A Qualidade dos cimentos odontológicos

O cimento odontológico ou dental pode ser definido como um material que age como um adesivo para unir o molde à estrutura do dente. Os agentes de bombeamento são projetados para serem permanentes ou temporários. Pode ser uma restauração indireta que consiste em uma substância sólida (como ouro, porcelana ou uma resina composta curada) montado em uma cavidade em um dente e cimentado no lugar.

cimento2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

Os cimentos dentais têm sido amplamente utilizados em várias aplicações clínicas desde o início do século XX. São utilizados como materiais de preenchimento, revestimentos de cavidades de proteção, materiais de cimentação para coroas, pontes, incrustações, aparelhos ortodônticos, obturações de canais radiculares e capeamento pulpar, etc.

Atualmente, vários tipos de cimentos estão disponíveis para diferentes propósitos. As composições das fases líquida e em pó dos cimentos são variáveis. O de fosfato de zinco tem sido utilizado clinicamente há muito tempo desde que foi desenvolvido por Rostating em 1878.

Quando o pó e o líquido se misturam numa razão apropriada, reagem exotermicamente um com o outro. O produto da reação é o hidrato de fosfato de zinco amorfo. Há sempre vestígios de pó de óxido de zinco não reagido. O conjunto de cimento revela a estrutura duplex em que o pó de óxido de zinco não reagido é incorporado com o produto de reação do sal de fosfato de zinco não cristalino, chamado matriz de cimento. É referido como estrutura do núcleo e está frequentemente presente no cimento dentário.

O cimento de policarboxilato de zinco foi inventado por Smith (1968) no final da década de 1960. Quando o pó e o líquido foram misturados, o ácido é neutralizado pelo ZnO básico e o sal de poliacrilato de Zn é formado.

O sal tem uma estrutura na qual os grupos carboxilo desprotonados são ionicamente reticulados com íons de Zn2 +. O sal é insolúvel e resulta na fixação do cimento. A principal vantagem deste cimento é a sua ligação ao dente. O grupo carboxila parece se ligar ao íon Ca 2+ na superfície do esmalte dentário ou da dentina.

A reação de fixação do cimento de óxido de zinco eugenol (ZOE) prossegue em duas etapas: primeiro, o óxido de zinco reage com a água para formar o hidróxido de zinco, que se dissocia no íon zinco e no íon hidroxila; então o íon de zinco liberado é coordenado pelo eugenol para formar um composto quelante de eugenolato de zinco.

Este cimento é usado para bases, preenchimento de canais radiculares e preenchimento temporário. As propriedades físicas e químicas do cimento são geralmente inferiores aos outros cimentos para uso permanente. O ácido orto-etoxibenzoico é frequentemente adicionado ao líquido de cimento para melhorar a resistência mecânica e a solubilidade. Este cimento é chamado cimento EBA.

O cimento de ionômero de vidro dental ou o cimento de polialenoato de vidro é muito popular no trabalho clínico de rotina e é usado para cimentação de próteses de metal, preenchimento e vedação.

Também foi experimentado como um cimento ósseo, como alternativa ao cimento ósseo acrílico. Consiste em pó de vidro de aluminossilicato contendo flúor e solução de polieletrólito. Quando o pó básico e a solução ácida são misturados em uma proporção apropriada, ele endurece dentro de alguns minutos e a resistência à compressão é de mais de 200 MPa que é atingido em um dia.

A NBR ISO 9917-1 de 02/2019 – Odontologia – Cimentos à base de água – Parte 1: Cimentos ácido-base pó/líquido especifica os requisitos e métodos de ensaio para cimentos dentários ácido-base em pó/líquido, destinados à cimentação permanente, forro e restauração. Esta parte é aplicável tanto aos cimentos misturados manualmente quanto aos cimentos encapsulados para mistura mecânica. Esta parte especifica limites para cada propriedade do cimento, seja ele destinado ao uso como agente de selamento, base ou forro, ou como um material de restauração. Esta parte não trata de cimentos à base de água modificados por resina.

Os cimentos dentários devem ser classificados com base em suas composições químicas: cimento de fosfato de zinco; cimento de policarboxilato de zinco; cimento de polialcenoato de vidro leia mais sobre isso abaixo). Apesar de o nome usual para o cimento de polialcenoato de vidro entre os profissionais da classe odontológica brasileira ser cimento ionômero de vidro, esta norma mantém o mesmo termo utilizado na ISO 9917-1. Outros cimentos à base de água, de preparo ácido-base, além dos listados acima, podem se enquadrar no escopo desta parte.

Se o fabricante desejar declarar conformidade para determinado produto, o tipo de material para o qual se declara equivalência de propriedades deve ser especificado de acordo com 4.1 e 4.2, para que sejam aplicados os limites corretos de desempenho. A aplicação de cimentos à base de água deve ser classificada em cimentação; bases ou forro; e restauração.

O cimento deve consistir em um pó e um líquido que, quando misturados de acordo com as instruções do fabricante, devem estar em conformidade com os requisitos desta norma. Para cimentos não encapsulados, inspecionar visualmente o líquido. Este deve estar isento de sedimentos ou filamentos no interior de seu recipiente. Não pode haver sinais visíveis de geleificação.

Para cimentos não encapsulados, inspecionar visualmente o pó. Este deve estar isento de material estranho. Se o pó for colorido, o pigmento deve estar uniformemente distribuído por todo o pó.

Quando preparados, armazenados e ensaiados de acordo com o Anexo F, os cimentos devem atender aos requisitos descritos a seguir. A opacidade dos cimentos restauradores endurecidos deve estar dentro dos limites especificados na tabela abaixo, exceto quando o cimento restaurador for designado como opaco pelo fabricante.

A cor do cimento endurecido deve coincidir com a escala de cores do fabricante. Se o fabricante não fornecer uma escala de cores, ele deve indicar uma escala de cores comercialmente disponível, que deve ser usada para avaliar a conformidade com este requisito. Quando determinado de acordo com o Anexo G, o teor de arsênico solúvel em ácido não pode exceder os limites pertinentes especificados na tabela abaixo.

Quando determinado de acordo com o Anexo G, o teor de chumbo solúvel em ácido não pode exceder os limites pertinentes especificados na tabela abaixo. Quando o fabricante descreve o material como sendo radiopaco, a radiopacidade deve ser no mínimo equivalente àquela para a mesma espessura de alumínio, quando determinada de acordo com o Anexo H. Quando o fabricante declara uma radiopacidade mais alta, o valor aferido, quando determinado de acordo com o Anexo H, não pode ser menor que o valor declarado.

Os materiais devem ser fornecidos em recipientes ou cápsulas (para os efeitos desta parte da NBR ISO 9917, considera-se recipiente ou cápsula a embalagem que encobre diretamente o material) que proporcionem proteção adequada e não causem reação adversa na qualidade dos conteúdos. Uma embalagem externa também pode ser usada para apresentar os recipientes ou cápsulas como uma única unidade.

Cada recipiente externo deve ser claramente marcado com os seguintes detalhes: o nome e/ou marca do fabricante e o nome comercial, tipo e aplicação do cimento; a tonalidade do pó de acordo com a escala de cores indicada pelo fabricante; a massa líquida mínima, em gramas, do pó ou o volume líquido mínimo, em mililitros do líquido, conforme o caso; o número de lote ou da ordem de produção do fabricante; na embalagem externa, as condições de armazenamento recomendadas, e a data de validade para o material sob essas condições de armazenamento; na embalagem externa, se o cimento especificado é opaco; na embalagem externa, se o cimento especificado é radiopaco; em cada embalagem externa de cimentos encapsulados, o número de cápsulas na embalagem e a massa líquida em cada cápsula.

As instruções devem acompanhar cada embalagem do material e devem incluir o seguinte: o nome comercial do produto; o nome e os detalhes de contato do fabricante; uma escala de cores ou, quando não fornecida, referência de alguma comercialmente disponível para uso com o material. Adicionalmente, devem ser fornecidas ao menos as informações descritas, conforme o caso. Para os materiais não mencionados especificamente em 4.1, o fabricante deve indicar o tipo de material ao qual ele deve ser ensaiado e comparado.

Para cimentos misturados manualmente, as seguintes informações devem ser fornecidas: a faixa de temperatura para a preparação; a proporção entre pó/líquido recomendada, expressa como uma proporção entre massa/massa para a faixa de temperatura recomendada, e uma indicação de como o usuário pode atingir essa proporção. Para fins de ensaio deve ser informada a proporção entre pó/líquido com base na proporção entre massa/massa, com precisão de 0,01 g, a uma temperatura de (23 ± 1) °C e umidade relativa de (50 ± 10) %; o tipo da placa de mistura e espátula e suas condições; a taxa de incorporação do pó ao líquido; o tempo de mistura; o tempo de trabalho; o tempo de presa após mistura; se apropriado, um comunicado recomendando a colocação de um forro entre o cimento e a dentina; se apropriado, o tempo mínimo para o acabamento ser iniciado e o método recomendado de acabamento; se apropriado, um comunicado indicando que a superfície do cimento deve receber um revestimento de proteção e orientação para o tipo de revestimento a ser utilizado.

Para cimentos encapsulados, as seguintes informações devem ser fornecidas: o método para gerar o contato físico entre o pó e o líquido; o tipo de dispositivo de mistura mecânica e o tempo de mistura a ser empregado; o tempo de presa após a mistura; o tempo de trabalho; se apropriado, um comunicado recomendando a colocação de um forro entre o cimento e a dentina; se apropriado, o tempo mínimo no qual o acabamento pode ser iniciado e o método de acabamento recomendado; o volume mínimo entregue, em mililitros, de cimento misturado em uma cápsula; se apropriado, um comunicado indicando que a superfície do cimento deve receber um revestimento de proteção e orientação para o tipo de revestimento a ser utilizado.

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Os cimentos de fosfato de zinco têm base na reação entre um pó de óxido (cujo componente principal é o óxido de zinco) e uma solução aquosa de ácido fosfórico, que pode conter íons metálicos. Podem ser usados para cimentar dispositivos dentários aos tecidos duros da cavidade bucal ou a outros dispositivos. Podem também ser usados como base para materiais de restauração e como materiais de restauração temporária.

Os cimentos de policarboxilato de zinco têm base na reação entre óxido de zinco e uma solução aquosa de ácido poliacrílico ou compostos policarboxílicos similares, ou pós de óxido de zinco/ácido policarboxílico que são misturados com água. Podem ser usados para cimentar dispositivos dentários aos tecidos duros da cavidade bucal ou a outros dispositivos. Podem também ser usados como base para materiais de restauração e como um material de restauração temporária.

Os cimentos de polialcenoato de vidro (ionômeros de vidro) têm base na reação entre um pó de vidro de aluminossilicato e uma solução aquosa de ácido polialcenoico, ou entre uma combinação de pó de vidro de aluminossilicato/ácido polialcenoico e água, ou uma solução aquosa de ácido tartárico. Estes cimentos são usados para a restauração estética dos dentes ou como bases ou forros para outras restaurações. Podem também ser usados para cimentar dispositivos dentários aos tecidos duros da cavidade bucal ou a outros dispositivos.

Este tipo também inclui cimentos de polialcenoato de vidro nos quais o vidro e um metal são fusionados (cermets) ou misturados, e que são destinados à restauração dos dentes. Na norma há a descrição dos seguintes ensaios: determinação do tempo de presa após mistura, determinação da espessura da película (apenas cimentantes), determinação da resistência à compressão, determinação da erosão ácida, determinação das propriedades óticas, determinação do teor de arsênico e chumbo solúveis em ácido e determinação da radiopacidade.



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