Pó para extinção de incêndio deve ser fabricado conforme a norma técnica

Os incêndios da classe B ocorrem em materiais que queimam em extensão e geralmente não deixam resíduos. São desta classe de incêndio: gasolina, óleos, gases, graxas, tintas, álcoois, tinner, etc. Para os trabalhos de extinção dos incêndios desta classe, são usados pós químicos e agentes espumantes misturados em água que, ao serem aplicados, formam uma camada isolante que impede a presença do oxigênio na combustão. Os extintores de pó químico lançam uma carga de bicarbonato de sódio sobre o fogo. Já a classe C ocorrem em materiais e equipamentos quando energizados, tais como: motores, fios, transformadores, computadores, eletrodomésticos e qualquer outro material metálico usados na aplicação de energia elétrica. A característica fundamental para esta classe de incêndio é a presença da eletricidade no equipamento ou material. Os agentes extintores indicados para combater incêndios desta classe são os pós químicos e gases com poderes de extinção de incêndios, tais como CO2 e halotron. Como o bicarbonato também contém grandes quantidades de CO2, o pó acaba sufocando a chama. Assim, o pó químico pode ser utilizado para incêndios das classes B e C. Nos incêndios da classe D, poderá ser utilizado um pó químico seco, sem umidade, específico para determinados metais combustíveis. Todos materiais para combater as chamas precisam ser produzidos e testados de acordo com a norma técnica.

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Mauricio Ferraz de Paiva

Alguns dos objetivos primordiais da segurança contra incêndio podem ser relacionados, como o de minimizar o risco à vida humana e reduzir as perdas patrimoniais. Nesse contexto, entende-se como risco à vida, a exposição aos produtos da combustão (os gases da combustão, as chamas propriamente ditas, o calor irradiado e as fumaças visíveis) por parte dos usuários do local sinistrado ou o eventual desabamento de elementos construtivos, até mesmo sobre os integrantes das equipes de combate ao fogo e resgate.

Entenda-se como perda patrimonial, a destruição parcial ou total de uma edificação, dos seus estoques, dos documentos, dos equipamentos ou dos acabamentos da edificação sinistrado ou das demais que porventura estejam próximos. Ainda que se tenha muito o que fazer para prevenir o sofrimento humano, os elevados custos econômicos do incêndio e os riscos potenciais do fogo para os bombeiros combatentes, tem-se experimentado um considerável avanço no conhecimento sobre a dinâmica do fogo e a luta contra o incêndio, especialmente a partir das duas últimas décadas.

Um desses materiais é o pó para extinção de incêndio é definido como uma mistura na forma de pó, com propriedade de extinção de incêndio, constituída de um ou mais produtos inibidores e outras substâncias que proporcionam propriedades físico-químicas a ela. Normalmente, o pó químico comum é fabricado com 95% de bicarbonato de sódio, micropulverizado e 5% de estearato de potássio, de magnésio e outros, para melhorar sua fluidez e torná-lo repelente à umidade e ao empedramento.

Age por abafamento e, segundo teorias mais modernas, age por interrupção da reação em cadeia de combustão, motivo pelo qual é o agente mais eficiente para incêndios de Classe B. Os produtos químicos secos são agentes extintores indicados para dar combate eficiente a incêndios que envolvam líquidos inflamáveis. Podem ser utilizados naqueles ocorridos em equipamentos elétricos energizados (fogo de Classe C), pois são maus condutores de eletricidade. Contudo, deve-se evitá-lo em equipamentos eletrônicos onde, aliás, o CO2 é mais indicado. Não dá bons resultados nos incêndios de Classe A.

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O efeito do agente químico seco não é prolongado, caso exista no local fonte de reignição, como, por exemplo, superfícies metálicas aquecidas, o incêndio poderá ser reativado. Não deve ser usado em painéis de relés e contatos elétricos, como centrais telefônicas, computadores, etc. Em resumo, existe o pó para extinção de incêndio BC e o pó para extinção de incêndio ABC, que utilizam os seguintes produtos inibidores: bicarbonato de sódio (NaHCO3); bicarbonato de potássio (KHCO3); e fosfato de monoamônio (NH4H2PO4).

A NBR 9695 de 01/2012 – Pó para extinção de incêndio fixa os requisitos mínimos para propriedades físico-químicas, bem como de desempenho, para agentes químicos na forma de pó utilizados para combate a incêndios nas classes de fogo A, B e C, para os seguintes produtos inibidores: bicarbonato de sódio (NaHCOs) que deve ser identificado pela cor branca; bicarbonato de potássio (KHCOs) que deve ser identificado pela cor púrpura; e fosfato de monoamônio (NH4H2P04) que deve ser identificado pela cor amarela. Aplica-se ao controle de fabricação do pó embalado para comercialização e do pó contido em extintores de incêndio. Estabelece as informações e dados a serem declarados pelo fabricante quando do fornecimento do pó comercializado.

O fabricante deve declarar na embalagem do produto no mínimo as seguintes informações: a sentença: “Pó para extinção de incêndio”; número desta norma; nome do produto, produto inibidor utilizado, bem como as classes de fogo às quais se destina; a razão social do fabricante; a composição do pó conforme estabelecido em 6.1; a data de fabricação expressa em trimestre e ano; a validade do produto; o número da batelada de fabricação; e informações referentes a manuseio, preservação, uso e armazenagem da embalagem com produto. Igualmente, o fabricante deve disponibilizar a Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ), conforme NBR 14725-4, para cada produto fabricado.

A amostra deve ser coletada de uma batelada. Quantidade suficiente de produto deve ser retirada de uma embalagem escolhida ao acaso, integrante da batelada. Quando a embalagem individual não comportar a quantidade suficiente de produto para a realização dos ensaios, uma outra embalagem é escolhida ao acaso, pertencente à mesma batelada, a fim de completar a quantidade necessária de produto.

Objetivando evitar riscos de condensação, é essencial que a temperatura do pó contido em sua embalagem original não seja inferior à temperatura ambiente quando a amostra for coletada. O recipiente onde a amostra coletada é depositada deve ser aberto no laboratório quando o equilíbrio de temperatura for obtido. O teor mínimo de produtos inibidores deve ser: bicarbonato de sódio, 90%, bicarbonato de potássio, 70% e fosfato monoamônico, 40%.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



Categorias:Normalização, Opinião

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