação e critérios de avaliação classifica as blindagens para impactos balísticos e fixa seus critérios de avaliação. Aplica-se a blindagens opacas e transparentes, destinadas a oferecer proteção quanto a impactos produzidos por projéteis de armamento. As blindagens abrangidas se referem a materiais, compósitos e suas associações. As blindagens para impactos balísticos são classificadas por níveis de proteção, que estão diretamente relacionados à forma, material, ângulo de incidência, energia e área de impacto.
      Importante dizer que essa norma trata de produtos controlados conforme estabelecido no Regulamento R-105. A empresa é considerada habilitada para atividades com produtos controlados quando apresentar o Título de Registro ou Certificado de Registro, expedido pelo órgão de fiscalização do Exército. Segundo a norma, o sistema de blindagem, opaco ou transparente, projetado para oferecer resistência à penetração, quando atingido por um impacto de projétil, classifica-se segundo os níveis de proteção disponível na norma. Adicionalmente, as blindagens opacas metálicas ou compostas por partes metálicas de nível III devem também atender obrigatoriamente às exigências especificadas para a proteção alternativa 2 (PA-2). As blindagens do nível III-A e III podem ser classificadas com os acréscimos das proteções alternativas apresentadas na tabela 2, quando solicitado pelo fabricante. As blindagens dos níveis III-A e III, quando classificadas para as proteções alternativas, devem ser identificadas pelo sinal +, seguido da(s) sigla(s) da(s) proteção(ões) alternativa(s) a que também atenda(m). Saudações.
      Hayrton

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