As práticas recomendadas para os ensaios visuais

O ensaio visual dos metais foi o primeiro método de ensaio não destrutivo aplicado pelo homem. É, com certeza, o ensaio mais barato, usado em todos os ramos da indústria. Assim, a inspeção visual exige definição clara e precisa de critérios de aceitação e rejeição do produto que está sendo inspecionado.

visual2Da Redação –

De modo geral, na indústria há inúmeras variáveis de processo que podem gerar imperfeições nos produtos. Essas imperfeições devem ser classificadas como descontinuidades ou defeitos. Os responsáveis por essa atividade são os projetistas profissionais que, por meio de cálculos de engenharia, selecionam os componentes de um produto que impliquem segurança e apresentem o desempenho esperado pelo cliente.

A principal ferramenta do ensaio visual são os olhos, importantes órgãos do corpo humano. O olho é considerado um órgão pouco preciso. A visão varia de pessoa para pessoa e se mostra mais variável ainda quando se comparam observações visuais num grupo de pessoas. Para minimizar essas variáveis, deve-se padronizar fatores como a luminosidade, a distância ou o ângulo em que é feita a observação.

Dessa forma, existem fatores que podem influenciar na detecção de descontinuidades no ensaio visual. Por exemplo, a limpeza da superfície a serem examinadas que devem ser cuidadosamente limpas, de tal forma que resíduos como graxas, óleos, poeira, oxidação, etc. não impeçam a detecção de possíveis descontinuidades e/ou até de defeitos.

Outro problema é o acabamento superficial resultante de alguns processos de fabricação, como a fundição, o forjamento e a laminação, que podem mascarar ou esconder descontinuidades. Portanto, dependendo dos requisitos de qualidade da peça, elas devem ser cuidadosamente preparadas: decapadas, rebarbadas e usinadas para, só então, serem examinadas.

Igualmente, o tipo de luz utilizada também influi muito no resultado da inspeção visual. A luz branca natural, ou seja, a luz do dia, é uma das mais indicadas.

Porém, por problemas de layout, a maioria dos exames é feita em ambientes fechados, no interior de fábricas. Utilizam-se, então, lâmpadas elétricas, que devem ser posicionadas atrás do inspetor, ou em outra posição qualquer, de modo a não ofuscar sua vista.

Outro problema é a descontinuidade superficial de um determinado produto que pode provocar um contraste, ou seja, uma diferença visual clara em relação à superfície de execução do exame. Esta característica deve ser avaliada antes de se escolher o exame visual como método de determinação de descontinuidades, para evitar que possíveis defeitos sejam liberados equivocadamente.

Em certos tipos de inspeções – por exemplo, na parede interna de tubos de pequeno diâmetro e em partes internas de peças -, é necessário usar instrumentos ópticos auxiliares que complementam a função do nosso olho. Os instrumentos ópticos mais utilizados são: lupas e microscópios, espelhos e tuboscópios e câmeras de tevê em circuito fechado.

A NBR NM 315 de 11/2017 – Ensaios não destrutivos — Ensaio Visual — Requisitos e práticas recomendadas especifica os requisitos exigíveis e práticas recomendadas na realização de ensaios não destrutivos por meio visual, auxiliado ou não por dispositivo ótico. Pode ser aplicada em ensaios de acabamento de peças; alinhamentos; preparação de superfícies; juntas preparadas para soldagem; juntas soldadas; fundidos; forjados; laminados; revestimentos; identificação de estados de superfícies; deformações e avarias mecânicas; evidências de vazamentos; e outros tipos verificáveis visualmente.

Para a realização do ensaio visual, deve ser qualificado um procedimento contendo no mínimo os seguintes itens: objetivo; norma de referência; qualificação de pessoal; técnica de ensaio; estado disponível da superfície; técnica de preparação da superfície; condição superficial; condições de iluminamento; instrumentos e equipamentos a serem utilizados; relação de descontinuidades, irregularidades e/ou condições a serem observadas durante o ensaio; sequência do ensaio quando aplicado; e sistemática de registro dos resultados.

visual3

A qualidade do procedimento de ensaio deve ser efetuada pela verificação da sua eficácia na detecção de uma descontinuidade artificial ou natural correspondente a um risco de largura máxima de 0,8 mm, localizada em uma superfície similar ou na área menos favorável da própria superfície a ser ensaiada.

O ensaio visual direto deve ser realizado quando o acesso for suficiente para se observar a superfície a uma distância máxima de 600 mm e um ângulo não menor que 30º em relação à superfície ensaiada. Espelhos podem ser utilizados para melhorar o ângulo de visão e lentes de aumento (magnificação) podem ser usadas.

O ensaio visual direto deve ser realizado com um iluminamento mínimo de 1 076 lux, como mínimo, sobre a superfície do ensaio. Quando se utilizar luz artificial para auxiliar na realização de ensaio, devem ser adotados ângulos de incidência de luz sobre a superfície e ângulo de observação que proporcionem boa visualização das irregularidades.

Em alguns casos utiliza-se o ensaio visual remoto para substituir o ensaio visual direto. Neste caso podem ser utilizados instrumentos auxiliares, tais como espelhos, boroscópio, fibras ópticas, câmeras ou outros equipamentos adequados. As intensidades necessárias variam de acordo com os equipamentos utilizados e devem ser estabelecidas na qualificação do procedimento específico de ensaio.

O ensaio visual translúcido é uma suplementação do ensaio visual direto, aplicável na verificação de condições subsuperficiais de materiais compostos (laminados translúcidos). Utiliza a iluminação artificial fornecida por um iluminador direcional.

O iluminador deve fornecer uma iluminação cuja intensidade seja suficiente para iluminar e dispersar a luz, suavemente, pela área ou região em ensaio. A iluminação ambiente deve ser disposta de forma a evitar brilhos ou reflexos da superfície em ensaio, e deve ter intensidade inferior à iluminação aplicada sobre a área ou região em ensaio.

O estado da superfície deve ser definido em função da norma aplicável, ou de acordo com os requisitos do projeto. A técnica a ser empregada na preparação da superfície a ser ensaiada não deve conduzi-la a um nível inferior de acabamento em relação ao original.

A preparação de superfície não deve contaminar o material ensaiado ou prejudicar ensaios não destrutivos posteriores. Quando o escovamento, lixamento ou esmerilhamento é empregado na preparação da superfície de aços inoxidáveis austeníticos e ligas de níquel, as ferramentas de preparação destes materiais devem ser utilizadas apenas para os mesmos e atender aos seguintes requisitos: ser de aço inoxidável ou revestida com este material; ter discos de corte e esmerilhamento com alma de náilon ou similar.

Os resultados de ensaio devem ser registrados por meio de um sistema de identificação e rastreabilidade que permita correlacionar o local ensaiado com o relatório e vice-versa. Em complemento a outras formas de registro de resultados (por exemplo, fotos e vídeos) podem ser utilizadas desde que previamente acordadas entre as partes.

Deve ser emitido um relatório contendo no mínimo os seguintes itens: nome do emitente (empresa ou firma executante); identificação numérica; identificação da peça ou equipamento; condição da superfície/fase do processo de fabricação; técnica utilizada; número e revisão do procedimento; registro dos resultados; normas e/ou valores de referência para interpretação e avaliação dos resultados; laudo indicando aceitação, rejeição ou recomendação de ensaio complementar; data do relatório; registro de certificação, identificação e assinatura do profissional qualificado.

Certos detalhes tais como dimensões, podem ser registrados no ensaio visual, como elementos informativos ou auxiliares na avaliação do ensaio. O relatório deve incluir todas as observações e controles dimensionais especificados na norma quando aplicável.



Categorias:Metrologia, Normalização

Tags:, , , , ,

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: