Propostas eleitorais: onde estão a qualidade, a competitividade e a produtividade?

Entre polarizações, discursos intolerantes e incertezas, os pilares qualidade, competitividade e produtividade seguem ignorados entre os políticos.

Guilherme Papa –

urnasO primeiro turno das eleições se aproxima. No dia 07 de outubro, deputados e senadores serão eleitos, enquanto cargos do executivo (governadores e presidente) podem necessitar de um segundo turno para isso, marcado para o dia 28. Talvez uma das eleições de maior incerteza que a jovem democracia brasileira já viveu, regada de polarização, extremismo e intolerância. As pesquisas vão mostrando e atualizando as intenções de voto do eleitorado, este que possui dificuldade em encontrar, em todos os cargos, candidatos dignos de confiança.

Os políticos buscam a manutenção de seu espaço enquanto os que estão de fora ou ingressando visam o lugar, em uma verdadeira “dança das cadeiras”. Diversos escândalos de corrupção, da direita a esquerda, além da péssima utilização de recursos obtidos por meio dos impostos, levaram uma parcela da população a apostar em novos partidos com o intuito de reformular o cenário nacional.

Entretanto, parte significativa dos “recém-chegados” ou não possuem expressividade política ainda ou são compostos por veteranos da política nacional. Na prática, os que estão no poder permanecem ali de forma geral. Um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que 79% dos deputados federais tentarão a reeleição, e a projeção é de que 75% deles devem ser reeleitos.

Um dos artifícios que os políticos usam para sua candidatura ganhar força e consequentemente atrair votos são as promessas e propostas. Mesmo com pouco interesse de grande parte do eleitorado, os planos de governo completos estão disponíveis na internet, embora raros sejam os que consultam este material.

Particularmente vejo abordagens extremamente rasas, superficiais, não se sustentando ao logo do texto e menos ainda explicando os meios que levariam aos fins que parecem estar tão distantes. Os temas de sempre (saúde, segurança, educação, economia e afins) têm presença carimbada, e os atuais dividem opinião e envolvimento dos políticos. Questão do aborto, porte de armas e consumo de drogas são exemplos.

Afunilando para a questão econômica, as promessas seguem, de forma geral, sem novidades, alternando apenas o grau de envolvimento quanto ao assunto: redução do desemprego, da inflação, ajuste dos impostos, reformas, privatização de estatais, corte de gastos públicos, etc. Entretanto, pilares de suma importância sequer são abordados. Talvez por serem objetos que exigem maior conhecimento acerca do assunto para compreensão sejam pouco discutidos tanto pelo eleitorado quanto pelos políticos, estes cada vez menos aptos a assumirem cargos públicos e lidarem com as responsabilidades.

A qualidade, a competitividade e a produtividade são os pilares básicos para uma indústria forte, e que se conectam em cadeia, gerando consigo também segurança e eficiência em produtos e serviços das mais variadas naturezas na sociedade. Os três devem estar em sincronia, sendo reflexos e resultados uns dos outros. A simples oscilação de alguns deles pode resultar em catástrofes financeiras.

Qualidade agrupa características de um produto ou serviço que lhe permitem satisfazer determinadas necessidades. As organizações precisam gerar produtos e serviços em condições de satisfazer as demandas do consumidor. Produtividade e competitividade estão ligadas a eficiência, sendo o primeiro relacionado a rentabilidade de “matéria-prima produto” e o segundo a questões administrativas e mais burocráticas dentro de uma empresa.

Tendo em vista esta “equação”, que engloba qualidade, competitividade e produtividade, torna-se nítida a necessidade também de um verdadeiro sistema de gestão e integração entre os “ecossistemas”. Informação detalhada e precisa também é muito útil para manter os níveis desejados pela empresa, permitindo que os setores possam ser avaliados da forma que convir.

As normas técnicas entram com o papel de traçar e instruir este “jogo de engrenagens”, garantindo sobretudo a qualidade. Elas devem ser melhor tratadas pelas entidades governamentais e ter sua instauração ampliada através de incentivos e campanhas de conscientização, além de uma política de tolerância zero contra os que não as utilizarem adequadamente. Um grande equívoco, ou talvez a mais pura ignorância (no sentido de “falta de ciência ou de saber”, definição dada pelo Dicionário Aurélio).

Dois casos que ganharam proporção internacional (e provavelmente seguem na memória do leitor) consumaram-se em verdadeiras tragédias devido a não utilização das respectivas normas técnicas, aliado ao pouco caso das autoridades em realizar fiscalizações: incêndio da Boate Kiss, em janeiro de 2013, e o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no início do último setembro. O primeiro deixou como saldo a morte de 242 pessoas, na cidade de Santa Maria (RS), enquanto o segundo resultou na perda de aproximadamente 20 milhões de itens de alto valor histórico, como fósseis, múmias, peças indígenas e livros raros.

O Brasil vive um momento de incerteza política e econômica, e ambos se relacionam, visto que o perfil dos principais candidatos à presidência do Brasil não inspira confiança no mercado. Além de retomar a credibilidade da população, superar a recessão e solucionar as arestas deixadas pelo governo anterior, torna-se necessário que qualidade, competitividade e produtividade entrem em definitivo no plano de governo do próximo chefe de Estado.

Guilherme Papa é estudante do 3º ano de jornalismo, estagiário da Revista Digital AdNormas –  guilherme.papa@target.com.br



Categorias:Opinião, Qualidade

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3 respostas

  1. Bela reflexão! Parabéns!

  2. Lógico, indispensável e muito difícil de realizar. Investir na educação, na conscientização para a qualidade e focar nos objetivos.

  3. Parabéns pela matéria. Apenas acho que você pegou muito leve ao dizer “… solucionar as arestas deixadas pelo governo anterior…” quando, na verdade, o legado deixado foi uma fossa abissal!

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