A manufatura avançada e a gestão da qualidade

A robotização, a inteligência artificial (IA) e a internet estão se tornando uma tendência irreversível no mundo moderno e estão influenciando a gestão da qualidade.

Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

robotização

Um grupo de engenheiros da Universidade de Washington, em Seattle (EUA), desenvolveu aquilo que pode ser o primeiro modelo funcional de robô-mosca que opera sem fios. De acordo com os criadores do projeto, máquinas com essas características podem ser úteis em tarefas que consomem muito tempo do homem, como inspecionar o crescimento de plantações ou detectar vazamentos de gás.

Outra vantagem é a financeira: robôs desse tamanho são baratos e conseguem acessar locais de difícil acesso para drones maiores. Na verdade, o mundo está sendo rotineiramente bombardeado com notícias de que os robôs vão dominar o mundo. Os consumidores temem que eles tirem empregos e as empresas enfrentam a tarefa sem precedentes de planejar como competir em uma nova ordem mundial, onde a inteligência artificial (IA) e a robótica vão mudar todo o segmento industrial e de serviço.

Na realidade, os robôs estão chegando, mas não sinalizam o fim do emprego humano como é conhecido. Pelo contrário, os robôs oferecem a promessa de novos cargos que ainda não existem.

Esses novos empregos abastecerão a economia com pessoas com qualificação e treinamento, bem como empregos criados para a operação da tecnologia por trás da robótica e da inteligência artificial. Até 2030, estima-se que as máquinas e os robôs possam aliviar os trabalhadores australianos em duas horas das tarefas manuais mais repetitivas a cada semana, levando a uma maior satisfação no trabalho e mais produtividade.

O ano de 2018 pode muito bem ser o ano do robô, pois as empresas adotam os muitos benefícios da aplicação da robótica para automatizar os principais processos de negócios, eliminando as tarefas de rotina que tornam muitos trabalhos mundanos, inseguros ou ineficientes.

Desde 2000, mais de cinco milhões de empregos na fábrica dos EUA foram substituídos por automação e o governo da Austrália prevê que 40% dos empregos não existirão em dez a 15 anos. No entanto, isso não significa de forma alguma que todas as pessoas nesses empregos estarão desempregadas ou que os humanos logo trabalharão ao lado de robôs em empresas mais eficientes e ágeis.

Ao integrar algumas das tarefas mais repetitivas em uma empresa, os robôs estenderão as habilidades criativas de solução de problemas que são exclusivas dos seres humanos, proporcionando resultados de negócios muito superiores.

Uma pesquisa com mais de 500 empresas nos Estados Unidos revelou que uma ampla variedade de organizações das indústrias de finanças, seguros e saúde já está utilizando os robôs. Por meio dessas tecnologias, os seres humanos estão atingindo novos níveis de eficiência de processo, custos operacionais aprimorados, velocidade, precisão e volumes de produção. Mais da metade de todos os entrevistados vê a automação melhorando significativamente os processos nos próximos três a cinco anos.

Em resumo, pode-se dizer que os robôs vieram para ficar. No entanto, os empregos das pessoas serão redefinidos ao seu lado, permitindo que trabalhem de forma mais produtiva e eficiente ao lado dos robôs. Envolverá uma nova utilização das habilidades humanas únicas de criatividade, inteligência emocional, empatia, pensamento crítico e habilidades de toque humano que os robôs ainda não possuem.

Para otimizar as sofisticações do software, os benefícios de economia de dinheiro e as habilidades coletivas de dados dos robôs, é essencial que as empresas criem uma simbiose entre funcionários e as funções do robô. Nas telecomunicações, por exemplo, existe os operadores de atendimento ao cliente de call center sendo automatizados, com o contato humano sendo apenas no escalonamento de uma chamada, onde o pensamento crítico e as habilidades de tomada de decisões analíticas são necessárias.

As ferramentas e os robôs de automação estão atuando no marketing digital e político. Alguns operadores de aplicativos das redes sociais, por exemplo, já utilizam uma plataforma de compra e construção de códigos para robôs em aplicativos de chat.

No entanto, esses robôs estão automatizando papéis repetitivos, complementando os negócios existentes, deixando o caminho aberto para os humanos redefinirem seus papéis. A oportunidade é vasta para redefinir habilidades, permitindo que as pessoas se envolvam em habilidades pessoais, tais como funções complexas de relacionamentos humanos, como enfermagem ou terapia. Igualmente, em funções comerciais onde as pessoas entregam um serviço nas casas de outras pessoas, como encanadores, eletricistas e construtores.

O processo pode parecer assustador, mas não precisa ser. Identificar as áreas de uma empresa que estão maduras para automação envolve fornecer ferramentas e dispositivos digitais aos funcionários existentes para ajudá-los a realizar melhor o trabalho, seguido de um exame minucioso das estruturas orientadas por processos que podem ser plausivelmente concluídas sem intervenção humana.

V Seminário ABQ Qualidade Século XXI

6 de novembro de 2018

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Com o título A era da transformação, no dia 06 de novembro de 2018, será realizado o V Seminário da Academia Brasileira da Qualidade, na Federação das Indústrias do Estado São Paulo (Fiesp). Neste ano as palestras abordarão a digitalização e a competitividade, a inteligência artificial, as ferramentas digitais para implementar a normalização e conformidade para a melhoria contínua, a digitalização e a Qualidade de Vida no Terceiro Milênio. O evento será transmitido ao vivo pela Web, permitindo que internautas individuais e em salas de recepção em empresas, universidades, órgãos públicos e outras instituições em todo o país e nos países da comunidade de países de língua portuguesa possam assisti-lo e fazer perguntas.

V SEMINÁRIO ABQ QUALIDADE SÉCULO XXI

A ERA DA TRANSFORMAÇÃO  – 6/11/2018

SALÃO NOBRE – FIESP

 

RECEPÇÃO (8:30 – 08:55)

ABERTURA (9:00 – 9:15)

Saudação do diretor presidente da ABQ – Basilio Dagnino*

PALESTRA MAGNA (9:20 – 9:40)– Como a digitalização afetará a competitividade brasileira? –  Jorge Gerdau Johannpeter*

PAINEL I-DIGITALIZAÇÃO: PRESENTE E FUTURO (9:45 – 10:30)

Blockchain e big data: aplicações à realidade brasileira – Claudio Miceli – UFRJ (15 min)

Inteligência Artificial: Importância e  Ameaças – Paulo Eduardo Santos – FEI (15 min)

Debates – Mod. Francisco Uras* (15 min)

INTERVALO – NETWORKING  (10:35 – 11:05)

PALESTRA I – FERRAMENTA E REVISTA DIGITAIS (11:10 – 11:25)

Fomentando a normalização técnica, a qualidade, a avaliação de conformidade e a competitividade brasileira – Cristiano Ferraz  – Target

PAINEL II – NOVAS NA ERA DA TRANSFORMAÇÃO (11:30 – 12:15)

Digitalização em serviços – Kleber Nóbrega* (15 min)

Um olhar sobre a gestão das organizações millenials – Carlos Schauff* (15 min)

Debates – Mod. Fabio Braga* (15 min)

PALESTRA II – QUALIDADE DE VIDA NA ERA DIGITAL (12:20 – 12:35)

Qualidade de Vida no terceiro milênio: fatores críticos de gestão em ambientes presenciais, remotos e virtuais – Ana Cristina Limongi*

PRÊMIO ABQ PERSONALIDADE DA QUALIDADE

Entrega – Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto* (12:40 – 12:50)

SUMÁRIO/ ENCERRAMENTO – Dorothea Werneck*/Basilio Dagnino* (12:55 – 13:10)

BRUNCH  – CONFRATERNIZAÇÃO (13:15 – 14:00)

* Membro da Academia Brasileira da Qualidade – ABQ

Programa sujeito a alterações. O conteúdo das apresentações reflete a posição dos palestrantes.

Para reservar o seu lugar presencial ou pela internet, envie um e-mail para Natascha: natascha@n8eventos.com.br

A integração da automação à gestão da empresa levará a uma grande quantidade de dados ao nível do processo e a aplicação de análises para desconstrui-los levará a grandes vantagens comerciais na redução de custos e na melhoria das eficiências operacionais. A fim de permanecer competitiva em um mercado global em rápida evolução e manter os funcionários tranquilos em tempos de mudança, os países vão precisar adotar a produtividade automatizada ao mesmo tempo em que deverão assegurar que seus trabalhadores humanos sejam qualificados e adaptáveis.

IA

Os benefícios da IA serão aprimorados quando as empresas reconhecerem as habilidades e a experiência de sua força de trabalho e se basearem nisso para criar um relacionamento viável, lucrativo e competitivo entre seus funcionários e robôs. Deve-se esclarecer que a robótica e a inteligência artificial não são a mesma coisa. As pessoas às vezes confundem os dois por causa da sobreposição entre eles.

A robótica é um ramo da tecnologia que lida com robôs. Os robôs são máquinas programáveis que normalmente são capazes de realizar uma série de ações de forma autônoma ou semiautônoma. Eles interagem com o mundo físico por meio de sensores e atuadores.

A IA é um ramo da ciência da computação e envolve o desenvolvimento de programas de computador para concluir tarefas que, de outro modo, exigiriam a inteligência humana. Alguns algoritmos de IA podem lidar com a aprendizagem, percepção, solução de problemas, compreensão de linguagem e/ou raciocínio lógico.

Ela é usada de muitas maneiras no mundo moderno. Por exemplo, os algoritmos AI são usados nas pesquisas do Google, nos mecanismos de recomendação da Amazon e nos localizadores de rotas SatNav. A maioria dos programas de IA não é usada para controlar robôs.

Mesmo quando o AI é usado para controlar robôs, os algoritmos de IA são apenas parte do sistema robótico maior, que também inclui sensores, atuadores e programação não-AI. Frequentemente – mas nem sempre – a AI envolve algum nível de aprendizado de máquina, em que um algoritmo é modificado para responder a uma entrada específica de uma determinada maneira usando entradas e saídas conhecidas.

Por fim, os robôs artificialmente inteligentes são a ponte entre a robótica e a inteligência artificial. São máquinas controladas por programas de IA. Muitos robôs não são artificialmente inteligentes. Até bem recentemente, todos os robôs industriais só podiam ser programados para realizar uma série repetitiva de movimentos.

Enfim, a robótica e a IA são realmente duas coisas separadas. A robótica desenvolve a construção de robôs, enquanto a IA envolve inteligência de programação. Mas, não se deve esquecer dos robôs de software, que é um termo dado a um tipo de programa de computador que opera autonomamente para completar uma tarefa virtual.

Eles não são robôs físicos, pois existem apenas dentro de um computador. O exemplo clássico é um webcrawler de mecanismo de busca que percorre a internet, varre sites e os categoriza para busca. Alguns robôs de software avançados podem até incluir algoritmos de IA. No entanto, os robôs de software não fazem parte da robótica.

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Quanto ao uso dessas ferramentas na gestão da qualidade, pode-se dizer que, com elas, vai se poder criar as empresas com melhor desempenho. Em termos de gerenciamento de auditoria, produção e eficiência, as empresas podem obter sucesso em suas as auditorias internas e externas com tecnologia automatizada. As principais métricas de segurança podem fornecer o número total de não conformidades; o número de quase falhas que permitem investigar para evitar possíveis incidentes; o tempo que leva para concluir as ações corretivas e preventivas pós-auditoria; as descobertas anteriores fáceis de visualizar para lançamentos de ações corretivas e descobertas; um software de gerenciamento de auditoria automatizado que centralizaria todos os itens de risco e permitir que os usuários os avaliem automaticamente e gerem relatórios rapidamente para identificar lacunas de alto risco que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.

Também, pode usar essas ferramentas para o treinamento de funcionários automatizadas que podem integrar os dados dos funcionários; criar e vincular os requisitos normativos e de processos; integrar o controle de documentos; gerar ensaios automatizados; e integrar os eventos adversos, relatórios e gerenciamento de mudanças.

As ferramentas automatizadas permitirão que os gestores tenham mais proatividade na entrega de seu trabalho, melhorando continuamente à medida que os processos e sistemas da organização crescem. Oferecer melhor desempenho e produtos mais confiáveis é o objetivo da tecnologia como uma ferramenta automatizada viável.

Não resta dúvida de que a gestão da qualidade evoluiu muito ao longo dos anos, passando de uma palavra de ordem para um método ensaiado e comprovado para impulsionar a melhoria contínua. Empresas de todos os tamanhos, trabalhando em vários setores, adotaram o movimento em direção a processos mais simples e inteligentes.

As ferramentas que permitem uma gestão mais eficaz desses processos também se tornaram mais acessíveis, o que, por sua vez, traz princípios de qualidade para um público ainda mais amplo. Como a qualidade se torna um foco central nas estratégias cotidianas, que outras tendências estão à frente que beneficiarão as empresas ainda mais nos próximos anos?

Elas estão relacionadas com às cadeias de suprimento, ao planejamento para cargos, etc. Em vez de separar princípios de projetos e qualidade, o conhecimento se tornará mais um sistema integrado. O conhecimento integrado significa que cada faceta da empresa desempenha um papel vital nos resultados gerais – produção, marketing, TI, vendas e gerenciamento de projetos – e todos compartilham os mesmos objetivos e não são mais vistos como elementos isolados.

As metas de qualidade são aplicadas a todos os cargos em todos os departamentos e o treinamento traz essas medidas para todos os projetos, tarefas e oportunidades de aprendizado. Outra tendência a ser observada é aquela que eleva a qualidade da cadeia de suprimentos. Empresas inteligentes sabem que não podem arcar com os riscos de fornecedores ruins. Mesmo além das qualificações ISO, a qualidade está começando a ser regida por metas específicas da empresa. Portanto, os requisitos começarão a ser mais simplificados e rigorosos, a fim de se associar apenas a fornecedores que sejam capazes de atingir metas de gestão de qualidade e por meio de auditorias.

Manufatura avançada ou indústria 4.0

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Todas essas tendências indicam que o mundo está diante de uma nova revolução industrial, supostamente em curso e em ritmo mais rápido que as anteriores. Essa revolução se configuraria como uma nova era em que a internet contribui para a convergência de diversas tecnologias, sendo introduzida na indústria e adaptada às máquinas e equipamentos.

Os elementos fundamentais seriam a fusão do mundo virtual e real; a utilização de sistemas ciberfísicos (unidades de produção com representação virtual, permitindo maiores níveis de automação); e a flexibilidade da cadeia produtiva com informação disponível em tempo real para fornecedores e clientes.

Uma implicação relevante seria que, à medida que a base digital é incorporada ao chão de fábrica, torna-se possível que a produção se dê de forma mais individualizada e flexível e menos intensiva em trabalho (com utilização de novos materiais e de novos processos e com o uso mais disseminado de robôs).

Assim, a manufatura deixa de ser de massa e torna-se mais customizada. Costuma-se, ainda, exaltar os benefícios quanto ao emprego e à produtividade, na medida em que as novas técnicas produtivas serão mais automatizadas e irão requerer trabalhadores mais qualificados.

Essa interpretação insere-se na discussão mais ampla sobre o futuro da atividade manufatureira. Podem ser apontados como trabalhos representativos o relatório publicado em 2012 pela McKinsey, denominado Manufacturing the future: the next era of global growth and innovation e o artigo de 2015 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), intitulado Enabling the next production revolution: issues paper.

Ambos procuram situar o processo de transformação da atividade manufatureira em um contexto de mudanças na economia global, destacando os condicionantes impostos pelas mudanças em curso e suas implicações para as economias avançadas, bem como suas consequências para a atividade manufatureira. A apresentação convencional, tal qual a do relatório da McKinsey, identifica, corretamente, a presença de uma série de tendências globais e tem o mérito de reafirmar a importância da indústria para o desenvolvimento de longo prazo.

O progresso tecnológico se incorpora a produtos e processos específicos e/ou para resolver desafios específicos. Deve-se ter clareza de que o processo de incorporação está longe de ser algo espontâneo, pois são estimulados por políticas que conjugam demanda efetiva com instrumentos de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico.

As experiências existentes de programas em manufatura avançada têm origem em países desenvolvidos e configuram-se como estratégias que ganharam força a partir de 2010, sobretudo nos Estados Unidos e na Alemanha. Essas estratégias ainda não foram plenamente implantadas ou tiveram seus efeitos sentidos e abarcam áreas a serem desenvolvidas em um prazo de pelo menos nos próximos 20 anos.

Todas essas tecnologias têm o objetivo de criar fábricas inteligentes utilizando conceitos e tecnologias como: a internet das coisas (IoT), big data, sistemas ciberfísicos, etc. Altamente necessária para a implantação deste conceito fabril é a integração da informação através de sistemas inteligentes, onde as máquinas têm capacidade de se comunicar com as outras e a informação é disseminada de maneira completa.

Isso a análise do potencial de automação de processos; otimização de processos para redução de custos; aplicações do RFID na indústria, aliado à internet das coisas; gestão de ativos por meio da utilização de sistemas de manutenção preditiva; e soluções que visam integrar os diversos setores de uma fábrica gerando indicadores em tempo real para auxílio nas tomadas de decisão.

Dessa forma, as indústrias inteligentes, as linhas de montagem e os produtos irão interagir ao longo do processo de fabricação e de produção. Unidades em diferentes lugares também vão trocar informações de forma instantânea sobre compras e estoques.

Já há estudos dizendo que em um futuro tecnológico próximo, sem a interferência de funcionários, as máquinas fabricarão continuamente e sob medida (com um baixíssimo índice de defeitos) diferentes componentes encomendados pelo sistema logístico. O cruzamento de informações vai possibilitar conectar o pedido de compra, a produção e a distribuição, não dependendo apenas de pessoas para tomada de decisões, exigindo novas formas de gestão e engenharia em toda a cadeia produtiva.

Essa tecnologia combina o avanço contínuo da capacidade dos computadores e das interfaces software-usuário; a digitalização da informação, desde a concepção dos produtos, passando por ensaios com materiais, protótipos e leiautes, até a organização da linha de produção e dos respectivos estoques fabris; e as novas estratégias de inovação, que são impulsionadas pela integração dessas tecnologias com as mecânicas e eletrônicas.

Neste cenário de indústria avançada, são consideradas tecnologias direcionadoras de ações: a robótica colaborativa; os transportes autônomos; a inteligência artificial; as tecnologias móveis; a computação na nuvem; big data; crowdsourcing ou a colaboração coletiva; novas fontes de energia; internet das coisas; manufatura aditiva; nanotecnologia; biotecnologia e genética; os novos materiais; etc.

Essas tecnologias combinadas geram conjuntos de oportunidades de manufatura competitiva sem precedentes e a  expectativa é que, até 2025, os processos relacionados à manufatura avançada poderão: reduzir os custos de manutenção de equipamentos de 10% a 40%); reduzir o consumo de energia de 10% a 20%; e aumentar a eficiência do trabalho.

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Não se pode deixar de apontar que há os perigos associados aos robôs que são bem reconhecidos, porém as fontes dos perigos são frequentemente únicas a um sistema robotizado específico. O número e o (s) tipo (s) de perigo (s) estão diretamente relacionados com a natureza do processo de automação e a complexidade da instalação. Os riscos associados a esses perigos variam com o tipo de robô utilizado e sua finalidade, e da maneira que ele é instalado, programado, operado e mantido.

A NBR ISO 10218-1 de 05/2018 – Robôs e dispositivos robóticos — Requisitos de segurança para robôs industriais – Parte 1: Robôs especifica os requisitos e orientações para o projeto seguro, medidas de proteção e informações de uso inerentes aos robôs industriais. Descreve os perigos básicos associados a robôs e provê requisitos para eliminar ou reduzir adequadamente os riscos associados a esses perigos.

A parte 1 não trata o robô como uma máquina completa. A emissão de ruído geralmente não é considerada um perigo significativo exclusivamente do robô, e, consequentemente, o ruído é excluído do escopo desta parte. Não se aplica a robôs não industriais, embora os princípios de segurança estabelecidos possam ser utilizados para esses outros robôs.

Os exemplos de aplicações de robôs não industriais incluem, porém não estão limitados a robôs submarinos, militares e espaciais, manipuladores teleoperados, próteses e outros auxílios para pessoas com deficiência física, microrrobôs (deslocamento inferior a 1 mm), cirurgia ou cuidados da saúde e serviço ou produtos do consumidor. Os requisitos para sistemas robotizados, integração e instalação de robôs são abrangidos na NBR ISO 10218-2.Os perigos adicionais podem ser criados por aplicações específicas (por exemplo, soldagem, corte a laser, usinagem). Esses perigos relativos ao sistema precisam ser considerados durante o projeto do robô.

Uma apreciação de riscos deve ser realizada nos perigos identificados na identificação do perigo. Esta apreciação de riscos deve levar em consideração particularmente: as operações pretendidas do robô, incluindo a programação, manutenção, ajuste e limpeza; a partida inesperada; o acesso por pessoas de todas as direções; o mau uso razoavelmente previsível do robô; o efeito de falha no sistema de controle; e f) quando necessário, os perigos associados com a aplicação específica do robô.

Os riscos devem ser eliminados ou reduzidos primeiramente por projeto ou por substituição, em seguida por dispositivos da segurança e outras medidas complementares. Em seguida, quaisquer riscos residuais devem ser reduzidos por outras medidas (por exemplo, advertências, sinais, treinamento).

A exposição a perigos provocados por componentes, como eixos do motor, engrenagens, correias de acionamento ou articulações que não são protegidas por coberturas integrais (por exemplo, painel sobre uma caixa de engrenagens), deve ser evitada, quer seja por proteções fixas ou proteções móveis. Os sistemas de fixação das proteções fixas que se destinam a ser removidos para ações de serviço de rotina devem permanecer fixados à máquina ou à proteção.

As proteções móveis devem ser travadas com os movimentos perigosos de forma que as funções perigosas da máquina cessem antes que elas possam ser atingidas. As partes de segurança dos sistemas de controle devem ser projetadas de modo que elas estejam de acordo com PL=d, com estrutura de categoria 3, conforme descrito na ISO 13849-1:2006, ou de modo que elas atendam ao SIL 2 com tolerância contra defeitos de hardware de 1 com um intervalo de ensaio de prova não inferior a 20 anos, conforme descrito na IEC 62061:2005.

Isso significa, em especial, que: um único defeito em qualquer uma destas partes não leva à perda da função de segurança; sempre que possível, o único defeito deve ser detectado antes ou durante a próxima demanda da função de segurança; quando ocorrer o único defeito, a função de segurança é sempre realizada e um estado seguro deve ser mantido até que o defeito detectado seja corrigido; e todos os defeitos razoavelmente previsíveis devem ser detectados.

O requisito de detecção de um único defeito não significa que todos os defeitos são detectados. Consequentemente, o acúmulo de defeitos não detectados pode levar a uma saída não pretendida e a uma situação perigosa na máquina. Os resultados de uma apreciação de riscos abrangente realizada no robô e sua aplicação pretendida podem determinar que um desempenho do sistema de controle de segurança está garantido para a aplicação.

A seleção de um desses outros critérios de desempenho de segurança deve ser especificamente identificada, e as limitações e precauções apropriadas devem ser incluídas nas informações de uso providas com o equipamento afetado. Cada robô deve ter uma função de parada de proteção e uma função de parada de emergência independente. Estas funções devem ter disposições para a conexão de dispositivos de proteção externos. Opcionalmente, um sinal de saída de parada de emergência pode ser provido. A tabela abaixo mostra uma comparação entre as funções de parada de emergência e parada de proteção.

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O robô deve ter uma ou mais funções de parada de emergência (categoria de parada 0 ou 1, de acordo com a IEC 60204-1). Cada estação de controle capaz de iniciar o movimento do robô ou outra situação perigosa deve ter uma função de parada de emergência iniciada manualmente que: esteja de acordo com os requisitos da IEC 60204-1; tenha prioridade sobre os demais controles do robô; provoque a parada de todos os perigos controlados; remova a energia de acionamento dos acionadores do robô; forneça a capacidade de controlar os perigos controlados pelo sistema robotizado; permaneça ativa até que ela seja reinicializada; e somente deve ser reinicializada por ação manual que não provoque uma nova partida após a reinicialização, porém somente deve permitir que uma nova partida ocorra.

A seleção de uma função de parada de categoria 0 ou categoria 1 (de acordo com a IEC 60204-1) deve ser determinada da apreciação de riscos. O robô deve ter uma ou mais funções de parada de proteção projetadas para a conexão de dispositivos de proteção externos.

O desempenho da função de parada de proteção deve provocar uma parada de todo o movimento do robô, remover ou controlar a energia dos acionadores de robô e permitir o controle de qualquer outro perigo controlado pelo robô. Esta parada pode ser iniciada manualmente ou pela lógica de controle.

Pelo menos uma função de parada de proteção deve ser uma categoria de parada 0 ou 1, conforme descrito na IEC 60204-1. O robô pode ter uma função de parada de proteção adicional utilizando uma categoria de parada 2 conforme descrito na IEC 60204-1 que não resulte na remoção da energia de acionamento, porém que requeira monitoramento da condição de paralisação após as paradas do robô.

Qualquer movimento involuntário do robô na condição de paralisação monitorada ou falha detectada da função de parada de proteção deve resultar em uma parada de categoria 0 de acordo com a IEC 60204-1. O desempenho da função de paralisação monitorada pode ser iniciada dos dispositivos externos (sinal de entrada de parada dos dispositivos de proteção).

A NBR ISO 10218-2 de 05/2018 – Robôs e dispositivos robóticos — Requisitos de segurança para robôs industriais – Parte 2: Sistemas robotizados e integração especifica os requisitos de segurança para a integração de robôs industriais e sistemas robotizados industriais, conforme definido na NBR ISO 10218-1, e células robotizadas industriais. A integração inclui o seguinte: projeto, fabricação, instalação, operação, manutenção e desativação do sistema ou célula robotizada industrial; informações necessárias para o projeto, fabricação, instalação, operação, manutenção e desativação do sistema ou célula robotizada industrial; dispositivos que compõem o sistema ou célula robotizada industrial.

Esta parte 2 descreve os perigos básicos e as situações perigosas identificadas com estes sistemase provê requisitos para eliminar ou reduzir adequadamente os riscos associados a estes perigos. Embora o ruído tenha sido identificado como um perigo significativo em sistemas robotizados industriais, ele não é considerado. Esta parte 2 também especifica requisitos para o sistema robotizado industrial como parte de um sistema de manufatura integrada, mas não trata especificamente dos perigos associados a processos (por exemplo, radiação a laser, projeção de partículas, fumaça de solda). Outras normas podem ser aplicáveis a estes processos perigosos.

As características operacionais de robôs podem ser significativamente diferentes de outras máquinas e equipamentos. Por exemplo, os robôs são capazes de movimentos com alta energia em um grande espaço operacional, o início do movimento e a trajetória do braço do robô são difíceis de prever e podem variar, por exemplo, devido à mudança dos requisitos de operação.

O espaço de operação do robô pode se sobrepor a uma parte do espaço de operação de outros robôs ou das zonas de trabalho de outras máquinas e equipamentos relacionados e os operadores podem ser requisitados a trabalhar próximos do sistema robotizado enquanto houver energia disponível nos atuadores da máquina. É necessário identificar os perigos e avaliar os riscos associados com o robô e sua aplicação antes de selecionar e projetar as medidas de segurança para reduzir adequadamente os riscos.

As medidas técnicas para a redução do risco são baseadas nos seguintes princípios fundamentais: eliminar ou reduzir os perigos por meio do projeto ou da mudança do mesmo; evitar que os operadores entrem em contato com os perigos ou controlem os perigos pela obtenção de um estado seguro antes que o operador possa entrar em contato com estes; reduzir o risco durante intervenções (por exemplo, programação teaching).

A realização destes princípios pode envolver: projetar o sistema robotizado para permitir que as tarefas sejam executadas fora do espaço protegido; criar um espaço protegido e um espaço restrito; fornecer outras proteções quando ocorrerem intervenções dentro do espaço protegido. O tipo de robô, sua aplicação e sua interação com outras máquinas e equipamentos relacionados irão influenciar o projeto e a seleção das medidas de proteção.

Estas devem ser adequadas para o trabalho que está sendo feito e permitir, quando necessário, que atividades de programação teaching, ajustes, manutenção, verificação do programa e solução de problemas de operação sejam realizadas com segurança. O projeto do sistema robotizado e o leiaute da célula é um processo fundamental para a eliminação dos perigos e redução dos riscos.

Os seguintes fatores devem ser levados em consideração durante o processo de elaboração do leiaute. O estabelecimento dos limites físicos (tridimensional) da célula ou linha, incluindo outras partes de uma célula ou sistema maior (sistema de manufatura integrada): escala e ponto de referência para realização dos desenhos de leiaute; posições e dimensões dos componentes dentro das instalações disponíveis (escala).

Devido ao sistema robotizado estar sempre integrado em uma aplicação específica, o integrador deve realizar uma apreciação de riscos para determinar as medidas de redução do risco requeridas para reduzir adequadamente os riscos apresentados pela aplicação integrada. Convém que atenção específica seja dada aos casos em que as proteções são removidas das máquinas individuais, a fim de alcançar a aplicação integrada.

A apreciação de riscos permite a análise e a avaliação sistemática dos riscos associados com o sistema robotizado ao longo de todo o seu ciclo de vida (ou seja, ativação, instalação, produção, manutenção, reparo, desativação). A apreciação de riscos é seguida, quando necessário, pela redução do risco.

Quando este processo é repetido, ele possibilita o processo iterativo para eliminação de riscos na medida do possível e para a redução dos riscos através da implementação de medidas de proteção. A lista de perigos significativos para robôs e sistemas robotizados contida no Anexo A é o resultado da identificação de perigos e apreciação de riscos realizados conforme descrito na NBR ISO 12100.

Perigos adicionais (por exemplo, vapores, gases, produtos químicos e materiais quentes) podem ser criados por aplicações específicas (por exemplo, soldagem, corte a laser, usinagem) e pela interação do sistema robotizado com outras máquinas (por exemplo, esmagamento, corte, impacto). Estes perigos devem ser tratados de forma individual com uma apreciação de riscos para a aplicação específica.

A fim de determinar a ocorrência potencial de situações perigosas, é necessário identificar as tarefas que são realizadas por operadores do sistema robotizado e seu equipamento associado. O integrador deve identificar e documentar essas tarefas. O usuário deve ser consultado para assegurar que todas as situações perigosas razoavelmente previsíveis (combinações de tarefa e perigo) associadas com a célula robotizada sejam identificadas, incluindo as interações indiretas (por exemplo, pessoas que não tenham tarefas associadas com o sistema, porém que tenham exposição aos perigos associados com o sistema).

Enfim, todos aqueles que executam a gestão de sistemas de qualidade precisarão mostrar como estão ajudando os resultados através de seus programas – seja ISO ou qualquer outro sistema que possa estar implementado. A responsabilidade está se tornando mais importante em todos os níveis da empresa, o que significa que os gerentes que executam estratégias de qualidade devem ser capazes de demonstrar a eficácia de suas estratégias para mostrar o valor agregado nos produtos e serviços.

Todas as estratégias ligadas à internet também precisam estar ligadas a indicadores de desempenho, com planos sólidos para mostrar o progresso em cada etapa. É sempre uma boa ideia estar ciente das mudanças e oportunidades que surgem à medida que a gestão da qualidade evolui. Se forem ignoradas, a sua empresa pode perder uma visão valiosa sobre as melhorias contínuas.

Quando vamos efetivamente aceitar os robôs?

Por Vinicius Maximiliano

Relatório recente do Banco Mundial alerta que, se os trabalhadores do Século 21 pretendem competir com as máquinas, é melhor reduzirem salários, cortar direitos trabalhistas e tornar custos humanos mais “baratos”. Particularmente, sou um dos que o relatório produzido pelo Banco Mundial no dia 20 de abril de 2018, chama de “criadores de cenários catastróficos”. Esse apartado é importante pois, as opiniões que expressarei aqui levam em consideração essa “pecha” criada pelos estudiosos do Desemprego do Século 21.

Interessantíssimo observar que, gradativamente, órgão oficiais, que até há pouco tempo, sinalizavam que existia um exagero sobre a ascensão da tecnologia sobre o trabalho humano, comecem a divulgar, em doses homeopáticas, novos relatórios com análises “já não tão boas” sobre o futuro do trabalho.

Continuam a insistir que não precisamos nos preocupar com a tecnologia ascendente na substituição dos trabalhadores humanos e baseiam-se nos estudos de grandes e brilhantes escritores e analistas do passado, para fundamentar que, apesar de todos os alardes, nada foi como previram esses catastróficos. Concordo!

Realmente, nos séculos anteriores, as previsões relativas às três revoluções industriais pareciam exageradas e traziam consigo muito mais um discurso de resistência socialista, em contraposição a exploração humana pelo capital e o trabalho. Marx, Keynes, etc. supervalorizaram os danos, para justificar os prejuízos.

E, naquela altura, o recurso aplicado e a ruptura de mercado causada comportavam tais discussões nesse âmbito. O mundo era menor, a globalização ainda era um conceito e a conectividade humana muitas vezes não ultrapassava as cartas manuscritas entre as pessoas.

Será que algo mudou para o mundo de hoje? Será que o trabalho, como o conhecemos, sofreu mudanças impactantes? Sinceramente, tentaremos explicar um fenômeno nunca vivenciado pela humanidade, sob a ótica dos estudiosos que igualmente não vivenciaram nossa atual (e dura!) realidade? Em que medida isso agrega valor, esclarece o cenário e alinha o futuro? Olhar para a frente, pelo retrovisor, não parece uma atitude lógica…

E é isso que tenho visto! Desde que iniciei uma página específica sobre o Desemprego no Século 21, tenho dedicado algum tempo a refletir e buscar matérias e estudos que possam ajudar o mercado a explicar e a se preparar para esse impacto social. Afinal, desemprego, seja qual for a maneira como ele foi gerado, é uma questão social! Mas nem sempre compreendem a finalidade.

Em outra oportunidade, tive de esclarecer em um dos posts da página, que não sou contra os robôs, tampouco sou socialista ou comunista ou o que quiserem me chamar, que defende que tudo precisa ser proibido para que se preservem os empregos. Que era hipocrisia minha falar de desempregos causados pela tecnologia postando do meu Iphone… Ledo engano!

Minha posição é justamente trazer reflexões sobre os impactos da tecnologia no mundo do trabalho e que estão acontecendo de forma silenciosa, sem que governos e instituições se deem conta de que, o agora, é bem diferente dos escritores e revolucionários dos séculos passados. Pensar as consequências e malefícios que a adoção e crescimento desenfreado das tecnologias terá sobre o trabalho assalariado é uma questão de política pública.

Não é drama, catástrofe ou exagero, é vida real, entendem? Afinal, querendo ou não, os robôs estão aí, chegando e tomando espaço: quando iremos aceitar a realidade? Quando iremos aceitá-los?

É muito bonito falar sobre os pequenos impactos que a robotização, a IA e a automação inteligentes trarão ao mercado, para quem está empregado. Porém, tente vender o mesmo discurso para o pai ou mãe de família que acabou de perder seu emprego porque o robozinho novo da fábrica trabalha 24 h por dia e produz o mesmo que 20 trabalhadores ao mesmo tempo, com erro e desperdício praticamente zero, sem regras trabalhistas ou exigências burocráticas insustentáveis. Apenas a título de sugestão, assistam um trecho do filme A fantástica fábrica de chocolate, quando o pai do protagonista é substituído na colocação de tampas de pasta de dentes…

Na vida real, os robôs já estão tomando conta dos trabalhos. As evidências estão aí, só não estamos prestando atenção nelas porque o ganho de agilidade, conectividade e conveniência estão enchendo os olhos do mercado, mas basta olhar em volta.

Bancos estão se desintegrando fisicamente, demitindo milhares de pessoas. Fábricas automotivas, que já foram a locomotiva de geração de empregos mundo afora, demitem e reduzem a cada ano, enquanto mantêm a produção e a melhoria contínua dos carros. Call centers praticamente se tornaram uma salinha com um servidor com assistentes virtuais e bots que respondem a praticamente tudo!

E isso é só o começo! Eu sou um entusiasta da inteligência artificial e tenho visto projetos que vão do maravilhoso ao estarrecedor! Não sou um pesquisador, sou apenas um curioso! Mas existem estudos para otimizar praticamente tudo que fazemos em forma de trabalho hoje (pelo menos da forma como o conhecemos).

Alguns estudos ainda mais embrionários, mas que na teoria da evolução dos sistemas e algoritmos, serão possíveis em pouquíssimo tempo. A China tem demonstrado que, um bom banco de dados, um governo autoritário e sistemas de inteligência artificial, podem ser utilizados para controlar uma sociedade de maneira muito mais eficaz do que por leis antiquadas.

Algumas coisas me causam tanta preocupação, que sempre compartilho reportagens que mostram setores de mercado que estão desenvolvendo tecnologias para que não dependam de mão de obra humana direta. E isso é fato, não é estudo teórico! Não é alarde, é evidência! Porque resistimos tanto em aceitar que a vida real passa pela aceitação dos nossos novos parceiros de trabalho?

Vejo em vários eventos que participo, dezenas de palestrantes dizendo que o número de empregos, que serão (sim, no futuro do presente do indicativo!) gerados pelas tecnologias e robóticas vindouras, serão maiores do que o desemprego causado. Um discurso bastante parecido com esse do Banco Mundial, de que com o tempo, tudo se ajeita!

Tenho sempre aproveitado o gancho para questioná-los das evidências, dados e análises que fundamentam isso. Em sua maioria, deixam a pergunta em aberto ou se remetem, novamente, aos críticos da evolução das maquinas do passado. Esse último relatório do Banco Mundial é um alerta velado, mas um alerta.

Talvez por política interna eles não possam ou não devam criar alarde, mas na prática, dizer que é melhor reduzir salários para que os trabalhadores possam competir com as máquinas, meu amigo, tem coelho nesse mato! E uma instituição da envergadura do Banco Mundial tem sim o potencial de causar preocupação em governos do mundo todo. Afinal, você, aí na sua vida, no seu dia a dia, tem visto alguma política pública, ou alguém da estrutura estatal, apresentando projetos ou falando como vai lidar com essa questão?

Todos sabemos em sã consciência que não podemos competir com máquinas. Temos sim de nos unir a elas, mas disputar espaço é entrar em campo já com 7×1 no placar inicial contra!

E mais: o desemprego atual já está praticamente impossível de ser revertido, não só no Brasil como no mundo todo. Aqui, o índice entre 12 e 13 milhões praticamente já integrou as estatísticas e ninguém sabe como resolver, a verdade é essa! As possíveis soluções são as de sempre: aquecer a economia para gerar empregos… só que ninguém diz como.

Políticas educacionais que criem capacitação de curto prazo, em habilidades específicas e de treinamento de máquina (sim, podemos ser bons treinadores para robôs!) seriam bem-vindas. Mas para isso, os atuais gestores teriam que se preocupar menos em dar benefícios sociais, aceitar o fato de que o desemprego é endêmico e preparar as pessoas para o mundo real que nos aguarda, e que está bem perto.

Querendo ou não, só na educação estruturada poderemos encontrar algum alento a essa dura realidade e tornar, aí sim, seus impactos menores. Fora isso, ao menos diante dos estudos que tenho visto até hoje, continuamos olhando o cenário com romantismo exagerado, ancorando nossa segurança nos erros de previsões do passado… e um passado bem diferente da nossa atual realidade. É mais ou menos assim: eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.

Vinicius Carneiro Maximiliano é advogado corporativo e gestor contábil. Com MBA em Direito Empresarial pela FGV e especialista em Direito Eletrônico pela PUC/MG, atuou como advogado de Propriedade Intelectual no Brasil para a Motion Picture Association (MPA), Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (ADEPI) e também para a União Brasileira de Video (UBV) – carolina@carolinalara.com.br



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