A capacitação profissional e a certificação de pessoas

Atualmente, existe uma demanda empresarial por recursos humanos capacitados e com habilidades para solução de problemas, impõe, às próprias empresas, a necessidade de crescentes investimentos em capacitação profissional, em consequência do deficiente atendimento pelo sistema de ensino, em todos os níveis. Enquanto as grandes corporações solucionam suas demandas, as outras empresas aguardam melhorias no seus processos de capacitação profissional. E a certificação pessoal pode ser um instrumento para prover o mercado com profissionais competentes para as funções.

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Mauricio Ferraz de Paiva –

A competição dos mercados exige das empresas um esforço expressivo para produzir bens e serviços qualitativamente melhores, a um custo cada vez menor. Com a globalização, verifica-se o rompimento das barreiras geográficas, culturais e tarifárias, contribuindo ainda mais para aumento da competitividade internacional.

Dentre os diversos atributos que permitem uma empresa ou nação ser competitiva, distinguem-se: a tecnologia; a produtividade dos processos; o preço, o prazo; e a qualidade dos produtos ou serviços. Assim, melhorar continuamente é o caminho da sobrevivência das empresas, impulsionado pela necessidade de satisfação do cliente, que determina o direcionamento do mercado. Esse princípio vale para todas as empresas que disputam mercados cada vez mais dinâmicos e concorridos, que buscam assegurar sua posição e seu crescimento.

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Dessa forma, à medida em que há expansão e modernização das empresas, paralelamente aumenta a necessidade de mão de obra cada vez mais especializada, diversificada e qualificada. Junto aos avanços tecnológicos, surge a necessidade de expandir e diversificar a educação profissional. Muitas das atividades realizadas no mundo são baseadas em pessoas, que usam suas competências para o desenvolvimento de tarefas específicas.

Essas competências são adquiridas durante toda a vida, baseadas na educação, experiência, treinamento, etc. A base empresarial está sempre solicitando profissionais polivalentes, capazes de resolver problemas do cotidiano do seu trabalho, mobilizando conhecimentos, habilidades e atitudes. Criar um diferencial para indústrias através da qualificação dos técnicos que atuam diretamente com a garantia da qualidade do produto ou processo, significa contribuir para o desenvolvimento, valor agregado e competitividade global.

Por isso as empresas precisam conhecer a NBR ISO/IEC 17024 de 11/2013 – Avaliação da conformidade — Requisitos gerais para organismos que certificam pessoas que contém princípios e requisitos para um organismo que certifica pessoas de acordo com requisitos específicos e inclui o desenvolvimento e a manutenção de um esquema de certificação de pessoas. Ela foi elaborada com o objetivo de atingir e promover um nível de referência (benchmarking) mundialmente aceito por organizações que realizam certificação de pessoas.

A certificação de pessoas é um meio de assegurar que a pessoa certificada atende aos requisitos do esquema de certificação. A confiança em determinado esquema de certificação é alcançada por meio de um processo globalmente aceito de avaliação, supervisão subsequente e reavaliações periódicas da competência das pessoas certificadas.

Entretanto, é necessário distinguir entre situações onde esquemas de certificação para pessoas são justificados e situações onde outras formas de qualificação são mais apropriadas. Em resposta à velocidade sempre crescente de inovação tecnológica e à especialização progressiva das pessoas, o desenvolvimento de novos esquemas de certificação para pessoas pode compensar diferenças de educação e treinamento, facilitando assim o mercado global de trabalho.

As formas alternativas à certificação podem ainda ser necessárias em situações pertinentes a serviços públicos e funções oficiais ou governamentais. Em contraste com outros tipos de organismos de avaliação de conformidade, tais como os organismos de certificação/registro de sistemas de gestão, uma das funções características do organismo de certificação de pessoas é realizar um exame com base em critérios objetivos de competência e classificação.

Mesmo reconhecendo que tal exame, se bem planejado e estruturado pelo organismo de certificação, pode servir substancialmente para assegurar imparcialidade das atividades e reduzir os riscos de um conflito de interesses, requisitos alternativos foram incluídos na norma. De qualquer forma, convém que esse padrão seja a base para o reconhecimento dos organismos de certificação e seus esquemas de certificação, a fim de facilitar a aceitação destes em níveis nacional e internacional.

Somente a harmonização do sistema para desenvolvimento e manutenção de esquemas de certificação para pessoas pode estabelecer o ambiente para reconhecimento mútuo e intercâmbio de pessoas em nível mundial. Essa norma especifica os requisitos que asseguram um funcionamento consistente, comparável e confiável de organismos de certificação que aplicam esquemas de certificação para pessoas.

Seus requisitos devem ser considerados requisitos gerais para organismos que aplicam esquemas de certificação para pessoas, podendo ser complementados em função de necessidades/expectativas adicionais demonstradas pelo mercado (por exemplo, aperfeiçoamento da profissão) ou requisitos governamentais específicos (por exemplo, proteção do público). Em alguns países os organismos que verificam a conformidade da competência de pessoas, de acordo com requisitos especificados, são chamados organismos de certificação, em outros países, organismos de registro, organismos de avaliação e registro, organismos de certificação/registro /licenciamento, ou ainda registradores.

As políticas e procedimentos do organismo de certificação e sua administração devem ser relacionados aos critérios da certificação considerada, devem ser justos e iguais para todos os candidatos, e devem estar em conformidade com todos os regulamentos e requisitos estatutários aplicáveis. Ele não deve utilizar, com exceção dos requisitos desta norma, procedimentos para impedir ou inibir o acesso de solicitantes e candidatos, devendo definir políticas e procedimentos para concessão, manutenção, renovação, extensão, redução do escopo e suspensão ou cancelamento da certificação.

Importante é que quando for proposto um esquema de certificação haja consulta às partes interessadas sobre: uma descrição da área específica pela qual a pessoa será certificada; uma descrição dos requisitos de qualificação/competência, requisitos e procedimentos de avaliação, incluindo aqueles para supervisão e recertificação; o grau de apoio e evidência de aceitação do conteúdo do esquema de certificação pelas partes interessadas; qual organização/organismo/pessoa convém ser responsável pelo desenvolvimento do esquema de certificação proposto.

Também, é fundamental que seja conduzida periodicamente (pelo menos a cada cinco anos) uma análise dos trabalhos/práticas para produzir ou confirmar: uma descrição da população-alvo de candidatos e uma declaração do propósito ou resultado esperado da certificação; uma lista das tarefas importantes e críticas desempenhadas por pessoas competentes que trabalham na profissão; uma lista dos requisitos de certificação, incluindo a lógica e o (s) mecanismos (s) de avaliação selecionado (s) para cada requisito; uma especificação para elaboração do (s) exame (s), quando o processo de avaliação contiver um exame formal oral ou escrito, inclusive esboço do conteúdo, tipo(s) de questões apresentadas, nível (is) de dificuldade (s) das questões, número de questões para cada assunto, duração do exame, método para estabelecimento do nível de aceitação da nota de aprovação, e método (s) para atribuição de notas; e comentários sobre como convém que o esquema de certificação proposto seja transparente para o mercado.

Enfim, tornou-se um conceito mundial a preocupação em suprir a deficiência na qualificação técnica em atendimento às necessidades do mercado de trabalho, surge o desenvolvimento de programas de certificação de pessoas, como meio de comprovar a habilidade pessoal, permitindo à sociedade averiguar qual é o profissional mais capacitado para ser utilizado em uma tarefa específica. A certificação de pessoas ganhou destaque por ser um processo voluntário, no qual o profissional ganha um certificado com validade e reconhecimento, além de atualização, complementação e aprimoramento das técnicas aplicadas em seu trabalho, garantindo que o profissional certificado demonstra conhecimento de um determinado acervo preestabelecido de conhecimentos básicos e/ou especializados.

Contudo, deve-se atentar aos riscos que podem estar envolvidos na certificação de pessoas que possuem somente os conhecimentos adquiridos na prática do ofício, que muitas vezes podem induzir a não aplicação correta dos conceitos que são fornecidos pela formação específica. Pode ser que a melhor forma para se obter a certificação de pessoas seja da seguinte forma: aquisição prévia dos conhecimentos necessários para a prática do trabalho, fornecido por uma instituição reconhecida para tal; e de forma voluntária, a pessoa que almejar a certificação poderá ser submetido ao exame de certificação de pessoas.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



Categorias:Normalização, Opinião

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