A trilogia de Joseph Juran

editorial2Juran representa para a gestão da qualidade como o Pelé para o futebol: uma referência eterna. Ele nasceu em 1904, na Romênia, emigrou para os Estados Unidos em 1912, licenciou-se em engenharia e direito, começou a sua atividade profissional como gestor de qualidade na Western Eletric Company e foi professor de engenharia na New York University. Em 1954, foi convidado para dar uma série de palestras no Japão, que mais tarde foram reconhecidas como a base do foco na qualidade adotado pela indústria japonesa do pós-guerra. Ao lado de W. Edwards Deming, ele entrou na mitologia da gestão como um dos dois norte-americanos cujo mérito das ideias sobre qualidade só foi reconhecido no exterior.

Em 1979 fundou o Juran Institute, a instituição que maior atividade de promoção da qualidade tem desenvolvido em todo o mundo. Juran recebeu 40 prêmios internacionais de 12 países. O seu último livro intitulou-se A History for Managing for Quality.O essencial de sua obra é que ele é considerado o primeiro guru que aplicou a qualidade à estratégia empresarial, em vez de ligá-la meramente à estatística ou aos métodos de controle total da qualidade.

Em sua opinião, a qualidade pode ser definida segundo dois contextos. Segundo uma óptica de resultados a qualidade consiste nas características do produto que satisfazem as necessidades do cliente e geram lucros. Logo, alta qualidade implica, geralmente, maiores custos. De acordo com uma óptica de custos, a qualidade é a ausência de defeitos ou erros de fabrico. Logo, alta qualidade custa, em regra, menos dinheiro para as empresas.

Juran defende que a gestão da qualidade se divide em três pontos fundamentais: planejamento, melhoria e o controle de qualidade. No livro Managerial Breakthrough, coloca a melhoria da qualidade no topo das prioridades do gestor. Ele acreditava que os processos de negócio são a maior e a mais negligenciada oportunidade de melhoria. Os estudos indicam que 85% dos problemas de qualidade são causados por processos de gestão. Juran considera o planejamento a segunda prioridade, um esforço que deve ter a participação das pessoas que o vão implementar. A separação entre o planejamento e a execução é uma noção obsoleta que remonta aos tempos de Taylor. Em último lugar, deve fazer-se o controle de qualidade. Juran aconselha a sua delegação para os níveis operacionais da empresa. Devido à crescente qualificação dos trabalhadores, ele acredita profundamente em equipes autogeridas ou self management teams.

Assim, a qualidade pode ser definida segundo dois contextos. Segundo uma ótica de resultados a qualidade consiste nas características do produto que satisfazem as necessidades do cliente e geram lucros. Logo, alta qualidade implica, geralmente, maiores custos. De acordo com uma óptica de custos, a qualidade é a ausência de defeitos ou erros de fabrico. Logo, alta qualidade custa, em regra, menos dinheiro para as empresas.

A trilogia de Juran

Melhoria da qualidade:

– Reconheça as necessidades de melhoria.

– Transforme as oportunidades de melhoria numa tarefa de todos os trabalhadores.

– Crie um conselho de qualidade, selecione projetos de melhoria e as equipas de projeto e de facilitadores.

– Promova a formação em qualidade.

– Avalie a progressão dos projetos.

– Premie as equipes vencedoras.

– Faça a publicidade dos resultados.

– Reveja os sistemas de recompensa para aumentar o nível de melhorias.

– Inclua os objetivos de melhoria nos planos de negócio da empresa.

Planejamento da qualidade:

– Identifique os consumidores ou clientes.

– Determine as suas necessidades.

– Crie características de produto que satisfaçam essas necessidades.

– Crie os processos capazes de satisfazer essas características.

– Transfira a liderança desses processos para o nível operacional.

Controle da qualidade:

– Avalie o nível de desempenho atual.

– Compare-o com os objetivos fixados.

– Tome medidas para reduzir a diferença entre o desempenho atual e o previsto.

Juran continua sendo uma referência quando se busca a qualidade na esfera de produção de bens e/ou serviços. Além do acervo bibliográfico deixado por ele, seu instituto continua promovendo e disseminando tudo aquilo que praticava em vida. Sua memória continua viva através das grandes empresas, indústrias e consultores que fazem dos métodos do Guru da Qualidade uma forma de gestão primordial.

Bibliografia: Managerial Breaktrough (McGraw-Hill, 1964); Quality Planning and Analysis (McGraw-Hill, 1980) com Frank Gryna; Juran on Quality Improvement Workbook (Juran Enterprises, 1981); Quality Control Handbook (McGraw-Hill, 1988); Juran on Planning for Quality (Free Press, 1988); Managerial Breakthrough (McGraw-Hill, 1995); e A History of Managing Quality (ASQC Quality Press, 1995).

Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br



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