A caminhada como turismo de aventura

A caminhada é um exercício aeróbico muito eficaz para a saúde. Caminhar é uma atividade física perfeita: é fácil, leve, melhora o seu astral e é capaz de proporcionar saúde, beleza e boa forma. É um exercício que poder ser praticado por qualquer pessoa, independentemente da idade e do condicionamento físico. A caminhada, além de tudo, ainda tem a vantagem de ser a mais segura de todas as atividades aeróbicas — tanto sob o ponto de vista cardiovascular como ortopédico. Mesmo executando-a com passos rápidos, dificilmente o coração será sobrecarregado. Além disso, diferentemente da corrida, o risco de lesões nas articulações — em especial nos joelhos e tornozelos — é bem menor. Caminhar durante 30 minutos, três vezes por semana, pode ser tão eficiente no tratamento de depressão aguda quanto a utilização de medicamentos. Além disso, evita doenças e melhora a qualidade de vida. A prática da caminhada pode ser definida de forma simples e direta como uma atividade de turismo de aventura que tem como elemento principal a caminhada. Este esporte, com adeptos no mundo todo, tem por objetivo contemplar ambientes naturais. Quase sempre praticado em trilhas que não envolvem o pernoite da pessoa no local. Esta modalidade de turismo de aventura recebe também o nome de hikking ou trekking.

caminhada2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

A caminhada consiste na realização de percurso a pé, em ambientes naturais com pouca infraestrutura, com diferentes graus de dificuldade. Pode durar desde uma hora até um dia inteiro, mas o praticante retorna ao seu local de origem para pernoitar.

A de longo curso consiste na realização de percurso a pé, em ambientes naturais com pouca infraestrutura, com diferentes graus de dificuldade. Na caminhada de longo percurso o praticante pernoitará em locais ao longo da trilha, pois o trecho percorrido excede o limite de um dia de viagem. O pernoite pode acontecer em situações diversas, como acampamentos, pousadas, fazendas e bivaques, entre outros.

O principal risco que o cliente se submete nesta atividade é relacionado à sua própria condição física, muitas vezes superestimada. Alguns dos riscos inerentes a esta atividade são, tropeços, escorregões, exposição prolongada ao sol, atrito no calçado, torções, entre outros. A segurança no turismo com atividades de caminhada envolve pessoas (tanto clientes quanto prestadores de serviços), equipamentos, procedimentos e as próprias empresas prestadoras dos serviços, inclusive as organizações públicas.

Dessa forma, uma abordagem sistêmica sobre os requisitos de serviços do produto de atividades de turismo com atividades de caminhada é altamente recomendável, de modo a considerá-los sob seus diversos aspectos. Assim, com o propósito de fornecer ferramentas adequadas para promover a segurança no turismo, há normas para estas atividades, incluindo as que tratam das informações a serem fornecidas aos potenciais clientes, das competências dos condutores de turismo, sejam genéricas, sejam específicas, de sistemas de gestão da segurança e também normas que tratam dos requisitos para serviços relacionados com o fornecimento de alguns produtos turísticos no que se refere aos aspectos relativos à segurança e à qualidade.

O fornecimento seguro e responsável de serviços de turismo sob a forma de produtos turísticos específicos envolve uma série de aspectos, ações e medidas planejadas, inclusive incorporando práticas de gestão da qualidade e gestão de riscos. Assim, a concepção das normas de requisitos de serviços para produto turístico pode ser uma referência inovadora para toda organização envolvida com a prestação desses serviços, de maneira semelhante aos que as normas de produtos na indústria o são.

Essas normas podem ser utilizadas por operadoras e por aqueles que recebem os turistas nos destinos, que devem também estar envolvidos no esforço da segurança nas atividades de turismo com atividades de caminhada, e também podem ser usadas por consumidores para selecionar os produtos de que pretendem usufruir com segurança. A NBR 15505-1 de 02/2008 – Turismo com atividades de caminhada Parte 1: Requisitos para produto estabelece os requisitos para produtos de turismo com atividades de caminhada que não envolvam pernoite, relativos à segurança dos clientes e condutores.

Aplica-se apenas a atividades de turismo com atividades de caminhada, não abrangendo casos em que são necessários deslocamentos de acesso e de retorno para o início e após a conclusão das atividades de turismo com atividades de caminhada. Aplica-se organizações que ofereçam produtos de turismo com atividades de caminhada que deseje aumentar a satisfação e segurança do cliente, demonstrar a capacidade do produto em assegurar a prática de atividades de turismo com atividades de caminhada que atendam aos requisitos regulamentares aplicáveis, buscar a certificação segundo esta norma e realizar a autoavaliação de conformidade.

O produto turístico deve ser planejado e fornecido de maneira que a segurança dos clientes, condutores e pessoal envolvido no fornecimento do produto e que esteja exposto a riscos seja assegurada. O responsável pela operação deve: assegurar que os condutores atendem aos requisitos de qualificação definidos nesta norma; manter registro da manutenção das competências dos condutores; assegurar que todo serviço contratado a terceiros, que afete a qualidade e a segurança do produto turístico, atendam aos requisitos desta norma e a outros que a própria organização estabeleça; assegurar-se de maneira planejada que os recursos e meios necessários para a realização da atividade que impactam a segurança estejam disponíveis no momento e local previstos; respeitar as limitações de uso existentes para o ambiente visitado; adotar os planos de uso e zoneamento ecológico disponíveis quando o atrativo estiver em Unidade de Conservação (UC), ou em áreas com alguma categoria de restrições ambientais.

De acordo com as características do local da operação e do próprio produto turístico oferecido, o estabelecimento do número máximo de clientes por operação deve ser considerado. No planejamento e operação do produto devem ser adotadas as práticas ambientais e sociais responsáveis como, por exemplo, as recomendações consagradas para conduta consciente em ambiente natural.

Quando disponível, o planejamento do produto deve levar em conta a capacidade de carga do atrativo onde se realiza a atividade. Para produtos de turismo com atividades de caminhada, a idade mínima do cliente deve ser de 12 anos. Caso a organização ofereça produtos turísticos para crianças menores de 12 anos ou para clientes portadores de necessidades especiais, este produto dever ser objeto de um planejamento que considere as características, procedimentos e equipamentos necessários para que a segurança desses clientes específicos seja garantida.

Esses produtos podem requerer profissionais, equipamentos e condições específicas diferentes dos previstos nesta norma. As medidas adotadas devem ser validadas, justificadas tecnicamente e documentadas. Quando se pretender oferecer produtos noturnos, seu planejamento deve ser revisto e medidas adicionais devem ser consideradas para que a segurança dos clientes seja assegurada.

Este planejamento e as medidas adotadas devem ser documentados. O percurso deve ser previamente estabelecido e classificado conforme essa norma e deve ser do conhecimento dos condutores envolvidos na operação. O itinerário do percurso deve estar documentado. A equipe de operação, exceto no caso de percursos autoguiados que é tratado em 9.3, deve ser constituída por condutores que atendam aos requisitos da NBR 15285. A operação deve seguir a relação de condutores, auxiliares e clientes apresentada na tabela abaixo.

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O responsável pela operação deve garantir a quantidade mínima de condutores e auxiliares por grupo, conforme a tabela acima. A operação deve garantir que os grupos tenham no máximo 20 clientes. Caso haja mais clientes, deve ser formado outro grupo. Esta proporção necessita de um número maior de condutores de acordo com a classificação do percurso, segundo essa norma, em qualquer um de seus critérios.

Razões ambientais podem requerer a redução do tamanho máximo dos grupos de clientes. Convém que se leve em consideração práticas de mínimo impacto consagradas. O auxiliar deve ter conhecimentos de forma a atuar como apoio ao condutor. No mínimo deve conhecer a região, o percurso e as rotas alternativas.

O auxiliar deve ser capaz de: instruir o cliente quanto às técnicas de caminhada e uso dos equipamentos; garantir o bom andamento, ritmo e coesão do grupo; apoiar o condutor em situações de emergência; ser capaz de utilizar o meio de comunicação. A organização deve contar com informações de cada cliente. Estas informações devem conter no mínimo: nome; telefone para contato; número do documento (CPF, carteira de identidade ou passaporte, quando os clientes forem estrangeiros); contato para caso de emergência; condições de saúde ou médicas específicas, como, por exemplo, relacionadas a alergias, cirurgias, diabetes, epilepsia, problemas cardiovasculares, articulares, ósseos, musculares, respiratórios, de depressão, fobias, euforia ou gravidez; medicamentos em uso; idade; experiência anterior com a atividade.

Em percursos onde exista a possibilidade de submersão, é necessário solicitar a informação acerca das habilidades de natação do cliente. Recomenda-se solicitar informação sobre os planos de saúde dos clientes. A empresa deve encorajar o cliente a fornecer as informações de forma detalhada, para facilitar o atendimento a possíveis emergências.

A organização deve assegurar a confidencialidade das informações dos clientes, exceto nas circunstâncias relacionadas com atendimento a emergências. A organização deve definir critérios para tratamento das informações mínimas dos clientes. Os critérios devem ter justificativa técnica.

A organização deve efetuar uma revisão crítica das informações fornecidas para analisar se os clientes estão em condições de realizar as atividades. Deve haver um registro desta análise. A organização deve assegurar que os clientes que não atendam aos critérios estabelecidos não realizem as atividades.

A organização deve assegurar que as informações relevantes sobre o perfil dos clientes sejam fornecidas previamente aos condutores e auxiliares envolvidos na realização da atividade. A operação do produto deve assegurar que todos os condutores e auxiliares envolvidos disponham de todos os equipamentos necessários, bem como que os clientes disponham de todos os equipamentos, de acordo com os requisitos desta norma.

Os clientes não podem utilizar equipamentos que não sejam devidamente inspecionados e autorizados pela organização. Caso a organização ofereça equipamentos para clientes do grupo, estes devem estar em condições de uso. Pode ser conveniente contar-se com alguns equipamentos sobressalentes de acordo com o histórico de uso no percurso específico.

A operação deve ser realizada utilizando, minimamente, os seguintes equipamentos: equipamento de orientação (como, por exemplo, mapa, bússola, GPS), quando aplicável; estojo de primeiros-socorros que possibilite o pronto-atendimento por um condutor; caso haja veículo de apoio, meio de comunicação (como, por exemplo, radiocomunicador, celular) deste com o grupo. O equipamento coletivo deve estar disponível para o grupo durante todo o percurso (se transportado pelos condutores ou auxiliares, pelos clientes ou eventual veículo de apoio, que neste último caso deve estar à disposição do grupo, quando este necessitar).

Devem ser estabelecidos e mantidos planos e procedimentos para identificar o potencial e atender a incidentes, inclusive acidentes e emergências, bem como prevenir e reduzir as possíveis consequências que possam estar associadas a eles. Esses planos e procedimentos devem incluir a previsão de ações a serem executadas e as informações necessárias, de acordo com os eventos previstos e o inventário de perigos e riscos avaliados.

Estes planos devem conter as informações necessárias para o acionamento de planos específicos a partir de uma emergência constatada em campo ou um primeiro aviso enviado a uma pessoa designada, conforme estabelecido na ordem de prioridades e acionamentos, de acordo com um planejamento prévio da operação e ações de emergência. Deve ser preparado, para as situações previstas mais críticas, identificadas na avaliação de riscos, plano (s) de ação em emergências, documentado (s).

Deve haver uma justificativa técnica documentada para a seleção das situações objeto desse (s) plano (s). O planejamento e a operação do produto com atividades de turismo devem considerar os impactos ambientais e socioculturais negativos e devem ser adotadas práticas para minimizá-los. Quando apropriado, pode-se adotar medidas para mitigá-los e compensá-los.

Deve-se manter registros das medidas planejadas e sua implementação. A consideração dos impactos ambientais e socioculturais pode ser baseada em experiências anteriores, em casos similares e em aplicação de práticas consagradas, e não significa a elaboração de estudos e pesquisas específicos de avaliação e monitoramento ambiental e sociocultural por parte do operador.

Quando a atividade for realizada em Unidades de Conservação (UC), o planejamento da atividade deve considerar os planos de uso público e zoneamento ambiental da UC, quando houver. Deve-se informar aos clientes os principais impactos ambientais e socioculturais negativos e as medidas de minimização, mitigação e compensação correspondentes.

A NBR 15505-2 de 07/2019 – Turismo de aventura — Caminhada – Parte 2: Classificação de percursos estabelece os critérios referentes à classificação de percursos utilizados em caminhadas com ou sem pernoite, quanto às suas características e severidade. É aplicável aos percursos utilizados em caminhadas que são ofertadas como produtos turísticos. A segurança no turismo de aventura com atividades de caminhada envolve pessoas (tanto participantes quanto prestadores de serviços), equipamentos, procedimentos e as próprias empresas prestadoras dos serviços, inclusive as organizações públicas.

Assim, como uma das iniciativas para tratar a questão da segurança no turismo com atividades de caminhada, é apropriado que se estabeleçam critérios para a classificação de percursos, com o propósito de facilitar o acesso às informações pelos participantes, de maneira sistemática, padronizada e comparativa. O benefício de se dispor de uma norma de classificação do percurso vai além da informação aos participantes.

Possibilita melhores planejamento e concepção dos produtos, facilita a oferta e a comercialização dos produtos, contribui para o estabelecimento de mecanismos, como seguro para a atividade, permite a análise de estudos acerca de incidentes, entre outros. Desta forma, a classificação de percursos é um instrumento que contribui para a oferta de produtos turísticos com atividades de caminhada seguros.

O percurso pode ser classificado por diversas organizações, como pelo proprietário do percurso, por operadoras de turismo, por entidades regulatórias, por órgãos de fomento, entre outros. A organização que realiza a classificação de um determinado percurso é responsável pelas informações fornecidas. A classificação deve ser efetuada para a atividade específica de caminhada.

A classificação do percurso permite que o participante tenha informações preliminares que o apoiem na decisão de realizar um determinado percurso. Por outro lado, também auxilia que a organização tenha condições de orientar o participante (de acordo com sua condição física, entre outros fatores) na escolha do percurso. A classificação deve ser atualizada, caso haja alterações nas condições gerais do percurso.

Recomenda-se que a organização utilize esta classificação de percurso de caminhada nas informações fornecidas aos participantes, conforme a NBR ISO 21103. A classificação é composta pelos quatro critérios: grau de severidade do meio: refere-se aos perigos e outras dificuldades decorrentes do meio natural, como temperatura, pluviosidade, riscos de quedas, facilidade de resgate, entre outros, que podem ser encontrados ao longo do percurso; orientação no percurso: refere-se ao grau de dificuldade para orientação, como presença de sinalização, trilhas bem marcadas, presença de pontos de referência, entre outros, para completar o percurso; grau técnico do percurso: refere-se aos aspectos encontrados no percurso em relação ao piso e às condições para percorrê-lo, como tipos de pisos, trechos com obstáculos, trechos com pedras soltas, entre outros; grau de esforço físico: refere-se à quantidade de esforço físico requerido para cumprir o percurso, levando em conta a extensão e os desníveis (subidas e descidas), considerando um participante comum.

A classificação de um percurso pode variar de acordo com a variação das condições de cada estação do ano. O percurso a ser classificado deve ser dividido em trechos para se avaliar cada critério. Um trecho é uma parte do percurso com características tais que pode ser considerado ele mesmo um percurso, com a sua inclusão ou exclusão modificando a classificação do percurso.

Cada trecho deve ser avaliado para cada um dos critérios. Todos os trechos do percurso devem ser avaliados. A cada critério é atribuído um valor em uma escala de 1 a 5. Um percurso deve ser classificado necessariamente utilizando-se os quatro critérios.

O valor final atribuído a cada critério para o percurso deve ser o trecho com maior valor. As tabelas constantes nesta norma apresentam as escalas aplicáveis à classificação do percurso, de acordo com os critérios e a atividade específica de caminhada. No caso dos critérios de severidade do meio e das condições do terreno, quando um percurso tiver 80% ou mais de sua extensão classificada com valor menor do que o valor atribuído ao percurso total, deve ser dada esta informação ao participante.

Como exemplo, em um percurso de 10 km avaliado como nível 3 para severidade do meio, dos quais 8 km são classificados como nível 1, seria informado ao participante como sendo um percurso de nível 3, mas com 8 km do percurso de nível 1. A classificação para este critério deve ser efetuada contando-se o número de ocorrências dos fatores listados abaixo, de forma cumulativa. Em cada trecho, cada fator é contado uma vez somente, independentemente de sua probabilidade e presença em maior ou menor parte do percurso.

Devem ser considerados os seguintes fatores: exposição a desprendimentos espontâneos de pedras durante o percurso; exposição a desprendimentos de pedras provocados pelo próprio grupo ou outro durante o percurso; eventualidade de queda no vazio ou por um declive acentuado; existência de passagens onde seja necessário o uso das mãos para progredir no percurso; exposição a trechos permanentemente escorregadios, pedregosos ou alagados durante o percurso; exposição a trechos escorregadios ou alagados devido às chuvas durante o percurso; travessia de rios ou outros corpos d’água com correnteza, a vau (sem ponte); alta probabilidade de chuvas intensas ou contínuas para o período; alta probabilidade de que pela noite a temperatura caia abaixo de 0°C; alta probabilidade de que a temperatura caia abaixo de 5°C e a umidade relativa do ar supere os 90%; alta probabilidade de exposição a ventos fortes ou frios; alta probabilidade de que a umidade relativa do ar seja inferior aos 30%; alta probabilidade de exposição ao calor em temperatura acima de 32°C; longos trechos de exposição ao sol forte; tempo de realização da atividade igual ou superior a 1 h de marcha sem passar por um lugar habitado, um telefone de socorro (ou com sinal de celular ou radiocomunicador) ou uma estrada aberta com fluxo de veículos; tempo de realização da atividade igual ou superior a 3 h de marcha sem passar por um lugar habitado, um telefone de socorro (ou com sinal de celular ou radiocomunicador) ou uma estrada aberta com fluxo de veículos; diferença entre o tempo necessário para completar o percurso e a quantidade de horas restantes de luz natural ao fim do dia (disponível na época do ano considerada) menor que 3 h; eventual diminuição da visibilidade por fenômenos atmosféricos que possam aumentar consideravelmente a dificuldade de orientação ou a localização de pessoas em algum trecho do percurso; trajeto por vegetação densa ou por terreno irregular que possa dificultar a orientação ou a localização de pessoas em algum trecho do percurso; região ou trechos sem acesso a água potável.

Caso existam critérios complementares, estes devem ser contados de forma cumulativa. Por exemplo, caso um percurso apresente a ocorrência de tempo de realização da atividade igual ou superior a 3 h de marcha sem passar por um lugar habitado, um telefone de socorro (ou com sinal de celular ou radiocomunicador) ou uma estrada aberta com fluxo de veículos, deve ser somado o outro item cumulativamente, que diz respeito ao tempo de realização da atividade igual ou superior a 1 h de marcha sem passar por um lugar habitado, um telefone de socorro (ou com sinal de celular ou radiocomunicador) ou uma estrada aberta com fluxo de veículos. Portanto, são consideradas duas ocorrências. A tabela abaixo apresenta a classificação segundo a severidade do meio em função do número de fatores identificados para cada trecho.

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Cada trecho deve ser avaliado em relação à estimativa do esforço necessário, levando em conta a distância a ser percorrida e a influência dos desníveis (subidas e descidas). O cálculo da estimativa do esforço requerido é efetuado utilizando o índice de esforço para caminhada em percursos de turismo. O índice de esforço para caminhada em percursos de turismo é calculado para um participante comum, nas condições típicas de realização de caminhadas, com acréscimos decorrentes das condições do terreno e dos desníveis do percurso.

O índice de esforço para caminhada em percursos de turismo deve ser expresso em horas (h). O tempo real para concluir o percurso pode variar em função de diversos fatores, como o condicionamento físico do caminhante, clima, ritmo de marcha, velocidade média, paradas, além dos mencionados acima. O índice de esforço para caminhada em percursos de turismo pode ser utilizado para comparações entre percursos distintos e para fornecer uma informação sistematizada e padronizada sobre a intensidade de esforço físico necessário para completar determinado percurso.

A NBR 15398 de 09/2006 – Turismo de aventura – Condutores de caminhada de longo curso – Competências de pessoal estabelece os resultados esperados e as competências mínimas para condutores de turismo de aventura com atividade de caminhada de longo curso. Não se aplica às práticas realizadas no contexto das entidades de administração esportiva e realizadas por esportistas independentes, que não caracterizem prática comercial turística.

O condutor de turismo com atividades de caminhada de longo curso é o profissional que recepciona, orienta e prepara o cliente, e o conduz de forma segura nas atividades de caminhada de longo curso. Além de atender aos requisitos desta norma, o condutor de caminhadas de longo curso deve atender aos requisitos da NBR 15285.

Para turismo com atividades de caminhadas de longo curso que envolvam riscos significativos de queda em aclives acentuados, precipícios, abismos, entre outros, ou uso de técnicas com corda para transposição de passagens verticais ou em altura, é necessário o atendimento aos requisitos da NBR 15397. Assim, o condutor de caminhada de longo curso deve ser capaz de vários requisitos. Deve assegurar a organização da operação, incluindo, mas não limitado a: planejar a operação, considerando a época do ano, aspectos ambientais, possíveis rotas alternativas, aspectos legais e autorizações para acesso; verificar a disponibilidade de todos os equipamentos individuais e coletivos necessários; informar-se da disponibilidade de meios de comunicação ao longo do percurso; adotar providências para verificar a aptidão do cliente para a atividade; adotar medidas de prevenção de acidentes; estabelecer horários e locais para paradas, refeições e pernoites em momentos adequados e horários para saída e retorno.

O profissional deve orientar os clientes sobre a atividade e seus procedimentos de segurança, incluindo, mas não limitado a: integração com a atividade e com o local; perigos e riscos inerentes; equipamentos e técnicas necessárias; medidas de prevenção de acidentes; procedimentos em caso de emergência; conduta consciente para minimização do impacto ambiental e sociocultural; acondicionamento e transporte dos resíduos; tempo de duração da atividade com previsão de horário de retorno; necessidade de hidratação e alimentação adequadas; nível de exigência física da atividade.

O condutor deve saber orientar sobre técnicas de caminhada, incluindo, mas não limitado a: seleção dos itens, arrumação e utilização da mochila; alongamento antes, durante e depois da atividade; aderência do piso ou locais de caminhada (por exemplo, lama, rochas soltas, travessia de rios); deslocamento em terrenos acidentados; deslocamento em áreas com vegetação densa; transposição de obstáculos naturais; uso de bastão; cuidados com os pés; grau de dificuldade técnica.

Também, deve ser capaz de prevenir e minimizar os impactos ambientais e socioculturais resultantes da atividade, incluindo, mas não limitado a: respeitar o número máximo de participantes por atividade; evitar o uso de atalhos; adotar cuidados com os resíduos (incluindo os relativos às necessidades fisiológicas) e com a higiene pessoal (como, por exemplo, recomendar o uso de produtos biodegradáveis). Ter capacidade de conduzir o grupo de clientes de maneira uniforme e orientada, incluindo, mas não limitado a: avaliar e adequar o ritmo do grupo; evitar que o grupo se disperse; adotar técnicas de condução e de progressão que garantam a segurança do grupo; manter estado psicológico positivo do grupo em situações inesperadas.

Deve fornecer informações como utilizar e orientar sobre o uso de equipamentos, incluindo, mas não limitado a: vestimentas; acampamento; orientação; acessórios. Uma relação típica de equipamentos consta no anexo A. O condutor deve gerenciar o pernoite de acordo com as necessidades dos grupos e características do local, incluindo, mas não limitado a: identificar locais apropriados para o pernoite; estabelecer o uso dos espaços para dormir, cozinhar e realizar as necessidades fisiológicas; montar e utilizar barracas, bivaques, lonas estendidas e redes; planejar o uso da área da cozinha; orientar sobre a realização das necessidades fisiológicas; tomar ações para promover a segurança e o conforto do grupo; minimizar o impacto nas áreas de pernoite.

Deve conhecer como manejar fogareiro e gerenciar riscos e mínimo impacto decorrentes do uso, incluindo, mas não limitado a: fogareiro a gás; fogareiros a líquidos pressurizados; espiriteira. Assim, deve orientar o grupo sobre alimentação e hidratação adequadas à prática da atividade, incluindo, mas não limitado a: administrar as provisões de alimentos (quais alimentos levar, como levar, quanto levar, como conservar, como preparar e quando consumir), inclusive em situações adversas; orientar e incentivar o grupo sobre o consumo de líquidos periodicamente; conhecer e prevenir sintomas da desidratação; informar sobre a potabilidade da água; dispor de mais de um tipo de purificador de água (inclusive para o caso de clientes com alergia a um deles).

O condutor deve saber utilizar sinais (sonoros ou visuais) e outros meios de comunicação, incluindo, mas não limitado: operar radiocomunicador; aplicar técnicas básicas de comunicação emergencial (por exemplo, apito, espelho sinalizador, luzes emergenciais, SOS Morse, entre outros); sinais relacionados a resgate aéreo: ”SIM” (precisamos de ajuda) e ”NÃO” (não precisamos de ajuda); identificar perigos e avaliar riscos, incluindo, mas não limitado a: fatores meteorológicos em ambientes de caminhada; fauna e flora perigosos; hipotermia e hipertermia; desidratação; quedas; perda de equipamentos e outros suprimentos; acidente com o condutor; indisposição do cliente; quedas de pedras, objetos ou vegetação; aptidão do cliente para a atividade (capacidade física, faixa etária e existência de recomendações médicas de acordo com as demandas de esforço de cada atividade proposta); condições do terreno; condições das trilhas; trilhas com exposição a abismos.

O profissional deve gerenciar os riscos da operação, evitando ou minimizando com o uso de técnicas e equipamentos adequados ou até mesmo com o cancelamento da operação;  elaborar e implementar um plano de contingência, incluindo, mas não limitado a: conhecer as vias de escape, as trilhas de aproximação e retorno, e os caminhos opcionais dentro do percurso; informar-se sobre a existência de meios de resgate e suas competências; informar-se sobre a disponibilidade de médicos, hospitais e outros recursos; informar-se da disponibilidade de meios de comunicação; estabelecer um plano de ação para situações de emergência com base nas informações disponíveis.

A pedra mais antiga da Terra foi encontrada na Lua

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Os cientistas podem ter descoberto a mais antiga rocha da Terra de todos os tempos – na Lua. Uma amostra lunar trazida pelos astronautas da Apollo 14 pode conter um pouco da Terra de cerca de 4 bilhões de anos. A pesquisa sobre esta possível relíquia da Terra Hadeana na revista Earth and Planetary Science Letters.

Pode-se acrescentar que a Era Hadeana (de hades – inferno) inicia-se com a formação da Terra a partir da poeira e gás que orbitavam o Sol há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Ao consolidar-se, a superfície do planeta transformou-se em uma visão do inferno: um oceano de rochas em ebulição e enxofre líquido. Enormes crateras, resultantes do intenso bombardeio de asteroides e das explosões vulcânicas, completavam a paisagem.

Uma equipe internacional de cientistas associados ao Center for Lunar Science and Exploration (CLSE), parte do NASA’s Solar System Exploration Research Virtual Institute, encontrou evidências de que a rocha foi lançada da Terra por um grande asteroide ou cometa. Este impacto lançou material através da atmosfera primitiva da Terra, para o espaço, onde colidiu com a superfície da Lua (que estava três vezes mais próxima da Terra do que é agora) há cerca de 4 bilhões de anos. A rocha foi posteriormente misturada com outros materiais da superfície lunar em um fragmento. A equipe desenvolveu técnicas para localizar os fragmentos do impacto no regolito lunar, o que levou o investigador principal, David A. Kring, cientista da Universities Space Research Association (USRA), a desafiá-los a localizar um regolito lunar ou um pedaço da Terra na Lua.

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Liderados pelo cientista Jeremy Bellucci e pelo professor Alexander Nemchin, os membros da equipe que trabalhavam no Swedish Museum of Natural History e na Curtin University, na Austrália, enfrentaram o desafio. O resultado de sua investigação é um fragmento de rocha de 2 gramas composto de quartzo, feldspato e zircão, todos comumente encontrados na Terra e altamente incomuns na Lua. A análise química do fragmento de rocha mostra que ele cristalizou em um sistema oxidado tipo terrestre, em temperaturas terrestres, em vez de se formar nas condições de temperatura redutoras e mais altas que são características da Lua. “É um achado extraordinário que ajuda a pintar uma imagem melhor do início da Terra e o bombardeio que modificou o planeta durante a aurora da vida”, diz o Kring.

É possível que a amostra não seja de origem terrestre, mas cristalizada na Lua, o que exigiria condições nunca antes inferidas de amostras lunares. Seria necessário que a amostra tivesse se formado em profundidades tremendas, no manto lunar, onde composições rochosas muito diferentes são antecipadas. Portanto, a interpretação mais simples é que a amostra veio da Terra. As análises da equipe estão fornecendo detalhes adicionais sobre o histórico da amostra.

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Uma representação artística da Terra Hadeana quando o fragmento de rocha foi formado. Crateras de impacto, algumas inundadas por mares rasos, cobrem grandes áreas da superfície da Terra. A escavação dessas crateras ejetou detritos rochosos, alguns dos quais atingiram a Lua. Crédito: Simone Marchi.

A rocha cristalizou a cerca de 20 quilômetros abaixo da superfície da Terra, há 4,0 a 4,1 bilhões de anos. Foi então escavada por um ou maiores eventos de impacto e lançada no espaço lunar. Trabalhos anteriores da equipe mostraram que o impacto de asteroides na época produzia crateras com milhares de quilômetros de diâmetro na Terra, suficientemente grandes para levar o material dessas profundidades à superfície.

Uma vez que a amostra atingiu a superfície lunar, ela foi afetada por vários outros eventos de impacto, um dos quais parcialmente a derreteu há 3,9 bilhões de anos e que provavelmente a enterrou abaixo da superfície. A amostra é, portanto, uma relíquia de um intenso período de bombardeio que moldou o sistema solar durante o primeiro bilhão de anos. Após esse período, a Lua foi afetada por eventos de impacto menores e menos frequentes.

Kring suspeita que a conclusão de uma origem terrestre para o fragmento de rocha será controversa. Enquanto a Terra Hadeana é uma fonte razoável para a amostra, um primeiro achado desse tipo pode ser um desafio para a comunidade geológica digerir. Ele observa que as amostras da Terra Hadeana certamente salpicaram a superfície lunar; outras amostras provavelmente serão encontradas com estudos adicionais.

Katharine Robinson, pesquisadora de pós-doutorado na Lunar and Planetary Institute (LPI), também esteve envolvida no estudo, assim como a Marion Grange (da Universidade de Curtin), Gareth Collins (Imperial College London), Martin Whitehouse (Swedish Museum of Natural History), Josh Snape (Vrije Universiteit Amsterdam) e o professor Marc Norman (Australian National University). A pesquisa foi é apoiada pelo NASA’s Solar System Exploration Research Virtual Institute (SSERVI) por meio de um acordo de cooperação com o CLSE, uma joint venture entre o LPI e o NASA’s Johnson Space Center.



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