A Qualidade na indústria petroquímica

Muitas pessoas confundem. A indústria petroquímica é parte da indústria química. Caracteriza-se por utilizar um derivado de petróleo (a nafta) ou o gás natural como matérias-primas básicas. No entanto, muitos produtos chamados petroquímicos, como, por exemplo, o polietileno, podem ser obtidos tanto a partir dessas matérias-primas como a partir de outras, como o carvão (caso da África do Sul) ou o álcool (como ocorreu no passado, no Brasil). As classificações oficiais da indústria química não utilizam em separado o conceito petroquímica. O refino de petróleo é parte da indústria do petróleo. A petroquímica é parte da indústria química. Em geral, entende-se que a atividade petroquímica tem início com a produção do eteno e seus coprodutos, bem como de outros derivados da nafta ou do gás natural, de fins industriais. E como anda a gestão da qualidade nas indústrias do petróleo, gás natural e petroquímica?

petroquímica2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

A grande esperança da indústria petroquímica brasileira ainda continua na produção do pré-sal que, segundo os otimistas, tem potencial para revigorar a petroquímica e toda a sua cadeia produtiva, que depende de insumos petroquímicos acessíveis para ser competitiva. Para Fernando Figueiredo, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a indústria química pode ser o motor do crescimento do país na próxima década, se tivermos nafta e gás natural a preços internacionais.

Segundo ele, atualmente, a nafta brasileira é a mais cara do mundo e o gás natural custa no Brasil três vezes mais que o gás de xisto oferecido nos Estados Unidos. Para ele, se for usada uma parcela do pré-sal para abastecer o mercado petroquímico haverá um boom de investimentos.

Em 2018, a indústria química faturou US$ 127,9 bilhões, após um crescimento de 5,4%. A receita, no entanto, está longe de voltar ao patamar de 2011, quando o setor faturou US$ 150 bilhões. Os investimentos em 2012 somaram U$ 4,8 bilhões, mas declinaram para US$ 700 milhões no ano passado.

Um estudo da consultoria Deloitte sob encomenda da Abiquim indicou que o setor tem potencial de agregar US$ 26 bilhões ao seu faturamento em 2030 e acumular uma receita extra de US$ 231 bilhões até aquele ano, se resolver seus principais gargalos, sendo o principal deles o custo da matéria-prima, que representa por volta de 80% dos custos de uma unidade petroquímica básica, que produz principalmente eteno e propeno.

No Brasil, a nafta é responsável por 92% da produção petroquímica. A redução do custo da matéria-prima, aponta a Deloitte, poderia vir do investimento em refinarias, que aumentariam o processamento de petróleo no Brasil, gerando maior disponibilidade de nafta. Mas essa é uma medida com impacto de médio a longo prazos. No curto prazo, a proposta é uma redução da incorporação da nafta no mix de produção da gasolina.

Segundo algumas publicações, a produção de nafta petroquímica no Brasil foi de 2,2 milhões de toneladas em 2017, para uma demanda de 9,5 milhões de toneladas por ano. As importações que eram de 2,9 milhões de toneladas em 2007 mais que dobraram para 7,3 milhões de toneladas.

A disponibilidade de matéria-prima local foi fundamental para o surgimento da petroquímica nos anos 1970, época do início da exploração de petróleo offshore. Em uma estrutura de investimentos de modelo tripartite, capital privado nacional e multinacional se aliaram ao governo para formar os polos petroquímicos. Esses polos constituídos nas proximidades de refinarias da Petrobras reúnem instalações petroquímicas de primeira geração, que fazem os produtos básicos, e os petroquímicos de segunda geração, como resinas termoplásticas, elastômeros e fibras, que alimentam os produtores de terceira geração, que fazem os produtos finais como plásticos, tintas, tubos, fios e cabos, pneus e autopeças.

Para o BNDES, no Brasil, o setor de petróleo e gás começou a viver, a partir do ano 2000, um momento particularmente distinto, inserindo-se em um cenário completamente diferente do observado nas décadas anteriores. Depois das descobertas de gigantescas reservas offshore de petróleo e gás na camada do pré-sal pela Petrobras em 2006, o incremento potencial das reservas nacionais e a possibilidade de aumento de produção para patamares equivalentes aos de alguns países grandes produtores trouxeram novas perspectivas para o setor e para a nação.

De acordo com dados de 2018 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Brasil produz cerca de 3,3 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia de petróleo e gás, dos quais em torno de 54% são provenientes dos reservatórios do pré-sal. Os campos do pré-sal dispõem de grandes reservas e poços de alta produtividade, sem pares na produção offshore mundial, o que faz da atratividade geológica do país única no globo. No entanto, para viabilizar esse potencial, são necessários investimentos expressivos.

Em documento de 2017, a International Energy Agency projeta a possibilidade de o Brasil estar produzindo cerca de 5,2 milhões de barris de petróleo por dia em 2040, respondendo por cerca de 50% da produção de petróleo offshore do mundo. Para isso, seriam necessários investimentos no setor de petróleo e gás brasileiro na ordem de US$ 1,02 trilhão até 2040, dos quais 87% em exploração e produção, 5% em refino e o restante em transporte de óleo e gás.

Se hoje o setor já é extremamente relevante para a economia brasileira – sendo responsável por mais de 10% da formação bruta de capital fixo (FBCF) do país –, essa nova dinâmica indica que o desempenho da economia do país pode depender cada vez mais de seu desenvolvimento. A importância desse setor não se dá somente por suas reservas potenciais – e sua capacidade de gerar riqueza –, mas também pelo expressivo poder de encadeamento e transbordamento para diversos setores da economia.

Para entender plenamente o potencial do pré-sal, deve-se levar em conta tanto o impacto derivado do elevado volume de investimentos, e, consequentemente, da demanda sobre demais atividades econômicas (como máquinas e equipamentos, produtos de metal e siderurgia), quanto para o impacto decorrente da ampliação da oferta de matéria-prima para atividades industriais dependentes do consumo de petróleo e gás (mais diretamente, refino e petroquímica). Mais do que nunca há a necessidade de pensar na abertura do país para as grandes empresas petrolíferas. E não adianta ficar apenas no papel, em leis que não funcionam na prática, e sim em atitudes governamentais em privatização, começando pelas refinarias.

O BNDES pergunta: que oportunidades o pré-sal traz ao ser empregado para ampliação da cadeia de refino e petroquímica no Brasil? Segundo a instituição, o Brasil alterou seu marco regulatório para a exploração de petróleo na região do pré-sal para o modelo de partilha, no qual a União é remunerada com parte do produto extraído, mas tem o desafio de formular um plano de longo prazo para sua utilização que contribua para o desenvolvimento do país.

No estudo Potencial de diversificação da indústria química brasileira, que foi financiado pelo BNDES com recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (FEP) entre os anos 2013 e 2014, foi analisada a possibilidade de industrializar o petróleo do pré-sal em indústrias de refino e petroquímica, por meio de leilões para investidores que construíssem capacidade produtiva local.

Quatro anos depois, diante de mudanças ocorridas em fatores como preço do petróleo e de petroquímicos, custo de capital e câmbio e também de modificações em regulações recentes no setor, notadamente em relação ao processo de comercialização do óleo da União, o texto para discussão Investimento em refino e petroquímica – emprego estratégico do petróleo pertencente à União no modelo de partilha busca atualizar essa questão, considerando possibilidade já prevista no art. 3º da Lei 13.679/2018.

Que mecanismos podem ser usados para a atração de investimentos que propiciem a agregação local de valor a um recurso mineral finito, melhorias na balança comercial, maior independência energética, elevação na arrecadação fiscal e, evidentemente, maior desenvolvimento econômico e social? O refino é um segmento tão importante quanto o de exploração e produção, também exigindo elevados investimentos. existem três projetos que podem ampliar a capacidade de refino brasileira mais rapidamente.

Os dois primeiros, da Petrobras, são a entrada em operação da segunda fase da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) e a conclusão do projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), atualmente paralisado por causa da corrupção, apurada pela Operação Lava Jato. Eles agregariam uma capacidade de processamento, respectivamente, de cerca de 120 mil e 160 mil barris de petróleo/dia, podendo ser executados isoladamente pela companhia ou em parceria com alguma outra empresa.

O último seria a construção de uma refinaria no Maranhão por um grupo privado, que poderia atender à necessidade de derivados de parte da região Nordeste e das regiões Norte e Centro-Oeste. Mas, sem os investimentos estrangeiros o país vai continuar a patinar e querer praticar preços internacionais do barril do petróleo nesse contexto é dar um tido no pé.

A demanda brasileira por derivados de petróleo, em 2017, foi de aproximadamente 2,23 milhões de barris/dia. No entanto, nesse ano, o Brasil produziu apenas cerca de 1,82 milhão de barris/dia de derivados, o que resultou em importação líquida de cerca de 400 mil barris/dia de gasolina, diesel, querosene de aviação (QAV), nafta e gás liquefeito de petróleo (GLP).

Pode-se destacar que, segundo o BNDES, o Brasil hoje é responsável por cerca de 30% da produção offshore mundial e deverá manter essa participação ao longo dos anos, com o incremento gradual da exploração da província do pré-sal, o que deve consolidar o país como o principal mercado de bens e serviços de produção de petróleo offshore mundial até o ano de 2030. Ao longo desse período, o setor continuará apresentando alta concentração de mercado em diversos segmentos da cadeia, especialmente nos primeiros elos, isto é, aqueles fornecedores diretos das operadoras.

É o caso dos segmentos de equipamentos submarinos e turbogeradores, além do segmento de serviços offshore de forma geral. Por outro lado, a concentração de mercado continuará sendo baixa em alguns poucos segmentos, como no caso do segmento de válvulas. Em regra geral, quanto mais complexa a tecnologia do equipamento, maior será sua concentração de mercado.

Os equipamentos de alta tecnologia e de maior valor agregado são produzidos no Brasil, predominantemente, por multinacionais estrangeiras. Até o ano de 2030, a indústria do petróleo continuará sendo caracterizada pelos elevados níveis de certificação e qualidade tipicamente requeridos em suas atividades.

Persistirá a exigência das empresas fornecedoras, para atender a esses requisitos de alta performance em qualidade e segurança das soluções. Além disso, a produção de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas demandará da cadeia de fornecedores investimentos contínuos em inovação, a fim de aperfeiçoar e desenvolver novos equipamentos para operação em ambientes altamente complexos e cada vez mais desafiadores à medida que se exploram reservas em maior profundidade.

A Petrobras (estatal) continua a ser a única empresa importante no setor petroquímico e desenvolve o mercado de seus fornecedores de acordo com essa verdade. Usa a Lei das Estatais (13.303/16) que dispõe sobre o estatuto jurídico das empresas públicas, das sociedades de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Sancionada em 30 de junho de 2016, a Lei representa um marco regulatório para a atuação dessas empresas, com o estabelecimento de procedimentos e responsabilidades. Na condição de sociedade de economia mista, nós fazemos parte das empresas regidas pela Lei das Estatais, assim como todas as subsidiárias brasileiras. Possui um Canal do Fornecedor, depois de viver uma crise imensa com a corrupção desenfreada instalada em toda a empresa.

Também adotou as boas práticas de governança corporativa e compliance que se constituem um pilar de sustentação para os nossos negócios. Incentiva os fornecedores que implementem programas de compliance, estabelecendo e aperfeiçoando continuamente sua governança, seus processos e seus controles, de forma a garantir o cumprimento das leis, normas e procedimentos aplicáveis às suas atividades.

Os principais documentos que estabelecem parâmetros para o relacionamento com os fornecedores são o Programa Petrobras de Prevenção da Corrupção (PPPC), o Código de Ética, a Política de Conformidade e o Guia de Conduta. Esses documentos tratam de assuntos como conflitos de interesse, nepotismo, lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e a questão de presentes, brindes e hospitalidades. Para saber mais sobre as ações de compliance clique aqui. Saiba também o que a empresa classifica como presentes, brindes e hospitalidades e conheça os requisitos dispostos no Guia de Recebimento e Oferecimento. Há um Canal de Denúncia externo e independente para registro de qualquer situação que indique uma violação ou potencial transgressão de princípios éticos, políticas, normas, leis e regulamentos ou quaisquer outras condutas impróprias e/ou ilegais. Por meio desse canal, recebe denúncias sobre suas atividades e das subsidiárias.

Quanto à certificação NBR ISO 9001, conforme o site do Inmetro, no código NACE 19.20, fabricação de produtos petrolíferos, há as seguintes empresas certificadas: Petrocoque, Refinaria de Petróleo de Manguinhos S/A, Ternec Lubrificantes e UM Urussanga Minérios.

Pode-se acrescentar que o petróleo é uma fonte de energia primária, em geral de baixa substituição no curto prazo, apresentando seus derivados demandas de curto e médio prazo pouco elásticas a variações nos preços (ou seja, variações percentuais nos preços implicam em variações comparativamente muito menores nas quantidades demandadas). Devido a esse problema de baixa substituição, a demanda por derivados de petróleo (e por conseguinte do próprio petróleo) tem que ser realizada no curto prazo para que não haja a redução do nível de atividade econômica deste espaço, quase que independentemente do nível corrente de preços do petróleo. Essas características e a amplitude do consumo de seus derivados (combustível automotivo, geração elétrica, calefação, etc.) fazem do petróleo uma fonte energética fundamental para a economia de todos os países.

O petróleo e o gás natural são normalmente percebidos pela sociedade como sendo essencialmente fontes primárias de combustíveis, seja para uso em meios de transporte na forma de gasolina, diesel ou mesmo gás, seja para geração de calor industrial por combustão em fornos e caldeiras. Todavia, nem todos têm presentes que é também do processamento inicial desses mesmos recursos naturais que provêm as matérias-primas básicas de um dos pilares do sistema industrial moderno, a indústria petroquímica.

Partindo geralmente da nafta, que é uma fração líquida do refino do petróleo, ou do próprio gás natural tratado, os sofisticados processos petroquímicos são capazes de quebrar, recombinar e transformar as moléculas originais dos hidrocarbonetos presentes no petróleo ou no gás, gerando, em grande escala, uma diversidade de produtos, os quais, por sua vez, irão constituir a base química dos mais diferentes segmentos da indústria em geral. Atualmente, é possível identificar produtos de origem petroquímica na quase totalidade dos itens industriais consumidos pela população tais como embalagens e utilidades domésticas de plástico, tecidos, calçados, alimentos, brinquedos, materiais de limpeza, pneus, tintas, eletroeletrônicos, materiais descartáveis e muitos outros.

Tipicamente, podem ser distinguidos três estágios, ou gerações, industriais na cadeia da atividade petroquímica: indústrias de primeira geração, que fornecem os produtos petroquímicos básicos, tais como eteno, propeno, butadieno, etc.; as de segunda geração, que transformam os petroquímicos básicos nos chamados petroquímicos finais, como polietileno (PE), polipropileno (PP), polivinilcloreto (PVC), poliésteres, óxido de etileno etc.; e as de terceira geração, onde produtos finais são quimicamente modificados ou conformados em produtos de consumo.

A indústria do plástico é o setor que movimenta a maior quantidade de produtos fabricados com materiais petroquímicos. Como indústria de energia, de características de infraestrutura, a indústria de petróleo, gás e petroquímica gera bens que são insumos de difícil substituição na matriz produtiva de qualquer país, sendo estes insumos bases do modo de produção e consumo e mesmo da cultura da sociedade moderna.

Um exemplo claro desta importância são os derivados de petróleo utilizados como combustíveis para motores de combustão interna (gasolina e diesel) dos veículos utilizados em serviços de transporte, serviço de infraestrutura sem o qual nenhuma estrutura produtiva industrial moderna funcionaria. Dessa forma, a disponibilidade de petróleo e seus derivados e seus níveis de preços têm grande importância para a determinação do nível de crescimento econômico e do nível de preços das economias nacionais, pois energia e transporte são insumos necessários para produção de quaisquer bens ou serviços.

Essa indústria está assim na formação e sustentação dos alicerces da economia industrial moderna e seu modus operandi, e, por conseguinte do modo de viver do mundo atual. A sociedade industrial parece ser uma sociedade do hidrocarboneto. Ela representa agregadamente atualmente cerca de 55,61% da oferta mundial de energia primária, e 59% das necessidades energéticas mundiais em termos da matriz de consumo energético final.

Em geral, a competitividade da indústria petroquímica está criticamente associada a fatores como grau de verticalização empresarial, grandes economias de escala, disponibilidade e garantia de fornecimento de matéria-prima, altos investimentos em tecnologia e logística de distribuição de produtos. Tais fatores fazem com que o segmento petroquímico seja um campo onde jogam apenas empresas de grande porte, as mais importantes com elevado grau de internacionalização das atividades.

Específica para o setor, a ABNT ISO/TS 29001 de 10/2010 – Indústrias do petróleo, gás natural e petroquímica – Sistemas de gestão da qualidade específicos do setor – Requisitos para organizações de fornecimento de produtos e serviços especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade, quando uma organização necessita demonstrar sua capacidade para fornecer produtos que atendam de forma consistente aos requisitos do cliente e requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. Esta Especificação Técnica tem como objetivo desenvolver um sistema de gestão da qualidade que promova a melhoria contínua, enfatizando a prevenção de defeitos e a redução da variabilidade e de perdas na cadeia de suprimento e na prestação de serviços.

Em conjunto com os requisitos específicos de clientes, define os requisitos fundamentais do sistema de gestão da qualidade para aqueles que adotarem esta Especificação Técnica que é baseada na NBR ISO 9001. Assim, pode-se evitar múltiplas auditorias de certificação e fornecer uma abordagem comum para um sistema de gestão da qualidade para as indústrias do petróleo, gás natural e petroquímica. O procedimento documentado deve identificar as funções responsáveis pela coleta e manutenção dos registros.

A NBR ISO 9001 – Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos especifica os requisitos para um sistema de gestão da qualidade, quando uma organização necessita demonstrar sua capacidade para fornecer produtos que atendam de forma consistente aos requisitos do cliente e requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis, e pretende aumentar a satisfação do cliente por meio da aplicação eficaz do sistema, incluindo processos para melhoria contínua do sistema, e assegurar a conformidade com os requisitos do cliente e os requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. Na norma, o termo produto aplica-se apenas para produto pretendido ou requerido pelo cliente; qualquer resultado pretendido resultante os processos de realização do produto. Os requisitos estatutários e regulamentares podem ser expressos como requisitos legais. Coleta é o processo de obter, montar e/ou organizar a documentação aplicável, com o intuito de atender aos requisitos de 4.2.4.

Os registros exigidos pelas normas aplicáveis de produtos da indústria devem ser mantidos durante pelo menos o período de tempo especificado pela norma da indústria ou cinco anos, o que for maior. Os registros necessários para se comprovar a conformidade com os requisitos e a operação eficaz do sistema de gestão da qualidade devem ser mantidos por um período mínimo de cinco anos. A organização deve estabelecer métodos de controle (ver 3.1.4) para identificar as necessidades de treinamento e fornecer treinamento para o pessoal que executa atividades relacionadas com o sistema de gestão da qualidade.

Os requisitos de treinamento devem prever treinamento do pessoal no sistema de gestão da qualidade e na capacitação de suas funções. A frequência do treinamento deve ser definida pela organização. O tem 6.2.2.1 provê treinamento no local de trabalho para o pessoal em qualquer função nova ou modificada que afete a qualidade do produto, incluindo pessoal próprio ou contratado. O tem 6.2.2.1 inclui a existência de um processo para medir o grau de conscientização do pessoal para a relevância e importância de suas atividades e como elas contribuem para o cumprimento dos objetivos da qualidade (ver 6.2.2.d). Convém que o pessoal cujo trabalho possa afetar a qualidade seja informado a respeito das consequências para o cliente da não-conformidade aos requisitos de qualidade.

A organização deve estabelecer métodos de controle (ver 3.1.4) para o projeto do produto. Quando o projeto e desenvolvimento são terceirizados, a organização deve garantir que o fornecedor cumpra os requisitos de 7.3, bem como prover evidências objetivas de que o fornecedor atendeu a esses requisitos.

Para a documentação de projeto, além do exigido pela NBR ISO 9001, deve-se incluir os métodos, premissas, fórmulas e cálculos. A validação do projeto e desenvolvimento deve ser executada conforme disposições planejadas, conforme a NBR ISO 9001 (ver 7.3.1), para assegurar que o produto resultante seja capaz de atender aos requisitos para aplicação especificada ou uso pretendido, onde conhecido.

Onde for praticável, a validação deve ser concluída antes da entrega ou implementação do produto. Devem ser mantidos registros dos resultados de validação e de quaisquer ações necessárias. A validação de projeto pode incluir um ou mais do seguinte: ensaios de protótipo; ensaios funcionais e/ou operacionais de produtos da produção; os ensaios especificados pelas normas da indústria e/ou requisitos legais; os ensaios e análises de desempenho de campo.

A organização deve assegurar que o produto adquirido está conforme com os requisitos especificados de aquisição. O tipo e a extensão do controle aplicado ao fornecedor e ao produto adquirido devem depender do efeito do produto adquirido na realização subsequente do produto ou no produto final. A organização deve avaliar e selecionar fornecedores com base na sua capacidade em fornecer produtos de acordo com os requisitos da organização.

Os critérios para seleção, avaliação e reavaliação devem ser estabelecidos. Devem ser mantidos os registros dos resultados das avaliações e de quaisquer ações necessárias, oriundas da avaliação. Para o processo de aquisição, além dos estabelecidos na NBR ISO 9011, as indústrias do petróleo, gás natural e petroquímica devem estabelecer métodos de controle para o processo de aquisição e seleção de fornecedor. Os produtos adquiridos incluem todos os produtos e serviços que afetam os requisitos do cliente.

Os critérios para a seleção, avaliação e reavaliação de fornecedores, além dos especificados na NBR ISO 9001, devem incluir um ou mais dos seguintes: inspeção do produto final do fornecedor pela organização na instalação do fornecedor; inspeção do produto final do fornecedor pela organização na entrega; avaliação da conformidade do fornecedor com os requisitos de aquisição da organização; verificação pela organização de que o sistema de gestão da qualidade do fornecedor atende a uma norma/especificação técnica de sistema de gestão da qualidade reconhecida internacionalmente.

Quando houver fusões, aquisições ou afiliações associadas aos fornecedores, convém que a organização verifique a continuidade do sistema de gestão da qualidade do fornecedor, bem como sua eficácia. Para os processos fornecidos que requerem validação, onde a organização optar pela terceirização de qualquer processo que requeira validação, ela deve requerer que o fornecedor atenda aos requisitos de 7.5.2, conforme aplicável (ver 4.1).

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Quando apropriado, a organização deve identificar o produto pelos meios adequados ao longo da realização do produto. A organização deve identificar a situação do produto no que se refere aos requisitos de monitoramento e de medição ao longo da realização do produto. Quando a rastreabilidade for um requisito, a organização deve controlar a identificação unívoca do produto e manter os registros (ver 4.2.4). Em alguns setores de atividade, a gestão de configuração é um meio pelo qual a identificação e a rastreabilidade são mantidas.

A organização deve estabelecer métodos de controle (ver 3.1.4) para a identificação e rastreabilidade do produto através de meios adequados, desde o recebimento e durante todas as etapas de produção, entrega e instalação, segundo os requisitos da organização, do cliente e das especificações de produto aplicáveis. Os métodos de controle devem incluir requisitos para a manutenção ou substituição de marcas de identificação e rastreabilidade, e registros.

A organização deve estabelecer métodos de controle (ver 3.1.4) para a identificação da situação do produto. A organização deve estabelecer métodos de controle (ver 3.1.4) para controlar, calibrar e manter dispositivos de monitoramento e medição. Os métodos de controle devem incluir o tipo de dispositivo, identificação exclusiva, localização, frequência de verificações, método de verificação e critérios de aceitação.

A organização petroquímica deve garantir que as condições ambientais sejam adequadas para as calibrações, inspeções, medições e ensaios que estiverem sendo realizados. Convém que os registros da atividade de calibração/verificação para todos os medidores, equipamentos de medição e ensaio, necessários para comprovar a conformidade do produto com os requisitos estabelecidos, inclusive equipamentos pertencentes a clientes e funcionários, incluam a identificação do equipamento, incluindo a norma de medição com base na qual o equipamento é calibrado, revisões após as alterações de engenharia, quaisquer leituras fora de especificação recebidas para calibração/verificação, uma avaliação do impacto da condição fora de especificação, e uma notificação ao cliente caso o produto ou material suspeito tenha sido despachado.

A NBR ISO 14224 de 10/2011 – Indústrias de petróleo e gás natural – Coleta e intercâmbio de dados de confiabilidade e manutenção para equipamentos fornece uma ampla base para a coleta de dados de confiabilidade e manutenção (RM) num formato-padrão para equipamentos em todas as instalações e operações nas indústrias de petróleo, gás natural e petroquímica durante o ciclo de vida operacional dos equipamentos. Ela descreve os princípios da coleta de dados e os termos e definições associados que constituem uma linguagem de confiabilidade que pode ser útil para a comunicação da experiência operacional.

Os modos de falha definidos na sua parte normativa podem ser usados como um tesouro de confiabilidade para várias aplicações tanto de ordem quantitativa como qualitativa. Esta norma também descreve práticas de controle e garantia da qualidade de dados para orientar o usuário. A padronização de práticas de coleta de dados facilita o intercâmbio de informações entre as partes, tais como, por exemplo, plantas, proprietários, fabricantes e empreiteiras.

Assim, pode-se estabelecer os requisitos que devem ser atendidos por qualquer sistema de dados de RM (reliability and maintenance -confiabilidade e manutenção) interno dentro da empresa ou disponível no mercado quando projetado para o intercâmbio de dados de RM. São apresentados exemplos, diretrizes e princípios para o intercâmbio e consolidação de tais dados de RM. O Anexo A contém um resumo dos equipamentos abrangidos por esta norma.

Recomenda-se uma quantidade mínima de dados que deve ser coletada e deve-se abordar duas questões principais: os requisitos de dados para os tipos de dados a serem coletados para uso em várias metodologias de análise; o formato padronizado de dados para facilitar o intercâmbio de dados de confiabilidade e manutenção entre as plantas, proprietários, fabricantes e empreiteiras.

Devem ser coletados dados das principais categorias: dados de equipamentos, como, por exemplo, taxonomia e atributos de equipamentos; dados de falhas, como, por exemplo, causa e consequência de falhas; dados de manutenção, como, por exemplo, ações de manutenção, recursos usados, consequência da manutenção, tempo não operacional. A Seção 9 apresenta mais detalhes sobre o conteúdo e formato dos dados.

As principais áreas onde tais dados são usados: confiabilidade, como, por exemplo, eventos de falha e mecanismos de falha; disponibilidade/eficiência, como, por exemplo, disponibilidade do equipamento, disponibilidade do sistema, disponibilidade de produção da planta; manutenção, como, por exemplo, a manutenção corretiva e preventiva, capacidade de suporte à manutenção; segurança e meio ambiente, como, por exemplo, falhas de equipamentos com consequências adversas para a segurança e/ou meio ambiente.

Essa norma não se aplica aos dados referentes a questões de custos (diretos); dados de ensaios de laboratório e fabricação (por exemplo, ensaios acelerados de vida); folhas de dados de equipamentos completas (são incluídos apenas os dados considerados de interesse para a avaliação do desempenho de confiabilidade); dados em serviço adicionais que um operador pode, individualmente, considerar úteis para a operação e manutenção; métodos de análise e aplicação de dados de RM (contudo, são incluídos nos anexos alguns princípios sobre como calcular alguns parâmetros básicos de confiabilidade e manutenção).

Deve-se ressaltar que nas indústrias de petróleo, gás natural e petroquímica, tem-se dado muita atenção à segurança, confiabilidade e mantenabilidade de equipamentos. O custo anual da indústria para a falta de confiabilidade de equipamentos é muito alto, embora muitos proprietários de plantas tenham melhorado a confiabilidade de suas instalações operacionais através dessa atenção.

Recentemente, uma parcela maior da indústria tem dado uma maior ênfase ao projeto e manutenção eficazes em termos de custos para plantas novas e instalações existentes. Sob esse aspecto, os dados de falhas, de mecanismos de falha e de manutenção relacionados a essas instalações industriais e suas operações tornaram-se mais importantes.

É necessário que essas informações sejam usadas pelas várias partes interessadas e suas disciplinas, e entre elas comunicadas, dentro da mesma empresa ou entre empresas. São utilizadas várias metodologias de análise para estimar o risco de perigos para as pessoas e o meio ambiente, ou para analisar o desempenho de instalações ou sistemas. Para que tais análises sejam eficazes e decisivas, os dados de RM são de vital importância.

Tais análises exigem um bom entendimento das características técnicas dos equipamentos, de suas condições operacionais e ambientais, de suas falhas potenciais e de suas atividades de manutenção. Pode ser necessário dispor de dados abrangendo vários anos de operação antes que dados suficientes tenham sido acumulados para gerar resultados de análise confiáveis e servir de apoio a decisões.

Dessa forma, é necessário considerar a coleta de dados como uma atividade de longo prazo, planejada e executada tendo em mente metas apropriadas. Ao mesmo tempo, a clareza quanto às causas das falhas é fundamental para se priorizarem e implementarem ações corretivas que resultem em melhorias sustentáveis na confiabilidade, proporcionando, assim, maior lucratividade e segurança.

A coleta de dados é um investimento. A padronização de dados, quando aliada a sistemas de gerenciamento de dados mais eficientes que permitem a coleta e transferência eletrônica de dados, pode gerar dados de confiabilidade e manutenção de maior qualidade. Uma forma eficaz em termos de custo para se otimizarem os requisitos de dados é através da cooperação na indústria.

Para possibilitar a coleta, intercâmbio e análise de dados com base em pontos de vista comuns, é necessária uma norma. A padronização de práticas de coleta de dados facilita o intercâmbio de informações entre as partes interessadas como, por exemplo, plantas, proprietários, fabricantes e empreiteiras em todo o mundo. Essa norma se aplica a tipos de equipamentos usados na indústria de petróleo, gás natural e petroquímica, incluindo, porém sem a isso se limitar, categorias de equipamentos tais como equipamentos e tubulações de processo, equipamentos de segurança, equipamentos submarinos, sistemas de dutos, equipamentos de carga/descarga, equipamentos de poço e equipamentos de perfuração.

Os equipamentos podem ser permanentemente instalados nas instalações ou usados durante as fases de instalação, manutenção ou modificação. O Anexo A contém exemplos sobre como esta norma deve ser usada para tipos específicos de equipamentos. Espera-se que os usuários definam as taxonomias para classes de equipamentos adicionais, conforme necessário, com base nos princípios estabelecidos.

Alguns princípios para a coleta de dados do RM no nível do equipamento podem ser aplicados para a monitoração e análise do desempenho nos níveis de planta e de sistemas constituídos de vários tipos de equipamentos. Contudo, a monitoração do desempenho da instalação e da planta também requer outros tipos de dados não abrangidos por esta norma. Devido à variedade de usos de dados de RM, convém que os requisitos de dados em um programa de coleta de dados sejam adaptados a uma ou mais aplicações previstas.

Os resultados confiáveis de análise estão diretamente relacionados à qualidade dos dados coletados. Embora não se especifique medidas de qualidade detalhadas, práticas de controle e garantia de qualidade de dados são delineadas para prover orientação ao usuário. As informações técnicas reunidas para descrever os equipamentos e sua localização em uma planta, instalação ou sistema, nesta norma, não pretendem ser exaustivas e completas como o sistema de informação técnica da planta como um todo, mas que sejam usadas com o propósito de identificar e explicar as variáveis para as funções analíticas.

Entretanto, o uso de termos técnicos comuns é recomendado e está relacionado ao sistema de informação de ciclo de vida e normas técnicas de equipamentos. Embora esta norma descreva como registrar as atividades de manutenção para a otimização da confiabilidade e disponibilidade de equipamentos, ela não pretende ser uma norma para especificar em detalhes como os programas de manutenção são documentados.

Os benefícios da análise de dados de confiabilidade são de longo alcance, incluindo a oportunidade para otimizar o momento adequado das revisões gerais e inspeções de equipamentos, o conteúdo dos procedimentos de manutenção, bem como os programas de custos de ciclo de vida de sobressalentes e de melhorias em instalações operacionais em todo o mundo. Outros benefícios resultantes da coleta e análise de dados de RM incluem melhorias na tomada de decisões, reduções de falhas catastróficas, reduções de impactos ambientais, maior eficiência em benchmarking e análise de tendências de desempenho e aumento da disponibilidade de unidades de processo.

A melhoria da confiabilidade de equipamentos depende das experiências de uso real. A coleta, análise e retroalimentação de dados para projetistas e fabricantes de equipamentos são, portanto, primordiais. Também, na compra de novos equipamentos, os dados de RM são parâmetros-chave a serem levados em conta.

A fim de consolidar os dados provenientes de várias unidades de equipamentos, plantas ou através de um setor da indústria, é necessário que as partes concordem quanto aos dados que são úteis para a coleta e intercâmbio e que eles estejam em um formato compatível. Recentemente, vários países com indústrias de petróleo e gás emitiram regulamentos exigindo que as empresas possuam um sistema para a coleta, análise e implementação de ações corretivas e preventivas, incluindo a melhoria de sistemas e equipamentos. Alguns desses regulamentos se referem a normas internacionais, incluindo esta.

Coletar dados de RM é oneroso, sendo, portanto, necessário que esses esforços sejam balanceados em relação ao uso e benefícios previstos. Em geral, seriam selecionados equipamentos para a coleta de dados de RM em que as consequências das falhas tivessem um impacto na segurança, produção, meio ambiente ou nos altos custos de reparo/reposição, conforme indicado abaixo. A figura abaixo apresenta um ciclo de retroalimentação típica para possíveis usos de dados.

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A confiança nos dados de RM coletados e, por conseguinte, em qualquer análise, depende fortemente da qualidade dos dados coletados. Os dados de alta qualidade são caracterizados pelo seguinte: dados completos em relação à especificação; conformidade com definições de parâmetros de confiabilidade, tipos de dados e formatos; entrada, transferência, manuseio e armazenamento de dados de forma precisa (manualmente ou eletrônica); população suficiente e período de observação adequado para proporcionar confiança estatística; relevância com relação às necessidades do usuário dos dados.

Importante, também, definir o objetivo da coleta de dados a fim de reunir dados relevantes para o uso a que se destinam. Entre os exemplos de análises em que tais dados podem ser usados pode-se citar a análise quantitativa de risco (quantitative risk analysis- ORA); a análise de confiabilidade, disponibilidade e mantenabilidade (reliability, availability, and maintainability – RAM); manutenção centrada em confiabilidade (reliability-centred maintenance – RCM); custo do ciclo de vida (fite cycle cost LCC); análise do nível de integridade de segurança (safety integrity leve/- SIL) (ver também o Anexo D).

Deve-se também investigar a (s) fonte (s) dos dados para assegurar que dados relevantes de qualidade suficiente estejam disponíveis. As fontes abrangem informações técnicas e de inventário de equipamentos, dados de eventos de RM e impactos associados à planta. Além disso, deve-se definir as informações de taxonomia a serem incluídas na base de dados para cada unidade de equipamentos (ver a Seção 8).

Identificar a data de instalação, a população e o(s) período(s) de operação dos equipamentos a partir do (s) qual (is) os dados podem ser coletados e definir as fronteiras para cada classe de equipamentos, indicando quais dados de RM devem ser coletados (ver a Seção 8).

Avaliar a qualidade dos dados sendo coletados o mais cedo possível no processo de coleta de dados, de acordo com as medidas planejadas (ver 7.1.2). Um procedimento adequado é uma avaliação pelo executante da coleta de dados, que deve dispor das diretrizes para as medidas de qualidade nas quais ele deve se concentrar de acordo com as medidas de planejamento.

O principal objetivo dessa avaliação realizada o mais cedo possível é procurar por quaisquer problemas que possam exigir que as medidas de planejamento sejam imediatamente revisadas para evitar a coleta de dados inaceitáveis. Os empregados, com a exceção daqueles que coletaram os dados, devem verificar a qualidade de cada registro individual de dados e o padrão de confiabilidade geral refletido pela soma de eventos individuais conforme as medidas de planejamento. Alguns dos problemas e limitações dos quais se deve estar ciente na obtenção de dados de qualidade estão resumidos na tabela abaixo.

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O sistema CMMIS ou computerized maintenance-management information system (sistema de informação computadorizado para gestão de manutenção) da instalação constitui a principal fonte de dados de RM. A qualidade dos dados que podem ser obtidos dessa fonte depende, em primeiro lugar, da forma como os dados de RM são registrados. O registro de dados de RM conforme esta norma deve ser possível no sistema CMMIS da instalação, proporcionando assim uma base mais consistente e sólida para a transferência de dados de RM para as bases de dados de RM de equipamentos.

Outras informações da fonte podem ser espalhadas através de diferentes sistemas (computadores, arquivos, livros, desenhos), como, por exemplo, a retroalimentação de resultados da coleta de dados, o envolvimento em processos de garantia de qualidade, o uso adequado ou inadequado de campos de informações no sistema CMMIS da instalação para estimular a qualidade do registro, etc. A coleta de dados pode ser feita dentro da empresa usando-se fontes internas ou por meio de empresas ou pessoas mais especializadas. Como os dados são, por natureza, históricos, evidentemente leva algum tempo antes que se acumulem dados suficientes para se tirarem conclusões válidas com base apenas nas estatísticas. A análise de custo-benefício para a coleta de dados pode levar um certo tempo para tornar-se evidente, mas o rastreamento anual do desempenho de equipamentos pode fornecer um histórico útil.

Enfim, para ser inserida na concorrência mundial, a indústria petroquímica brasileira, dependente da imensa e ineficaz estatal Petrobras, vai ter que remar muito. A cadeia petroquímica constitui-se de unidades ou empresas de primeira geração, que são as produtoras de básicos petroquímicos – olefinas (eteno, propeno e butadieno) e aromáticos (benzeno, tolueno e xilenos) –, e de unidades ou empresas de segunda geração, que são, sobretudo, as produtoras de intermediários e resinas termoplásticas.

As empresas de terceira geração, mais conhecidas por empresas de transformação plástica, são os clientes da indústria petroquímica que transformam os produtos da segunda geração e intermediários em materiais e artefatos utilizados por diversos segmentos, como o de embalagens, construção civil, elétrico, eletrônico e automotivo.

Já a indústria petroquímica mundial é submetida a ciclos de preços. Durante a fase de alta, normalmente acarretada por crescimentos elevados das principais economias mundiais, há grandes investimentos em ampliações da capacidade, o que em três ou quatro anos leva a um excesso de oferta e à consequente queda geral de preços. Essa é uma lógica comum a vários setores intensivos em capital, mas que age com maior intensidade nesse setor, em que os investimentos necessariamente têm de ser feitos em grande escala e, normalmente, integrando expansões na produção de petroquímicos básicos e de segunda geração.

A competitividade da indústria petroquímica está intimamente relacionada com os seguintes fatores: escala de produção, integração, disponibilidade de matéria-prima, tecnologia, facilidade de acesso ao mercado consumidor e custo de capital. Nesse contexto, os principais projetos em perspectiva no mundo estão localizados na Ásia, principal mercado consumidor, e no Oriente Médio, em função da disponibilidade de matérias-primas.

Vencer a corrupção também é outra prioridade no setor petroquímico. O caso da refinaria de Pasadena, na cidade de mesmo nome no Texas (EUA) é um exemplo. A Petrobras America Inc. (PAI), subsidiária da Petrobras, assinou com a empresa Chevron U.S.A. Inc. (Chevron) o contrato de compra e venda referente à alienação integral das ações que mantinha nas empresas que compõem o sistema de refino dessa refinaria, no valor de US$ 467 milhões. Essa empresa tinha sido adquirida por US$ 1,18 bilhão em um processo controverso quando a ex-presidente Dilma Roussef era ministra-chefe da Casa Civil e presidente do conselho da Petrobras.

A inserção competitiva da indústria petroquímica nacional no mercado mundial, a princípio, poderá ser obtida a partir da evolução da indústria para um cenário de empresas grandes, com unidades de escala mundial, integradas, com aproveitamento de fontes de matéria-prima competitivas e relacionamento com seus clientes na terceira geração. E, principalmente, com a quebra da hegemonia da Petrobras, com a privatização do refino, da exploração do petróleo, etc.



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