Os ensaios em calçados isolantes elétricos

Os trabalhadores em instalações elétricas devem ser protegidos por calçados isolantes em conformidade a fim de evitar os riscos que tanto a alta quanto a baixa tensão traz a eles.

Da Redação –

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Além do risco de choque elétrico, existem os riscos de arco elétrico e de chama repentina, o que faz com que as empresas tenham a atenção especial nos equipamentos utilizados para a proteção de membros inferiores no segmento elétrico. Assim, diferente de outras atividades menos abrasivas no contexto industrial, a geração, transmissão, distribuição e manutenção elétrica estão ligadas diretamente ao risco de morte, além de outros danos que podem ser causados aos trabalhadores,.

Podem ocorrer danos aos tecidos nervosos, pois ao receber uma descarga elétrica, o corpo humano absorve uma grande quantidade de eletricidade que provoca queimaduras graves e causa danos aos tecidos nervosos, responsáveis por outros sistemas como o respiratório. O ferimento dos tecidos nervosos também gera contrações musculares que resultarão em lesões ou fraturas, desmaios e paradas respiratórias.

Os riscos de alterações na frequência cardíaca, pois os efeitos da eletricidade são variáveis para o coração. Dependendo da intensidade da corrente elétrica, poderá haver a aceleração dos batimentos cardíacos ou, em hipóteses de uma corrente de baixa frequência – mais perigosa para o corpo humano, é possível a ocorrência de arritmia e parada cardíaca com risco de vida

Os trabalhadores podem sofrer queimaduras graves, já que a energia elétrica libera parte de sua energia ao percorrer a pele. Se a resistência do tecido for alta, ela provoca queimaduras superficiais nas mãos, cabeça e pés – considerados pontos de entrada e saída da eletricidade – com a carbonização da derme. O resultado é a perda de líquido e sais com a lesão das fibras musculares que pode levar a problemas mais graves como insuficiência renal.

Além dos danos físicos, os acidentes de trabalho com a eletricidade também causam prejuízos psicológicos ao trabalhador. Quando a corrente elétrica atravessa o cérebro, resulta na perda de memória a curto prazo, alterações da personalidade, irritabilidade e alterações no sono.

A NBR 16603 de 05/2017 – Equipamento de proteção individual – Calçado isolante elétrico para trabalhos em instalações elétricas de baixa tensão até 500 V em ambiente seco – Requisitos e métodos de ensaios estabelece os requisitos e os métodos de ensaio para calçados projetados como equipamento de proteção individual, com finalidade de isolação elétrica em instalações elétricas de baixa tensão até 500 V, em condições secas. Aplica-se aos calçados isolantes elétricos da classe I (calçados fabricados em couros, têxteis, laminados sintéticos e outros materiais), que não sejam considerados calçados da classe II (totalmente elastoméricos ou totalmente poliméricos). Não se aplica aos calçados isolantes elétricos do tipo II, que são abordados nas NBR ISO 20345, NBR ISO 20346 e NBR ISO 20347.

O calçado isolante elétrico para trabalhos em instalações de baixa voltagem pode ser designado como: calçado de segurança isolante elétrico para trabalhos em instalações de baixa voltagem: calçado que incorpora características para proteger o usuário dos danos que poderiam advir de acidentes, equipado com biqueira e desenhado para dar proteção contra impacto quando ensaiado no nível de energia de no mínimo 200 J e contra a carga de compressão de no mínimo 15 kN; calçado de proteção isolante elétrico para trabalhos em instalações de baixa voltagem: calçado que incorpora características para proteger o usuário dos danos que poderiam advir de acidentes, equipado com biqueira e desenhado para dar proteção contra o impacto quando ensaiado no nível de energia de no mínimo 100 J e contra a carga de compressão de no mínimo 10 kN; calçado ocupacional isolante elétrico para trabalhos em instalações de baixa voltagem: calçado que incorpora características para proteger o usuário dos danos que poderiam advir de acidentes, não equipado com biqueira contra impactos e compressão. Estes calçados são classificados de acordo com a tabela abaixo.

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O cabedal não pode ter costuras ornamentais e deve ser construído com o menor número possível de costuras e peças do cabedal. Não podem existir costuras unindo peças do cabedal na região de flexão do calçado, principalmente aquelas cujas extremidades estão próximas da união cabedal/solado (incluindo as que possuem arremates sob a palmilha de montagem).

Costuras de união entre gáspea, parte traseira ou canos laterais devem preferencialmente ser o mais próximo possível da região do salto, que fica mais alto com relação ao chão. Isto visa evitar corrente de fuga pelas costuras, procurando afastar as extremidades com linhas e arremates do chão. Recomenda-se também prolongar a gáspea até a parte traseira do calçado ou pelo menos até o enfranque próximo do salto, evitando-se tais costuras próximas da região de flexão.

Não pode haver presença de materiais metálicos no calçado. Em calçados de segurança e proteção devem ser utilizadas biqueiras não metálicas. Em calçados com requisito contra penetração devem ser utilizadas palmilhas não metálicas.

Não se pode utilizar outras peças metálicas, como alma de aço, ilhoses, fivelas, zíper, pregos, rebites, etc. Deve-se ficar atento também a insertos colocados no solado, como amortecedores na região do salto, que podem ser confeccionados em materiais condutivos (materiais metálicos, massas poliméricas e elastoméricas condutivas, gel, etc.).

O calçado isolante elétrico deve ser projetado, construído e fabricado com sola e salto não condutivo, resistente ao choque elétrico, de forma que a sola externa do calçado possa fornecer uma fonte secundária de proteção de resistência ao choque elétrico para o usuário, contra os perigos de um contato acidental com circuitos elétricos energizados, condutores, peças, ou aparelhos eletricamente energizados, em condições secas.

A proteção de perigo elétrico é severamente deteriorada nas seguintes condições: desgaste excessivo da sola e salto externo, ou exposição a ambientes molhados e úmidos (ou ambos), exposição a ambiente frio e exposição a óleos, combustíveis e outros produtos químicos.

O calçado isolante elétrico da classe I, especificado por esta norma, não é destinado à proteção do usuário quando se deseja proteção contra choques elétricos na parte do corpo que é coberto pelo cabedal do calçado. No caso da possibilidade de esbarrões laterais do pé com partes energizadas, por exemplo, deve-se utilizar um calçado da classe II, que não é abordado por esta norma.

Quanto ao número mínimo de amostras a serem ensaiadas para verificar o atendimento aos requisitos especificados nesta norma, deve ser composto de três pares para cada ensaio (ensaio de resistência elétrica e ensaio de isolamento elétrico), sendo um par do menor tamanho fabricado, um par de tamanho médio e um par do maior tamanho fabricado.

As amostras devem ser constituídas por calçados que tenham sido fabricados há mais de três dias. Na Seção 8 existem dois ensaios a serem realizados: ensaio de resistência elétrica e ensaio de isolamento elétrico.

Não podem ser utilizados os mesmos corpos de prova para os dois ensaios. O ensaio de resistência elétrica deve ser realizado somente com condicionamento a úmido.

Os ensaios devem ser realizados no par (pés esquerdo e direito). Opcionalmente, quando não houver disponibilidade de material suficiente e não se tratar de ensaio de tipo, podem ser realizados ensaios em somente um pé de cada um dos três tamanhos.

Cada pé do calçado deve ser marcado clara e permanentemente, por exemplo, por gravação ou a quente, ou através de uma etiqueta, com o seguinte: tamanho; marca de identificação do fabricante; designação do modelo pelo fabricante; ano de fabricação e pelo menos o trimestre; número e ano desta norma NBR 16603:2017; marcação se o calçado é de segurança isolante elétrico (símbolo SI) ou de proteção isolante elétrico (símbolo PI) ou ocupacional isolante elétrico (símbolo OI); o (s) símbolo (s) das Tabelas 2 e 3 , apropriados para a proteção oferecida; pictograma acompanhado do número da norma, da máxima tensão de uso (500 V), e do tipo de ambiente para o qual o calçado é destinado (SECO).

O pictograma deve ser colocado na parte do cabedal, em cada pé do calçado, de forma permanente e indelével. Deve apresentar dimensões e cores conforme estabelecidos.

As cores do perímetro, do preenchimento do triângulo e do raio podem variar, levando em consideração a cor do cabedal, devendo-se adotar cores que proporcionem o maior realce ao pictograma e nas letras. Quando não for utilizada uma etiqueta ou fundo diferente da cor do cabedal, as letras devem ser de cor preta em cabedais de cores claras, e cor amarela em cabedais de cor preta, de tal forma a ficar bem realçados o nome da norma, a tensão de trabalho e a palavra SECO.

Cada par do calçado isolante elétrico deve ser fornecido ao usuário final com as informações listadas a seguir, que não podem ser ambíguas. As informações devem ser fornecidas em formato de manual do usuário ou folheto explicativo: nome e endereço completo do fabricante e/ou seu representante autorizado; número e ano desta norma (NBR 16603:2017); marcação se o calçado é de segurança isolante elétrico (símbolo SI) ou de proteção isolante elétrico (símbolo PI) ou ocupacional isolante elétrico (símbolo OI).

O pictograma conforme a alínea h da Seção 9 e explicação sobre ele; as instruções de uso: ensaios a serem feitos pelo usuário antes de usar, se pertinente; ajustes, como calçar e como descalçar o calçado, se relevante; aplicação; informação básica acerca dos possíveis usos e fonte para informação detalhada; limitações de uso (por exemplo, tensão de uso, etc.); instruções sobre armazenamento e manutenção, com períodos máximos de ensaio de manutenção (se importante, definir procedimentos de secagem); instruções sobre limpeza e/ou descontaminação; data final de validade ou data de fabricação e período de validade a partir da data de fabricação; e, se apropriado, aviso sobre problemas que possam ocorrer (modificações podem invalidar o tipo de aprovação, por exemplo, calçado ortopédico). Se se for útil, ilustrações adicionais, números de partes, etc.; referências sobre acessórios ou peças sobressalentes, se necessário; e tipo de embalagem adequada para transporte, se necessário.



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