A Qualidade na produção de soja não geneticamente modificada

A soja é uma commodity comercializada globalmente, produzida em regiões temperadas e tropicais e serve como uma fonte importante de proteínas e óleos vegetais. Desde a década de 1950, a produção global de soja aumentou 15 vezes, sendo que os Estados Unidos, Brasil e Argentina juntos produzem cerca de 80% da soja mundial. A China importa mais soja e se espera que aumente significativamente sua importação da commodity. Conheça os procedimentos para produção, transporte e armazenagem de soja Glycine max L. Merril, em grão, não geneticamente modificada, destinada ao comércio interno e externo, utilizada como alimento humano, alimento para animais e matéria prima para a indústria.

soja2Da Redação –

Atualmente, a soja é transformada em produtos alimentares, como tofu, molho de soja e substitutos da carne, mas também é consumida na forma de óleo de soja e farelo de soja. Esse último é amplamente utilizado como ração animal, ou seja, os humanos consumem grande parte indiretamente através da carne e laticínios.

A soja também chega aos consumidores como óleo – o que representa cerca de 27% da produção mundial de óleo vegetal. Embora sua forma mais comum à base de óleo seja o de mesa, a soja é cada vez mais usada na produção de biodiesel.

A soja a ser semeada pode ser convencional ou transgênica. O grão convencional não possui alterações genéticas, ao contrário do segundo tipo, uma forma de organismo geneticamente modificado (OGM). Esses são produzidos pela transferência de genes de um ser vivo para outro. Isso é feito para que o novo organismo desenvolvido seja mais resistente e diferenciado em relação a determinadas características do organismo original.

A soja transgênica, ou Soja Roundup Ready (soja RR), é resistente ao uso do herbicida glifosato, permitindo a utilização do produto mesmo após o plantio. O glifosato é um tipo de herbicida não seletivo e sistêmico, de amplo espectro, ou seja, que atua em toda a planta e pode ser utilizado contra vários tipos de ervas daninhas em diversos tipos de cultura.

Pode ser aplicado no preparo para o plantio, dessecando (secando) a área aplicada e matando as plantas atingidas em pouco tempo. No caso da soja convencional, isso não seria possível, em decorrência de sua sensibilidade ao herbicida.

A soja RR possui uma enzima modificada (EPSP sintase), o que lhe confere resistência ao uso do herbicida Glifosato, mesmo após o plantio. Esse tipo de semente foi desenvolvido ainda na década de 1980, visando maior produtividade por hectare plantado e reduzindo os custos de produção, Hoje, no Brasil, mais de 90% da soja comercializada é transgênica.

Apenas cerca de 6% da soja cultivada em todo o mundo é transformada diretamente em produtos alimentares para consumo humano. O restante entra indiretamente na cadeia alimentar como alimento animal ou é usado para produzir óleo vegetal ou produtos não alimentícios, como o biodiesel. Entre 70% a 75% da soja do mundo acaba como alimento para galinhas, porcos, vacas e peixes criados.

A soja é uma leguminosa, assim como o feijão, a ervilha, a lentilha e o grão de bico. Nutritiva porque contém proteínas, vitaminas, minerais e fibras. Sua proteína se compara à proteína animal, 100 g de soja fornece a metade da quantidade diária de proteínas recomendada para um adulto. Ela pode substituir a carne nas refeições e também é rica em vitaminas A, C, E e do complexo B.

Outra riqueza encontrada na soja são os minerais cálcio, fósforo, ferro, e potássio, sem falar nas fibras, de extrema importância para o funcionamento adequado do intestino. Além disso, as fibras têm a capacidade de captar partículas maiores de gordura, levando-as a passar direto, sem serem absorvidas.

A soja é um dos alimentos mais ricos em proteína que se conhece. A farinha de soja desengordurada, por exemplo, é muito utilizada no enriquecimento proteico de pães, bolachas, tortas e todo o tipo de confeitaria. Pelas suas características funcionais e por possuir um teor de proteína elevado, o isolado proteico de soja é muito utilizado na fabricação de produtos substitutos da carne.

Ao se comparar um kg de soja com um kg de qualquer alimento comum, a soja contém uma quantidade significativamente maior de proteínas. Assim, 1 kg de soja tem a mesma quantidade proteína do que é igual a 2 kg de carne de vaca, 5 kg de arroz, 3 kg de feijões/grãos e 1 litros de leite.

A presença cada vez mais constante na dieta da maioria dos países desenvolvidos e a crescente investigação que é feita relativamente às suas propriedades e aplicações fazem da soja o Alimento do Futuro.

Numa época em que se torna indispensável encontrar soluções que permitam alimentar uma população mundial cujo crescimento vertiginoso parece ser inversamente proporcional à disponibilidade de recursos, a soja e seus derivados apresentam-se como uma luz ao fundo do túnel, graças à sua capacidade de satisfação das necessidades calórico-proteicas do homem e ao seu baixo custo de produção.

A soja é considerada um alimento funcional porque além de funções nutricionais básicas, produz efeitos benéficos à saúde, reduzindo os riscos de algumas doenças crônicas e degenerativas.

Confirmada em dezembro de 2019, a NBR 15974 de 08/2011 – Sistema de produção de soja não geneticamente modificada — Requisitos estabelece os procedimentos para produção, transporte e armazenagem de soja Glycine max L. Merril, em grão, não geneticamente modificada, destinada ao comércio interno e externo, utilizada como alimento humano, alimento para animais e matéria-prima para indústria, interessada em certificá-los como não geneticamente modificados, procurando atender à produção entre os níveis de 99,0% a 99,9% livre de soja transgênica. Aplica-se desde a aquisição das sementes para o plantio até o efetivo cumprimento do contrato com o comprador.

A caracterização da produção de soja (Glycine max, L. Merrill) não geneticamente modificada (GM) deve atender às especificações negociadas entre as partes interessadas dentro de um contrato compreendido entre os níveis de 99,0% a 99,9% livre de transgenia, contemplando tanto as exigências externas como a legislação vigente no Brasil, considerando o resultado dos testes por kit imunocromatográfico (fita) disponíveis no mercado. A responsabilidade do produtor está vinculada somente ao cumprimento do contrato de produção de soja não GM e à entrega desses grãos até o armazém constante em contrato.

Para os produtores e demais partes interessadas na produção e na originação da soja não GM, recomenda-se atenção a todos os pontos críticos de contaminação durante a execução das etapas de produção, colheita, transporte, armazenagem e segregação da soja não GM, para serem observados, monitorados e corrigidos, a fim de garantir uma produção livre da contaminação por outras sementes, grãos e resíduos de culturas GM.

Recomenda-se atenção aos seguintes procedimentos, os quais são abordados nesta norma: levantar o histórico da área; manejar a área de plantio; adquirir as sementes não GM mediante nota fiscal; solicitar da empresa vendedora o comprovante dos testes de transgenia; transportar e armazenar as sementes em local apropriado e segregado das demais sementes; limpar os equipamentos utilizados para o tratamento das sementes; limpar as plantadeiras; inspecionar frequentemente a lavoura; controlar as plantas daninhas e plantas voluntárias tigueras (rouguing); limpar a colhedeira; limpar os veículos e equipamentos a serem utilizados no transporte interno; realizar o teste de transgenia na colheita; limpar os caminhões utilizados no transporte externo; limpar a recepção, balança e equipamentos para a entrega da produção de soja não GM; realizar ou acompanhar o teste de transgenia no local de entrega da produção de soja não GM; limpar as unidades armazenadoras.

Recomenda-se que sejam selecionadas áreas que não foram cultivadas anteriormente com culturas GM e que seja assegurado que os tratos culturais não ocasionem contaminações por grãos e resíduos de culturas GM. Devem ser adotadas as práticas descritas, caso seja necessário realizar o plantio de soja não GM em áreas anteriormente cultivadas com culturas GM. Recomenda-se que, nas operações para o manejo das áreas de plantio, os produtores consultem a recomendação oficial para ser adotada a melhor tecnologia que atenda à sua necessidade, entre elas: manejo no sistema de pousio; manejo no sistema de plantio direto; manejo no sistema convencional; manejo no sistema de cultivo mínimo.

Devem ser eliminadas, através de dessecação com herbicidas e/ou gradagens, todas as culturas voluntárias ou tigueras que desenvolveram e sobreviveram na área, oriundas de safras anteriores, independentemente do sistema de manejo adotado. Devem ser selecionadas as cultivares de soja não geneticamente modificada indicadas para cada região do país, de acordo com o zoneamento agrícola.

Devem ser usadas sementes de soja não GM de acordo com a legislação vigente. Deve ser exigido, no ato da compra da semente, que a empresa produtora, ou o seu distribuidor, emita a nota fiscal de venda na qual conste o nome da cultivar e o número do lote. Devem ser mantidos arquivados os documentos e a nota fiscal que comprovem a qualidade das sementes, conforme a legislação vigente.

Recomenda-se realizar o teste para a detecção de transgenia nas sementes, antes do seu plantio. Recomenda-se rejeitar o lote de sementes que apresente nível acima de 0,1% de presença adventícia com organismos geneticamente modificados. A detecção pode ser feita por meio do kit imunocromatográfico (teste da fita), considerando o resultado dos testes de fita disponíveis no mercado.

Caso o agricultor realize o teste de germinação na fazenda, após o recebimento das sementes, recomenda-se que seja realizado o teste de presença de sementes GM nos lotes avaliados, com a aplicação de herbicida à base de glifosato nas plantas germinadas. Por esta prática também é possível verificar se há contaminação do lote ou não, pois toda a soja convencional morre pela ação do herbicida. Se alguma planta sobreviver, então é um indicativo de presença de sementes geneticamente modificadas.

As sacas de sementes de soja não GM devem ser transportadas em veículos limpos, sem a presença de resíduos vegetais, sementes ou grãos. Recomenda-se armazenar as sementes na propriedade até a época de plantio, respeitando os seguintes pontos: não transportar sementes não GM e GM no mesmo veículo, fora ou dentro da fazenda, caso essas sementes não estejam identificadas e devidamente ensacadas e com todas as informações do produto contido conforme prevê a legislação vigente para a produção de sementes; manter as pilhas das sacas de semente de soja não GM devidamente identificadas e distantes das sacas de sementes GM.

Devem ser limpos todos os equipamentos a serem utilizados na plantação e manejo da cultura da soja não GM, antes do início ou retomada de cada operação nas lavouras de soja não GM, principalmente se foram utilizados no plantio e condução de lavouras GM. Devem ser limpos todos os equipamentos de transporte, de aplicação de calcário ou gesso, assim como o pátio ou barracão destinado a guardar estes equipamentos e insumos, garantindo que estejam livres de restos de sementes, grãos e quaisquer resíduos de safras anteriores.

Devem ser realizadas a limpeza dos equipamentos a serem utilizados nesta operação. Recomenda-se atenção especial na limpeza destes equipamentos no caso de plantio de cultivares não GM e GM na mesma fazenda, garantindo que não fiquem sementes, grãos e resíduos de outras culturas dentro destes equipamentos, principalmente se tiverem sido usados anteriormente para o tratamento de sementes GM. Recomenda-se realizar o tratamento das sementes não GM antes das GM.

Deve ser realizada a limpeza geral da plantadeira para minimizar o risco de contaminação entre cultivares diferentes, principalmente entre a não GM e GM, limpando todas as partes internas e externas da plantadeira, como engrenagens, eixos, correias, mangueiras, correntes, estribos, caixas do adubo, caixas das sementes, chassis, rodas e pneus. Recomenda-se a limpeza da plantadeira antes do início e ao final do plantio (fechamento do plantio).

Deve ser garantida a eliminação completa de todos os resíduos vegetais, sementes e grãos com potencial de contaminação para o próximo plantio. Deve ser efetuada esta limpeza em local apropriado ou com o uso de uma lona plástica ou encerado para recolhimento das sementes, grãos e resíduos vegetais.

Caso o produtor opte pelo plantio de cultivares GM e não GM na mesma fazenda, recomenda-se plantar as não GM antes das GM, reduzindo assim os riscos de contaminações entre essas cultivares durante as operações de plantio. As cultivares não GM e GM devem ser plantadas em talhões distintos e devidamente identificados.

Recomenda-se que, na execução das operações de controle das plantas infestantes, das pragas aéreas, das doenças foliares e da dessecação na pré-colheita, sejam realizadas as inspeções nas áreas plantadas com soja não GM, para identificação da possível presença de plantas de cultivos anteriores (plantas tigueras) sobreviventes aos manejos de plantio e outras operações, ou que tenham germinado junto com a soja não GM, fazendo a sua erradicação para evitar ou minimizar os riscos de contaminações na colheita, principalmente se forem plantas de culturas GM (prática do roguing).

Recomenda-se que seja realizado o teste para a detecção de transgenia nas folhas, utilizando-se o kit imunocromatográfico (teste da fita). Recomenda-se que seja realizada a coleta das folhas antes das plantas atingirem o estágio reprodutivo. Deve ser segregado o talhão ou a lavoura que apresentar um limite fora da faixa compreendida entre os níveis de 99,0% a 99,9% livre de transgenia, considerando o resultado dos testes de fita disponíveis no mercado, colhendo, transportando e armazenando em local diferente esta produção.

O agricultor pode aguardar a colheita e refazer novamente o teste de transgenia para avaliação final do nível de contaminação por organismos GM e, em caso positivo, proceder ao recomendado no parágrafo acima. Recomenda-se toda a atenção aos fatores de riscos ou pontos críticos de contaminação na operação de colheita entre diferentes cultivares de soja e mesmo por outras culturas, o que pode inviabilizar a produção da soja não GM.

Recomenda-se que, no caso de terceirização da colheita, seja feito um contrato com o prestador de serviço no qual seja assegurado o cumprimento dos requisitos desta norma, com atenção especial aos fatores de riscos ou pontos críticos de contaminação da soja não GM por outras culturas GM. Deve ser feita a limpeza das colhedeiras antes de estas serem utilizadas.

Devem ser realizadas a limpeza e a verificação de todas as partes internas e externas da colhedeira, principalmente as partes que acumulem grãos e resíduos vegetais de outras culturas, que tenham sido colhidas anteriormente pelo equipamento, principalmente culturas GM. Recomenda-se, após a limpeza da colhedeira, realizar o flushing na colhedeira, segregando e destinando a primeira carga para outros fins. Deve-se realizar o flushing sempre que a colheita anterior for de soja GM, segregando e destinando a primeira carga para outros fins.



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