A gestão de energia deve estar além da conta mensal de eletricidade

A gestão de energia em uma empresa não deve se restringir somente a energia elétrica que em muitos casos pode ser principal fonte de energia, apesar de não ser a única, mas a todos os tipos utilizados sejam em processos produtivos, atividades de serviço, entretenimento, lazer, etc.

energia8Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

A razão ou outra relação quantitativa entre uma saída de desempenho, serviços, produtos ou energia e uma entrada de energia é que se chama de eficiência energética. Como exemplos: eficiência de conversão, energia requerida/energia usada, saída/entrada, energia teórica utilizada para operar/energia usada para operar; eficiência de motor – kW/h médio consumido/distância percorrida; eficiência da lâmpada – W/h médio consumido/fluxo luminoso produzido lúmen (lm).

Tanto a entrada como a saída precisam ser claramente especificadas em quantidade e qualidade e ser mensuráveis para que se consiga efetivamente visualizar o nível de eficiência energética do objeto de avaliação. Contudo, a gestão de energia a que se refere a série de normas NBR ISO 50000 não se restringe a somente a energia elétrica que, em muitos casos, pode ser principal fonte de energia.

Apesar de não ser a única, há os demais tipo de energias utilizado sejam em processos produtivos, atividades de serviço, entretenimento, lazer, etc., como os combustíveis, o vapor, calor, ar comprimido, além de formas mais limpas como a energia eólica, solar e outras formas análogas, ou seja, para o propósito da eficiência energética, energia refere-se às suas diversas formas, incluindo renovável, que podem ser compradas, armazenadas, processadas, utilizadas em equipamentos ou em um processo, ou até recuperadas.

A gestão de energia é muito mais do que medir mês a mês a conta de energia elétrica e avaliar se houve ou não uma redução de consumo. É entender também se houve uso de outras formas de energia, em sentido amplo, e como as mesmas contribuíram para os resultados da organização, ou seja, se o uso das mesmas é significativo.

Deve-se atentar que é possível existir cenários em que mesmo com aumento de consumo de energia é possível atingir maior eficiência energética, quando ocorre, por exemplo, expansão de um empreendimento/atividade com aquisição de novas máquinas/equipamentos contratação de mais funcionários, em que se pode ter um maior consumo geral de energia, mas um menor consumo por pessoas ou por máquinas.

Isso tudo depende da forma como a organização gerencia seus usos significativos de energia, determina objetivos em relação a redução do consumo ou aumento da eficiência energética dos processos, mede e monitora os resultados periódicos e ações de adequação e/ou melhoria para que tais objetivos sejam alcançados.

Quanto ao consumidor, se tornou uma espécie de fiador do setor elétrico brasileiro. É ele quem sustenta os aumentos constantes da energia elétrica em um ritmo mais alto que o da inflação. De janeiro a julho deste ano, o preço da energia subiu 13,79% frente aos 2,94% de acúmulo pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Essa lógica perversa pode ser vista também em um período mais longo: de 1995 a 2017, a tarifa média residencial cresceu 50% acima do IPCA – para as fábricas, chegou a ser 130% maior, segundo dados do Instituto Ilumina.

A energia sobe acima da inflação devido à forma como o setor elétrico contrata. O serviço está segmentado basicamente em geração (as usinas que produzem energia), transmissão (o sistema que transmite a energia entre as usinas e os centros de consumo) e distribuição (que consegue realizar a entrega da energia ao consumidor).

Para cada concessionária de geração, transmissão e distribuição existem contratos diversos, com cláusulas particulares e valores diferentes, os quais precisam ser liquidados junto a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). “No caso do Ambiente de Contratação Regulado (ACR), ao qual a maioria dos consumidores está vinculada, a composição do preço final ao consumidor é complexa, pois envolve todos os contratos vinculados à geração, transmissão e distribuição e, eventualmente, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), além de encargos setoriais e impostos”, explica o professor da Universidade Positivo (UP), Fabrizio Nicolai Mancini.

O especialista esclarece que diversos fatores incidem sobre esses custos, tais como escassez de chuva, peso dos subsídios, incidência de encargos e tributos, assim como garantias de pagamento dadas aos players do setor. Entre esses fatores que oneram a taxa mensal, encontram-se os impostos (PIS/Pasep, Cofins e ICMS), perdas de energia e os complexos custos relativos à geração, transmissão e distribuição. Dados da Agência Nacional De Energia Elétrica (Aneel) apontam que os encargos subiram de 6% para 16% no peso da tarifa de energia. Um estudo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) mostrou a divisão da composição da tarifa de energia para o consumidor do mercado cativo (que adquire energia das distribuidoras tradicionais): 39,7% se referem a compra, 42,1% a encargos e tributos, 15,6% a distribuição e 2,7% a transmissão.

Refém desse ambiente, o consumidor pode tomar algumas medidas para sentir menos o baque do custo da energia em sua residência. Segundo Mancini, o primeiro passo é entender o conceito de educação energética, controlando o quanto se consome, assim como já se faz com smartphones e notebooks. “Sabendo quanto o equipamento consome, é fácil determinar quanto ele custa ao fim do mês e identificar onde e como fazer essa redução”, explica o professor.

Nesse contexto, Mancini ensina como determinar os gastos médios de cada equipamento da casa: verifique a potência em watts do equipamento; determine quantas horas por dia ele é usado; faça uma conta matemática simples para encontrar a energia em kWh: a potência multiplicada pelo número de horas usadas por dia e, na sequência, pelo número de dias do mês de utilização, dividindo tudo por mil; por fim, use o valor obtido pelo custo do kWh encontrado na fatura de energia. “Para economizar, é preciso conhecer. Só assim, saberemos onde teremos a maior economia”, diz Mancini.

Para ilustrar o raciocínio, imagine um chuveiro elétrico de 5.500w, utilizado por 15 minutos por dia (o equivalente a 0,25 de hora) ao longo de 30 dias: ((5500 X 0,25 x 30)/1000), o que equivale a 20,25 kWh por mês. Multiplicado pelo valor do KWh (0,77) encontrado na tarifa de energia do Paraná, chega-se à conclusão de que o preço de um banho diário de 15 minutos, por 30 dias, é de R$ 15,59 ao mês. Com isso, o consumidor consegue fazer contas e determinar os equipamentos relevantes em seu dia a dia e como evitar as altas contas de energia.

Para Mancini, esse raciocínio também deve orientar o comportamento do consumidor na hora de comprar equipamentos. Ele ilustra o exemplo com as televisões: as de LED consomem menos do que as LCD e, no médio e longo prazo, um investimento maior pode se reverter em economia de energia e de dinheiro.

Já o consumo energético no setor industrial, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indica que ele é responsável por cerca de 41% do gasto de energia do país – representado por 573 mil unidades industriais.

Outra análise, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), demonstrou que a manufatura é considerada o setor com o maior potencial para a geração de riqueza na economia, mas é também o que mais desperdiça energia ao nível nacional. Dessa forma, pode-se dizer que a indústria brasileira possui uma grande parcela de culpa em relação ao uso desproporcional de energia elétrica que, além de causar sérios impactos ao meio ambiente, também atinge o orçamento de empresas e de toda a nação.

Ainda de acordo com a CNI, os equipamentos como motores elétricos, refrigeração, ar comprimido e iluminação podem ser responsáveis por mais de 50% de todo o desperdício energético de uma empresa. Além desses, há muito consumo energético em transformadores; fornos elétricos e estufas; sistemas de ar condicionado e ventilação; sistema de ar comprimido; sistema de refrigeração; sistema de bombeamento de água; elevadores e escadas rolantes.

Há algumas estratégias para a redução de desperdícios nas plantas industriais. No caso da iluminação, muitos não acreditam, mas o gasto com ela é muito alto nas empresas. O uso de lâmpadas corretas pode amenizar esse problema, deixando o ambiente mais iluminado e seguro para os colaboradores.

Recomenda-se o maior aproveitamento da luz natural, apagar as luzes em dependências vazias, utilização de circuitos independentes, instalação de sensores de presença, sistema de gerenciamento do consumo de energia por controle digital, dar preferência a luminárias fluorescentes ou LED, pintar as paredes com cores claras para refletir melhor a claridade.

As instalações elétricas industriais devem passar por manutenções contínuas, tendo em vista a grande carga de energia depositada nelas diariamente. Recomenda-se a manutenção de todos os elementos que compõem a instalação elétrica, como transformadores, postes de recepção, fusíveis, disjuntores, tomadas, interruptores, etc., verificar a potência da instalação, substituir transformadores e fiações antigas.

No chão de fábrica de qualquer empresa de manufatura há diversas máquinas de alta tensão que ficam ligadas 24 h por dia e aumentam drasticamente o gasto de energia. A sugestão é o desligamento em períodos ociosos, realizar inspeções periódicas, trocá-los por modelos atualizados com melhor eficiência energética, substituir regularmente as peças, analisar a lubrificação, monitorar vibração e temperatura.

No caso dos sistemas de ar comprimido ou os compressores de ar são muito utilizados no setor industrial e têm por objetivo captar o ar presente no ambiente, armazenando-o sob alta pressão e transformando-o em ar comprimido. Eles servem para analisar os níveis terminais de pressão, vazão e qualidade do ar dentro da fábrica.

Recomenda-se verificar as condições físicas dos compressores, manter as correias ajustadas, realizar limpeza periódica de dos filtros de ar, eliminar vazamentos entre a geração e o reservatório central, inspecionar regularmente tubulações e válvulas, realizar drenagem do reservatório central.

O uso excessivo de equipamentos de ar-condicionado e sistemas de ventilação são considerados grandes vilões do consumo energético no país. Na manufatura, esse problema tende a ser ainda maior, devido à quantidade excessiva desses dispositivos no setor.

Recomenda-se utilizar temperaturas adequadas dentro da faixa de conforto térmico, desligar os equipamentos em ambientes vazios, instalar cortinas de ar, reduzir a velocidade dos ventiladores, limpar periodicamente os filtros, manter portas e janelas fechadas quando o ar estiver em funcionamento.

A NBR ISO 50001 de 08/2018 – Sistemas de gestão da energia – Requisitos com orientações para uso especifica os requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão da energia (SGE). O resultado pretendido é permitir que uma organização siga uma abordagem sistemática para alcançar a melhoria contínua do desempenho energético e do SGE.

É aplicável a qualquer organização, independentemente do seu tipo, tamanho, complexidade, localização geográfica, cultura organizacional ou dos produtos e serviços que ela oferece; é aplicável às atividades que afetem o desempenho energético que são gerenciados e controlados pela organização; é aplicável, independentemente da quantidade, uso ou tipos de energia consumida; requer demonstração de melhoria contínua do desempenho energético, mas não estabelece níveis de melhoria do desempenho energético a serem alcançados; pode ser usado independentemente, ou ser alinhado ou integrado com outros sistemas de gestão. O Anexo A fornece orientação para o uso deste documento e o Anexo B fornece uma comparação desta edição com a edição anterior.

O seu propósito é permitir que as organizações estabeleçam os sistemas e processos necessários para melhorar continuamente o desempenho energético, incluindo a eficiência energética, o uso da energia e o consumo da energia. Este documento especifica os requisitos de um sistema de gestão da energia (SGE) para uma organização.

A implementação bem-sucedida de um SGE suporta uma cultura de melhoria do desempenho energético, que depende do comprometimento de todos os níveis da organização, especialmente da Alta Direção. Em muitos casos, isto envolve mudanças culturais dentro de uma organização.

É aplicável às atividades sob o controle da organização. Sua aplicação pode ser adaptada para atender aos requisitos específicos da organização, incluindo a complexidade de seus sistemas, o grau de informação documentada e os recursos disponíveis. Não se aplica ao uso de produtos por usuários finais fora do escopo e fronteiras do SGE, nem se aplica ao projeto de produtos fora das instalações, equipamentos, sistemas ou processos de uso da energia.

Aplica-se ao projeto e à aquisição de instalações, equipamentos, sistemas ou processos de uso da energia dentro do escopo e fronteiras do SGE. O desenvolvimento e a implementação de um SGE incluem uma política energética, objetivos, metas energéticas e planos de ação relacionados à sua eficiência energética, uso da energia e consumo da energia, atendendo aos requisitos legais e outros requisitos.

Um SGE permite que uma organização estabeleça e alcance objetivos e metas energéticas, tome ações, conforme necessário, para melhorar seu desempenho energético, e demonstre a conformidade de seu sistema com os requisitos deste documento. Fornece os requisitos para um processo sistemático, orientado por dados e baseado em fatos, focado na melhoria contínua do desempenho energético.

O desempenho energético é um elemento-chave integrado aos conceitos introduzidos neste documento para assegurar resultados eficazes baseados em medições comparáveis ao longo do tempo. O desempenho energético é um conceito que está relacionado ao consumo da energia, ao uso da energia e à eficiência energética.

Indicadores de desempenho energético (IDE) e linhas de base energéticas (LBE) são dois elementos inter-relacionados abordados neste documento, para permitir que as organizações demonstrem a melhoria do desempenho energético.

O SGE descrito é baseado na estrutura de melhoria contínua Plan-Do-Check-Act (PDCA) e incorpora a gestão da energia nas práticas organizacionais existentes, como ilustrado na figura abaixo. No contexto de gestão da energia, a abordagem PDCA pode ser descrita como a seguir.

  • Plan (Planejar): compreender o contexto da organização, estabelecer uma política energética e uma equipe de gestão da energia, considerar as ações para enfrentar os riscos e oportunidades, conduzir uma revisão energética, identificar os usos significativos de energia (USE), os indicadores de desempenho energético (IDE), a(s) linha(s) de base energética(s) (LBE), objetivos e metas energéticas, e planos de ação necessários para obter resultados que levarão à melhoria do desempenho energético de acordo com a política energética da organização.
  • Do (Fazer): implementar os planos de ação, controles de operação e manutenção, e comunicação, assegurar competências e considerar o desempenho energético no projeto e aquisição.
  • Check (Checar): monitorar, medir, analisar, avaliar, auditar e realizar análise(s) crítica(s) pela direção do desempenho energético e do SGE.
  • Act (Agir): adotar ações para tratar não conformidades e melhorar continuamente o desempenho energético e o SGE.

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Nessa nova edição, as principais mudanças em relação à edição anterior são as seguintes: adoção dos requisitos da ISO para normas de sistema de gestão, incluindo uma estrutura de alto nível, um núcleo de texto comum e termos e definições comuns, para assegurar um alto nível de compatibilidade com outras normas de sistema de gestão; melhor integração com processos de gestão estratégicos; esclarecimento da linguagem e estrutura do documento; maior ênfase no papel da Alta Direção; adoção de ordem de contexto para os termos e suas definições na Seção 3, bem como atualização de algumas definições; inclusão de novas definições, incluindo a melhoria do desempenho energético; esclarecimento das exclusões de tipos de energia; esclarecimento da “revisão energética”; introdução do conceito de normalização dos indicadores de desempenho energético (IDE) e das linhas de base energéticas associadas (LBE); detalhes adicionais sobre o plano de coleta de dados e os requisitos relacionados (anteriormente plano de medição de energia); esclarecimento do texto relacionado aos indicadores de desempenho energético (IDE) e às linhas de base energética (LBE), a fim de fornecer uma melhor compreensão destes conceitos.

Importante é que a organização deve determinar: as partes interessadas que sejam pertinentes para o desempenho energético e o SGE; os requisitos pertinentes destas partes interessadas; quais das necessidades e expectativas identificadas a organização aborda a partir do seu SGE.

A organização deve: assegurar que ela tenha acesso aos requisitos legais aplicáveis e a outros requisitos relacionados à sua eficiência energética, uso da energia e consumo da energia; determinar como estes requisitos se aplicam à sua eficiência energética, uso da energia e consumo da energia; assegurar que estes requisitos sejam levados em conta; revisar em intervalos definidos os seus requisitos legais e outros requisitos.

A organização deve determinar as fronteiras e a aplicabilidade do SGE para estabelecer o seu escopo. Ao determinar o escopo do SGE, a organização deve considerar: as questões externas e internas referidas em 4.1; os requisitos referidos em 4.2. Deve assegurar que ela possua autoridade para controlar a sua eficiência energética, seu uso da energia e seu consumo da energia dentro do escopo e fronteiras. A organização não pode excluir um tipo de energia dentro do escopo e fronteiras.

O escopo e as fronteiras do SGE devem ser mantidos como informações documentadas (ver 7.5). Para o sistema de gestão da energia, a empresa deve estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um SGE, incluindo os processos necessários e suas interações, e melhorar continuamente o desempenho energético, de acordo com os requisitos deste documento.

Os processos requeridos podem diferir de uma organização para outra devido: ao tamanho da organização e seu tipo de atividades, processos, produtos e serviços; à complexidade dos processos e suas interações; à competência do pessoal. A Alta Direção deve demonstrar liderança e comprometimento com relação à melhoria contínua de seu desempenho energético e da eficácia do SGE: assegurando que o escopo e as fronteiras do SGE sejam estabelecidos; assegurando que a política energética (ver 5.2), os objetivos e as metas energéticas (ver 6.2) sejam estabelecidos e compatíveis com a direção estratégica da organização; assegurando a integração dos requisitos do SGE nos processos de negócio da organização; assegurando que os planos de ação sejam aprovados e implementados; assegurando que os recursos necessários para o SGE estejam disponíveis; comunicando a importância da gestão da energia eficaz e de estar conforme com os requisitos do SGE; assegurando que o SGE alcance seus resultados pretendidos; promovendo a melhoria contínua do desempenho energético e do SGE; assegurando a formação de uma equipe de gestão da energia; dirigindo e apoiando as pessoas a contribuírem para a eficácia do SGE e com a melhoria do desempenho energético; apoiando outros papéis pertinentes da gestão para demonstrar como a sua liderança se aplica às áreas sob sua responsabilidade; assegurando que o (s) IDE represente (m) apropriadamente o desempenho energético; assegurando que processos sejam estabelecidos e implementados para identificar e abordar mudanças que afetem o SGE e o desempenho energético dentro do escopo e das fronteiras do SGE.

Quanto à uma política energética, a diretoria deve estabelecer uma política energética que: seja apropriada ao propósito da organização; forneça uma estrutura para o estabelecimento e análise crítica dos objetivos e metas energéticas (ver 6.2); inclua um comprometimento em assegurar a disponibilidade de informações e recursos necessários para alcançar objetivos e metas energéticas; inclua um comprometimento em satisfazer requisitos legais aplicáveis e outros requisitos (ver 4.2) relacionados à eficiência energética, uso da energia e consumo da energia; inclua um comprometimento com a melhoria contínua (ver 10.2) do desempenho energético e do SGE; apoie a aquisição (ver 8.3) de produtos e serviços energeticamente eficientes que impactem o desempenho energético; apoie as atividades de projeto (ver 8.2) que considerem a melhoria do desempenho energético.

Essa política energética deve: estar disponível como informação documentada (ver 7.5); ser comunicada dentro da organização; estar disponível para partes interessadas, como apropriado; ser periodicamente analisada criticamente e atualizada quando necessário. Deve-se tratar da melhoria do desempenho energético e de uma abordagem do sistema de gestão para o gerenciamento da energia.

O SGE utiliza elementos inter-relacionados, como indicadores de desempenho energético (IDE) e linha de base energética (LBE) como um meio de demonstrar melhorias mensuráveis da eficiência energética e do consumo da energia, relacionados ao uso da energia (ver figura abaixo).

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Ainda que este documento requeira a demonstração da melhoria do desempenho energético, é a organização que estabelece seu desempenho energético e suas metas energéticas, além de como a melhoria do desempenho energético será demonstrada. A estrutura das seções e algumas terminologias deste documento foram modificadas, em relação à última edição, para melhorar o alinhamento com outras normas de sistemas de gestão.

Não há, porém, qualquer requisito neste documento para que a estrutura das seções ou terminologia sejam aplicadas na documentação dos SGE da organização. Não há qualquer requisito para substituir os termos usados pela organização pelos termos usados neste documento. As organizações podem escolher usar os termos adequados ao seu negócio e suas necessidades, ou utilizar os termos deste documento.

A NBR ISO 50002 de 11/2014 – Diagnósticos energéticos – Requisitos com orientação para uso especifica os requisitos de processo para a realização de um diagnóstico energético em relação ao desempenho energético. É aplicável a todos as tipos de estabelecimentos e organizações, e a todas as formas de energia e seus usos. Especifica os princípios da realização de diagnósticos energéticos, requisitos para os processos comuns durante os diagnósticos energéticos e produtos a serem entregues pelos diagnósticos energéticos.

Não aborda os requisitos para seleção e avaliação da competência dos órgãos que fornecem os serviços de diagnóstico energético, e também não cobre a auditoria do sistema de gestão da energia de uma organização, pois isto é descrito na ISO 50003. Fornece também as orientações informativas para seu uso (ver Anexo A).

Um diagnóstico energético é fundamentado em alguns princípios. Esses princípios auxiliam a fazer do diagnóstico energético uma ferramenta eficaz e confiável para auxiliar a gestão em tomadas de decisões e controles, provendo informação sobre a qual a organização pode agir a fim de melhorar seu desempenho energético. Um diagnóstico energético abrange uma análise detalhada do desempenho energético de uma organização, equipamento, sistema(s) ou processo(s).

É baseado em medição e observação apropriadas do uso de energia, da eficiência energética e do consumo. Diagnósticos energéticos são planejados e conduzidos como parte da identificação e priorização das oportunidades de melhoria no desempenho energético, na redução de desperdício de energia e na obtenção de benefícios ambientais relacionados.

Os resultados do diagnóstico incluem informações sobre o uso e o desempenho atuais, e listam as recomendações por prioridade para melhorias em termos do desempenho energético e dos benefícios financeiros. A aplicação dos seguintes princípios pelo consultor de energia é fundamental para o sucesso do diagnóstico energético.

O consultor de energia deve possuir conhecimento e habilidades necessários para completar o escopo definido do diagnóstico energético. A competência pode ser demonstrada através de: formação técnica adequada, habilidades, experiência e/ou treinamento apropriados, seguindo diretrizes e recomendações locais ou nacionais; habilidades técnicas relevantes específicas sobre o uso de energia, escopo, fronteiras e objetivo do diagnóstico; conhecimento de requisitos apropriados legais e outros requisitos; familiaridade com os usos de energia que estão sendo diagnosticados; conhecimento dos requisitos desta norma, e de normas locais e nacionais de diagnóstico energético; para um membro da equipe designado como consultor-líder, possuir habilidades para gerenciar e proporcionar liderança à equipe de consultores de energia; convém que um consultor-líder possua habilidades gerenciais, profissionais e de liderança, a fim de gerenciar a equipe.

Onde há apenas um consultor, este é considerado o consultor-líder. Onde houver disponibilidade de um programa local ou nacional de certificação de consultor de energia, ou equivalente, podem ser considerados consultores de energia certificados. Alguns programas podem ser específicos por tecnologia. O consultor de energia é encorajado a demonstrar desenvolvimento profissional contínuo para manter e aperfeiçoar o conhecimento de diagnóstico, habilidades técnicas e atributos pessoais.

O desenvolvimento profissional contínuo pode ser atingido através de meios distintos como participação de reuniões, seminários, conferências, treinamento técnico, experiência de trabalho, estudo pessoal, estudo orientado ou outras atividades relevantes. A confidencialidade dos resultados do diagnóstico deve ser acordada entre a organização e o consultor, antes do início do diagnóstico energético. Informação do diagnóstico energético não pode ser usada inapropriadamente para ganho pessoal do consultor de energia, ou de maneira prejudicial ao interesse legítimo da organização. Este conceito inclui o manuseio apropriado de informação sensível ou confidencial.

O consultor de energia deve agir de forma independente e de maneira imparcial. Os conflitos de interesse (pessoal, financeiro ou outro) devem ser identificados e comunicados à organização rapidamente. Se a organização pretender executar um diagnóstico energético usando pessoal interno, convém que sejam feitos esforços para remover toda a parcialidade e encorajar a objetividade.

Para realização do diagnóstico energético com base no escopo e fronteiras definidos para diagnóstico energético, é necessário acesso a: organização, instalações, equipamentos, sistema (s) e processo (s); funcionários (engenharia, operações, manutenção, etc.), fornecedores de equipamentos, empreiteiros e outros para coletar informação pertinente e útil ao diagnóstico energético e à análise de dados; outras fontes de informação, como desenhos, manuais, relatórios de ensaios, informações do histórico de faturas referentes às de utilidades, dados de monitoramento e controle, painéis elétricos de equipamentos e registros de calibração.

O diagnóstico energético deve ser conduzido de acordo com os seguintes princípios: o diagnóstico seja consistente com o escopo do diagnóstico energético, fronteira e objetivos do diagnóstico acordado; as medições e observações sejam apropriadas aos usos e ao consumo de energia; os dados coletados de desempenho energético sejam representativos das atividades, processos, equipamentos e sistemas; os dados utilizados para quantificar o desempenho energético e identificar as oportunidades de melhoria sejam consistentes e únicos; o processo de coleta, validação e análise de dados seja rastreável; o relatório do diagnóstico energético forneça oportunidades de melhoria do desempenho energético com base em análises técnica e econômica apropriadas.

A análise apropriada deve ser consistente com o escopo do diagnóstico energético e suficientemente detalhada para permitir uma tomada de decisão eficaz. O consultor de energia e a organização devem estabelecer canais e métodos de comunicação necessários para facilitar o diagnóstico em tempo adequado.

As linhas de comunicação bem definidas, e rápidas para a equipe de diagnóstico energético, tanto internamente quanto com a organização, são essenciais. O processo do diagnóstico energético consiste nas seguintes etapas, como ilustrado na figura abaixo: planejamento do diagnóstico energético (5.2); reunião de abertura (5.3) e coleta de dados (5.4); plano de medições (5.5); condução da visita ao local (5.6); análise (5.7); relatório do diagnóstico energético (5.8); reunião de encerramento (5.9).

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As atividades de planejamento do diagnóstico energético são essenciais para definir o escopo do diagnóstico energético e o (s) objetivo (s), além de reunir informações preliminares da organização. A fim de desenvolver o escopo do diagnóstico energético e assegurar que seja conduzido um diagnóstico energético eficaz, deve-se aplicar o seguinte: o consultor de energia e a organização devem concordar sobre: escopo, fronteiras e objetivo(s) do diagnóstico energético; necessidades e expectativas para alcançar os objetivos do diagnóstico; nível de detalhamento requerido.

O Anexo A fornece orientação que pode ser útil no estágio de planejamento, incluindo indicativos de tipos de diagnósticos. Deve-se aplicar o intervalo de tempo para completar o diagnóstico energético e um critério para avaliar e priorizar oportunidades de melhoria do desempenho energético. Um exemplo: retorno do investimento; potencial economia de energia com o tempo; custo do ciclo de vida, análise do custo incremental para substituição por equipamentos mais eficientes energeticamente. As oportunidades de melhoria do desempenho energético podem incluir benefícios não energéticos.

Deve-se levar em conta o compromisso com tempo e outros recursos da organização e a disponibilidade de dados relevantes antes do início do diagnóstico energético. Um exemplo: desenhos; leiaute da planta; histórico do consumo de energia; faturas referentes às de utilidades, quando apropriadamente verificadas; manuais de equipamentos e outras documentações técnicas, incluindo medição planejada e/ou inspeções a serem feitas durante o diagnóstico energético.

Deve-se avaliar o material a ser entregue e formato do relatório e a conveniência de que o rascunho do relatório final seja apresentado à organização para comentários. Soma-se a isso a apresentação do representante da organização responsável pelo processo do diagnóstico energético e do processo para concordância em qualquer alteração no escopo do diagnóstico energético.

O consultor de energia deve requisitar informações para estabelecer o contexto do diagnóstico energético, incluindo, quando aplicável: os requisitos regulatórios e outras variáveis que afetam o diagnóstico energético; as restrições, regulatórias ou outras, que afetem o escopo ou outros aspectos do diagnóstico energético proposto; e os planos estratégicos que podem afetar o desempenho energético da organização. Exemplo: planos de gestão de ativos; mudança na mescla de produtos; planos de expansão; projetos planejados; gestão terceirizada de instalações ou manutenção de equipamentos.

Deve-se, também levar em conta os sistemas de gestão, como ambiental, qualidade, gestão de energia ou outros; os fatores ou considerações especiais que podem mudar escopo, processo e conclusões do diagnóstico energético; e quaisquer considerações, mesmo aquelas subjetivas, incluindo opiniões, ideias e restrições existentes relacionadas às potenciais medidas de melhoria do desempenho energético.

Auditoria e certificação

Pode-se afirmar que os sistemas de gestão de energia capacitam uma organização a seguir uma abordagem sistemática para alcançar melhoria contínua no seu desempenho energético, incluindo eficiência energética, uso e consumo de energia. A NBR ISO 50003 de 06/2016 – Sistemas de gestão de energia – Requisitos para organismos de auditoria e certificação de sistemas de gestão de energia especifica os requisitos de competência, consistência e imparcialidade em auditorias e certificação de sistemas de gestão de energia (SGE) para organismos que prestam estes serviços.

Para garantir a eficácia da auditoria de SGE, esta norma aborda o processo de auditoria, os requisitos de competência para o pessoal envolvido no processo de certificação para sistemas de gestão de energia, a duração das auditorias e amostragem para multi-instalações.

Além dos requisitos da NBR ISO/IEC 17021-1 de 05/2016 – Avaliação da conformidade – Requisitos para organismos que fornecem auditoria e certificação de sistemas de gestão – Parte 1: Requisitos, esta norma especifica requisitos que dizem respeito à área técnica específica de SGE que são necessários para assegurar a efetividade da auditoria e certificação. Particularmente, esta norma internacional aborda os requisitos adicionais necessários para o processo de planejamento de auditoria, a auditoria de certificação inicial, a condução da auditoria no local, competência do auditor, duração das auditorias do SGE e amostragens multilocal.

A Seção 4 descreve as características da auditoria do SGE, a Seção 5 descreve os requisitos do processo de auditoria do SGE e a Seção 6 descreve os requisitos de competência para o pessoal envolvido no processo de certificação do SGE. Os Anexos A, B e C fornecem informações adicionais.

Esta norma trata de auditorias de SGE para fins de certificação, mas não trata de diagnósticos energéticos, cujo propósito é estabelecer uma análise sistemática de consumo e uso de energia os quais são definidos na NBR ISO 50002. Os SGE capacitam uma organização a seguir uma abordagem sistemática para alcançar melhoria contínua no seu desempenho energético, incluindo eficiência energética, uso e consumo de energia.

O escopo da certificação deve definir as fronteiras do SGE incluindo atividades, instalações, processos e decisões relacionados ao SGE. O escopo pode ser toda a organização com multilocais, uma instalação dentro da organização, ou um subconjunto ou subconjuntos dentro de uma instalação, como uma edificação, instalação ou processo.

Quando definir as fronteiras, uma organização não pode excluir as fontes de energia. Na determinação do tempo da auditoria, o organismo de certificação deve incluir os seguintes fatores: fontes de energia; usos significativos de energia; consumo de energia; e o número do pessoal efetivo no SGE.

A duração da auditoria inclui o tempo no local da organização, planejamento da auditoria, revisão de documentos e produção de relatórios de auditoria. As tabelas de duração da auditoria no Anexo A devem ser utilizadas para determinar a duração da auditoria.

O método de cálculo da duração da auditoria está descrito no Anexo A. Nos casos onde os processos vigentes e a estrutura organizacional forem tais que uma redução na duração da auditoria possa ser justificada, o organismo de certificação deve fornecer uma justificativa razoável para a decisão e assegurar que ela esteja registrada.

A duração da auditoria pode ser reduzida se a organização tiver um SGE integrado com outro sistema de gestão certificado. O ajuste no tempo devido a outro sistema de gestão certificado não pode exceder 20 % de redução.

Os homens/dia da auditoria são baseados em 8h por dia. Ajustes podem ser solicitados baseados em requisitos locais, regionais ou exigência legais nacionais.

O número do pessoal efetivo no SGE e o critério de complexidade, como definido no Anexo A são utilizados como base para o cálculo da duração de auditoria. O organismo de certificação deve definir e documentar um processo para determinar o número do pessoal efetivo do SGE para o escopo de certificação e para cada auditoria no programa de auditoria.

O processo para determinar o número do pessoal efetivo no SGE deve assegurar a inclusão de pessoas que contribuem ativamente para atender os requisitos do SGE. Quando regulamentações exigirem a identificação de pessoas para operação e manutenção das atividades de SGE, estas pessoas devem ser parte do pessoal efetivo do SGE.

Quando conduzir a auditoria, o auditor deve coletar e verificar a evidência de auditoria relativa ao desempenho energético que inclui no mínimo: planejamento energético (todas as seções); controle operacional; e monitoramento de medição e análise. Ao identificar não conformidades da NBR ISO 50001, a definição para não conformidade maior para o SGE (ver 3.6) será utilizada pelo auditor.

Um relatório de auditoria deve incluir: escopo e fronteiras do SGE que estão sendo auditado; e declaração da obtenção da melhoria contínua do SGE e melhoria no desempenho energético com evidências de auditoria para amparar as constatações. A auditoria fase 1 deve incluir o seguinte: confirmação do escopo e fronteiras do SGE para certificação; análise gráfica ou uma descrição narrativa das instalações, equipamentos, sistemas e processos para o escopo e fronteiras identificados; confirmação do número do pessoal efetivo do SGE, fontes de energia, uso significativo de energia e consumo anual de energia, para confirmar a duração da auditoria; revisão de resultados documentados do processo de planejamento energético; análise da relação de oportunidade de melhorias de desempenho energético identificadas assim como os objetivos, metas e planos de ação relacionados.

Durante a auditoria fase 2, o organismo de certificação deve reunir as evidências necessárias de auditoria para definir se está demonstrada ou não a melhoria do desempenho energético, antes de tomar a decisão de certificação. A confirmação da melhoria do desempenho energético é necessária para a concessão da certificação inicial. Exemplos de como a organização pode demonstrar a melhoria do desempenho energético estão apresentados no Anexo C.

Durante as auditorias de manutenção, o organismo de certificação deve analisar as necessárias evidências da auditoria para determinar se foi demonstrada ou não uma melhoria contínua do desempenho energético. Durante a auditoria de recertificação, o organismo de certificação deve analisar as evidências da auditoria necessárias para determinar se uma melhoria contínua do desempenho energético está demonstrada antes de ser tomada a decisão de recertificação.

A auditoria de recertificação também deve levar em conta qualquer alteração significativa nas instalações, equipamentos, sistemas ou processos. A confirmação de melhoria contínua de desempenho energético é necessária para que a recertificação seja concedida. A melhoria do desempenho energético pode ser influenciada por alterações nas instalações, equipamentos, sistemas ou processo, mudanças no tipo de negócio, ou outras condições que resultem em mudança ou uma necessária mudança na linha de base.

Todo o pessoal envolvido em atividade de auditoria de SGE e atividades de certificação deve possuir um nível de competência que inclui as competências genéricas descritas na NBR ISO/IEC 17021 assim como os conhecimentos gerais em SGE descritos na tabela abaixo, onde “X” significa que o organismo de certificação deve definir o critério.

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A equipe de auditoria deve ser nomeada e composta por auditores e especialistas técnicos, como necessário, para cumprir os requisitos de competência técnica, bem como os requisitos de competência gerais compatíveis com o escopo da certificação. A tabela abaixo descreve as competências técnicas para um SGE, onde “X” significa que o organismo de certificação define os critérios.

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A determinação da complexidade do SGE deve ser baseada em três considerações: o consumo anual de energia, o número de fontes de energia e o número de usos significativos de energia. A complexidade é um valor calculado com base em um fator ponderado que aborda todas estas três considerações.

Para cada consideração, dois itens de informação são necessários para calcular a complexidade: o peso ou multiplicador; e o fator de complexidade, que se baseia em um intervalo. A tabela abaixo fornece para cada consideração o peso e as faixas associadas para os fatores de complexidade necessários para calcular a complexidade.

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Como base para a amostragem, os procedimentos do organismo de certificação devem assegurar que a revisão do contrato inicial inclua uma avaliação da complexidade e escala das atividades abrangidas pelo SGE e que os critérios em todas as cláusulas tenham sido cumpridos. Algumas considerações sobre diferenças que possam afetar a amostragem podem incluir o seguinte: desempenho energético; usos significativos de energia; fontes de energia; monitoramento, medições e análises; consumo de energia; e mudanças no escopo. O organismo de certificação deve identificar as funções centrais (escritório central) da organização com a qual ele tem um acordo jurídico vinculado à prestação de atividades de certificação.

A NBR ISO 50004 de 03/2016 – Sistemas de gestão da energia — Guia para implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão da energia fornece orientação prática e exemplos para estabelecer, implementar, manter e aperfeiçoar um sistema de gestão de energia (SGE), de acordo com a abordagem sistemática da NBR ISO 50001. As suas diretrizes aplicam-se a qualquer organização, independentemente do seu tamanho, tipo, local ou nível de maturidade. Não fornece orientação sobre como desenvolver um sistema de gestão integrado. Embora as suas orientações estejam alinhadas com o modelo do sistema de gestão de energia da NBR ISO 50001, elas não têm o objetivo de fornecer interpretações sobre os seus requisitos.

Fornece orientação aos usuários com diferentes níveis de gestão da energia e experiência com SGE, incluindo aqueles: com pouca ou nenhuma experiência em gestão da energia ou normas de sistema de gestão; que realizam projetos de eficiência energética, mas possuem pouca ou nenhuma experiência em SGE; que possuem um SGE implantado, não necessariamente baseado na NBR ISO 50001; que possuem experiência com a NBR ISO 50001 e buscam outras ideias ou sugestões para melhoria. A gestão da energia será sustentável e mais eficiente quando integrada com a totalidade dos processos do negócio de uma organização (por exemplo operações, financeiro, qualidade, manutenção, recursos humanos, compras, saúde e segurança e meio ambiente).

A NBR ISO 50001 pode ser integrada a outras normas de sistema de gestão, como as NBR ISO 9001, NBR ISO 14001 e OHSAS 18001. A integração pode ter um impacto positivo na: cultura corporativa, prática corporativa, incorporando a gestão da energia à prática diária, eficiência operacional e custo operacional do sistema de gestão. Os exemplos e abordagens apresentados são para fins ilustrativos. Eles não têm o objetivo de representar as únicas possibilidades, nem são necessariamente adequados para todas as organizações.

Na implementação, manutenção ou melhoria de um SGE, é importante que as organizações selecionem abordagens adequadas às suas próprias circunstâncias. A norma inclui “caixas de ajuda” destinadas a oferecer ideias, exemplos e estratégias para a implementação de um SGE para os usuários.

Os compromisso e engajamento contínuos da alta direção são essenciais para a efetiva implementação, manutenção e melhoria de um SGE, a fim de alcançar os benefícios na melhoria do desempenho energético. A alta direção demonstra esse comprometimento por meio de ações de liderança e ações de envolvimento no SGE, assegurando uma permanente alocação de recursos, incluindo pessoas para implementar e sustentar o SGE ao longo do tempo.

A NBR ISO 50006 de 03/2016 – Sistemas de gestão de energia — Medição do desempenho energético utilizando linhas de base energética (LBE) e indicadores de desempenho energético (IDE) — Princípios gerais e orientações fornece orientações para organizações de como estabelecer, utilizar e manter indicadores de desempenho energéticos (IDE) e linhas de base energética (LBE) como parte do processo de medição de desempenho energético. As suas orientações são aplicáveis a qualquer organização, independentemente do seu Para medir e quantificar efetivamente seu desempenho energético, uma organização estabelece o IDE e a LBE. Os IDE são utilizados para quantificar o desempenho energético de toda a organização ou de suas diferentes partes. As LBE são referências quantitativas utilizadas para comparar valores do IDE ao longo do tempo e para quantificar alterações no desempenho energético.

Os resultados do desempenho energético podem ser expressos em unidades de consumo (por exemplo, GJ, kWh), consumo específico de energia (CEE) (por exemplo, kWh/unidade), potência de pico (por exemplo, kW), alteração percentual em eficiência ou proporções adimensionais, etc. A relação geral entre o desempenho energético, o IDE, a LBE e metas energéticas é apresentada na figura abaixo.

O desempenho energético pode ser afetado por uma série de variáveis relevantes e fatores estáticos. Eles podem estar relacionados às condições variáveis de negócio, como demanda de mercado, vendas e rentabilidade. Uma visão geral sobre o processo de desenvolvimento, utilização e atualização dos IDE e LBE é ilustrada na figura abaixo e descrita em detalhes nas Seções 4.2 a 4.6.

Este processo auxilia a organização a melhorar continuamente a medição do seu desempenho energético. tamanho, tipo, localização ou nível de maturidade na área de gestão de energia. Assim, atender aos requisitos da NBR ISO 50001 relacionados ao estabelecimento, uso e manutenção dos indicadores de desempenho energético (IDE) e linhas de base energética (LBE) para a medição e alterações no desempenho energético.

O IDE e a LBE são dois elementos-chave inter-relacionados da NBR ISO 50001 que permitem a medição, e, logo, a gestão do desempenho energético em uma organização. O desempenho energético é um conceito amplo relacionado ao uso e consumo de energia e eficiência energética. Para gerenciar efetivamente o desempenho energético de suas instalações, sistemas, processos e equipamentos, as organizações precisam saber como a energia é utilizada e quanto é consumida ao longo do tempo.

Um IDE é um valor ou medida que quantifica resultados relacionados à eficiência energética, uso e consumo de energia em instalações, sistemas, processos e equipamentos. As organizações utilizam IDE como medida de seus desempenhos energéticos. A LBE é uma referência que caracteriza e quantifica o desempenho energético de uma organização durante um período de tempo específico.

A LBE permite que uma organização avalie alterações do desempenho energético entre dois períodos selecionados. A LBE também é utilizada para cálculos de economia de energia, como uma referência antes e depois da implementação de ações de melhoria do desempenho energético.

As organizações definem metas para o desempenho energético como parte do processo de planejamento energético em seus sistemas de gestão de energia (SGE). A organização precisa considerar as metas específicas de desempenho energético, enquanto identifica e estabelece o IDE e a LBE. A relação entre o desempenho energético, IDE, LBE e metas energéticas é ilustrada na figura abaixo.

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Essa norma inclui quadros de ajuda desenvolvidos para fornecer ao usuário ideias, exemplos e estratégias para medição do desempenho energético utilizando o IDE e a LBE. Os conceitos e métodos nessa norma podem também ser utilizados por organizações que não possuem um SGE.

Por exemplo, o IDE e a LBE podem também ser utilizados em nível de instalação, sistema, processo ou equipamento, ou para a avaliação de ações individuais de melhoria de desempenho energético. Uma visão geral sobre o processo de desenvolvimento, utilização e atualização dos IDE e LBE é ilustrada na figura abaixo e descrita em detalhes nas Seções 4.2 a 4.6.

Este processo auxilia a organização a melhorar continuamente a medição do seu desempenho energético. A quantificação do consumo de energia é essencial para a medição do desempenho energético e das melhorias do desempenho energético.

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Quando múltiplas formas de energia forem utilizadas, é útil converter todas as formas para uma unidade de medição de energia comum. Convém tomar cuidado para que a conversão seja feita de forma que represente a energia total consumida em uma organização apropriadamente, incluindo perdas em processos de conversão de energia.

A identificação dos usos da energia, como sistemas energéticos (por exemplo, ar comprimido, vapor, água fria, etc.), processos e equipamentos, auxilia a categorização do consumo de energia e a focar o desempenho energético nos usos que são importantes para uma organização. A eficiência energética é uma métrica frequentemente utilizada para se medir desempenho energético e pode ser utilizada como um IDE.

A eficiência energética pode ser expressa de diferentes maneiras, como saída de energia/entrada de energia (eficiência de conversão); energia requerida/energia consumida (onde a energia requerida pode ser obtida a partir de um modelo teórico ou alguma outra relação); saída de produção/entrada de energia (por exemplo, as toneladas de produção por unidade de energia consumida). O escopo e fronteira do SGE compreendem a área ou as atividades dentro das quais uma organização gerencia o desempenho energético.

Para medir o desempenho energético, convém que sejam definidas as fronteiras de medição adequadas para cada IDE. Estas são chamadas de fronteiras do IDE e podem se sobrepor. Os usuários do IDE e suas necessidades precisam ser identificadas antes (ver 4.3.2), e então a fronteira do IDE correspondente é definida.

Ao se definir uma fronteira do IDE, convém considerar: responsabilidades organizacionais relacionadas à gestão de energia; a facilidade de isolamento da fronteira do IDE medindo-se energia e variáveis relevantes; a fronteira do SGE; o uso significativo de energia (USE) ou grupos de USE que a organização designar como prioridade para controle e melhoria; equipamentos, processos e subprocessos específicos que a organização quiser isolar e gerenciar. Os três níveis primários da fronteira do IDE são: individual, sistema e organizacional, conforme descrito na tabela abaixo.

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Os fatores que afetam o desempenho energético mudam de valor. Convém que os fatores sejam analisados para verificar se eles são mais adequadamente considerados variáveis relevantes ou fatores estáticos. Por exemplo, uma planta de produção pode ter um nível de produção que varia rotineiramente e que é uma variável relevante e uma mistura de produtos que não varia rotineiramente que é um fator estático.

É importante registrar as condições destes fatores estáticos no momento em que os IDE e LBE estiverem sendo estabelecidos. Convém que a organização revise estes fatores estáticos ao longo do tempo para assegurar que os IDE e LBE permaneçam apropriados e para registrar qualquer mudança significativa que poderia afetar o desempenho energético. Embora fatores estáticos não variem substancialmente entre os períodos de reporte e o período de base, se as condições se alterarem, o fator estático poderia mudar e convém a organização manter o IDE e a LBE relacionados (ver 4.6).



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