A rastreabilidade na cadeia alimentar e a nova ISO 22000

O processo de rastrear é a capacidade de investigar o histórico, a aplicação ou a localização de itens ou atividades semelhantes por meio de informações devidamente registradas.

food

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

Na cadeia de fornecimento da indústria de alimentos, o objetivo da rastreabilidade é permitir, rapidamente, o resgate do histórico do produto e de seu processo de produção, do campo ao prato, atuando como mecanismo fundamental na segurança alimentar da população. Como pré-requisitos, deve existir a identificação única do produto; as informações sobre os produtos e processos; e o estabelecimento de conexões. Na saída de um processo, cada produto, em uma quantidade pré-definida (unidade/lote/contêiner), deve receber uma identificação que o torne único e diferenciado de itens similares que tenham sido ou que serão produzidos em outros locais e períodos.

Ao se dispor de uma identificação única para cada lote ou unidade do produto, precisamos registrar todas as informações relevantes da sua composição e do seu processamento. Estas informações estão relacionadas às identificações únicas das matérias primas ou insumos utilizados aos processos empregados e às anomalias que foram observadas e tratadas pela operação durante a fabricação.

Todo esse registro das informações permite relatar as origens e os destinos dos produtos por meio de um código de rastreabilidade único para cada lote comercializado. Este código acompanha o alimento em toda a cadeia de abastecimento, podendo ser consultado, a qualquer momento, por todos os elos envolvidos no processo.

A rastreabilidade tem uma importante contribuição na identificação de problemas na cadeia produtiva de alimentos e na agilidade dos processos de recall de alimentos.

Utilizar um sistema de rastreabilidade é uma ferramenta interessante para a sua empresa, pois garante o controle total sobre a complexidade de informações e dados na operação do seu negócio, independentemente do tamanho e do volume comercializado. Um processo de rastreabilidade, realizado da forma correta, obedecendo todos os requisitos, é a aposta certa para o negócio atingir melhores resultados.

A rastreabilidade requer uma sistemática de ligações entre o produto identificado e as suas informações. Estas conexões requerem o rastreamento para frente (para onde foi enviado) e para trás (de onde veio o produto). Esta sistemática geralmente é apoiada por um documentação ou um software específico para este fim. Este recurso permite a conexão das informações referentes a um produto dentro de uma cadeia produtiva e possibilita a recuperação rápida dos dados quando necessária.

rastreabilidade

Um sistema de rastreabilidade consistente e integrado à cadeia de produção possibilita a identificação de lotes ou unidades de produto que podem oferecer risco aos consumidores, viabilizando a realização de um recall que, normalmente, visa à proteção e preservação da vida, saúde, integridade e segurança dos consumidores, por meio da comunicação aos consumidores e do recolhimento de produtos defeituosos existentes no mercado.

Com a tecnologia atual, qualquer produto pode ser rastreado, desde sua produção até a chegada ao consumidor final. A rastreabilidade de uma mercadoria traz inúmeros benefícios ao empreendedor, garantindo um negócio mais controlado, confiável e trazendo credibilidade à imagem da empresa.

O acompanhamento de um produto serve para identificar se existe algum problema no roteiro da produção, como atrasos na entrega e perdas de mercadorias. Saber a trajetória que o produto fez e quanto tempo levou para percorrer cada percurso facilita no reconhecimento de falhas e na correção de problemas. Sem falar que, mesmo que aparentemente o roteiro esteja sendo cumprido fielmente, a rastreabilidade dos produtos permitirá que o empreendedor estude mais o negócio e o qualificar.

Diante de consumidores cada vez mais exigentes, uma das tendências do mercado atualmente é a rastreabilidade de produtos alimentícios. Questões como garantia de origem e segurança pesam no momento que o cliente escolhe a marca na compra. Por exemplo, esse serviço permite reconhecer um lote contaminado e que precisa ser retirado de circulação.

A rastreabilidade dos produtos permite, além verificar se o planejamento da rota está sendo cumprido corretamente, fornecer as informações do transporte aos clientes em tempo real que ficam cientes de onde sua compra está. Isso permite que o consumidor possa planejar melhor suas vendas e que se fidelize à sua marca.

Poder rastrear a carga traz segurança não só ao empreendedor, como também aos funcionários. Saber que um veículo carrega produtos rastreados pode prevenir furtos, roubos e sequestros nas estradas. E se a mercadoria chegar a ser saqueada, contribui com as investigações e localização dos produtos.

Acompanhar todo o percurso da mercadoria permite ao empresário analisar o desempenho de cada funcionário, verificando se há paradas indevidas ou lentidão para realizar o percurso, além de permitir verificar também se um veículo está tendo uma performance inferior aos demais da frota e se é o momento de substituí-lo.

Todas essas informações reunidas através da rastreabilidade dos alimentos contribuem para que o gestor estude melhor seu negócio e trace estratégias de qualificação e planejamento logístico dos seus produtos, a fim de se destacar perante a concorrência e ter maiores lucros na empresa.

Os alimentos contaminados espalharam pelas grandes cidades uma praga denominada virose está afetando a vida de quem vive nos grandes centros urbanos. Normalmente, esse tipo de mal estar está associado aos alimentos ingeridos. As doenças e os danos provocados por alimentos são, na melhor das hipóteses, desagradáveis, e, na pior das hipóteses, fatais.

Existem também outras consequências. Os surtos de doenças transmitidas por alimentos podem prejudicar o comércio e o turismo, gerando perdas econômicas, desemprego e conflitos. Alimentos deteriorados causam desperdício e aumento de custos, afetando de forma adversa o comércio e a confiança do consumidor.

O comércio internacional de alimentos e as viagens internacionais estão aumentando. O resultado são importantes benefícios socioeconômicos, mas também a disseminação de doenças ao redor do mundo. Nas duas últimas décadas, os hábitos alimentares têm passado por mudanças em muitos países, acarretando o desenvolvimento de novas técnicas de produção, preparação e distribuição de alimentos.

Portanto, um controle eficaz de higiene tornou-se imprescindível para se evitar consequências prejudiciais decorrentes de doenças e danos provocados pelos alimentos à saúde humana e à economia. Dessa forma, a segurança dos alimentos – garantia de que os alimentos não causem danos ao consumidor, quando preparados e ou consumidos de acordo com o uso a que se destinam – vem se tornando um importante aliado da saúde pública.

Se um alimento se torna perigoso para a saúde, o risco de disseminação alargado de doença é elevado. As causas têm de ser identificadas rapidamente e os consumidores precisam de ser informados do perigo.

A intoxicação alimentar, ou gastrintestinal (gastroenterocolite aguda), é um problema de saúde causado pela ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias (Salmonella, Shigella, E.coli, Staphilococus, Clostridium), vírus (Rotavírus), ou por suas respectivas toxinas, ou ainda por fungos ou por componentes tóxicos encontrados em certos vegetais (comigo-ninguém-pode, mandioca brava) e produtos químicos. A contaminação pode ocorrer durante a manipulação, preparo, conservação e/ou armazenamento dos alimentos. Nas crianças e idosos, a intoxicação alimentar pode ser uma doença grave.

Na maioria dos casos, a infecção bacteriana é a principal causa de intoxicação alimentar. Os diferentes tipos de Salmonella e o Staphilococus aureus são os mais frequentes agentes da infecção, uma vez que são capazes de viver e multiplicar-se no interior dos intestinos.

A Salmonella é transmitida pela ingestão de alimentos, especialmente carne, ovos e leite, que foram contaminados ao entrar em contato com as fezes de animais infectados. No caso dos Staphilococus aureus, comumente encontrado na pele das pessoas sem causar danos, a intoxicação é provocada por uma toxina que a bactéria produz e contamina os alimentos no momento de seu preparo ou manuseio. Outra causa possível, embora menos comum, de intoxicação alimentar é a infecção por um dos tipos da bactéria Clostridium que, em vez do intestino, ataca o sistema nervoso.

A NBR ISO 22005 de 11/2008 – Rastreabilidade na cadeia produtiva de alimentos e rações – Princípios gerais e requisitos básicos para planejamento e implementação do sistema apresenta os princípios e especifica os requisitos básicos para o planejamento e implementação de um sistema de rastreabilidade de alimentos e rações. Este pode ser aplicado por uma organização atuando em qualquer etapa da cadeia produtiva de alimentos e rações.

Um sistema de rastreabilidade é uma ferramenta útil para ajudar uma organização que atua na cadeia produtiva de alimentos e rações a atingir objetivos definidos em um sistema de gestão. A escolha de um sistema de rastreabilidade é influenciada por regulamentos, características do produto e expectativas do cliente.

A complexidade do sistema de rastreabilidade pode variar dependendo das características do produto e dos objetivos a serem atingidos. A implementação de um sistema de rastreabilidade por uma organização depende de limites técnicos inerentes à organização e aos produtos (isto é, natureza das matérias-primas, tamanho dos lotes, procedimentos de colheita e transporte, métodos de processamento e embalagem), e benefícios quanto ao custo de aplicar o sistema.

Um sistema de rastreabilidade, por si só, é insuficiente para alcançar a segurança do alimento. Os sistemas de rastreabilidade devem ser capazes de documentar o histórico do produto e/ou localizar um produto na cadeia produtiva de alimentos e rações. Devem contribuir para a busca da causa de não conformidades e para a habilidade de retirar e/ou recolher produtos, se necessário.

Podem melhorar o uso apropriado e a confiabilidade da informação, eficácia e produtividade da organização. Convém que os sistemas de rastreabilidade sejam capazes de atingir os objetivos (ver 4.3) sob o ponto de vista técnico e econômico.

O deslocamento pode ser relacionado à origem dos materiais, histórico de processo ou a distribuição do alimento ou ração, e convém considerar pelo menos uma etapa anterior e uma etapa posterior para cada organização na cadeia produtiva. Por meio de acordos entre as organizações envolvidas, o sistema pode aplicar-se a mais de uma parte da cadeia.

Convém que os sistemas de rastreabilidade sejam verificáveis, aplicados de forma consistente e imparcial, orientados para resultados, eficazes em custos, de fácil aplicação, de acordo com qualquer regulamento ou política aplicáveis, e de acordo com os requisitos de exatidão estabelecidos.

No desenvolvimento de sistemas de rastreabilidade para a cadeia produtiva de alimentos e rações, é necessário identificar os objetivos específicos a serem atingidos. Convém que estes objetivos levem em consideração os princípios identificados em 4.2. São exemplos de objetivos: dar suporte aos objetivos de segurança de alimentos ou de qualidade; b) atender à(s) especificação (ões) dos clientes; estabelecer o histórico ou origem do produto; facilitar a retirada e/ou recolhimento do produto; identificar as organizações responsáveis na cadeia produtiva de alimentos e rações; facilitar a verificação de informação específica sobre o produto; comunicar informações para as partes interessadas pertinentes e consumidores; atender a quaisquer regulamentos ou políticas, locais, regionais ou internacionais, se aplicáveis; melhorar a eficácia, produtividade e rentabilidade da organização.

Os procedimentos geralmente são relacionados à documentação do fluxo de materiais e informações relacionadas, incluindo manutenção de documentos e verificação. A organização deve estabelecer procedimentos que incluam pelo menos os seguintes: definição de produto; definição de lote e identificação; documentação do fluxo de materiais e informações, incluindo mecanismos para a manutenção dos registros; gestão de dados e protocolos de registro; protocolos de recuperação de informações.

No desenvolvimento e implementação de um sistema de rastreabilidade, é necessário levar em conta a operação existente e sistemas de gestão presentes na organização. Os procedimentos para gerenciar informações sobre rastreabilidade devem incluir meios para ligar e registrar o fluxo de informações relacionadas a materiais e produtos, se necessário.

Os procedimentos devem ser estabelecidos para lidar com não-conformidades no sistema de rastreabilidade. Convém que estes procedimentos incluam correções e ações corretivas. Se uma organização participar de um sistema de rastreabilidade com outras organizações, os elementos planejados (ver 5.1) devem ser coordenados.

As conexões na cadeia produtiva de alimentos e rações são estabelecidas da maneira como cada organização identifica seus principais fornecedores e subsequentes receptores imediatos. Quando é feito comunicado sobre “rastreabilidade na cadeia produtiva de alimentos e rações” para fins comerciais, as etapas pertinentes na cadeia produtiva de alimentos e rações devem ser identificadas pela organização que está fazendo o comunicado e devem ser apoiados por informações verificáveis. Um sistema de rastreabilidade da cadeia pode ser aplicado quando as partes que estão sendo rastreadas são conectadas de forma continua.

Alguns especialistas da indústria de alimentos apontam para o uso da tecnologia blockchain no processo de rastreabilidade, o que pode ter um impacto positivo no processo. O blockchain é uma plataforma aberta de banco de dados distribuído, que tem como principais características a imutabilidade e distribuição da informação. É uma espécie de grande livro contábil que registra vários tipos de transações e possui seus registros espalhados por vários computadores.

No caso das moedas criptografadas, como o bitcoin, esse livro registra o envio e recebimento de valores. Para facilitar, pode-se fazer a seguinte analogia: as páginas desse livro contábil estão armazenadas em várias bibliotecas espalhadas pelo mundo; por isso, apagar o conhecimento presente nele é uma árdua tarefa.

Este sistema é formado por uma cadeia de blocos. Um conjunto de transações é colocado dentro de cada um desses blocos, que são trancados por uma forte camada de criptografia. Por outro lado, a blockchain é pública, ou seja, qualquer pessoa pode verificar e auditar as movimentações registradas nela.

Todas as transações que acontecem na blockchain são reunidas em blocos. Cada bloco é ligado ao anterior por um elo, um código chamado hash. Juntos, eles formam uma corrente de blocos ou blockchain. Os responsáveis por montar a blockchain são os chamados mineradores.

Eles reúnem as transações que estão sendo incluídas na rede, mas ainda não foram colocadas em um bloco. O trabalho do minerador é, entre outras coisas, calcular o hash certo para formar a ligação entre os blocos. Como os cálculos são bastante complexos, há um custo computacional bastante alto.

Dessa forma, os dados gerados no padrão EPC-IS gravados na plataforma blockchain geram segurança a todos os integrantes de uma cadeia de abastecimento comprometidos em prover informação segura e responsável. Pela característica única do blockchain, ele permite a autenticação de um produto sem revelar os detalhes da transação, preservando a confidencialidade.

Se a rastreabilidade é um conceito em processo de implantação no Brasil, o blockchain, igualmente, está na fase das descobertas. As comunidades de negócios testam seu potencial e não há uma definição precisa da potencialidade dessa tecnologia. Mas sabe-se que, onde foi aplicada, provocou mudanças fundamentais nos modelos de negócios. Ela está aliada a outros processos como big data, analytics e inteligência artificial.

Tudo se integra para que a automação seja cada vez mais inteligente e preditiva. Mas, o que nos traça um novo horizonte é o ponto de vista mais humano do assunto – a confiabilidade, a segurança, a responsabilidade.

Quando uma organização tem a capacidade de responder a perguntas como o que, quando, de onde, por onde e para onde, provavelmente ela já se iniciou no processo de rastreabilidade, que é a habilidade de se recuperar o histórico, aplicação ou localização de um determinado produto.

Se um banco de dados alimentado com esse objetivo tiver como administradores todos os interessados na transparência da informação, essa corre menos riscos de ser manipulada erroneamente. O blockchain, portanto, deve ser considerado como instrumento de disrupção dos modelos de gestão.

A nova edição da ISO 22000

22000_2

Foi publicada a nova edição da ISO 22000:2018 – Food safety management systems — Requirements for any organization in the food chain que especifica os requisitos para um sistema de gestão de segurança de alimentos (SGSA) para capacitar uma organização que esteja direta ou indiretamente envolvida na cadeia de alimentos: planejar, implementar, operar, manter e atualizar um SGSA fornecendo produtos e serviços seguros, de acordo com o uso pretendido; demonstrar conformidade com os requisitos de segurança alimentar estatutários e regulamentares aplicáveis; avaliar e avaliar os requisitos de segurança alimentar do cliente mutuamente acordados e demonstrar conformidade com os mesmos; comunicar eficazmente as questões de segurança alimentar às partes interessadas dentro da cadeia alimentar; assegurar que a organização esteja em conformidade com a política de segurança alimentar declarada; demonstrar conformidade com as partes interessadas relevantes; buscar a certificação ou registro de seu sistema de gestão por uma organização externa, ou fazer uma autoavaliação ou autodeclaração de conformidade com este documento.

Todos os requisitos deste documento são genéricos e devem ser aplicáveis a todas as organizações da cadeia alimentar, independentemente do tamanho e da complexidade. As organizações que estão direta ou indiretamente envolvidas incluem, mas não estão limitadas a, produtores de alimentos para animais, produtores de alimentos para animais, colheitadeiras de plantas e animais silvestres, agricultores, produtores de ingredientes, fabricantes de alimentos, varejistas e organizações que fornecem serviços de alimentação, serviços de catering e limpeza. e serviços de saneamento, transporte, armazenamento e serviços de distribuição, fornecedores de equipamentos, limpeza e desinfetantes, materiais de embalagem e outros materiais de contato com alimentos.

Este documento permite que qualquer organização, incluindo organizações pequenas e/ou menos desenvolvidas (por exemplo, uma pequena fazenda, um pequeno distribuidor-empacotador, um pequeno ponto de venda ou varejo) implemente elementos desenvolvidos externamente em seu SGSA. Os recursos internos e/ou externos podem ser usados para atender aos requisitos deste documento.

Com mais de 200 doenças espalhadas pela cadeia alimentar, fica claro que a produção de alimentos seguros e sustentáveis é um dos maiores desafios do mundo atual. A globalização do comércio de alimentos complica ainda mais a segurança alimentar e a nova edição da ISO 22000 sobre sistemas de gestão de segurança alimentar apresenta uma resposta oportuna.

A segurança alimentar diz respeito à prevenção, eliminação e controle de riscos alimentares, desde o local de produção até o ponto de consumo. Como os riscos à segurança de alimentos podem ser introduzidos em qualquer estágio do processo, todas as empresas da cadeia de suprimento de alimentos devem exercer controles de risco adequados. Na verdade, a segurança alimentar só pode ser mantida através dos esforços combinados de todas as partes: governos, produtores, varejistas e consumidores finais.

Destinado a todas as organizações nas indústrias de alimentos e rações, independentemente do tamanho ou setor, a ISO 22000:2018 traduz a gestão da segurança alimentar em um processo de melhoria contínua. É preciso uma abordagem de precaução para a segurança alimentar, ajudando a identificar, prevenir e reduzir os riscos de origem alimentar nas cadeias alimentares e alimentos para animais.

A nova edição traz clareza de entendimento para as milhares de empresas em todo o mundo que já utilizaram a norma. Suas últimas melhorias incluem alguma alterações. A adoção da estrutura de alto nível comum a todos os padrões do sistema de gestão ISO, facilitando para as organizações combinar a ISO 22000 com outros sistemas de gerenciamento (como ISO 9001 ou ISO 14001) em um determinado momento.

Uma nova abordagem ao risco – como um conceito vital no negócio de alimentos – que distingue entre o risco no nível operacional e o nível de negócios do sistema de gestão. Um forte vínculo com o Codex Alimentarius, um grupo atuante no setor de alimentos das Nações Unidas que desenvolve diretrizes de segurança alimentar para os governos. A nova edição oferece um controle dinâmico dos riscos à segurança de alimentos, combinando os seguintes elementos-chave geralmente reconhecidos: comunicação interativa, gerenciamento de sistemas, Programas de pré-requisitos (PRPs) e princípios de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (Hazard Analysis and Critical Control Points – HACCP).

A ISO 22000: 2018 cancela e substitui a ISO 22000:2005. As organizações certificadas terão três anos a partir da data de publicação para fazer a transição para a nova versão.

Conteúdo da norma (em inglês)

Foreword

Introduction

1 Scope

2 Normative references

3 Terms and definitions

4 Context of the organization

4.1 Understanding the organization and its context

4.2 Understanding the needs and expectations of interested parties

4.3 Determining the scope of the food safety management system

4.4 Food safety management system

5 Leadership

5.1 Leadership and commitment

5.2 Policy

5.3 Organizational roles, responsibilities and authorities

6 Planning

6.1 Actions to address risks and opportunities

6.2 Objectives of the food safety management system and planning to achieve them

6.3 Planning of changes

7 Support

7.1 Resources

7.2 Competence

7.3 Awareness

7.4 Communication

7.5 Documented information

8 Operation

8.1 Operational planning and control

8.2 Prerequisite programmes (PRPs)

8.3 Traceability system

8.4 Emergency preparedness and response

8.5 Hazard control

8.6 Updating the information specifying the PRPs and the hazard control plan

8.7 Control of monitoring and measuring

8.8 Verification related to PRPs and the hazard control plan

8.9 Control of product and process nonconformities

9 Performance evaluation

9.1 Monitoring, measurement, analysis and evaluation

9.2 Internal audit

9.3 Management review

10 Improvement

10.1 Nonconformity and corrective action

10.2 Continual improvement

10.3 Update of the food safety management system

Annex A Cross References between the CODEX HACCP and this document

Annex B Cross references between this document and ISO 22000:2005

Bibliography

A adoção de um sistema de gestão de segurança de alimentos (SGSA) é uma decisão estratégica para uma organização que pode ajudar a melhorar seu desempenho geral em segurança alimentar. Os benefícios potenciais para uma organização de implementação de um SGSA com base neste documento são: a capacidade de fornecer consistentemente alimentos e produtos seguros e serviços que atendam ao cliente e aos requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis; abordar os riscos associados aos seus objetivos; a capacidade de demonstrar conformidade com os requisitos especificados do SGSA.

Este documento emprega a abordagem de processo (ver 0.3), que incorpora o ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) (veja 0.3.2) e o pensamento baseado em risco (ver 0.3.3). Essa abordagem de processo permite que uma organização planeje seus processos e suas interações.

O ciclo PDCA permite que uma organização garanta que seus processos tenham recursos e gerenciamento adequados e que as oportunidades de melhoria sejam determinadas e implementadas. O pensamento baseado em risco permite que uma organização determine os fatores que podem fazer com que seus processos e seu SGSA se desviem dos resultados planejados e estabeleça controles para evitar ou minimizar os efeitos adversos.

A segurança alimentar está relacionada com a presença de riscos de segurança alimentar no momento do consumo (consumo pelo consumidor). Os perigos de segurança alimentar podem ocorrer em qualquer estágio da cadeia alimentar.

Portanto, o controle adequado em toda a cadeia alimentar é essencial. A segurança alimentar é garantida através dos esforços combinados de todas as partes na cadeia alimentar. Este documento especifica os requisitos para um  food safety management system – FSMS que combina os seguintes elementos-chave geralmente reconhecidos: comunicação interativa; administração do sistema; programas de pré-requisitos; – Princípios de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (HACCP).

Além disso, este documento é baseado nos princípios comuns às normas do sistema de gerenciamento da ISO. Os princípios de gestão são: foco no cliente; liderança; envolvimento de pessoas; processos de abordagem; melhoria; tomada de decisão baseada em evidências; gestão de relacionamento.

Este documento adota uma abordagem de processo ao desenvolver e implementar um FSMS e melhorar sua eficácia para aumentar a produção de produtos e serviços seguros, atendendo aos requisitos aplicáveis. Entender e gerenciar processos inter-relacionados como um sistema contribui para a eficácia e a eficiência da organização na obtenção dos resultados pretendidos.

A abordagem do processo envolve a definição sistemática e gestão de processos, e suas interações, de modo a alcançar os resultados pretendidos de acordo com a política de segurança alimentar e direção estratégica da organização. O gerenciamento dos processos e do sistema como um todo pode ser alcançado usando o ciclo PDCA, com um foco geral no pensamento baseado em risco, visando aproveitar as oportunidades e evitar resultados indesejáveis. O reconhecimento do papel e da posição da organização dentro da cadeia alimentar é essencial para garantir uma comunicação interativa eficaz em toda a cadeia alimentar.

O ciclo PDCA pode ser descrito resumidamente da seguinte forma:

Plan: estabelecer os objetivos do sistema e seus processos, fornecer os recursos necessários para entregar os resultados e identificar e abordar riscos e oportunidades;

Do: implementar o que foi planejado;

Check: monitorar e (quando relevante) medir os processos e os produtos e serviços resultantes, analisar e avaliar informações e dados das atividades de monitoramento, medição e verificação e relatar os resultados;

Act: realizar as ações para melhorar o desempenho, conforme necessário.

Neste documento, e como ilustrado na figura, a abordagem de processo usa o conceito do ciclo PDCA em dois níveis. A primeira abrange o quadro geral do SGSA (Cláusula 4 à Cláusula 7 e Cláusula 9 à Cláusula 10). O outro nível (planejamento operacional e controle) cobre os processos operacionais dentro do sistema de segurança alimentar, conforme descrito na Cláusula 8. A comunicação entre os dois níveis é, portanto, essencial.

Ilustração do ciclo Planejar-Fazer-Verificar-Agir nos dois níveis

22000



Categorias:Normalização, Qualidade

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: