A iluminação pública deve obrigatoriamente obedecer à norma técnica

Pode-se definir a iluminação pública como um serviço que tem por objetivo prover de luz, ou claridade artificial, os logradouros públicos no período noturno ou nos escurecimentos diurnos ocasionais, inclusive aqueles que necessitam de iluminação permanente no período diurno.

iluminação1Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

A iluminação pública pode ser classificada como o fornecimento de energia elétrica para iluminação de ruas, praças, avenidas, túneis, passagens subterrâneas, jardins, vias, estradas, passarelas, abrigos de usuários de transportes coletivos, e outros logradouros de domínio público, de uso comum e livre acesso, cuja responsabilidade pelo pagamento das contas e pelas demais obrigações legais, regulamentares e contratuais seja assumida, exclusivamente, por pessoa jurídica de direito público. Além do fornecimento de energia elétrica destinada à iluminação de monumentos, fachadas e obras de arte de valor histórico cultural ou ambiental localizadas em áreas públicas e fontes luminosas.

No Brasil, a partir da rede da concessionária de energia elétrica, existem duas configurações para os sistemas de iluminação pública: o que alimenta a rede em baixa tensão e o que alimenta a rede em média tensão. Quando utilizada a alimentação em média tensão, o sistema pertence ao município desde o ponto de entrega de energia.

Isso exige uma rede secundária exclusiva. Quando utilizada a alimentação em baixa tensão, o sistema pertence ao município desde o ponto de entrega de energia a partir do ponto de conexão do braço da luminária com a rede de energia elétrica ou no bulbo da lâmpada.

No fundo, iluminar as ruas não é desperdício, desde que satisfaça necessidades, como por exemplo ruas onde se pretende prolongar a iluminação diurna à noite. Neste caso se manifestam as funções essenciais da iluminação pública: que é a de promover a visibilidade, embelezamento urbano, sentido de orientação e, como consequência, a segurança, que se resume na identificação de potenciais perigos, que são: choques com obstáculos na altura do solo – meios-fios, buracos, irregularidades e o confronto com pessoas.

Esta iluminação deverá promover a sociabilidade, permitindo que as pessoas se vejam, se encontrem, se protejam, realçando objetos, monumentos, prédios, tornando a cidade mais atraente. Dentre as várias de suas funções pode-se citar o embelezamento das áreas urbanas, destacando e valorizando monumentos, prédios e paisagens, a definição de hierarquia viária, a orientação de percursos e o melhor aproveitamento das áreas de lazer. Os projetos de iluminação pública podem ser grandes promotores da segurança das cidades, pois a luz inibe a atitude do comportamento delinquente das pessoas.

Na cidade de São Paulo, em 1830, foi estabelecido o uso de lampiões públicos de azeite na iluminação das ruas. Na época, a vida social começou a se agitar e com a iluminação foi possível as pessoas marcarem encontros na cidade.

A Câmara Municipal de São Paulo, em 1847, decidiu contratar uma fábrica de gás iluminante obtido à partir do carvão para iluminar a cidade. Foram instalados 160 lampiões que proporcionaram luz durante cinco anos. Por volta de 1862, Camilo Bourroul, se propôs iluminar São Paulo por dez anos com azeite fotogênico resinoso.

No ano de 1863, o governo contratou Francisco Taques Alvim e José Dutton, donos de uma empresa que utilizava a iluminação com gás de hulha. Dez anos depois a São Paulo Gaz Company Ltd. iluminou a fachada da antiga Catedral da Sé e do Palácio do Governo, no Pátio do Colégio.

Em 1873, já havia 700 lampiões a gás na cidade, que se multiplicaram e caracterizaram a iluminação pública. Eles permaneceram até 1936, quando os últimos lampiões foram definitivamente apagados. Em 1879, foi registrada a primeira utilização da luz elétrica no Brasil, na estação Rio da estrada de Ferro D. Pedro II, quando foram instaladas seis lâmpadas a arco voltaico denominadas velas Jablochkoff e alimentadas por dois dínamos Gramme.

Em 1905, em São Paulo, foram  instaladas as primeiras lâmpadas elétricas da cidade – na rua Barão de Itapetininga – contratadas com a The São Paulo Tramway, Light and Power Company Ltd. Dois anos depois são iluminadas as ruas do triângulo formado pelas Ruas Direita, 15 de Novembro e São Bento, com 50 lâmpadas de arco fechado.

A NBR 5101 (NB429) de 10/2018 – Iluminação pública — Procedimento estabelece os requisitos para iluminação de vias públicas, propiciando segurança aos tráfegos de pedestres e de veículos. A iluminação pública tem como principal objetivo proporcionar visibilidade para a segurança do tráfego de veículos e pedestres, de forma rápida, precisa e confortável.

Os projetos de iluminação pública devem atender aos requisitos específicos do usuário, provendo benefícios econômicos e sociais para os cidadãos, incluindo: a redução de acidentes noturnos; a melhoria das condições de vida, principalmente nas comunidades carentes; o auxílio à proteção policial, com ênfase na segurança dos indivíduos e propriedades; a facilidade do fluxo do tráfego; destaque a edifícios e obras públicas durante à noite; eficiência energética.

A aplicação desta norma irá produzir iluminação adequada e utilização racional da energia, se o projetista e o usuário utilizarem: lâmpadas, reatores e luminárias eficientes, com distribuições apropriadas para cada tipo de instalação; luminárias com posicionamento e alturas de montagem adequadas; um bom programa de manutenção, para assegurar a integridade do sistema e a preservação do nível de iluminação considerado no projeto.

Pode-se dizer que a via é uma superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo pista, calçada, acostamento, ilha e canteiro central. A classificação de vias deve seguir as disposições previstas no Código de Trânsito Brasileiro, classificadas como: vias urbanas: via de trânsito rápido; via arterial; via coletora; via local; vias rurais: rodovias; estradas. Para o projeto de iluminação pública deve ser avaliada a característica da via e se esta possui características de volume de tráfego ou de classificação de velocidade diferente (superior ou inferior) daquelas estabelecidas para cada tipo de via, conforme estabelecido no Código de Trânsito Brasileiro.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas. A via urbana é aquela caracterizada pela existência de construções às suas margens, com presença de tráfego motorizado e de pedestres em maior ou menor escala. Ruas, avenidas, vielas ou caminhos e similares abertos à circulação pública, situados na área urbana, caracterizados principalmente por possuírem imóveis edificados ao longo de sua extensão.

As vias de trânsito rápido são as avenidas e ruas asfaltadas, exclusivas para tráfego motorizado, onde não há predominância de construções. A de baixo trânsito de pedestres e alto trânsito de veículos é aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível, com velocidade máxima de 80 km/h.

A via arterial é exclusiva para tráfego motorizado, que se caracteriza por grande volume e pouco acesso de tráfego, várias pistas, cruzamentos em dois planos, escoamento contínuo, elevada velocidade de operação e estacionamento proibido na pista. Geralmente, não existe o ofuscamento pelo tráfego oposto nem construções ao longo da via.

O sistema arterial serve mais especificamente a grandes geradores de tráfego e viagens de longas distâncias, mas, ocasionalmente, pode servir de tráfego local. Também é aquela caracterizada por interseções em nível, geralmente controlada por semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e às vias secundárias e locais, possibilitando o trânsito entre as regiões da cidade, com velocidade máxima de 60 km/h.

A distribuição apropriada das intensidades luminosas das luminárias é um dos fatores essenciais de iluminação eficiente em vias. As intensidades emitidas pelas luminárias são controladas direcionalmente e distribuídas de acordo com a necessidade para visibilidade adequada (rápida, precisa e confortável). Pode-se dividir os valores de tráfego, tanto para veículos como para pedestres, conforme tabelas abaixo.

iluminação4

As distribuições de intensidades são geralmente projetadas para uma faixa típica de condições, as quais incluem altura de montagem de luminárias, posição transversal de luminárias (avanço), espaçamento, posicionamento, largura das vias a serem efetivamente iluminadas, porcentagem do fluxo luminoso na pista e áreas adjacentes, mantida a eficiência do sistema.

A distribuição das intensidades luminosas da luminária em relação à via é classificada de acordo com três critérios: distribuição longitudinal (em plano vertical); distribuição transversal; controle de distribuição de intensidade luminosa no espaço acima dos cones de 80° e 90°, cujo vértice coincide com o centro óptico da luminária (distribuição de intensidade luminosa no espaço acima de 80° e 90° em relação à linha vertical que contém o centro óptico da luminária).

A classificação de distribuição de intensidade luminosa longitudinal e transversal deve ser feita na base do diagrama de isocandela, traçada sobre um sistema retangular de coordenadas contendo uma série de linhas longitudinais da via (LLV) em múltiplos da altura de montagem (AM) e uma série de linhas transversais da via (LTV) também em múltiplos da altura de montagem (ver figuras). As informações essenciais que devem aparecer nos diagramas de isocandelas são as seguintes: linhas LLV de 1,0 AM; 1,75 AM; 2,75 AM; linhas LTV de 1,0 AM; 2,25 AM; 3,75 AM; 6,0 AM; e 8,0 AM; posição das linhas de máxima intensidade e de meia máxima intensidade.

iluminação2

iluminação3

As determinações ou medições do fluxo luminoso, rendimento, potência absorvida e eficiência (ou dos fatores que dependam destas grandezas) devem ser realizadas por vias tradicionais de ensaios. As IES-LM-61 [11] e CIE 084:1989 são documentos que abordam detalhadamente tais assuntos. Todos os equipamentos utilizados nos ensaios devem possuir documentos de aferição e ter classe de exatidão tal que sejam assegurados a incerteza de medição e o número de algarismos declarados nos resultados apresentados.

O fotômetro consiste em um detector sensível à luz, capaz de converter a luz incidente em uma quantidade elétrica. O fotômetro deve possuir documento ou certificado de calibração, ser de cor corrigida (resposta espectral em conformidade com a do observador-padrão CIE), possuir correção quanto ao ângulo de incidência (corretor de cosseno) e ter classe de exatidão tal que sejam assegurados a incerteza de medição e o número de algarismos significativos declarados nos resultados.

Geralmente, as curvas graduais de grande raio e suaves elevações de nível ficam iluminadas satisfatoriamente, se tratadas coma áreas de vias retas. As curvas cujos raios formam ângulos bem agudos, em subidas mais acentuadas, especialmente aquelas que terminam nos cumes de colinas, justificam menor espaçamento de luminárias, a fim de que se obtenham iluminâncias mais uniformes nas vias. Para iluminação de curvas, as luminárias devem ser colocadas preferencialmente nos lados externos das curvas. Em certos casos de vias em declive, é recomendável a análise do ofuscamento resultante.

Os cruzamentos em nível podem ter tráfego livre em ambas as vias, restrição do tráfego por meio de sinais de parada em uma ou em ambas as vias, controle de tráfego por policiais ou por outros meios. Existem cruzamentos que têm, adicionalmente, complicações de tráfego de pedestres, além dos veículos. Fundamentalmente, porém, o problema de iluminação é o mesmo para todos estes casos.

Recomenda-se que a iluminância destas áreas seja no mínimo a soma das iluminâncias das duas vias que formam o cruzamento. Tais iluminâncias são obtidas em 5.1.2.1. Recomenda-se que seja mantida a maior uniformidade das vias consideradas.

Os cruzamentos em dois níveis são curtos, como aqueles encontrados onde uma via passa por baixo de uma outra via de duas ou quatro pistas adjacentes, podem ser iluminados com luminárias do tipo normal, se colocadas corretamente. As luminárias na via inferior devem ser posicionadas de tal modo que sua iluminação se sobreponha abaixo da estrutura, a fim de que sejam obtidas as iluminâncias recomendadas em 5.1.2.1, sem a necessidade de instalação de luminárias imediatamente abaixo da pista superior.

Passagens inferiores mais longas são aquelas onde a superposição dos fachos das luminárias da via inferior não pode ser obtida, sendo obrigatória a instalação de luminárias imediatamente abaixo da pista. As pistas convergentes de tráfego possuem todos os problemas das curvas abruptas mais o de iluminação direta sobre os veículos nas pistas adjacentes de tráfego. É necessária boa iluminação lateral direta sobre os veículos que entram nas pistas principais de tráfego. Para iluminâncias mínimas, ver 5.1.2.1.

As pistas divergentes de tráfego exigem considerações muito cuidadosas, porque nestas áreas os motoristas ficam muito confusos. As luminárias devem ser colocadas de forma a proporcionarem iluminâncias sobre os meios fios, balizas, defensas, veículos na área de divergência de tráfego e também na zona de desaceleração. As vias divergentes frequentemente têm todos os problemas das curvas e devem ser tratadas adequadamente. Para iluminâncias mínimas, ver 5.1.2.1. É recomendável a iluminação total do intercâmbio, devido às suas especiais características de complexidade.

Os cruzamentos de nível com ferrovias devem ser iluminados de modo a permitirem identificação da existência de um cruzamento, presença ou não de trem no cruzamento e reconhecimento de objetos ou veículos não iluminados, já próximos ou não do cruzamento com a ferrovia. O princípio geral a ser seguido na seleção das luminárias e na escolha das suas posições, quanto à iluminância, em lux, sobre a área do leito da ferrovia, recomenda que a dimensão longitudinal da via iluminada, antes do cruzamento, em metros, seja numericamente igual à velocidade máxima, em quilômetros por hora, permitida aos veículos nas proximidades do cruzamento.

A iluminação de túneis e passagens abaixo do nível é uma situação especial coberta pela NBR 5181. A poluição luminosa é o brilho noturno no céu acima das áreas características de concentração urbana que é provocada pela luz artificial mal direcionada de casas, prédios e demais instalações, que é refletida na poeira, vapor de água e outras partículas dispersas na atmosfera.

A poluição luminosa também pode ser entendida como desperdício de energia, provocada por luminárias, instalações e projetos ineficientes e mal elaborados. No caso da iluminação pública, a poluição luminosa é traduzida em projetos com níveis de iluminância superdimensionados não condizentes com a iluminação recomendada nesta norma ou por luminárias sem o correto controle de dispersão de luz.

As luminárias recomendadas para reduzir a parcela da iluminação pública na poluição luminosa devem possuir uma classificação que mantenha baixa a emissão de luz acima do eixo horizontal, possua alta eficiência luminosa e permita baixos ângulos de instalação. Os projetores, quando necessário, devem possuir aletas internas ou externas que limitem a propagação da luz para fora da área a ser iluminada.

Para permitir uma melhor convivência entre a iluminação pública e a arborização, é apresentada uma equação que pode ser utilizada para desobstruir a iluminação na via. A equação considera os ângulos de máxima incidência de luz das luminárias nos sentidos longitudinal e transversal à via, a sua altura de montagem e a distância da árvore.

A equação apresentada deve ser utilizada para auxiliar os planejadores municipais, as empresas de iluminação pública e os órgãos gestores da arborização urbana nas seguintes situações: na adequação dos sistemas existentes onde a posteação e as árvores já existam, permitindo definir a linha de poda dos ramos que comprometam a iluminação; na implantação de novos sistemas de iluminação em praças, vias e calçadões, auxiliando na definição da posição dos postes e sua distância às árvores existentes; na implantação de novas árvores em praças, vias e calçadões, auxiliando na definição das árvores em relação aos postes existentes.

Em vias urbanas com tráfego intenso, onde existirem travessias sinalizadas para pedestres fora das esquinas, uma iluminação adicional pode ser utilizada, sempre em conjunto à sinalização vertical e horizontal, para alertar os condutores de veículos com antecedência suficiente da presença de pedestres que cruzam a via, bem como para permitir que os pedestres reconheçam com facilidade os limites da passagem e se posicionem dentro destes.

Para garantir que a passagem de pedestre esteja bem destacada na via, recomenda-se que as lâmpadas utilizadas na iluminação da passagem tenham uma “temperatura de cor” diferente das lâmpadas que iluminam a pista de rolamento. Esta alternativa também pode ser utilizada em cruzamentos de centros urbanos com grande movimentação de pedestres, mas deve ser cuidadosamente estudada para não prejudicar ou gerar confusão visual com a sinalização viária.

De uma forma geral as praças, parques, calçadões e equivalentes podem ser considerados espaços públicos com predominância de pedestres. A iluminação destes espaços deve permitir no mínimo a orientação, o reconhecimento mútuo entre as pessoas, a segurança para o tráfego de pedestres e a identificação correta de obstáculos, assim como deve proporcionar, a uma distância segura, informação visual suficiente a respeito do movimento das pessoas.

Segundo estudos realizados, a distância mínima necessária para uma pessoa reconhecer qualquer sinal de hostilidade e tomar as ações evasivas apropriadas é de 4 m. A esta distância, o nível de iluminância médio mínimo necessário para reconhecimento facial é de 3 lux, sendo que sobre a superfície da via não pode haver valores inferiores a 1 lux. Este nível de iluminância média pode variar até 40 lux, em função do tipo de utilização, característica e requisitos de segurança pública da praça ou calçadão que está sendo iluminado.

Considerando a necessidade de identificação de obstáculos na superfície da via e a velocidade com que as pessoas ou eventualmente ciclistas trafegam, o fator de uniformidade deve ser Emín/Emáx ≥ 1:40. A disposição dos equipamentos de iluminação não pode obstruir o acesso dos veículos de emergência, de entrega ou de manutenção, nem competir com a arquitetura local.

Nas praças ou espaços públicos de pedestres, onde os acessos e saídas possuírem escadas e rampas, a iluminação nestes pontos deve assegurar que estas mudanças de nível sejam bem visíveis aos pedestres. Sempre que necessário ao realizar a locação dos postes, estes acessos devem ser considerados prioritários.

Alguns espaços em função de sua concepção arquitetônica podem apresentar áreas distintas de utilização como jardins, brinquedos, jogos de mesa, quadras, etc. Nestes casos, podem ser aplicados critérios de projetos diferenciados para cada área, utilizando arranjos de luminárias, iluminações decorativas ou projetores.



Categorias:Normalização, Qualidade

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: