A Qualidade dos produtos de uso diário

Muitas pessoas acham que alguns produtos de consumo e produtos walk-up-and-use, incluindo os de consumo fornecidos para uso público, são difíceis de instalar e usar, especialmente ao utilizá-los pela primeira vez ou em intervalos pouco frequentes. Isto claramente não é o que desejam os fabricantes destes produtos, as organizações que usam os produtos para fornecer um serviço, e as pessoas que os utilizam. Pode-se definir a usabilidade como a medida na qual um produto pode ser usado por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso.

produto2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

Uma visão precisa e abrangente de como um produto é usado na prática por seus usuários (a chamada prática de uso) é essencial para projetar produtos que atendam às expectativas do usuário. Uma abordagem centrada no usuário nos processos de desenvolvimento de produtos exige uma compreensão mais profunda das características do usuário relacionadas aos problemas (inesperados) que os usuários enfrentam ao interagir com produtos e serviços específicos.

As características do usuário e as propriedades do produto são uma fonte útil de informações que ajudam os projetistas a promover tal entendimento dos usuários alvo e do produto em desenvolvimento. Ao projetar para um grupo de usuários específico, as características do usuário ajudam a entender melhor o grupo-alvo e a prever problemas de usabilidade na prática. Ao projetar para todos, as propriedades do produto ajudam a prever problemas de usabilidade dos seus produtos de próxima geração no início do processo de desenvolvimento do produto.

Usabilidade refere-se a usuários específicos, executando uma tarefa específica, com um produto específico em um contexto específico. Além disso, a satisfação subjetiva é uma dimensão crucial para definir o conceito de usabilidade. Em analogia aos problemas de confiabilidade branda, a questão mais importante é que os usuários estão insatisfeitos com a qualidade da interação.

Embora o comportamento dos usuários seja um dos fatores a desempenhar um papel importante na usabilidade, a diversidade de comportamentos ao interagir com os produtos só recentemente se tornou um sério objeto de estudo. Em um mercado globalizado, uma política de um projeto para todos parece não funcionar bem e as necessidades e demandas locais parecem ser cada vez mais importantes.

Essas demandas individuais não são apenas mostradas entre culturas ou países, mas também em subculturas ou grupos específicos de pessoas que compartilham algumas características ou comportamentos. Como resultado, o desenvolvimento de produtos para satisfazer diversos usuários tornou-se cada vez mais desafiador, graças às exigências das características do usuário.

Assim, para projetar produtos que satisfaçam seus usuários-alvo, é necessário um entendimento mais profundo de suas características e propriedades do produto no desenvolvimento relacionadas a problemas inesperados que os usuários enfrentam. Essas características do usuário abrangem aspecto cognitivo, personalidade, demografia e comportamento de uso.

As propriedades do produto representam transparência operacional, densidade de interação, importância do produto, frequência de uso e assim por diante. Este estudo deve-se concentrar em como as características do usuário e as propriedades do produto podem influenciar se ocorrem problemas leves de usabilidade e, em caso afirmativo, quais tipos. O estudo levará a um modelo de interação que possa fornecer uma visão geral da interação entre características do usuário, propriedades do produto e problemas leves de usabilidade.

A NBR ISO 20282-1 de 01/2016 – Facilidade de operação de produtos de uso diário – Parte 1: Requisitos de projeto para o contexto de uso e as características do usuário fornece os requisitos e as recomendações para o projeto de produtos de uso diário que sejam fáceis de operar, onde a facilidade de operação aborde um subconjunto do conceito de usabilidade que diga respeito à interface com o usuário, levando em consideração as características relevantes dos usuários e do contexto de uso. Destina-se a ser utilizada no desenvolvimento de produtos de uso diário; para isto define facilidade de operação, explica quais aspectos do contexto de uso são relevantes, e descreve as características da população pretendida de usuários que podem influenciar na usabilidade.

Os usuários finais são especialistas em usabilidade, ergonomistas, projetistas de produto, projetistas de interação, fabricantes de produtos e outros envolvidos no projeto e desenvolvimento de produtos de uso diário. É aplicável a produtos mecânicos e/ou elétricos, com uma interface que um usuário possa operar diretamente ou remotamente para ter acesso a todas as funções fornecidas.

Estes produtos estão incluídos em pelo menos uma das seguintes categorias: produtos de consumo destinados a uma parte ou à totalidade do público em geral, que são comprados, alugados ou usados, e que podem ser propriedade de indivíduos, organizações públicas ou empresas privadas; produtos de consumo destinados a serem adquiridos e utilizados por um indivíduo para uso pessoal e não profissional (por exemplo, despertadores, chaleiras elétricas, telefones, furadeiras elétricas); produtos walk-up-and-use, que fornecem um serviço ao público em geral (como máquinas automáticas de venda de bilhetes, máquinas fotocopiadoras, equipamentos de ginástica); produtos utilizados em um ambiente de trabalho, mas não como parte das atividades profissionais (por exemplo, uma máquina de café em um escritório); produtos que incluam software que apoie os objetivos principais de uso do produto (por exemplo, um leitor de CD).

Não se aplica ao seguinte: produtos puramente físicos, sem uma interface interativa (como uma jarra ou um martelo); produtos onde a aparência ou o estilo é o objetivo principal (como um relógio sem marcações); produtos que requerem formação especializada, habilidades específicas e/ou conhecimento profissional (como um instrumento musical ou um carro); produtos de software independente; produtos destinados ao uso apenas em atividades profissionais.

Um número crescente de produtos de uso diário inclui tecnologias de computador, o que os torna mais complexos. Os usuários precisam entender como operar estes produtos, a fim de se beneficiarem da funcionalidade que eles oferecem, dessa forma a usabilidade é um fator-chave na determinação do sucesso de um produto. Como a complexidade dos produtos aumenta, o desafio para o usuário na compreensão de como utilizar as diversas funções do produto também aumenta, e para o produtor pode ser mais difícil projetar produtos suficientemente utilizáveis.

Os produtos com baixa usabilidade muitas vezes requerem a assistência de outras pessoas para serem utilizados, e isso pode resultar em usuários frustrados, bem como em custos adicionais para o produtor e o fornecedor. Muitas empresas já perceberam a importância da usabilidade de seus produtos e empregam especialistas em usabilidade nos laboratórios de usabilidade.

Muitas organizações de teste incluem usabilidade em seus procedimentos de avaliação. A ISO 20282 é baseada na ISO 9241-11, que fornece orientação sobre a especificação e medição de usabilidade de forma geral. Na ISO 20282 aplica-se a c para as interfaces com o usuário de produtos de uso diário.

O foco em produtos de uso diário reflete o fato de que muitos dos produtos que vistos normalmente ao nosso redor ainda apresentam problemas fundamentais de usabilidade. O foco na interfaces com o usuário reflete a situação de que, embora existam muitos fatores que possam ter efeitos importantes sobre a usabilidade, todos os produtos interativos terão uma interface com o usuário cuja qualidade pode ter efeitos positivos ou negativos significativos que facilitam ou dificultam o uso do produto.

Os produtos de uso diário incluem produtos de consumo e os produtos walk-up-and-use. Nos produtos de uso diário, é particularmente crítico garantir que a interface permita que o usuário atinja seu (s) objetivo (s) principal (is). O foco no (s) objetivo (s) principal (is) reflete os resultados que todos os usuários, ou a grande maioria deles, desejam alcançar, por exemplo, o uso de um telefone para fazer ou receber uma chamada, o uso de máquinas automáticas de venda de passagem de trem, o uso de um aparelho de televisão para assistir a um programa.

O termo facilidade de operação refere-se a este subconjunto do conceito de usabilidade e às métricas específicas utilizadas para apoiar os usuários na realização de seu (s) objetivo (s) principal (is). Os produtos de uso diário são projetados para uma população pretendida de usuário, o que, de forma geral, assume-se a inclusão de pessoas com uma ampla gama de características do usuário.

Esta parte descreve as características do usuário que são consideradas no projeto de um produto de uso diário. Reconhecendo-se que a população de idosos do mundo está aumentando, são consideradas as necessidades destes usuários. Os desenvolvimentos no campo da acessibilidade resultaram na criação e utilização de uma grande variedade de termos e definições, relacionados a pessoas idosas e com mobilidade reduzida, que são diferentes ao redor do mundo.

Por exemplo, algumas pessoas preferem usar o termo pessoas com deficiência e outros preferem pessoas incapazes. No geral, os termos evoluíram para se tornar mais precisos e descritivos, em vez de negativos ou estigmatizantes. Como não há qualquer prática universal, os termos utilizados nesta parte refletem a linguagem geralmente utilizada por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde.

A NBR ISO 9241-11 afirma que a usabilidade se preocupa com a medida em que os usuários dos produtos são capazes de utilizá-los de forma eficaz, eficiente e com satisfação. Levando-se em consideração que as tarefas executadas com produtos de uso diário são geralmente rápidas e de baixa complexidade, a métrica de usabilidade mais importante é a eficácia.

Dessa forma, a facilidade de operação é definida como a usabilidade da interface com o usuário de um produto de uso diário, quando utilizado pelos usuários pretendidos para alcançar o (s) objetivo (s) principal (is) definido (s) para o produto. O foco nas interfaces com o usuário visa refletir a situação que, embora existam muitos fatores que possam ter efeitos importantes sobre a usabilidade, todos os produtos interativos terão uma interface com o usuário, e a qualidade dessa interface com o usuário pode ter efeitos significativos positivos e negativos que facilitem ou dificultem o uso do produto e, dessa forma, sua adoção.

Facilidade de operação significa que convém que os usuários sejam capazes de alcançar seus objetivos principais com uma alta taxa de sucesso (eficácia da operação), dentro de tempos aceitáveis para as tarefas (eficiência de operação), e com um nível aceitável de satisfação com a operação. Com vistas a alcançar a facilidade de operação, o fator decisivo é a eficácia da operação. Isso ocorre porque as tarefas associadas com o alcance do objetivo principal de uso de um produto de uso diário, envolvendo interface com o usuário, são geralmente rápidas e de baixa complexidade e, portanto, as melhorias na eficiência ou na satisfação não costumam ser de importância prática.

Quando se projeta visando à facilidade de operação, é importante alcançar altos níveis de sucesso para usuários iniciantes, porque eles devem ser bem-sucedidos na utilização do produto pela primeira vez, antes que possam utilizá-lo de forma contínua. A facilidade de operação está relacionada à fase operacional do ciclo de vida de uso do produto, embora questões similares se apliquem a outras fases, como a instalação.

Um usuário com certas características que utiliza um produto de uso diário, em um contexto particular de uso, tem um objetivo principal e desenvolve atividades para alcançar esse objetivo. A interface com o usuário do produto apoia o usuário para alcançar esse objetivo. Isso é ilustrado no exemplo da figura abaixo que mostra uma máquina de venda de bilhetes de trem. O objetivo principal do usuário é comprar um bilhete e seu objetivo específico nesse exemplo é operar a máquina para comprar um bilhete simples para viajar imediatamente de A para B, utilizando um cartão de crédito.

O usuário no exemplo é iniciante no uso da máquina, uma vez que se trata de um visitante na área. O contexto de uso e as características do usuário influenciam a facilidade de operação. Os aspectos relevantes do contexto de uso no exemplo incluem localização, temperatura, iluminação, ruído, restrição de tempo e estresse.

No exemplo, estresse e restrição de tempo são influências significativas, uma vez que o usuário quer comprar o bilhete rapidamente e está sob certa pressão. As características relevantes do usuário são idade, tamanho corporal, conhecimento de máquinas similares, conhecimento do idioma de exibição, habilidades visuais, habilidades auditivas e habilidades biomecânicas.

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Com vistas ao desenvolvimento de um produto de uso diário de fácil operação, ou seja, que possa ser usado por um grande percentual de pessoas, o contexto de uso do produto e as características do usuário devem ser analisados e avaliados. Convém que o processo de decidir quais os contextos de uso e quais as características do usuário são relevantes, e de avaliar se eles foram considerados no projeto, seja conduzido por alguém com experiência em análise crítica de usabilidade.

O produto específico a ser analisado criticamente e, se for o caso, a organização responsável pela prestação do serviço relativo ao produto devem ser identificados. Dependendo do estágio do projeto, uma descrição escrita, um modelo de projeto funcional ou um protótipo pode estar disponível. O (s) objetivo (s) principal (is) de uso do produto deve (m) ser identificado (s). Na maioria dos casos, existe apenas um objetivo, que é o mais frequente e/ou importante objetivo do usuário para o qual o produto é direcionado.

Os objetivos estão relacionado às atividades da tarefa que necessitam ser conduzidas de forma a alcançá-los. Eles devem ser expressos em termos de resultado esperado da atividade da tarefa, independentemente dos meios pelos quais eles sejam alcançados. A figura abaixo apresenta um processo sugerido para a análise crítica do projeto. Como algumas características são inter-relacionadas, pode ser necessário que o processo seja iterativo.

Como exemplo, sabe-se que a idade influencia na habilidade em ler textos com letras pequenas. Instruções apresentadas em textos em um produto são legíveis por 95% dos usuários da população-alvo, incluindo idosos. O projetista está inseguro quanto a saber se há espaço suficiente no produto, para que as instruções sejam legíveis. O projetista encontra dados relacionados ao tamanho necessário de fonte para idosos, calcula o espaço total necessário para que as instruções sejam aplicadas e decide se é necessário ou não mais espaço.

Outro exemplo: o controle para operar um produto é colocado em uma altura que pessoas mais baixas não alcançam. Para a interface com o usuário do produto, é possível, por meio da aplicação de dados ergonômicos de alcance, calcular o mínimo de altura corporal necessária para alcançar a interface, bem como calcular a porcentagem de pessoas que são excluídas pelo projeto. Testar extremos de alturas é frequentemente a maneira mais eficiente de estabelecer isto. Uma vez que os limites críticos são estabelecidos, a porcentagem de usuários excluídos pode ser calculada.

Mais um exemplo: o uso de um caixa automático que requer uma longa série de operações causa dificuldades para muitos idosos, os quais não conseguem identificar o estágio atual de operação e, portanto, não conseguem decidir qual alternativa escolher em seguida. Isto ocorre devido à redução da capacidade de memória a curto prazo, geralmente presente em idosos. Modificar a interface para proporcionar uma indicação clara do estágio atual de operação e navegação entre os estágios irá resolver o problema.

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A facilidade de operação dos produtos a serem usados ao ar livre é, muitas vezes, fortemente influenciada pelos efeitos dos fatores do ambiente físico, como espaço, luz solar, escuridão, temperaturas extremas, ruído ambiente, tráfego, movimento ou aglomeração. Estes fatores serão determinados em função do tipo de local em que se espera que o produto seja utilizado. As condições do ambiente físico em que se espera que um produto de uso diário opere devem ser especificadas, a fim de que elas possam ser consideradas.

Tais variações podem afetar o comportamento do usuário – por exemplo, em baixas temperaturas os usuários podem usar luvas grossas. Convém que um produto de uso diário seja fácil de operar em toda a sua gama ambiental pretendida. Convém que os fatores sociais, como a interação interpessoal e o desejo de privacidade, sejam levados em consideração quando apropriado, quando um produto é projetado para ser usado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, ou quando o usuário está em uma situação de grupo.

Embora um produto de uso diário possa ser destinado para uso individual, a presença de outras pessoas pode afetar a maneira como um indivíduo utiliza um produto, e a utilização do produto pode ter um efeito sobre outras pessoas. Quando a privacidade é um problema, convém que o produto permita que o usuário possa prevenir que outras pessoas sejam capazes de ver ou ouvir qualquer coisa envolvida na interação.

A acuidade visual é o claro reconhecimento de uma imagem, letra ou símbolo, e depende do tamanho do objeto. Letras pequenas são mais difíceis de reconhecer, pois elas cobrem menos células da retina. A acuidade visual é medida por um quociente da acuidade real em relação à acuidade normal. A acuidade humana normal define um ângulo de 1 min de arco, enquanto a melhor acuidade humana é capaz de definir um ângulo tão pequeno quanto dois segundos de arco.

Utilizando estes dados, é possível calcular o tamanho mínimo dos elementos da interface com o usuário, de modo que eles possam ser claramente vistos pelo usuário dentro do contexto de uso específico. Devido à variação genética, a habilidade de enxergar claramente pode ser limitada no nascimento por dificuldade de enxergar de longe (hipermetropia) ou dificuldade de enxergar de perto (miopia), e poderia precisar de correção. Em países ocidentais, na idade em que a criança entra na escola, 20 % dos alunos já se beneficiam do uso de óculos. A acuidade visual se deteriora enormemente com a idade e, com 50 anos, 70 % de todas as pessoas já precisam de óculos para leitura.

A ABNT ISO/TS 20282-2 de 12/2016 – Usabilidade de produtos de consumo e produtos para uso público – Parte 2: Método de teste somativo especifica um método de teste somativo baseado no usuário para medir a usabilidade e/ou a acessibilidade de produtos de consumo e produtos para uso público (incluindo produtos walk-up-and-use) para um ou mais grupos de usuários específicos. Este método de avaliação trata a acessibilidade como um caso especial da usabilidade no qual os usuários que participam do teste representam os extremos da gama de características e capacidades dentro da população geral de usuários.

Quando o método de avaliação se referir à usabilidade, o método também pode ser usado para testar a acessibilidade (a menos que especificado em contrário). Este método de avaliação é para ser utilizado quando forem necessárias medidas válidas e confiáveis de eficácia, eficiência e satisfação. Produtos para uso público incluem os produtos walk-up-and-use que fornecem um serviço ao público em geral.

O método de avaliação também pode ser usado para avaliar a usabilidade e/ou a acessibilidade de atingir as metas de desembalar, instalar e configurar um produto de consumo. Esta parte se destina a ser utilizada para avaliar a usabilidade e/ou a acessibilidade dos produtos quando é possível identificar os contextos típicos de uso que são representativos da utilização do(s) produto(s); é possível identificar os critérios de realização bem-sucedida da meta dos usuários; e há um número limitado de metas que serão avaliadas ao mesmo tempo.

Enquanto o método de avaliação destina-se a testar os produtos de consumo e produtos para uso público, ele também pode ser usado para testar outros produtos, sistemas e serviços com as características descritas anteriormente. Se o uso de um produto envolve a interação com entradas, saídas, ou ambientes que são altamente variáveis e/ou complexos, com variabilidade ou complexidade que não podem ser classificadas em subconjuntos bem definidos, ele está fora do escopo, uma vez que não seria possível obter resultados confiáveis. Ver Anexo A para exemplos de produtos e metas que estão dentro do escopo desta parte da ABNT ISO/TS 20282.

O método poderia ser aplicado a uma copiadora de escritório, a um website de venda de livros ou de passagens de trem, ou a um serviço de aconselhamento jurídico. O método não seria apropriado para um site de comércio eletrônico complexo, um processador de texto, ou uma bicicleta. O método é destinado principalmente para ser usado para avaliar versões completas de produtos, mas também pode ser usado para fins internos durante o desenvolvimento para julgar, avaliar e comunicar a usabilidade e/ou a acessibilidade de versões do protótipo funcional.

Os resultados do método de teste somativo podem ser utilizados para as seguintes finalidades: estimar a probabilidade de atingir os valores-alvo de eficácia, eficiência e satisfação no uso real; divulgar informações sobre a usabilidade e/ou a acessibilidade de um produto; comparar a usabilidade e/ou a acessibilidade de diversos produtos; comparar os resultados com a especificação de requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade; e apoiar a compra. O Anexo H lista as informações a serem incluídas ao especificar o procedimento usado para testar se os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade (Anexo G) foram cumpridos.

Os usuários pretendidos desta parte da norma são pessoas com experiência na concepção e gestão de testes de usabilidade e/ou acessibilidade, trabalhando internamente ou em nome dos fabricantes, fornecedores, organizações de compras, ou terceiros (como organizações de teste ou organizações de consumidores). Um relatório com valores de usabilidade e/ou acessibilidade de um produto está em conformidade com esta Parte da ABNT ISO/TS 20282 se o método de avaliação utilizado estiver em conformidade com os requisitos das Seções 6, 7, 8 e 9 e dos Anexos C e D; e o relatório dos resultados contiver as informações especificadas no Anexo F.

Uma declaração de requisitos para resultados de usabilidade está em conformidade com esta Parte da ABNT ISO/TS 20282 se estiver em conformidade com os requisitos constantes do Anexo G. A especificação de um procedimento de teste de usabilidade está em conformidade com esta Parte da ABNT ISO/TS 20282 se estiver em conformidade com os requisitos do Anexo H.

Muitas pessoas acham que alguns produtos de consumo e produtos walk-up-and-use, incluindo produtos de consumo fornecidos para uso público, são difíceis de instalar e usar, especialmente ao utilizá-los pela primeira vez ou em intervalos pouco frequentes. Isto claramente não é o que desejam os fabricantes destes produtos, as organizações que usam os produtos para fornecer um serviço, e as pessoas que os utilizam. Informações sobre a usabilidade de um produto seriam, portanto, de grande valor para os produtores, como parte do desenvolvimento e do marketing, para os prestadores de serviços, e para os potenciais compradores poderem tomar decisões de compra ou comparar produtos alternativos.

Isso proporcionaria um incentivo para a produção de produtos que são mais fáceis de instalar e usar, e permitiria que potenciais compradores dessem atenção especial à usabilidade na escolha de um produto para comprar e usar. É difícil avaliar a usabilidade em uma situação de compra sem os resultados dos testes de usabilidade comparáveis disponíveis. Usabilidade (ver NBR ISO 9241-11) é a medida na qual um produto pode ser usado por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso.

Eficácia é fundamental, pois está relacionada a alcançar o(s) objetivo(s) pretendido(s). Eficiência se refere aos recursos (como tempo ou esforço) necessários aos usuários para alcançar seus objetivos, de modo que pode ser importante. Além disso, é importante que os usuários estejam satisfeitos com a sua experiência, particularmente quando os usuários têm liberdade para decidir se usarão o produto e podem facilmente escolher alguns meios alternativos para alcançar seus objetivos.

Nesta parte, a acessibilidade é operacionalizada como a extensão na qual um produto pode ser utilizado com eficácia, eficiência e satisfação por pessoas de uma população com a mais ampla gama de características e capacidades para alcançar um objetivo específico em um determinado contexto de uso. Falta de usabilidade e/ou acessibilidade pode resultar em erros que podem levar a vários tipos de riscos, por exemplo, transtornos decorrentes de não atingir um objetivo ou de atingir o objetivo errado, incorrer em custos inesperados ou danos físicos.

Em muitos países, existem requisitos legais para fornecer produtos, serviços e instalações acessíveis. Exemplo: ligar para a pessoa errada por engano com um telefone celular pode ter a consequência negativa de possíveis cobranças indesejáveis, seja para quem ligou ou para quem recebeu a ligação (que pode ter que pagar pela chamada).

Além dos riscos de potenciais consequências prejudiciais para o usuário como resultado de não conseguir atingir seu objetivo ou de atingir o objetivo errado (falta de eficácia), há outros riscos, como estar atrasado em função da baixa eficiência, ou usuários evitando o uso de um produto difícil de usar em função da baixa satisfação. A avaliação formativa que utiliza inspeção por especialista ou avaliação com usuários para fornecer feedback para melhorar a usabilidade do produto é uma parte integrante do processo iterativo de projeto centrado no ser humano recomendado pela NBR ISO 9241-210.

A avaliação somativa pode ser usada para validar os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade, para fornecer uma referência, ou para fornecer uma base para a comparação de diferentes produtos. Embora alguns tipos de métodos de avaliação por especialistas baseados em uma lista de verificação ou em uma norma possam fornecer dados somativos, os aspectos de usabilidade e/ou acessibilidade que são medidos são limitados em comparação com as medidas de eficácia, eficiência e satisfação fornecidas por meio de testes com usuários. Exemplo: um estudo descobriu que apenas 50% dos problemas encontrados em 16 sites por 32 usuários cegos estavam contemplados pelos Critérios de Sucesso das Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo da Web 2.0 (WCAG 2.0).

A inspeção pode preceder o teste com o usuário para identificar (e, se possível, eliminar) os problemas facilmente identificáveis e para verificar que o produto é capaz de atingir os objetivos pretendidos para os usuários previstos (ver 7.4). Para fornecer dados confiáveis sobre eficácia, eficiência e satisfação que possam ser comparados, é desejável ter um procedimento padrão de avaliação somativa baseada no usuário.

Esta parte especifica um método de avaliação somativa baseada no usuário que pode ser usado para fornecer uma avaliação da usabilidade e/ou acessibilidade e da facilidade para desembalar, configurar e instalar produtos de consumo, e a usabilidade e/ou acessibilidade dos produtos de uso público (incluindo produtos walk-up-and-use). Ele pode ser aplicado a produtos que são usados para atingir objetivos que tenham critérios de sucesso bem definidos e dizem respeito a tipos bem definidos de assunto.

A ABNT ISO/TS 20282-1 descreve com mais detalhes fontes de variação nas características dos usuários que fazem parte do contexto de uso que precisa ser considerado ao projetar para a usabilidade. Essa informação também é necessária para identificar os elementos do contexto de uso necessários para o teste nesta Parte da ABNT ISO/TS 20282.

Mais informações sobre características das pessoas idosas e pessoas com necessidades especiais podem ser encontradas na ISO/TR 22411. Este método de teste baseado no usuário pode ser utilizado para medir a usabilidade e acessibilidade de desembalagem, instalação e montagem de produtos de consumo, uso de produtos de consumo, produtos para uso público, que incluem produtos walk-up-and-use que fornecem um serviço ao público em geral, e outros produtos que são usados para atingir metas que apresentam critérios de sucesso claros e relacionados a tipos bem definidos de assuntos.

A acessibilidade é particularmente importante para os produtos walk-up-and-use e para produtos fornecidos para uso público. O método de teste mede a eficácia, eficiência e satisfação quando utilizado por grupos específicos de usuários em determinados contextos de uso. Acessibilidade é medida pelo grau em que produtos, sistemas, serviços, ambientes e instalações podem ser utilizados por pessoas de uma população com uma maior variedade de características e capacidades a fim de alcançar um objetivo específico em um contexto de uso específico.

A especificação pode ser utilizada pelos fabricantes de produtos para testar um único produto para determinar se os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade foram cumpridos; testar um único produto para fornecer a prova da usabilidade e/ou acessibilidade de um produto para um cliente ou para fins de marketing; testar um produto para estabelecer uma referência contra a qual os futuros produtos podem ser comparados; fazer comparações entre diferentes produtos; fazer comparações entre versões do mesmo produto; e especificar os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade de um produto a ser desenvolvido (Anexo G) e os cenários para testar se os requisitos foram cumpridos (Anexo H).

Esta parte da ABNT ISO/TS 20282 pode ser utilizada para a aquisição por parte dos compradores corporativos ou públicos para testar um único produto para decidir se ele atende os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade, testar um grupo de produtos semelhantes para fazer comparações para facilitar as decisões sobre o que é o mais adequado, assegurar que os testes de produtos similares usam a mesma metodologia para que as informações sobre usabilidade e/ou acessibilidade sejam comparadas durante o processo de aquisição, e especificar os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade de um produto a ser adquirido (por exemplo: quando os produtos são para ser usados em uma escola, hotel, ou lares para idosos) (Anexo G) e os cenários a serem utilizados durante o teste se os requisitos foram cumpridos (Anexo H).

A ISO/IEC 25062 fornece um formato para a comunicação dessas informações para produtos profissionais. Esta parte pode ser utilizada por uma organização de teste de terceiros ou organização para defesa dos consumidores para testar um ou mais produtos para decidir se os requisitos de usabilidade e/ou acessibilidade foram atendidos para um grupo de usuários, testar um ou mais produtos para estabelecer uma referência contra a qual os futuros produtos podem ser comparados, comparar produtos alternativos para fornecer informações a serem incluídas nos relatórios, fazer comparações entre sistemas concorrentes de mercado (testando os principais objetivos de uso para o tipo de produto ou sistema, a menos que existam razões específicas para testar outros objetivos).

Por exemplo, uma organização de teste quer saber o quão fácil é para donos de celulares recém-comprados fazerem uma ligação a partir da lista de contatos. O requisito é uma taxa de confiança de 80 % e uma taxa de sucesso de 80%. Foi selecionado um grupo representativo de 12 pessoas que não possuíram previamente esta marca de celulares. Para atingir os requisitos, 11 de 12 usuários têm que atingir o sucesso dentro de um limite de tempo pré-definido. São registrados a taxa de sucesso e o tempo da tarefa, e a satisfação é medida após cada tarefa utilizando a escala de usabilidade do sistema (SUS).

Os pré-requisitos para a usabilidade de um produto (por exemplo, os pré-requisitos para que os usuários sejam eficazes, eficientes e satisfeitos) são os usuários especificados podem interagir com sucesso com a interface do produto em determinados contextos de uso (facilidade de interação), e o produto é capaz de produzir resultados de qualidade técnica aceitável como um resultado da interação. Quanto a interação com o produto recomenda-se permitir que o usuário alcance seus objetivos gerais, o produto também tem que ser capaz de produzir resultados adequados.

Por exemplo, se o objetivo é usar uma câmera para tirar fotos que podem ser usadas para impressões em tamanhos grandes, o usuário tem que ser capaz de interagir com sucesso com a interface e a qualidade da imagem gerada pela câmera precisa ser adequada para uma grande impressão. O escopo do teste pode ser desembalagem, configurações iniciais, e instalação do produtos de consumo, a usabilidade da interface do usuário e interação (“facilidade de interação“), ou utilização do produto como um todo (“usabilidade geral“: a medida em que o produto permite que o usuário alcance seu objetivo geral com eficácia, eficiência e satisfação). Por exemplo, a eficácia de alcançar o objetivo de utilizar um despertador para ser acordado de manhã poderia ser decomposta conforme o quadro abaixo.

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A usabilidade de um despertador para a meta de ser acordado de manhã poderia ser testada para descobrir se, após ajustar o alarme, o usuário é acordado em um horário especificado pela manhã. Alternativamente, se é sabido que quando o alarme está definido corretamente, ele vai sempre tocar no horário especificado e será suficientemente forte para acordar o usuário, medir a usabilidade de interação com a interface do usuário a partir da observação de se o usuário ajusta corretamente o horário e ativa o alarme é suficiente para ter a certeza da usabilidade do produto para a meta de ser acordado.

Então se o despertador é conhecido por ter a qualidade técnica requerida, ao testar a usabilidade de interação com a interface do usuário também é um teste de usabilidade do produto. Se a qualidade técnica do despertador não é conhecida, a usabilidade de interação com a interface do usuário não fornece uma garantia de usabilidade do despertador para acordar o usuário.



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