Determinação da estabilidade estática de cadeiras de rodas

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Um dos equipamentos de tecnologia assistida mais utilizados para o deslocamento de pessoas que apresentam impossibilidade de deslocar-se (temporária ou definitivamente), utilizando os membros inferiores, é a cadeira de rodas.

Da Redação – 

Aproximadamente 15% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, termo que vem sendo amplamente discutido na sociedade, especialmente quando relacionado a outro, previsto na Constituição Federal Brasileira: a dignidade da pessoa humana. Pessoas com deficiência são as que possuem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, as quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.

O Decreto nº 5.926/04, em seu artigo 3º conceitua a deficiência permanente e a incapacidade, diferenciando-as. A deficiência é toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. A deficiência permanente é aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos.

Já a incapacidade é uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. É importante e necessário garantir às pessoas com deficiência o direito de locomoção com autonomia e independência, permitindo assim o seu fortalecimento social, político e econômico como cidadãos.

Um dos equipamentos de tecnologia assistida mais utilizados para o deslocamento de pessoas que apresentam impossibilidade de deslocar-se (temporária ou definitivamente), utilizando os membros inferiores, é a cadeira de rodas. E, apesar dos direitos das pessoas com deficiência estarem garantidos em lei no Brasil, diferentes esferas de governo, empresas e a sociedade civil ainda encontram dificuldades em prover mecanismos que possibilitem aos cadeirantes o amplo acesso, o que tem comprometido não apenas a eficácia do direito básico de ir e vir dessas pessoas, mas também a sua autonomia.

Desde a primeira utilização da cadeira de roda, em Nuremberg (Alemanha), até os dias de hoje, muito se avançou nesse setor. Atualmente é possível encontrar no mercado de consumo uma infinidade de modelos de cadeiras de rodas, de cores e diferentes formas de funcionamento (mecânica ou elétrica). Por outro lado, ainda existe um longo caminho a ser percorrido, como por exemplo, a necessidade de planejamento das edificações, a correta sinalização e manutenção do trânsito e das calçadas, a adequação de veículos de transporte urbano, etc.

As primeiras noções de acessibilidade, de forma geral, surgiram apenas com a Guerra do Vietnã (fim em 1975), nos Estados Unidos, confronto que deixou milhares de norte-americanos mutilados, tornando-os deficientes físicos e completamente “deslocados” quanto às estruturas da época.

A cadeira de rodas não deve ser um produto de compra deliberada. Ela precisa ser recomendada com prescrição terapêutica, mediante a avaliação do binômio necessidades x características, e atender às necessidades ergonômicas de cada usuário, respeitando as suas fases de desenvolvimento – da infância até a fase adulta.

Este é o motivo que a difere das utilizadas como equipamentos de emergência ou de locomoção, como as encontradas em logradouros públicos e corredores de hospitais, por exemplo. Estas cadeiras têm como função transportar pessoas impedidas de se locomover temporariamente.

Para uma adaptação ideal da cadeira de rodas ao seu usuário, é necessário a utilização do protocolo de avaliação fisioterapêutica, no qual se observam as habilidades funcionais do paciente, a presença de contraturas ou deformidades fixas ou em potencial, as medidas do paciente e sua cadeira de rodas. Algumas vezes também se faz necessária uma avaliação da função cardiopulmonar, do estado da pele, do tipo de tônus e da fala do usuário a que ela se destinará.

Tendo em vista a prévia dificuldade de locomoção, torna-se necessário reforçar a ideia de que a cadeira de roda deve possuir o maior fator usabilidade possível. Trata-se de componentes da cadeira de roda que maximizam o conforto e facilidade ao usá-la. Um deles é básico para a locomoção de forma geral: a estabilidade ao se utilizar uma cadeira de roda.

A NBR ISO 7176-1 de 01/2018 – Cadeiras de rodas – Parte 1: Determinação da estabilidade estática especifica os métodos de ensaio para determinação da estabilidade estática das cadeiras de rodas. Aplica-se às cadeiras de rodas manuais e motorizadas, incluindo scooters, com uma velocidade máxima igual ou menor que 15 km/h, que sirvam para prover mobilidade em ambientes internos e/ou externos para uma pessoa com deficiência cuja massa esteja dentro da faixa representada pela NBR ISO 7176-11.

Para cadeiras de rodas com controle ativo de estabilidade, esta parte se aplica a um estado estável, em repouso. Esta também apresenta um método para medir os ângulos de tombamento (seja no ângulo de tombamento da cadeira de rodas ou no ângulo de tombamento do dispositivo antitombo), mas este método não se aplica à cadeiras de rodas com dispositivo antitombo lateral, e não considera o derrapamento no piso. Esta parte também inclui requisitos para relatórios de ensaio e divulgação de informações.

Antes de mais nada, é necessário conhecer as características de estabilidade estática de uma cadeira de rodas para fins de indicação de modelo e ajustes. Alguns ocupantes precisam de mais estabilidade para manter a segurança, enquanto outros preferem cadeiras de rodas precisamente balanceadas (menor estabilidade), que são mais fáceis de manobrar. A estabilidade estática é apenas um dos fatores que afetam a estabilidade dinâmica.

Os outros fatores são a posição do operador na cadeira de rodas, sua habilidade em operar a cadeira de rodas, a maneira pela qual a cadeira de rodas é impulsionada e o ambiente no qual a cadeira de rodas é operada. Esta parte da norma especifica os ensaios nos quais a estabilidade estática é medida com os freios de estacionamento acionados, como é o caso de uma cadeira de rodas parada em um local inclinado.

Os ensaios também são realizados com as rodas destravadas, simulando a situação em que a cadeira de rodas está parada em um local inclinado com as rodas encostadas em obstáculos, a situação em um piso nivelado com as rodas destravadas e o usuário de cadeira de rodas tentando alcançar um objeto ou instabilidade da cadeira de rodas em movimento. Também são realizados os ensaios para determinar a estabilidade estática da cadeira de rodas quando ela está impedida de tombar por algum dispositivo antitombo, seja no movimento para a frente ou para trás, e a eficiência destes dispositivos antitombo caso a cadeira de rodas se incline naquela direção.

Teoricamente, uma cadeira de rodas ocupada é estaticamente estável, desde que a linha da força da gravidade, a partir do centro de massa, esteja dentro da área no chão que está limitada ao traçado das linhas que ligam os pontos de contato de suas rodas. A estabilidade da cadeira de rodas aumenta à medida em que aumenta o ângulo entre o plano vertical que passa pelo eixo de tombamento e o plano que contém o centro de massa e o eixo de tombamento.

Uma cadeira de rodas tomba quando é inclinada além deste ângulo medido (ver Figura 1) em torno do eixo de tombamento. As cadeiras de rodas podem tombar em torno do ponto de contato quando as rodas estão travadas, ou em torno do eixo da roda quando as rodas estão destravadas (ver Figura 1).

Uma vez que a localização do centro de massa não é conhecida, não é possível medir diretamente o ângulo de tombamento. Portanto, este ângulo é determinado com a cadeira de rodas sobre uma plataforma de ensaio cuja inclinação é ajustável. O ângulo do plano inclinado no qual a cadeira de rodas começa a tombar é medido. O ângulo da plataforma de ensaio representa o ângulo de tombamento.

Figua 1 cadeira de rodas

No caso de um ensaio com rodas destravadas, o eixo de tombamento recai sobre os eixos da roda, e o centro de gravidade relevante é o da cadeira de rodas ocupada, excluindo a massa das rodas destravadas sobre as quais a cadeira tomba. Para se medir a eficiência dos dispositivos antitombo, a cadeira de rodas é colocada em uma situação na qual fica em um equilíbrio instável em torno de um eixo entre as duas rodas de tração e mais próxima do(s) mecanismo(s) antitombo.

A partir deste estado, convém que a cadeira de rodas seja capaz de inclinar-se livremente até o(s) dispositivo(s) antitombo entrem em contato com a superfície de ensaio. Observar se o dispositivo antitombo é capaz de impedir a cadeira de rodas de tombar completamente.

Os ensaios de estabilidade estática são baseados em um procedimento comum que é modificado para se adaptar a cada ensaio. O procedimento comum de ensaios é descrito em: aumentar a angulação da plataforma de ensaio até alcançar o ângulo de tombamento (seja do ângulo de tombamento da cadeira de rodas ou do ângulo de tombamento do dispositivo antitombo), e então evitar movimentos adicionais da plataforma; assegurar que o resultado não seja afetado pelo contato inadvertido entre a cadeira de rodas e o equipamento de ensaio, ou o chão; verificar novamente o posicionamento do boneco de ensaio e da cadeira de rodas para garantir que nenhum movimento inadvertido ocorra. Se a configuração da cadeira de rodas mudar, durante o ensaio, de maneira reproduzível ou irreversível (por exemplo, se o pneu deslizar para fora da plataforma ou a cadeira de rodas se dobrar parcialmente), — registrar a natureza da ocorrência e o ângulo da plataforma de ensaio na qual isso ocorre na seção de comentários do relatório de ensaio, e — completar o ensaio; medir e registrar o ângulo de inclinação (seja do ângulo de tombamento da cadeira de rodas ou do ângulo de inclinação do dispositivo antitombo), arredondando para o primeiro mais próximo; abaixar a plataforma de ensaios até a horizontal; onde aplicável (por exemplo, nos ensaios de estabilidade estática com dispositivos antitombo), permitir que as rodas de tração da cadeira de rodas retornem à posição anterior na plataforma de ensaio. Estes ensaios podem ser perigosos. É essencial que sejam tomadas as precauções adequadas de segurança para proteger a equipe que realiza os ensaios.



Categorias:Metrologia, Normalização

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