Os ensaios obrigatórios para as cadeiras plásticas monobloco

Os ensaios dividem as cadeiras em classes de acordo com a sua resistência, medida pelos testes de qualidade e com a resistência a exposição ao sol ou demais intempéries. Todos os ensaios devem ser feitos sem os dispositivos antiderrapantes. Além disso, as cadeiras devem trazer, gravado por baixo do assento, a identificação do fabricante, do lote (mês e ano), classe da cadeira e a carga máxima admissível.

cadeiras2Da Redação –

As cadeiras plásticas são muito utilizadas para uso residencial e/ou comercial. É muito comum encontrarmos as cadeiras plásticas em bares, restaurantes, terraços, varandas e sítios. Os motivos para seu largo uso pela população, em todas as classes sociais, estão fortemente associados à praticidade de manuseio, por serem leves, à beleza, pois, atualmente, existe uma grande variedade de modelos, e, principalmente, ao preço mais baixo quando comparado aos preços das cadeiras de madeira e metal.

Um cadeira plástica monobloco deve ser produzida em uma única etapa, com as costas em posição fixa, sem partes móveis, com ou sem braço, pelo processo de injeção (ver figura abaixo), destinadas ao assentamento de uma pessoa independente de seu desenho ou formato.

cadeiras3

Um problema está relacionado com o crescimento das exportações e o consumo interno vem aumentando, o que determina uma maior necessidade do comprometimento do setor com a conformidade de seus produtos. Esse aumento de vendas aumenta a competitividade, o que estimula a prática da concorrência desleal, com a colocação, no mercado, de produtos mais baratos, porém, com qualidade duvidosa.

Isso é altamente prejudicial ao consumidor, visto que, para diminuir o custo desses produtos é necessário reduzir a quantidade de matéria-prima (polipropileno) utilizada para sua fabricação. Essa diminuição compromete a estrutura da cadeira, pois suas paredes tornam-se mais finas e, consequentemente, menos resistentes, colocando em risco a segurança do usuário do produto.

Outra maneira de cortar custos, é diminuir a quantidade de aditivos, como aqueles que permitem que a resina se torne mais resistente à degradação provocada pela incidência dos ultravioleta. Com isso, as cadeiras expostas continuamente ao sol ficam menos resistentes.

Assim, será que as cadeiras plásticas usadas nas casas são seguras? Vários critérios devem ser analisados, mas o quesito segurança, principalmente no ensaio de resistência ao impacto é que a maioria dos modelos necessita apresentar bons resultados, conforme especifica a norma técnica.

O teste em questão visa simular o impacto ocorrido quando uma pessoa senta de forma abrupta na cadeira plástica. Assim, se coloca uma massa de 68 kg a 15,2 cm de altura do assento da cadeira e solta-se o peso, deixando cair em queda livre, por 10 vezes seguidas em 20 amostras de cada marca testada.

A NBR 14776 de 03/2013 – Cadeira plástica monobloco – Requisitos e métodos de ensaio especifica os métodos de ensaio e os requisitos exigíveis para aceitação das cadeiras plásticas monobloco. As cadeiras plásticas monobloco são denominadas na norma como cadeiras e devem ser fabricadas em material plástico, com ou sem a incorporação de aditivos, a critério do fabricante e por processo que assegure a obtenção de um produto que atenda as condições dessa norma.

Elas podem ou não conter dispositivos antiderrapantes e podem ser utilizadas em qualquer tipo de piso. Devem apresentar-se, antes da realização dos ensaios, com aspecto uniforme e isentas de corpos estranhos, bolhas, trincas, falhas, fraturas, rachaduras, evidências de degradações ou qualquer dano estrutural.

Devem ser vistoriadas antes dos ensaios, não podendo apresentar falhas, trincas ou fraturas. Não podem ser aprovadas cadeiras que, durante os ensaios, apresentem falhas, trincas, fraturas ou danos estruturais permanentes. A dobra de pelo menos uma das pernas da cadeira constitui-se em dano estrutural permanente. A acomodação natural das pernas da cadeira sob carga, durante os ensaios, não se configura em dano estrutural permanente.

A cadeira plástica monobloco deve trazer gravado, em baixo-relevo ou alto-relevo, com caracteres de, no mínimo, 5 mm de altura, apresentar marcação de forma visível e indelével, que informe ao consumidor sua aplicação restrita, devendo ser colocada na seguinte forma: identificação do fabricante (CNPJ); lote ou data de fabricação (mês e ano); classe da cadeira; classe AW – uso exclusivo interno residencial; classe BW – uso exclusivo interno não residencial; classe AY – uso irrestrito (interno/externo) residencial; classe BY – uso irrestrito; carga máxima admissível; e o número dessa norma.

cadeiras4

A carga para ensaio deve consistir em um saco de encerado de algodão ou lona, com espessura mínima de 1,0 mm, diâmetro de 406 mm ± 4,0 mm, altura total de 445 mm ± 5 mm, com peso por unidade de área 703 g/m², resistência à tração para urdume de 343,2 N/m (35 kgf/cm) e para trama de 294,2 N/m (30 kgf/cm), resistência ao rasgo para urdume de 58,8 N (6 kgf) e para trama de 39,2 N (4 kgf), carregado com esferas de aço ou chumbo soltas em seu interior, com diâmetro de 2,3 mm a 3 mm, atingindo os seguintes pesos: peso total de 68 kg ± 0,7 kg; peso total de 136 kg ± 1,4 kg; e peso total de 160 kg ± 1,8 kg.

O ensaio de carregamento estático se aplica em todas as classes de cadeira. Posicionar a cadeira o mais próximo possível do centro da base de vidro de ensaio. Para cadeiras classe A, uma carga de 136 kg ± 1,4 kg deve ser direcionada ao centro geométrico do assento com uma velocidade máxima de 152 mm/s.

Para cadeiras classe B, uma carga de 160 kg ± 1,8 kg dever ser direcionada ao centro geométrico do assento com uma velocidade máxima de 152 mm/s. Retirar o peso após 10 s ± 1 s. Permitir a recuperação por um tempo de 10 s ± 1 s. Repetir o procedimento oito vezes. Repetir o procedimento mais uma vez, permitindo que o peso permaneça no assento por 30 min ± 10 s e, depois, retirar o peso do assento.

O ensaio de resistência ao impacto se aplica a todas as classes de cadeiras. Posicionar a cadeira, alinhando seu centro geométrico ao centro da base de vidro para ensaio. Para cadeiras classe A, posicionar e manter em repouso uma carga de 68 kg ± 0,7 kg distante 152 mm ± 2,5 mm diretamente acima do centro geométrico do assento da cadeira.

Para cadeiras classe B, posicionar e manter em repouso uma carga de 68 kg ± 0,7 kg distante 203 mm ±2,5 mm diretamente acima do centro geométrico do assento da cadeira. Permitir que o saco caia livremente sobre o centro da cadeira. Repetir o procedimento descrito nove vezes adicionais.

O ensaio de resistência das pernas traseiras se aplica a todas as classes de cadeira. Posicionar a cadeira o mais próximo possível do centro da base de vidro de ensaio, com as pernas traseiras não contidas e as pernas frontais apoiadas e não presas nos blocos de madeira, de altura conforme especificada na norma e uma largura suficiente para acomodar o pé da cadeira.

Para cadeiras classe A, uma carga de 136 kg ± 1,4 kg deve ser lentamente posicionada sobre o assento em sua linha central. Aplicar a carga alinhada verticalmente com as pernas traseiras, a uma velocidade máxima de 152 mm/s, apoiando naturalmente e simultaneamente no encosto e no assento da cadeira.

Para cadeiras classe B, uma carga de 160 kg ± 1,8 kg deve ser lentamente posicionada sobre o assento em sua linha central. Aplicar a carga alinhada verticalmente, a uma velocidade máxima de 152 mm/s, sobre a parte frontal e deslizando-a até tocar o encosto da cadeira.

É permitida a estabilização das pernas traseiras e/ou da cadeira somente durante a colocação do saco. Remover a carga após 60 s ± 1 s. O colapso da cadeira em qualquer momento durante o ensaio, recuperável ou não, deve ser relatado como não conformidade e nenhum ensaio adicional será necessário.

Falha ou evidência visível de dano estrutural como quebra, fratura, deformação permanente ou fissura, após a realização dos respectivos ensaios desta norma são consideradas não conformidade. A acomodação natural das cadeiras sob carga, durante os ensaios, não se configura em dano estrutural permanente.



Categorias:Metrologia, Normalização

Tags:, , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: