A conservação de vestuários em couro

O vestuário evoluiu junto com a humanidade e se tornou um reflexo  das questões sociais, políticas, religiosas e morais de todas  as  fases  vivenciadas  pelo ser humano. Dessa forma, o estudo da história do vestuário implica em todos os aspectos da vida, nas diferentes épocas. No começo, usavam-se folhas, fibras vegetais e peles de animais, no período denominado de pré-história. Desde o  início, o uso de roupas não estava ligado somente à necessidade de proteção  contra as agressões externas e o frio, mas também constituía um adorno, que ajudava o homem, inclusive, a se impor sobre os outros animais. Nessa época, utilizavam roupas de couro retirado  dos  animais eram caçados. Os seres  humanos se reuniam em tribos, que  eram nômades, pois viviam de caça, pesca e coleta de frutas, havendo necessidade constante de deslocamento para obtenção de alimentos.

couro2Da Redação –

O couro é a pele curtida de origem animal. O curtimento do couro é feito através de um processo físico-químico, que transforma matéria prima perecível, sem uso específico, em um material estável, nobre, com diferentes características e que permitem várias possibilidades para o uso.

Desde a antiguidade e origem do homem as peles dos animais são submetidas a vários e infinitos tipos de tratamentos, possuindo uma imensa quantidade de funções e utilizações como, por exemplo: na confecção de calçados, bolsas, carteiras, roupas e malas, no revestimento de estofados, na produção de chapéus, bolas, tapetes, de moradias (em algumas regiões do país), revestimento de móveis, estofados de carros, cordas e vários outros produtos.

É denominado couro, a pele devidamente tratada de vários mamíferos como: bezerros, ovelhas, cabras, lhamas, vicunhas, camelos, porcos, cobras, cavalos, búfalos, cangurus, crocodilos, peixes, rãs, aves, como o avestruz, o de gado bovino, etc. Com relação a termos industriais, essa palavra se refere a peles depois que são submetidas ao processo de curtimento, onde compreende uma série de operações de natureza química e física até que o mesmo possa ser utilizado adequadamente.

Normalmente as roupas de couro legítimo são mais caras que os outros tipos de couro, por se tratar de algo muito resistente e duradouro, mas que vale cada centavo empregado na compra de, por exemplo: uma jaqueta de couro (para os homens ou mulheres), uma calça, uma saia, um sapato, cinto, vestido entre outros. As vestimentas feitas em couro são as mais antigas da história, foram usadas nos primórdios da civilização quando a população ainda era nômade e as casas não cumpriam seu papel.

Mais tarde, na Idade Média, mercadores inventaram maneiras mais práticas para curtir a pele dos animais para torná-la macia e maleável. Como consequência disso foram criados acessórios como luvas e sapatos e, com isso, ficaram muito mais elegantes e desejáveis. Aos poucos a história do couro foi entrando no mercado da moda.

Para a sua limpeza, nunca utilize produtos químicos como, álcool, acetona e alvejante para limpar. A mancha causada por eles é irreversível. Para limpar utilize um tecido macio e úmido de algodão ou flanela passando suavemente na superfície e depois deixe secar a sombra. A limpeza correta é fundamental para a durabilidade e para que o couro mantenha a cor original por muito mais tempo.

Evite molhar, mas caso ocorra, enxugue o excesso e deixe secar naturalmente à sombra e em local arejado. Nunca seque ao sol, pois pode causar manchas ao produto. Evite usar as bolsas de couro em dias de chuva, pois a acidez da água da chuva pode manchá-las com o tempo.

O couro por ser de origem animal, assim como a pele, também precisa respirar, ou seja, não pode ficar guardado dentro de sacos ou caixas plásticas. Para limpar as peças ou enfeites de metal passe apenas uma flanela seca e use somente produtos específicos para limpeza de metais. Cuidado para não deixar o produto escorrer para o couro.

Mantenha seu produto longe de comidas gordurosas, produtos que contêm óleo e ácidos difíceis de limpar, como: azeite, óleo, maionese, batom, perfume e tinta de caneta. Para manter o couro durável por anos aplique cera específica. Elas hidratam e ajudam a impermeabilizar. Após a aplicação deixe secar e depois dê um lustre no couro com um pano macio ou uma escova de cerdas macias.

Não coloque a casa toda dentro da bolsa. O peso excessivo pode deformar a bolsa e até arrebentar a alça ou rasgar a costura. Roupas molhadas, principalmente as coloridas, podem manchar o couro, por isso mantenha seu produto longe delas. Objetos pontiagudos devem ser mantidos longe, pois podem furar ou arranhar o couro e danificá-lo.

A NBR 15106 de 08/2014 – Símbolos de cuidado para limpeza e conservação de vestuários em couro e para montagem de etiquetas estabelece os símbolos de cuidado para limpeza e conservação de vestuários em couro relativos aos seguintes processos: lavagem, conservação, secagem, limpeza a seco e passar a ferro. Os símbolos são colocados diretamente na etiqueta.

Aplica-se a todos os artigos de vestuário de couro, na forma em que são fornecidos ao consumidor, excluindo todos os outros materiais componentes. Descreve a etiqueta específica a ser aplicada para vestuários em couro, orientando o consumidor final e as lavanderias do correto procedimento a ser executado em suas peças de couro.

Importante nessa norma são as figuras que ilustram os símbolos. Assim, são fornecidos seis símbolos básicos, um adicional e uma tabela de descrição da simbologia de cuidados para conservação de artigos de couro na lavagem, descritos em 4.1.1 a 4.1.8.

O tubo de ensaio contendo o símbolo couro WT e 40 °C indica que a roupa de couro pode ser lavada com água e tensoativos na temperatura de até 40 °C em operação. O tubo de ensaio contendo o símbolo couro HS e 35 KB indica que a roupa de couro pode ser lavada a seco com solventes orgânicos ou hidrocarbonetos com poder de solvência até 35 KB.

O tubo de ensaio contendo o símbolo couro HS e 90 KB indica que a roupa de couro pode ser lavada a seco com solventes orgânicos ou hidrocarbonetos com poder de solvência até 90 KB. O tubo de ensaio contendo o símbolo couro IRON e 50 °C indica que a roupa de couro pode ser passada a ferro com temperatura de até 50 °C, sem vapor e com um protetor entre a base do ferro e o couro.

O tubo de ensaio contendo o símbolo couro com um Xis e WT/HS indica que a roupa de couro não pode ser lavada com tensoativos e solventes desengraxantes. O tubo de ensaio contendo o símbolo couro dentro do círculo e ONLY indica que aquela roupa de couro deve ser lavada separadamente de outras roupas.

Os símbolos definidos na Seção 4 devem ser colocados diretamente na etiqueta, que deve ser fixada de maneira permanente. Os símbolos podem ser produzidos por tecelagem, devendo manter e conservar as informações de cuidados estipulados, de maneira legível, durante toda a vida útil do vestuário.

As etiquetas devem ser confeccionadas nas medidas de 50 mm × 120 mm ou 55 mm × 131 mm, com a fonte grande o suficiente para que os símbolos sejam lidos facilmente. Símbolos de cuidados podem também ser colocados, por exemplo, em uma etiqueta não permanente, no vestuário ou em sua embalagem, desde que símbolos idênticos sejam fixados de forma permanente no vestuário.



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