A qualidade da inspeção do controle dimensional

O inspetor de controle dimensional deve possuir os conhecimentos teóricos e práticos para avaliar a qualidade no nivelamento de bases de máquinas e equipamentos, balanceamento de máquinas rotativas, rotores e turbinas, medir rotação de eixos de motores, realizar alinhamento de eixos, inspecionar peças, equipamentos e acessórios destinados à indústria mecânica, através de conceitos metrológicos que visam a garantir as características dimensionais de roscas, engrenagens, acoplamentos, polias, acabamentos superficiais, tolerâncias geométricas, e ajustes para acoplamentos com folgas e com interferências forçadas.

Quality control with caliperDa Redação –

A metrologia se aplica a todas as grandezas determinadas e, em particular, às dimensões lineares e angulares das peças mecânicas. Nenhum processo de usinagem permite que se obtenha rigorosamente uma dimensão prefixada. Por essa razão, é necessário conhecer a grandeza do erro tolerável, antes de se escolherem os meios de fabricação e controle convenientes.

No fundo, o controle não tem por fim somente reter ou rejeitar os produtos fabricados fora das normas; destina-se, antes, a orientar a fabricação, evitando erros. Representa, por conseguinte, um fator importante na redução das despesas gerais e no acréscimo da produtividade.

Um controle eficaz deve ser total, isto é, deve ser exercido em todos os estágios de transformação da matéria, integrando-se nas operações depois de cada fase de usinagem. Todas as operações de controle dimensional são realizadas por meio de aparelhos e instrumentos.

Devem, assim, controlar não somente as peças fabricadas, mas também os aparelhos e instrumentos verificadores: de desgastes, nos verificadores com dimensões fixas; e de regulagem, nos verificadores com dimensões variáveis. Isto se aplica também às ferramentas, aos acessórios e às máquinas ferramentas utilizadas na fabricação.

Dessa forma, o conceito de medir traz, em si, uma ideia de comparação. Como só se podem comparar coisas da mesma espécie, cabe apresentar para a medição a seguinte definição, que, como as demais, está sujeita a contestações: medir é comparar uma dada grandeza com outra da mesma espécie, tomada como unidade.

Uma contestação que pode ser feita é aquela que se refere à medição de temperatura, pois, nesse caso, não se comparam grandezas, mas sim, estados. A expressão medida de temperatura, embora consagrada, parece trazer em si alguma inexatidão: além de não ser grandeza, ela não resiste também a condição de soma e subtração, que pode ser considerada implícita na própria definição de medir.

Quando se diz que um determinado comprimento tem 2 m, pode-se afirmar que ele é a metade de outro de 4 m. Entretanto, não se pode afirmar que a temperatura de 40ºC é duas vezes maior que uma de 20°C, e nem a metade de outra de 80ºC.

Portanto, para se medir um comprimento, deve-se primeiramente escolher outro que sirva como unidade e verificar quantas vezes a unidade cabe dentro do comprimento por medir. Uma superfície só pode ser medida com unidade de superfície; um volume, com unidade de volume; uma velocidade, com unidade de velocidade; uma pressão, com unidade de pressão, etc.

Por tudo, isso, atualmente, a fabricação de equipamentos cada vez mais complexos, com inúmeros componentes, exige que as medições sejam também cada vez mais precisas. Em consequência, o controle dimensional aplicado ao objeto de um projeto, ao longo de suas etapas de fabricação, é um processo fundamental para garantir a fidelidade das medidas e dimensões dos equipamentos, bem como dos materiais, seus componentes e suas devidas localizações.

Envolve o controle dos requisitos de fabricação industrial para o dimensionamento de diversos equipamentos, peças e acessórios, além da determinação das bases de equipamentos e marcos de localização em instalações industriais. Essa atividade pode ser dividida por área de atuação devido a características específicas, conhecidas como modalidade (caldeiraria e tubulação, mecânica, topografia e montagem de máquinas, etc.).

O profissional que atua na modalidade de caldeiraria e tubulação desempenha atividade de dimensionamento em vários tipos de equipamentos de construção soldada, como, tanques, tubulações, vasos de pressão e estruturas metálicas, através do manuseio de diversos instrumentos e interpretação de desenhos técnicos.

Na modalidade de mecânica, a atividade do profissional visa garantir as características dimensionais de roscas, engrenagens, flanges e polias, além da verificação de acabamento superficial e tolerâncias para ajuste de acoplamentos com folga e ajuste com interferência. O profissional de topografia utiliza um instrumento de precisão óptico que verifica ângulos verticais e horizontais, conhecido como estação total e teodolito.

Deve estabelecer a orientação de equipamentos com marcos auxiliares, onde executa a locação e projeção de chumbadores, localização e o nivelamento de base de equipamentos industriais, posicionamento e nivelamento de estruturas metálicas, escadas, suportes de tubulação, alinhamento e prumo de estruturas de concreto.

Na modalidade de montagem de máquinas o profissional estabelece também a verificação do nivelamento de bases de máquinas, alinhamento de eixos de máquinas, além da análise das vibrações e balanceamento de bombas, turbinas e compressores.

Como essas técnicas, pode-se estabelecer uma confiabilidade necessária aos materiais, equipamentos e acessórios, garantindo tanto a segurança operacional dos processos como a segurança patrimonial dos investimentos de um projeto. As inspeções devem ser frequentes desde o recebimento da matéria-prima até as últimas etapas de fabricação, e se estendendo na montagem de estruturas metálicas, tubulações, vasos de pressão, caldeiras, navios e em diversas aplicações seriadas.

Todas as operações realizadas no controle dimensional são ditadas por uma série de normas que regem as dimensões de um projeto e especificam tipos de procedimentos, tolerâncias, instrumentos a serem utilizados e outros aspectos específicos. Quanto ao inspetor em controle dimensional, deve conhecer profundamente o campo de atuação e os procedimentos adequados para a prática de controle das diversas dimensões de um projeto.

O inspetor deve ter pleno domínio das técnicas de medição aplicáveis à peça ou equipamento, devendo determinar qual a técnica de medição é a mais adequada para obter uma grandeza dimensional confiável e assim definir o destino de uma peça ou um equipamento. A NBR 15523 de 07/2012 – Qualificação e certificação de inspetor de controle dimensional estabelece uma sistemática para a qualificação e certificação de inspetor de controle dimensional, nas modalidades mecânicas, de caldeiraria e tubulação, montagem de máquinas e topografia industrial. estabelece um a sistemática para a qualificação e certificação de inspetor de controle dimensional, nas modalidades mecânicas, de caldeiraria e tubulação, montagem de máquinas e topografia industrial.

A certificação por esta norma fornece ao profissional um atestado de competência geral em processos de controle dimensional. O empregador continua sendo o responsável pela emissão da “autorização de trabalho”. O profissional certificado deve ser classificado por modalidade, estando qualificado a realizar as atividades estabelecidas no Anexo A, conforme tabela abaixo.

O sistema de certificação, que deve ser controlado e administrado por um organismo de certificação (com a assistência, quando necessária, dos órgãos de qualificação autorizados), inclui todos os procedimentos necessários para demonstrar a qualificação de uma pessoa para realizar as tarefas de um processo de controle dimensional específico, produto ou setor industrial, resultando na emissão do certificado de competência.

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O organismo de certificação deve obedecer aos requisitos da NBR ISO/IEC 17024. Ele não pode ter envolvimento direto no treinamento do pessoal em processos de controle dimensional. O organismo de certificação deve ser respaldado por um comitê técnico composto por representantes das partes interessadas: por exemplo, comitês, usuários, fornecedores e órgãos governamentais, quando apropriado.

Esse comitê será responsável pelo estabelecimento e manutenção dos documentos de exame. Seus membros devem ser qualificados para as atribuições, através da combinação adequada de certificação e/ou experiência em controle dimensional.

O organismo de certificação deve: iniciar, promover, manter e administrar a sistemática de certificação de acordo com esta norma; aprovar os centros de exame, dotados de equipamentos e pessoal adequados, que devem ser monitorados; delegar, sob sua responsabilidade direta, a administração detalhada da qualificação a órgãos de qualificação autorizados para os quais o organismo de certificação deve emitir as especificações para as instalações, pessoal, equipamento, materiais de exame, registros, etc.; realizar uma auditoria inicial e auditorias periódicas de manutenção nos órgãos de qualificação para garantir a conformidade com as especificações; ser responsável por garantir a segurança de todos os materiais de exame (corpos de prova, gabaritos, bancos de dados de exames, provas, etc.); garantir que os corpos de prova não sejam usados para fins de treinamento; manter cadastro atualizado de profissionais de controle dimensional certificados; h) emitir certificados e documentos de identificação de profissional de controle dimensional.

Quando existente, o organismo de qualificação autorizado deve: trabalhar sob o controle do organismo de certificação; garantir sua imparcialidade com relação a cada candidato em busca de qualificação, alertando o organismo de certificação sobre qualquer fato real ou potencial que ameace a sua imparcialidade; cumprir as especificações emitidas pelo organismo de certificação; aplicar um sistema de gestão de qualidade documentado, aprovado pelo organismo de certificação; possuir os recursos e experiência necessários para estabelecer, monitorar e controlar os centros de exames, incluindo os exames, calibrações e controle dos equipamentos; preparar e supervisionar os exames sob a responsabilidade de um examinador autorizado pelo organismo de certificação; e manter corretamente os registros de acordo com as exigências do organismo de certificação. Caso não haja organismo de qualificação autorizado, o organismo de certificação deve realizar as funções do organismo de qualificação.

Centro de exame de qualificação (CEQ) deve: trabalhar sob o controle do organismo de certificação ou do organismo de qualificação autorizado; aplicar um sistema de gestão de qualidade documentado, aprovado pelo organismo de certificação; possuir os recursos necessários para ministrar os exames, incluindo as calibrações e controle dos equipamentos; preparar e conduzir os exames sob a responsabilidade de um examinador autorizado pelo organismo de certificação; possuir pessoal qualificado, instalações e equipamentos adequados, para garantir exames de qualificação satisfatórios para as modalidades e setores em questão; usar apenas os documentos e questionários de exames estabelecidos e/ou aprovados pelo organismo de certificação; se responsabilizar por garantir a segurança de todos os materiais de exame (corpos de prova, gabaritos, banco de questões, etc.); manter corretamente os registros de acordo com as exigências do organismo de certificação.

O empregador deve encaminhar o candidato ao organismo de certificação ou ao organismo de qualificação autorizado, bem como deve documentar a validade das informações pessoais prestadas. A documentação deve conter declarações de formação escolar, treinamento e experiência necessários para estabelecer a elegibilidade do candidato.

O empregador não pode estar diretamente envolvido com o processo de certificação. O empregador deve assumir responsabilidade total pelos trâmites que envolvem autorização para trabalhar, incluindo a validade dos resultados. O empregador deve assegurar que os empregados anualmente atendam aos requisitos da acuidade visual.

Se o profissional for seu próprio empregador, ou se ele se apresentar sozinho, deve assumir todas as responsabilidades que foram especificadas para o empregador. Quanto à certificação dos profissionais sob sua responsabilidade, o empregador deve: ser totalmente responsável por tudo que envolve a autorização de trabalho; ser responsável pela validade dos resultados e registros das atividades de controle da qualidade relativas ao controle dimensional. Se o profissional não possuir vínculo empregatício (autônomo), o empregador deve verificar a validade da certificação e a adequação da certificação às condições específicas do trabalho, bem como deve autorizar que o profissional execute as atividades de controle dimensional em atividades de construção e montagem que julgar pertinente. O candidato deve atender plenamente aos requisitos mínimos de escolaridade, aptidão física e treinamento antes do exame de qualificação, e deve atender plenamente aos requisitos mínimos de experiência profissional antes da certificação.

O candidato deve providenciar evidências aceitáveis pelo organismo de certificação de conclusão de um curso de treinamento na modalidade para a qual busca a certificação. Os provedores de treinamento devem emitir prova documental da realização do treinamento, atendendo aos requisitos mínimos de conteúdo e duração estabelecidos no Anexo B (ver na norma).

Os requisitos mínimos de escolaridade, os cursos aceitos para cada modalidade e a experiência profissional a ser obtida antes da certificação devem ser como especificados na tabela abaixo. As evidências documentadas da experiência profissional devem ser confirmadas pelo empregador e submetidas ao organismo de certificação.

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Para o candidato treinando a comprovação da experiência deve ser validada através de supervisão qualificada no prazo máximo de 24 meses. Após este prazo os exames realizados perdem a validade. Caso o candidato não possua todo o tempo requerido de experiência profissional necessário, este pode ser complementado em até 50% de sua duração através de experiência adquirida em um curso vivencial prático que atenda aos requisitos estabelecidos conforme a seguir.

O tempo de duração do curso vivencial prático pode ser multiplicado por um fator máximo de sete, para fins de cálculo da complementação do tempo da experiência profissional exigida por esta norma. Um exemplo: tempo de experiência profissional requerido pela norma = um ano. Outro exemplo: tempo que pode ser complementado através de curso vivencial prático = 50% × 1 ano = 6 meses = 6 × 21 dias úteis = 126 dias úteis. Exemplo 3: tempo de duração do curso vivencial prático = 126 dias úteis ÷ 7 = 18 dias úteis = 18 × 8 horas úteis = 144 horas úteis.

As instalações, os materiais, os corpos de prova e os equipamentos para a realização do curso vivencial prático devem oferecer condições para que a experiência na modalidade pretendida possa ser adquirida de forma concentrada e possua um alto grau de relevância para a qualificação e certificação pretendidas. O conteúdo do curso vivencial prático deve estar focalizado em soluções práticas de problemas que ocorrem frequentemente na aplicação da modalidade de controle dimensional em que o candidato pretende ser qualificado.

Para tanto, devem ser simuladas situações práticas de fábrica e de obra, por meio de corpos de prova, solução de estudos de casos e execução de atividades de controle dimensional. O acompanhamento das atividades deve ser organizado e efetuado por um profissional qualificado no mínimo na mesma modalidade pretendida. O conteúdo programático, as estratégias didáticas e os detalhes do curso vivencial prático devem ser submetidos ao Organismo de Certificação para aprovação prévia, a fim de que possam vir a ser considerados como complementação da experiência profissional mínima requerida.

Enfim, o exame de qualificação deve abranger um determinado processo de controle dimensional como aplicado em um setor industrial, ou um ou mais tipos de produtos. O organismo de certificação deve definir e publicar o tempo máximo permitido para o candidato completar cada exame, que deve se basear no número e na dificuldade das questões.

Como recomendação, o tempo médio permitido não pode ser maior que 3 min por questão de múltipla escolha. O tempo médio permitido para as questões que exigem dissertações ou respostas narrativas deve ser determinado pelo organismo de certificação. O exame teórico deve abranger questões tipo múltipla escolha que avaliem o conhecimento das atividades de controle dimensional. O candidato deve responder no mínimo 40 questões de múltipla escolha.

O candidato deve estar aprovado no exame teórico da modalidade pleiteada para realizar exame prático. Esse deve avaliar o candidato na análise de situações reais de controle dimensional, distribuídas por atividades conforme estabelecido pelo Organismo de Certificação.

O organismo de certificação deve garantir que cada corpo de prova seja identificado univocamente e tenha um gabarito que inclua todos os resultados. Deve garantir que o gabarito de cada corpo de prova seja elaborado por pelo menos dois profissionais independentes e que seja validado por um examinador. O candidato é considerado aprovado se obtiver aproveitamento mínimo de 70%.



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