Os parâmetros do som para a saúde humana

A acústica é a área da física que estuda a propagação dos sons, e está muito presente no dia a dia das pessoas, desde as músicas até os momentos de conversas entre amigos. Conheça os métodos para a medição do tempo de reverberação e outros parâmetros de acústica nas edificações, conforme as normas técnicas.

acústico2Hayrton Rodrigues do Prado Filho –

As fontes sonoras fazem parte do dia a dia e são capazes de produzir vibrações por meio das quais são transmitidas moléculas, o que causa a onda de pressão que passa a se propagar. A onda, ao atingir os ouvidos, faz com que o tímpano vibre, enviando para o nosso cérebro impulsos que produzem essa sensação sonora.

O meio, em que mais comumente essa onda se propaga, é o ar, mas também pode se propagar em meios como líquidos, ou ainda gases. Dessa forma, chama-se de acústica a área da física responsável por estudar o som, fenômeno que é ondulatório e pode ser causado por diversos objetos e se propagar em diversos tipos de meios.

Os sons que chegam ao ouvidos podem ser classificados como sons musicais ou ruídos, mas é claro que isso é muito abstrato. Fisicamente entende-se que o som musical é o resultado da superposição de ondas sonoras periódicas ou aproximadamente periódicas. Os ruídos, por sua vez, são aqueles sons não periódicos que são breves e podem ter mudanças ríspidas em suas características. A voz humana apresenta limites extremos que variam de 60 a 550 Hz para homens e 110 a 1.300 para as mulheres.

Há uma preocupação importante nos meios industriais relacionada com o nível de ruído ambiente. Excesso de barulho pode causar danos irreversíveis ao aparelho auditivo além de outros danos que envolvem a própria saúde mental do profissional envolvido.

Para a medida dos ruídos, assim como da intensidade sonora são utilizados aparelhos denominados medidores de intensidade sonora ou decibelímetros. Som consiste em vibrações de um meio material que se propagam com velocidade finita. No ar, o som consiste em ondas de compressão e descompressão que se propagam em condições normais a uma velocidade de aproximadamente 334 metros por segundo.

Para que uma pessoa possa ouvir um som não basta que as suas vibrações estejam dentro da faixa de frequências audíveis. As pessoas têm uma sensibilidade diferente para as diversas frequências, mas dentro da faixa audível existe um limiar que é dado pela variação da pressão da onda sonora.

Esse limiar, para pessoas saudáveis está em torno de 0,0002 N/m², valor que se convencionou ser de 0 dB (decibéis). Por outro lado, o valor máximo da intensidade sonora que uma pessoa pode ouvir de modo normal, pois acima disso, começa a haver a dor, é de 200 N/m² que a corresponde a 140 dB. A adoção do dB para a medida das intensidades sonoras é justificada pela enorme gama de intensidades que teríamos de considerar se adotássemos a unidade Newton por metro quadrado.

Quando se analisa as ondas sonoras, elas possuem um comportamento próprio que depende do meio em que se propagam. Destacam-se no comportamento das ondas sonoras os seguintes itens: velocidade – depende do meio – 331 m/s; reflexão – as ondas sonoras podem refletir-se em determinados meios; refração – quando as ondas sonoras passam de um meio para outro com características diferentes elas sofrem alteração da velocidade e da direção de propagação; difração – é o espalhamento das ondas sonoras quando passam pela borda de um objeto ou por uma abertura; ressonância – é o reforço do som quando uma pequena força repetida, aplicada na mesma frequência natural de vibração de um objeto, produz vibrações de cada vez maior intensidade neste objeto; e batimento – ocorre quando dois sons de frequências diferentes se combinam, produzindo dois novos sons cujas frequências são a soma e diferença das frequências dos sons originais.

Intensidades de alguns sons comuns

limiar da audibilidade=0 dB

vento balançando folhas suavemente=10 dB

jardim silencioso=20 dB

estúdio de rádio=20 dB

murmúrio=20 dB

quarto silencioso=30 dB

violino tocando muito baixo=30 dB

música tocando baixo=40 dB

conversa em voz normal=60 dB

aparelho de ar condicionado a 6 m=60 dB

voz humana a 1 m=70 dB

campainha do telefone=70 dB

aspirador de pó=80 dB

caminhão pesado a 15 m=90 dB

sirene de polícia=90 dB

caminhão de coleta de lixo=100 dB

serra circular=100 dB

bate estacas=110 dB

conjunto de rock amplificado, discoteca=120 dB

buzina de Carro=120 dB

jato na decolagem=140 dB

limiar da dor=140 dB

As principais lesões causadas pelo ruído ocorrem na membrana basilar. Os sons mais graves lesam a parte basal da espiral e os agudos a parte apical. A lesão ocorre quando um som intenso atua por muito tempo. No entanto, os órgão sensoriais possuem uma capacidade de adaptação.

A adaptação imediata dura alguns milésimos de segundos e existe uma adaptação tardia que dura de 4 a 5 minutos. Ocorre, entretanto, um fenômeno de fadiga que é o esgotamento da capacidade de adaptação.

Se um som tem uma única frequência (puro) ele lesa apenas uma parte da membrana basilar. No entanto, num ambiente de fábrica ou equivalente, o que se tem são ruídos, formados por um amplo espectro de frequências que lesa toda a membrana.

Também é importante observar que, mesmo não sendo audíveis, os infrassons e ultrassons também lesam o ouvido. Uma exposição prolongada aos ruídos em um ambiente industrial causa a degeneração do órgão de Corti, com degeneração das células do gânglio espiral e fibras nervosas associadas.

Os principais sintomas de problemas com ruídos são o zumbido, vertigem e fadiga. As consequências psíquicas e somáticas são a irritação, nervosismo, taquicardia, aumento da pressão arterial, etc.

Quanto às normas técnicas, a NBR ISO 3382-1 de 06/2017 – Acústica – Medição de parâmetros de acústica de salas – Parte 1: Salas de espetáculos especifica métodos para a medição do tempo de reverberação e outros parâmetros de acústica de salas aplicados a espaços de espetáculos artísticos. Ela descreve o procedimento de medição, o dispositivo necessário, a cobertura requerida, o método para avaliação dos dados e para apresentação do relatório de ensaio.

Destina-se à aplicação de técnicas de medição digital modernas e à avaliação dos parâmetros de acústica de salas derivados de respostas impulsivas. O tempo de reverberação de uma sala já foi considerado o indicador predominante de suas propriedades acústicas. Enquanto o tempo de reverberação continua a ser considerado um parâmetro significativo, há um consenso razoável de que outros tipos de medições, como níveis de pressão sonora relativos, razões entre energias inicial/tardia, frações de energia lateral, funções de correlação cruzada interauricular e níveis de pressão sonora residual (background noise level), são necessários para uma avaliação mais completa da qualidade acústica de salas. Estabelece um método para obter tempos de reverberação a partir de respostas impulsivas e de ruído interrompido.

Os Anexos introduzem conceitos e detalhes referentes a procedimentos de medição para algumas das novas grandezas, sem contudo pertencerem ao corpo de especificações formais integrantes desta parte. A intenção é tornar possível a comparação de medições de tempo de reverberação de maneira mais segura e promover o uso e o consenso em medição das novas grandezas. O Anexo A apresenta grandezas baseadas em respostas impulsivas quadráticas: uma grandeza adicional de reverberação (tempo de decaimento inicial) e grandezas de níveis sonoros relativos, razões entre energias inicial/tardia e frações de energia lateral em auditórios.

Dentro dessas categorias, ainda há trabalho a ser feito em determinar quais das grandezas são as mais adequadas para normalização (standardize upon). Entretanto, como elas todas são derivadas de respostas impulsivas, é apropriado introduzir a resposta impulsiva como a base para medições normalizadas.

O Anexo B introduz medições biauriculares e os simuladores de cabeça e torso (dummy heads) requeridos para realizar medições biauriculares em auditórios. O Anexo C introduz medições de apoio reputadas como úteis para a avaliação das condições acústicas, considerando o ponto de vista da percepção dos músicos.

As medições de tempo de reverberação podem ser feitas com a sala em qualquer um ou em todos os estados de ocupação. Em salas possuindo componentes ajustáveis para proporcionar condições acústicas variáveis, pode ser relevante realizar medições separadas com esses componentes em cada uma das suas configurações normais.

Convém que a temperatura e a umidade relativa do ar na sala sejam medidas com exatidão de ± 1 °C e ± 5 %, respectivamente. Uma descrição exata do estado de ocupação da sala é de importância decisiva na avaliação dos resultados obtidos através da medição do tempo de reverberação. Ocupações extraordinárias (como no caso de uma orquestra maior do que a habitual ou a presença adicional de um coro ou de pessoas excedentes na plateia) devem ser relatadas nos resultados.

Nos teatros, deve ser feita uma distinção entre “cortina de segurança levantada” e “cortina de segurança abaixada”, entre “fosso de orquestra aberto” e “fosso de orquestra fechado” e também entre “orquestra sentada no palco”, com ou sem concha acústica. Em todos esses casos, a medição pode ser útil.

Se a cortina de segurança estiver para cima, a quantidade de mobiliário do palco é importante e deve ser descrita. Onde componentes ajustáveis envolvem técnicas ativas (isto é, eletrônicas), convém que os efeitos destas também sejam medidos, mas como certos tipos de sistemas eletrônicos de melhoria de reverberação criam condições temporais não estacionárias na sala, não existirá uma única resposta impulsiva e, assim, convém tomar o cuidado de usar uma média síncrona durante o procedimento das medições.

A fonte sonora deve ser o mais omnidirecional possível (ver tabela abaixo). Ela deve produzir um nível de pressão sonora suficiente para fornecer curvas de decaimento com a mínima faixa dinâmica requerida, sem contaminação por som residual (background noise). No caso de medições de respostas impulsivas utilizando sequências pseudoaleatórias, o nível de pressão sonora requerido pode ser bastante baixo, porque uma forte melhoria da relação sinal-ruído através da média síncrona é possível.

No caso de medições que não utilizem uma técnica de média síncrona (ou outra) para aumentar a faixa de decaimento, será requerido um nível de fonte que forneça pelo menos 45 dB acima do nível do som residual na banda de frequência correspondente. Se apenas T20 for medido, este é suficiente para criar um nível pelo menos 35 dB acima do nível do som residual.

A tabela abaixo lista os desvios de omnidirecionalidade máximos aceitáveis para cada média calculada com rotações em ângulos de 30° em campo sonoro livre. Nos casos em que uma mesa giratória não puder ser usada, convém que sejam realizadas medições a cada 5°, considerando a média dos resultados obtidos, cobrindo seis pontos vizinhos. O valor de referência deve ser determinado a partir da média de energia de 360° no plano de medição. A distância mínima entre fonte e microfone deve ser de 1,5 m durante essas medições.

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A captação da pressão sonora deve ser realizada com microfones omnidirecionais, e suas saídas podem ser conectadas tanto: diretamente em um amplificador, conjunto de filtros e um sistema de plotagem (display) de curvas de decaimento ou equipamento de análise para obtenção de respostas impulsivas; ou em um gravador de sinal sonoro para posterior análise. O equipamento de medição deve cumprir os requisitos de um medidor de nível sonoro tipo 1, de acordo com a IEC 61672-1.

Os filtros de oitava e de terço de oitava devem estar em conformidade com a IEC 61260. Convém que o microfone seja o menor possível e tenha preferencialmente diâmetro de diafragma máximo de 13 mm. São permitidos microfones com diâmetros até 26 mm, se eles forem do tipo resposta de pressão ou do tipo resposta em campo livre, mas providos de corretor de incidência aleatória, fornecendo uma resposta em frequência plana em incidência aleatória.

Se o decaimento sonoro for inicialmente gravado em fita magnética ou em um dispositivo de gravação digital, não podem ser utilizados controle de ganho automático ou outros circuitos para otimização dinâmica da relação sinal-ruído. O tempo de gravação de cada decaimento deve ser suficientemente longo para permitir a determinação do nível de pressão sonora do som residual final após o decaimento; 5 s mais o tempo de reverberação esperado corresponde à duração mínima recomendada.

Para a combinação particular de velocidades de gravação e reprodução utilizadas, o dispositivo de controle deve possuir as seguintes características: a resposta em frequência deve ser plana na faixa de frequência de medição, com uma tolerância menor que ± 3 dB; a faixa dinâmica deve ser suficiente para permitir a mínima faixa da curva de decaimento requerida. No caso de decaimentos por interrupção de ruído, o gravador deve ser capaz de fornecer uma relação sinal-ruído de pelo menos 50 dB em cada banda de frequência considerada.

A relação entre a velocidade de reprodução e a velocidade de gravação deve estar entre ± 2 % de 100,1×n, onde n é um número inteiro, incluindo zero. Se a velocidade de translação for usada na reprodução, a frequência de translação correspondente será então um número inteiro de espaçamentos de bandas de terço de oitava padrões, ou, se n for um múltiplo de três, de espaçamentos de banda de oitava.

A NBR ISO 3382-2 de 06/2017 – Acústica – Medição de parâmetros de acústica de salas – Parte 2: Tempo de reverberação em salas comuns especifica métodos para a medição do tempo de reverberação em salas comuns. Ela descreve o procedimento de medição, o dispositivo necessário, o número de posições de medição requerido e o método para avaliar os dados e apresentar o relatório de ensaio.

Os resultados da medição podem ser utilizados para correção de outras medições acústicas, como por exemplo, o nível de pressão sonora de fontes sonoras ou medições de isolamento sonoro, e para comparação com requisitos de tempo de reverberação para salas. A norma especifica três níveis de exatidão de medição: inspeção, engenharia e precisão.

A principal diferença está no número de posições de medição e, por consequência, no tempo requerido para as medições. O Anexo A contém algumas informações adicionais sobre a incerteza de medição do tempo de reverberação. A introdução da opção de uma medição de inspeção se destina a promover medição mais frequente do tempo de reverberação em salas onde este é relevante.

É óbvio que uma medição muito simples é melhor que nenhuma medição. Há várias razões para medir o tempo de reverberação. Primeiro, o nível de pressão sonora das fontes de ruído, a inteligibilidade da fala e a percepção de privacidade em uma sala são fortemente dependentes do tempo de reverberação.

As salas podem incluir salas residenciais, escadas, oficinas, instalações industriais, salas de aula, escritórios, restaurantes, centros de exposições, quadras de esportes, terminais rodoviários e aeroportos. Segundo, o tempo de reverberação é medido para determinar o termo de correção para absorção sonora inerente em muitas medições acústicas, como medições de isolamento sonoro de acordo com a ISO 140 (todas as partes) e medições de potência sonora de acordo com a ISO 3740.

Em alguns países, os códigos de construção especificam os tempos de reverberação requeridos em salas de aulas e outras categorias de sala. Entretanto, na grande maioria das salas, é deixado que a equipe de projeto especifique e projete um tempo de reverberação que seja razoável para a finalidade de uma sala. Esta parte se destina a contribuir para o entendimento geral e aceitação do tempo de reverberação para a qualidade e funcionalidade da sala.

Duas faixas de avaliação diferentes são definidas: 20 dB e 30 dB. Entretanto, tem sido dada preferência à faixa de avaliação de 20 dB por várias razões: a avaliação subjetiva da reverberação é relacionada à parte inicial do decaimento; para a estimativa do nível sonoro estacionário em uma sala a partir do seu tempo de reverberação, é apropriado usar a parte inicial do decaimento; e a relação sinal-ruído é frequentemente um problema em medições em campo, sendo difícil ou impossível obter uma faixa de avaliação de mais de 20 dB.

Isso requer uma relação sinal-ruído de pelo menos 35 dB. A técnica de medição tradicional é baseada na inspeção visual de cada curva de decaimento única. Com equipamento de medição moderno, as curvas de decaimento normalmente não são exibidas e isso pode introduzir um risco de que curvas de decaimento anormais sejam usadas para a determinação do tempo de reverberação.

Pode-se definir o tempo de reverberação Τ 〈parâmetros de acústica de sala〉 como a duração requerida para a média espacial da densidade de energia sonora em um recinto decair 60 dB após a interrupção da emissão sonora. O tempo de reverberação é expresso em segundos. T pode ser avaliado com base em uma faixa dinâmica menor que 60 dB e, em seguida, ser extrapolado para um tempo de decaimento de 60 dB. Ele então é rotulado de acordo. Assim, se T for obtido a partir do tempo no qual a curva de decaimento primeiro alcança 5 dB e depois 25 dB abaixo do instante inicial, ele é rotulado T20. Se forem usados os valores de decaimento de 5 dB a 35 dB abaixo do nível inicial, ele é rotulado T30.

Por esta razão, o Anexo B introduz dois novos métodos que quantificam o grau de não linearidade e o grau de curvatura da curva de decaimento. Essas medições podem ser usadas para alertar quando a curva de decaimento não for linear e, consequentemente, convém que o resultado seja marcado como menos confiável e como não tendo uma única reverberação.

O uso de microfones rotativos durante a medição das curvas de decaimento foi considerado pelo Grupo de Trabalho como um procedimento sem um significado físico claro e, por consequência, ele somente é aceito para o método do ruído interrompido e, além disso, apenas quando o resultado tem por objetivo um termo de correção. Para outras medições de tempo de reverberação, a NBR ISO 3382-1 abrange auditórios e salas de espetáculos, e a ISO 354 abrange medições de coeficiente de absorção em uma câmara reverberante. Nem a NBR ISO 3382-1, nem a ISO 354 são adequadas para medições em salas como aquelas mencionadas acima. Portanto, esta parte da NBR ISO 3382 cobre um intervalo entre normas de medição para propriedades acústicas de edificações.

Esta parte não repete os detalhes técnicos da NBR ISO 3382-1, mas lida com a medição de tempo de reverberação, apenas, em qualquer tipo de sala. Em muitas salas, o número de pessoas presentes pode influenciar fortemente o tempo de reverberação. Convém que as medições de tempo de reverberação sejam feitas sem qualquer pessoa na sala.

Entretanto, pode ser permitida a presença de até duas pessoas em uma sala em medição e mesmo assim considerar seu estado como desocupado, salvo indicação em contrário. Se o resultado de o número de pessoas presentes na sala seja o mesmo que havia na medição anterior.

Em grandes salas, a atenuação pelo ar pode contribuir significativamente para a absorção sonora em altas frequências. Para medições de precisão, a temperatura e a umidade relativa do ar na sala devem ser normalmente medidas.

A contribuição da absorção do ar é desprezível se o tempo de reverberação for menor que 1,5 s em 2 kHz e menor que 0,8 s em 4 kHz. Neste caso, não é necessário medir a temperatura e a umidade relativa.

Convém que a fonte sonora seja a mais omnidirecional possível. Para medições de precisão, a direcionalidade da fonte sonora deve atender aos requisitos da NBR ISO 3382-1:2017, A.3.1. Para medições de inspeção e de engenharia, não há requisitos específicos quanto a direcionalidade. A fonte deve produzir um nível de pressão sonora suficiente para fornecer curvas de decaimento com a faixa dinâmica mínima requerida sem contaminação por som residual.

A captação da pressão sonora deve ser realizada com microfones omnidirecionais, e suas saídas podem ser conectadas tanto: diretamente em um amplificador, conjunto de filtros e um sistema de plotagem (display) de curvas de decaimento ou equipamento de análise para obtenção de respostas impulsivas; ou em um gravador de sinal sonoro para posterior análise.

Convém que o microfone seja o menor possível e tenha preferencialmente diâmetro de diafragma máximo de 14 mm. São permitidos microfones com diâmetros até 27 mm, se forem do tipo resposta de pressão ou do tipo resposta em campo livre, mas providos de corretor de incidência aleatória. Os filtros de oitava e de terço de oitava devem estar em conformidade com a IEC 61260.

O dispositivo para gravação (e exibição e/ou avaliação) do decaimento de nível deve operar com alguns dos seguintes recursos: média exponencial, com curva contínua como saída; média exponencial, com pontos de amostragem discretos sucessivos, obtidos a partir da média contínua como saída; média linear, com médias lineares discretas sucessivas como saída. O tempo médio, isto é, a constante de tempo de um dispositivo que determine a média exponencial, deve ser menor que, mas o mais próximo possível de T30. De maneira semelhante, o tempo médio de um dispositivo que determine a média linear deve ser menor que T12. Aqui Τ é o tempo de reverberação sendo medido.

Em dispositivos nos quais a gravação do decaimento é feita em forma de uma sucessão de pontos discretos, o intervalo de tempo entre os pontos na gravação deve ser menor que 1,5 multiplicado pelo tempo médio do dispositivo. Em todos os casos onde a gravação do decaimento for avaliada visualmente, ajustar a escala de tempo da plotagem de maneira que a inclinação resultante da gravação esteja o mais próximo possível de 45°.

O tempo médio de um dispositivo aplicado para determinar média exponencial é igual a 4,34 [= 10 lg(e)], dividido pela taxa de decaimento do próprio dispositivo, em decibel por segundo. Gravadores de nível comerciais, nos quais o nível de pressão sonora é gravado graficamente em função do tempo, são geralmente equivalentes a dispositivos que determinam a média exponencial. Quando um dispositivo que determina a média exponencial é usado, há pouca vantagem em colocar um tempo médio muito menor que T30 .

Quando um dispositivo que determina média linear é usado, não há vantagem em colocar o intervalo entre pontos muito menor que T12 . Em alguns procedimentos de medição sequenciais, é factível estabelecer apropriadamente um tempo médio para cada banda de frequência. Em outros procedimentos, isto não é factível, e um tempo ou intervalo médios escolhidos, como acima, com referência ao menor tempo de reverberação em qualquer banda, te m que servir para as medições em todas as bandas.

Nenhuma sobrecarga deve ser permitida em qualquer estágio do dispositivo de medição. Onde fontes sonoras impulsivas forem usadas, dispositivos indicando o nível de pico devem ser usados para verificar sobrecarga. Os números mínimos de posições de medição para alcançar uma cobertura apropriada em uma sala são dados na tabela abaixo. Em salas com uma geometria complicada, convém que mais posições de medição sejam usadas. Uma distribuição de posições de microfone deve ser escolhida, a qual antecipe as principais influências prováveis de causar diferenças no tempo de reverberação por toda a sala.

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Para o método do ruído interrompido, o número total de decaimentos resulta normalmente da quantidade de decaimentos repetidos em cada posição. Entretanto, também é permitido tomar uma nova posição para cada decaimento, desde que o número total de decaimentos esteja de acordo com o que foi prescrito. As posições da fonte podem ser escolhidas como as posições normais de acordo com o uso da sala. Em salas pequenas, como salas residenciais ou quando nenhuma posição normal existe, convém que uma posição de fonte esteja em um dos cantos da sala.

Convém que as posições de microfone estejam afastadas preferencialmente a pelo menos metade do comprimento de onda, isto é, uma distância mínima de cerca de 2 m para a faixa de frequência usual. Convém que a distância entre qualquer posição de microfone e a superfície refletora mais próxima, incluindo o piso, seja preferencialmente de pelo menos um quarto de um comprimento de onda, isto é, normalmente cerca de 1 m.

Convém que posições simétricas sejam evitadas. No caso especial de um microfone se movendo, o raio de varredura deve ser de pelo menos 0,7 m. O plano definido pela trajetória de rotação do microfone não pode ser menor que 10° em relação a qualquer plano da sala (parede, piso, teto). A duração de cada trajetória de rotação não pode ser menor que 15 s.

As posições normais se referem à colocação da fonte sonora nas mesmas posições habituais em que normalmente se encontram as fontes sonoras durante o uso corriqueiro do local que está sendo medido. As posições de microfone não podem estar muito próximas umas das outras. Caso contrário, o número de posições independentes se torna menor que o número efetivo de posições de medição. Os números mínimos dados na tabela acima correspondem aos números de posições independentes.

A NBR ISO 3382-3 de 06/2017 – Acústica – Medição de parâmetros de acústica de salas – Parte 3: Escritórios de planta livre especifica os métodos para a medição de propriedades acústicas de ambientes de escritórios de planta livre possuindo mobiliário. Ela especifica os procedimentos de medição, os equipamentos necessários, a cobertura requerida, o método para avaliar os dados e a apresentação do relatório de ensaio. Os resultados das medições podem ser utilizados para avaliar as propriedades acústicas de ambientes de escritórios de planta livre. Esta parte é destinada a escritórios de planta livre de dimensões médias e grandes.

A expressão escritórios de planta livre abrange os escritórios e espaços similares, onde um grande número de pessoas pode trabalhar, ter uma conversa ou concentrar-se de forma independente em estações de trabalho delimitadas. Nos escritórios de planta livre, os ocupantes são afetados pelas atividades ao seu redor. Condições acústicas inadequadas levam à distração e à falta de privacidade para conversas.

As distrações diminuem a capacidade de concentração e reduzem a produtividade, especialmente em tarefas que requerem recursos cognitivos. A falta de privacidade, no que diz respeito à fala, compromete a confidencialidade total ou parcial das conversas. Conversas paralelas podem ao mesmo tempo ser intrusivas para um ouvinte, como desejável para um orador, que em tal condição pode evitar a disseminação involuntária de assuntos de natureza privada.

O projeto de espaços de planta livre inclui uma análise cuidadosa da distribuição das estações de trabalho e um arranjo mútuo das equipes ou grupos de trabalho. Outros fatores que afetam o desempenho acústico de espaços de planta livre são a absorção sonora, altura de divisórias armários e estantes, som residual, grau de enclausuramento das estações de trabalho, a distância entre elas e as dimensões da sala como um todo.

O tempo de reverberação de uma sala costuma ser considerado o principal indicador de suas propriedades acústicas. No entanto, há evidências de que outros tipos de medições, como a taxa de decaimento espacial dos níveis de pressão sonora, o índice de transmissão da fala e os níveis de pressão sonora residual são necessários para uma avaliação mais completa. Se o tempo de reverberação for considerado relevante, convém que ele seja medido de acordo com a NBR ISO 3382-2.

Esta parte 3 especifica um método de medição que resulta em grandezas de número único, indicando o desempenho acústico geral dos escritórios de planta livre. O objetivo principal é a boa privacidade de conversas entre postos de trabalho. O método de medição e as grandezas numéricas únicas resultantes correspondem satisfatoriamente às condições acústicas percebidas pelo trabalhador.

O mobiliário afeta fortemente as condições acústicas. Portanto, as medições são realizadas somente quando a sala estiver completamente finalizada, incluindo o mobiliário. A medição realizada em um ambiente sem mobiliário não descreve as condições acústicas percebidas. É também importante que as medições sejam realizadas quando as pessoas estiverem ausentes, mas com o som residual típico de um dia normal, quer seja este causado por ventilação, ruído do tráfego ou sistema de mascaramento sonoro artificial.

Se as pessoas estiverem presentes, o nível de pressão sonora residual varia fortemente com o tempo, e a determinação de resultados confiáveis torna-se impossível. As grandezas de número único são projetadas para representar a situação em que uma única pessoa está falando e as demais estão em silêncio. Portanto, estas medições são feitas usando uma única fonte.

Se muitas pessoas falarem simultaneamente, o mascaramento aumenta em detrimento da qualidade do grau de distração. Portanto, os resultados descrevem a situação mais perturbadora. No entanto, esta parte pode ser usada para determinar a qualidade acústica do ambiente, por exemplo, em centrais de chamadas (call centers), onde muitos oradores estão continuamente ativos.

Nestes casos, o ambiente sonoro causado por conversas simultâneas pode causar um efeito positivo de mascaramento da fala e os resultados obtidos a partir desta parte podem subestimar a efetiva privacidade de conversa percebida. Os níveis de pressão sonora e STI devem ser medidos em bandas de oitava, entre 125 Hz e 8 000 Hz. O STI (índice de transmissão da fala que é a grandeza física representativa da qualidade de transmissão da fala quanto à sua inteligibilidade) deve ser determinado de acordo com o método completo especificado na IEC 60268-16.

Os dados medidos devem ser convertidos em quatro grandezas simples de número único, visando facilitar seu uso em projetos acústicos e permitir o estabelecimento de valores simples como meta. As grandezas de número único a serem determinadas são: distância de distração, rD; taxa de decaimento espacial de nível de pressão sonora ponderada em A da fala, D2,S; nível de pressão sonora ponderada em A da fala, a 4 m, Lp,A,S,4m; e o nível médio de pressão sonora ponderada em A do som residual, Lp,A,B.

Além destes, ainda podem ser determinados o STI na estação de trabalho mais próxima e a distância de privacidade, rp. Em todas as medições, devem ser utilizadas fontes sonoras omnidirecionais emitindo ruído rosa. Alternativamente, podem também ser utilizados sinais determinísticos que tenham um espectro rosa, como a sequência de comprimento máximo (MLS) ou varreduras de senos, para se medir a resposta impulsiva e dela derivar os resultados.

Em medições em escritórios de planta livre usa-se fonte sonora omnidirecional, uma vez que nesses locais as pessoas não falam continuamente projetando a voz de maneira fixa em uma única direção. Os requisitos especificados pela NBR ISO 3382-1 para fontes sonoras omnidirecionais devem ser cumpridos para que as medições atendam a esta parte.

A verificação da potência sonora da fonte é realizada conforme a NBR ISO 3382-1, com a fonte sonora posicionada a uma altura de 1,2 m acima do piso. Os níveis de pressão sonora devem ser medidos em cada banda de oitava e em cada posição do microfone, usando um medidor de nível de pressão sonora que atenda aos requisitos da IEC 61672-1, para classe 1.

O microfone deve ser omnidirecional (considerando qualquer equipamento complementar a ele conectado). Os filtros de bandas de oitava devem estar de acordo com a IEC 61260. Se o sinal for gravado (por exemplo, com gravadores analógicos ou digitais) para ser pós-processado, deve-se assegurar que a instrumentação como um todo obedeça aos requisitos mencionados acima.

Medições em conformidade com esta parte devem ser feitas em ambientes mobiliados, mas sem a presença de pessoas, exceto por aquelas imprescindíveis à realização das medições. O nível de pressão sonora residual é medido e aplicado para a determinação do valor de STI. Os equipamentos HVAC e outras fontes sonoras devem operar na mesma condição em que se encontram durante o expediente de trabalho.

Se as fontes operarem em potência reduzida, os valores de STI serão muito elevados, levando à superestimação de rD e rP. Se o escritório for equipado com um sistema de mascaramento sonoro, este deve estar em funcionamento durante a medição. As medições em conformidade com esta parte têm que ser realizadas quando as pessoas estiverem ausentes.

Portanto, o ruído devido à fala das pessoas não está incluído na medição do nível de pressão sonora residual. É reconhecido que às vezes o ruído gerado pela fala das pessoas pode causar um efeito positivo no mascaramento. Nestes casos, as efetivas distâncias de distração e de privacidade serão menores que as medidas para rD e rP, respectivamente.

A avaliação das condições acústicas incluindo a fala das pessoas não está no escopo desta parte. Recomenda-se que as medições sejam realizadas ao longo de uma linha passando pelas estações de trabalho, como apresentado na figura abaixo. O número preferencial de posições de medição sucessivas em uma mesma linha é de 6 a 10; o número mínimo é 4.

A primeira posição de medição deve estar localizada na estação de trabalho mais próxima e sobre a linha de medição. A distância até a posição de medição mais remota depende do tamanho do ambiente; entretanto, apenas posições situadas entre 2 m e 16 m de distância são usadas para a determinação de D2,S; ver 6.2. As posições de medição não precisam estar necessariamente em linha reta; ver figura abaixo.

Escritórios de planta livre compreendem frequentemente duas ou mais áreas, nas quais os materiais do forro são de diferentes tipos ou a concepção do mobiliário varia significativamente. Convém que as medições sejam de preferência realizadas em cada área. Grandezas de número único são calculadas separadamente para cada área.

Se a linha de medição atravessar áreas distintas, as curvas de distribuição espacial podem ter decaimentos diferentes ao longo da linha. As medições devem ser efetuadas posicionando a fonte sonora e o microfone da mesma maneira que as posições das cabeças dos ocupantes das estações de trabalho.

As posições da fonte sonora e do microfone devem estar distantes pelo menos 0,5 m em relação às mesas e 2,0 m em relação às paredes e outras superfícies reflexivas. Pelo menos duas posições de fonte sonora devem ser utilizadas. Se apenas uma linha de posições de medição for possível, as medições devem, então, ser realizadas com a fonte sonora em duas posições, dispostas em sentidos opostos em relação à linha de medição.

A fonte sonora deve ser posicionada a uma altura de 1,2 m acima do piso. O microfone deve ser posicionado a uma altura de 1,2 m acima do piso. Os postos de trabalho, onde as atividades são exercidas em pé, não se aplicam a esta parte da NBR ISO 3382.

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Em cada posição de medição, são realizadas quatro medições: nível de pressão sonora do ruído rosa em banda de oitava, Lp,Ls; STI; nível de pressão sonora do som residual em bandas de oitava, Lp,B; distância da fonte sonora, r. Em cada posição de medição os níveis de pressão sonora do ruído rosa e do som residual são medidos em bandas de oitava, na faixa de frequência entre 125 Hz e 8.000 Hz. Convém que o tempo de integração seja ao menos de 10 s. Tempos de integração mais longos que 10 s são necessários para ruídos não estacionários, como, por exemplo, ruído rodoviário.

A NBR 10151 de 06/2000 – Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – Procedimento fixa as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em comunidades, independente da existência de reclamações. Especifica um método para a medição de ruído, a aplicação de correções nos níveis medidos se o ruído apresentar características especiais e uma comparação dos níveis corrigidos com um critério que leva em conta vários fatores. O método de avaliação envolve as medições do nível de pressão sonora equivalente (LAeq), em decibel ponderados em “A”, comumente chamado dB(A).

O medidor de nível de pressão sonora ou o sistema de medição deve atender às especificações da IEC 60651 para tipo 0, tipo 1 ou tipo 2. Recomenda-se que o equipamento possua recursos para medição de nível de pressão sonora equivalente ponderado em “A” (LAeq), conforme a IEC 60804.

O calibrador acústico deve atender às especificações da IEC 60942, devendo ser classe 2, ou melhor. O medidor de nível de pressão sonora e o calibrador acústico devem ter certificado de calibração da Rede Brasileira de Calibração (RBC) ou do Inmetro, renovado no mínimo a cada dois anos. Uma verificação e eventual ajuste do medidor de nível de pressão sonora ou do sistema de medição deve ser realizada pelo operador do equipamento, com o calibrador acústico, imediatamente antes e após cada medição, ou conjunto de medições relativas ao mesmo evento.

No levantamento de níveis de ruído deve-se medir externamente aos limites da propriedade que contém a fonte. Na ocorrência de reclamações, as medições devem ser efetuadas nas condições e locais indicados pelo reclamante, devendo ser atendidas as demais condições gerais. Em alguns casos, para se obter uma melhor avaliação do incômodo à comunidade, são necessárias correções nos valores medidos dos níveis de pressão sonora, se o ruído apresentar características especiais.

A aplicação dessas correções fornece o nível de pressão sonora corrigido ou simplesmente nível corrigido (Lc). Todos os valores medidos do nível de pressão sonora devem ser aproximados ao valor inteiro mais próximo. Não devem ser efetuadas medições na existência de interferências audíveis advindas de fenômenos da natureza (por exemplo: trovões, chuvas fortes etc.).

O tempo de medição deve ser escolhido de forma a permitir a caracterização do ruído em questão. A medição pode envolver uma única amostra ou uma sequência delas. Deve-se prevenir o efeito de ventos sobre o microfone com o uso de protetor, conforme instruções do fabricante. No exterior das edificações que contêm a fonte, as medições devem ser efetuadas em pontos afastados aproximadamente 1,2 m do piso e pelo menos 2 m do limite da propriedade e de quaisquer outras superfícies refletoras, como muros, paredes, etc.

Na impossibilidade de atender alguma destas recomendações, a descrição da situação medida deve constar no relatório. No exterior da habitação do reclamante, as medições devem ser efetuadas em pontos afastados aproximadamente 1,2 m do piso e pelo menos 2 m de quaisquer outras superfícies refletoras, como muros, paredes, etc. Caso o reclamante indique algum ponto de medição que não atenda as condições, o valor medido neste ponto também deve constar no relatório.

As medições em ambientes internos devem ser efetuadas a uma distância de no mínimo 1 m de quaisquer superfícies, como paredes, teto, pisos e móveis. O nível de critério de avaliação (NCA) para ambientes externos está indicado na tabela abaixo. Os limites de horário para o período diurno e noturno da tabela 1 podem ser definidos pelas autoridades de acordo com os hábitos da população.

Porém, o período noturno não deve começar depois das 22 h e não deve terminar antes das 7 h do dia seguinte. Se o dia seguinte for domingo ou feriado o término do período noturno não deve ser antes das 9 h. O nível de critério de avaliação NCA para ambientes internos é o nível indicado na tabela abaixo com a correção de – 10 dB(A) para janela aberta e – 15 dB(A) para janela fechada. Se o nível de ruído ambiente Lra, for superior ao valor da tabela para a área e o horário em questão, o NCA assume o valor do Lra.

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O relatório deve conter as seguintes informações: marca, tipo ou classe e número de série de todos os equipamentos de medição utilizados; data e número do último certificado de calibração de cada equipamento de medição; desenho esquemático e/ou descrição detalhada dos pontos da medição; horário e duração das medições do ruído; nível de pressão sonora corrigido Lc, indicando as correções aplicadas; nível de ruído ambiente; valor do nível de critério de avaliação (NCA) aplicado para a área e o horário da medição; h) referência a esta norma.

Recintos fechados

O ouvido humano pode ser sensibilizado por uma onda mecânica que se propaga num campo ondulatório (meio material), como o ar, desde que essa onda apresente intensidade suficiente e sua frequência encontre-se dentro de um certo intervalo subjetivo. À estas sensibilizações pode-se denominar como sensações sonoras.

Em geral, ao estudo das fontes sonoras, propagação e fenômenos correlatos sofridos pela onda mecânica sonora ou audível, denomina-se acústica. Em particular, pode-se denominar por som à toda onda mecânica nas condições especificadas, como uma intensidade suficiente e frequência limitada em um certo intervalo). Se a frequência da onda sonora pertence ao intervalo subjetivo (depende do observador) entre 16 Hz a 20.000 Hz, esse som é audível para o ser humano.

Pode-se acrescentar que os ultrassons de altas potências podem ser produzidos por emissores piezelétricos (quartzo vibrante) e encontram larga aplicação nos sonares. Em química, os ultrassons provocam oxidações e despolimerizações; em físico-química, fazem cessar estados de equilíbrio instáveis (superfusão, supersaturação) e impressionam a chapa fotográfica.

Em física, provocam a coagulação dos aerossóis, determinam nos líquidos o fenômeno de cavitação, excitam a luminescência de certos líquidos. Em biologia, determinam a segmentação dos microrganismos e, por vezes, sua destruição como a aplicação na esterilização do leite.

Quanto ao efeito sobre o ouvido, os sons são classificados em musicais e ruídos. Subjetivamente esta classificação deixa muito a desejar, pois há quem (muito propriamente) considere o rock‘n rol um ruído e outros (mais desprovidos de sensibilidade) um som musical.

Fisicamente, entende-se por som musical ao resultado da superposição de ondas sonoras periódicas ou aproximadamente periódicas. Os ruídos correspondem a ondas sonoras não periódicas e breves, que mudam imprevisivelmente de características. O som musical pode ser simples, quando corresponde a uma única onda harmônica e composto quando se compõe de duas ou mais ondas harmônicas.

Apesar de variarem em um mesmo sentido, é preciso não confundir intensidade fisiológica ou intensidade auditiva ou ainda nível sonoro com a intensidade física ou intensidade sonora, quando se trata de onda sonora, uma grandeza física associada ao fenômeno vibratório.

Durante a propagação das ondas tem lugar um transporte de energia, mas as partículas do meio não se deslocam no sentido da propagação das ondas, limitando-se a realizar movimentos oscilatórios nas proximidades da posição de equilíbrio. Quando a amplitude das ondas é pequena e o meio em que se propagam não é viscoso.

A grandeza que é numericamente igual à energia média transportada pela onda, por unidade de tempo, através de uma unidade de área da superfície da onda é denominada intensidade física da onda. Essa intensidade é medida em W/m². A intensidade das ondas acústicas é denominada intensidade física do som ou, simplesmente, intensidade sonora.

A intensidade do som captada pelo ouvido corresponde à sensação do que se denomina popularmente de volume do som. Quando o som tem uma determinada intensidade mínima, o ouvido humano não capta o som. Essa intensidade mínima é denominada nível mínimo de audição ou o limiar de audição e esse mínimo difere segundo a frequência dos sons. Quando a intensidade é elevada, o som provoca uma sensação dolorosa.

Os limites extremos da voz humana são de 60 a 550 Hz para o homem e 110 e 1.300 Hz para a mulher. Imagine a incompatibilidade auditiva que pode existir entre um casal cujo homem fala na base dos 60 Hz e a mulher na base dos 1.300 Hz.

O timbre depende dos harmônicos associados ao som fundamental no caso dos sons musicais ou das ondas que se superpõem, no caso dos sons compostos em geral. No caso dos sons musicais, é a qualidade que permite distinguir dois sons de mesma altura emitidos por fontes sonoras diferentes.

A NBR 12179 de 04/1992 – Tratamento acústico em recintos fechados – Procedimento fixa os critérios fundamentais para execução de tratamentos acústicos em recintos fechados. O isolamento acústico é o processo pelo qual se procura evitar a penetração ou a saída, de ruídos ou sons, em um determinado recinto. O isolamento acústico compreende a proteção contra ruídos ou sons aéreos e ruídos ou sons de impacto.

O condicionamento acústico é o processo pelo qual se procura garantir em um recinto o tempo ótimo de reverberação e, se for o caso, também a boa distribuição do som. O ruído aéreo e som aéreo são os ruídos ou sons produzidos e transmitidos através do ar, como, por exemplo, as buzinas, vozes, alto-falantes, etc..

O ruído de impacto e som de impacto é o produzido por percussão sobre um corpo sólido e transmitido através do ar, como, por exemplo, a queda de objetos, ruídos de passos, marteladas, instrumentos de percussão, etc. O tempo de reverberação é o necessário para que um som deixe de ser ouvido, após a extinção da fonte sonora, e expresso em segundos. O tempo de reverberação é medido como o tempo necessário para que o som sofra um decréscimo de intensidade de 60 dB.

O decibel (dB) é a unidade de intensidade física relativa do som. O número de decibel de um som é expresso pela fórmula: i = 10 log10. I/Io, onde: i = intensidade física relativa, expressa em decibel; I = intensidade física absoluta do mesmo som; Io = intensidade do correspondente ao limiar de percepção; Io = 10-16 W/cm² para 1.000 Hz.

Como existe na propagação das ondas sonoras uma relação entre a intensidade do som e sua pressão sonora, o nível de intensidade pode, consequentemente, ser deduzido através de uma medida de nível de pressão acústica (sonora). Para os casos que na prática não se permite a citada relação, não se pode consequentemente referir a uma medida de nível de pressão acústica como representativa de intensidade sonora.

O nível de pressão acústica (intensidade sonora) é aquele expresso em decibel, igual a 20 vezes o logaritmo decimal de uma pressão acústica (sonora) a medir, com relação a uma outra pressão acústica (sonora), denominada de referência. A menos que explicitamente indicado, fica entendido que o nível de pressão acústica é o efetivo.

Assim, o tratamento acústico, destinado ao conforto humano, implica o conhecimento de valores das condições locais, em função do conjunto de condições do recinto: nível de som exterior, em decibel; nível de som do recinto, em decibel (em função do gênero de atividade deste recinto); planta de situação do imóvel onde se acha o recinto a ser tratado; plantas e cortes longitudinal e transversal do recinto; especificações dos materiais empregados no recinto: de construção (pisos, paredes, etc.) e de utilização (mesas, poltronas, cortinas, etc.).

O tratamento acústico do recinto compreende determinações para: o isolamento acústico através do uso adequado de materiais capazes de permitir a necessária impermeabilidade acústica, previamente fixada; condicionamento acústico pelo estudo geométrico-acústico do recinto e o cálculo do tempo de reverberação. O nível de som do recinto deve ser fixado de acordo com a NBR 10152 de 11/2017 – Acústica — Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações que estabelece o procedimento para execução de medições de níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações; o procedimento para determinação do nível de pressão sonora representativo de um ambiente interno a uma edificação; o procedimento e valores de referência para avaliação sonora de ambientes internos a edificações, em função de sua finalidade de uso; valores de referência de níveis de pressão sonora para estudos e projetos acústicos de ambientes internos a edificações, em função de sua finalidade de uso.

Estabelecido este nível e conhecido o nível de som exterior, obtém-se por diferença a queda de nível de som (Δ), em decibel. A seleção de materiais isolantes acústicos deve ser feita em função dos valores fixados na tabela abaixo. Pode ser utilizada uma combinação de materiais isolantes, para o caso de queda de nível de som (Δ) elevada e deve-se levar em conta a natureza dos ruídos ou sons a isolar (aéreos ou de impactos).

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Estabelecido o nível de som do recinto deve ser feito o estudo geométrico-acústico e determinado o tempo de reverberação. Para auditórios, teatros, cinemas, etc., devem ser examinadas as plantas e cortes do recinto, e, levando-se em conta os materiais a serem empregados, é feito o estudo geométrico-acústico, considerando-se uma ou mais fontes sonoras, previamente localizadas.

Tal estudo visa conhecer a distribuição dos sons diretos ou refletidos, de modo a serem conseguidas em todo o recinto as melhores condições de audibilidade. O projetista deve utilizar as superfícies do teto para obter o reforço sonoro necessário à boa audibilidade, e ainda eventualmente utilizar as superfícies das paredes.

Para tanto deve empregar defletores, no caso de reflexão do som orientada, ou difusores, no caso de simples distribuição do som em todos os sentidos. A forma geométrica do recinto pode assim sofrer modificações tanto em planta como em corte, necessárias à boa distribuição do som.

A NBR ISO 16283-1 de 12/2018 – Acústica – Medição de campo do isolamento acústico nas edificações e nos elementos de edificações – Parte 1: Isolamento a ruído aéreo especifica os procedimentos para determinar o isolamento a ruído aéreo entre duas salas, em uma edificação usando medições de pressão sonora. Estes procedimentos são destinados a salas de volume na faixa de 10 m³ a 250 m³, na faixa de frequências de 50 Hz a 5.000 Hz. Os resultados dos ensaios podem ser usados para quantificar, avaliar e comparar o isolamento a ruído aéreo em salas mobiliadas ou não mobiliadas, onde o campo sonoro pode ou não se aproximar de um campo difuso. O isolamento a ruído aéreo medido é dependente de frequência e pode ser convertido em uma classificação de valor único para caracterizar o desempenho acústico, usando os procedimentos de classificação da ISO 717-1.

Essa norma descreve os procedimentos para medições de campo do isolamento acústico nas edificações. Isolamentos a ruído aéreo, de impacto e nas fachadas são descritos nas NBR ISO 16283-1, ISO 16283-2 e ISO 16283-3, respectivamente. As medições de campo do isolamento acústico, que foram descritas anteriormente na ISO 140-4, ISO 140-5 e ISO 140-7, foram destinadas principalmente às medições em que o campo sonoro pode ser considerado difuso, e não explícitas quanto ao fato dos operadores poderem estar presentes nas salas durante a medição.

A ISO 16283 difere das ISO 140-4, ISO 140-5 e ISO 140-7 em: é aplicável às salas em que o campo sonoro pode ou não se aproximar de um campo difuso, se esclarece como os operadores podem medir o campo sonoro usando um microfone de mão ou sonômetro e inclui orientações adicionais contidas anteriormente na ISO 140-14. Métodos de verificação de ensaio para medições de campo de isolamento a ruído aéreo e de impacto são tratados na ISO 10052.

Os instrumentos de medição dos níveis de pressão sonora, incluindo microfone (s), bem como o (s) cabo (s), protetor (es) de vento, dispositivos de gravação e outros acessórios, se utilizados, devem atender aos requisitos de um instrumento de classe 1 de acordo com a IEC 61672-1, para aplicação de incidência aleatória. Os filtros devem atender aos requisitos para um instrumento de classe 1, de acordo com a IEC 61260.

O equipamento de medição do tempo de reverberação deve atender aos requisitos estabelecidos na NBR ISO 3382-2. No início e no final de cada série de medições, e pelo menos no início e no final de cada dia de medição, todo o sistema de medição de níveis de pressão sonora deve ser checado em uma ou mais frequências por meio de um calibrador sonoro que atenda aos requisitos para um instrumento de classe 1, de acordo com a IEC 60942.

Cada vez que o calibrador é usado, convém que o nível de pressão sonora medido com o calibrador seja anotado na documentação de campo do operador. Sem qualquer ajuste adicional, a diferença entre as leituras obtidas em duas checagens consecutivas deve ser inferior ou igual a 0,5 dB. Se este valor for ultrapassado, os resultados das checagens obtidos após a checagem anterior satisfatória devem ser descartados.

A conformidade do instrumento de medição de níveis de pressão sonora, dos filtros e do calibrador sonoro com os requisitos pertinentes deve ser verificada pela existência de um certificado de conformidade válido. Se aplicável, a resposta de incidência aleatória do microfone deve ser verificada por um procedimento de acordo com a IEC 61183.

Todos os ensaios de conformidade devem ser executados por um laboratório acreditado ou autorizado em nível nacional para realizar ensaios e calibrações pertinentes, e para assegurar a rastreabilidade metrológica com as normas adequadas de medição. A menos que os regulamentos nacionais digam o contrário, é recomendado que o calibrador sonoro seja calibrado em intervalos não superiores a um ano e convém que a conformidade do sistema de instrumentação com os requisitos da IEC 61672-1 seja verificada a intervalos não superiores a dois anos, e convém que a conformidade do conjunto de filtros com os requisitos da IEC 61260 seja verificada a intervalos não superiores a dois anos.

Todas as grandezas devem ser medidas utilizando filtros de banda de terço de oitava com pelo menos as seguintes frequências centrais, em Hertz: 100, 125, 160, 200, 250, 315, 400, 500, 630, 800, 1.000, 1,250, 1.600, 2.000, 2.500, 3.150. Se informações adicionais na faixa de baixas frequências forem requeridas, utilizar filtros de banda de terço de oitava com as seguintes frequências centrais, em Hertz: 50, 63, 80.

Se informações adicionais na faixa de altas frequências forem requeridas, utilizar filtros de banda de terço de oitava com as seguintes frequências centrais, em Hertz: 4.000, 5.000. A medição de informações adicionais nas faixas de baixas e altas frequências é opcional. A determinação do isolamento a ruído aéreo, de acordo com esta parte da NBR ISO 16283, requer que uma sala seja escolhida como sala de emissão, que irá conter a (s) fonte (s) sonora (s), e outra que é escolhida como a sala de recepção.

As medições que são requeridas incluem os níveis de pressão sonora em ambas as salas com a(s) fonte(s) operando, o ruído de fundo na sala de recepção quando todas as fontes estão desligadas e os tempos de reverberação na sala de recepção. Dois procedimentos de medição são descritos, que devem ser utilizados para o nível de pressão sonora, o tempo de reverberação e o ruído de fundo; um procedimento-padrão e um procedimento adicional de baixa frequência.

Para o nível de pressão sonora e o ruído de fundo, o procedimento-padrão para todas as frequências é a utilização de um microfone fixo ou um microfone de mão, movido de uma posição para outra, uma matriz de microfones fixos, um microfone em movimento contínuo mecanizado ou um microfone com varredura manual. Estas medições são executadas na zona central de uma sala em posições afastadas dos limites da sala.

Diferentes abordagens são descritas para amostrar os níveis de pressão sonora, para que o operador possa escolher a abordagem mais adequada para a sala de emissão e sala de recepção. A principal consideração para a sala de emissão diz respeito à proteção auricular a ser utilizada pelo operador humano.

Para a sala de recepção, o objetivo é minimizar o efeito do ruído de fundo, para o qual o operador tem de decidir se é vantajoso estar presente na sala, de modo a ouvir o ruído de fundo intermitente ou ficar fora da sala, para assegurar que o ruído de fundo não seja afetado pelo operador. Para o nível de pressão sonora e o ruído de fundo, o procedimento de baixa frequência deve ser utilizado para as bandas de terço de oitava de 50 Hz, 63 Hz e 80 Hz na sala de emissão e/ou sala de recepção, quando seu volume for menor do que 25 m³ (calculado para o metro cúbico mais próximo).

Este procedimento é executado em adição ao procedimento-padrão e requer medições adicionais dos níveis de pressão sonora nos cantos da sala de emissão e/ou sala de recepção, usando um microfone fixo ou um microfone de mão. O procedimento de baixa frequência é necessário em salas pequenas, devido a grandes variações espaciais do nível de pressão sonora do campo sonoro modal.

Nestas situações, as medições de canto são utilizadas para melhorar a repetibilidade, reprodutibilidade e relevância para os ocupantes da sala. Se necessário, para evitar danos à audição, convém que proteção auricular seja utilizada pelo operador, quando medir o nível de pressão sonora na sala de emissão e, se necessário, quando medir o tempo de reverberação na sala de recepção.

Ao medir os níveis de pressão sonora na sala de recepção, que não irão causar danos auditivos, é aconselhável remover qualquer proteção auricular, para que o operador tenha conhecimento de eventos acústicos externos curtos, que poderiam invalidar a medição, bem como para ajudar o operador a minimizar o ruído autogerado. Para o tempo de reverberação, o procedimento de baixa frequência deve ser utilizado para as bandas de terço de oitavas de 50 Hz, 63 Hz e 80 Hz na sala de emissão e/ou sala de recepção quando seu volume é menor do que 25 m³ (calculado para o metro cúbico mais próximo).

Se utilizados métodos de processamento de sinal descritos na ISO 18233, as medições devem ser realizadas utilizando microfones fixos e não podem utilizar um microfone em movimento contínuo mecanizado, microfone de mão ou um microfone com varredura manual. Os campos sonoros em salas típicas (mobiliadas ou não) raramente se aproximam de um campo sonoro difuso em toda a faixa de frequências de 50 Hz a 5.000 Hz.

Os procedimentos-padrão e de baixa frequência permitem que as medições sejam executadas sem qualquer conhecimento quanto ao campo sonoro e podem ser considerados como difuso ou não difuso. Por este motivo, convém que o campo sonoro não seja modificado para o propósito do ensaio, introduzindo temporariamente móveis ou difusores adicionais em uma ou ambas salas (mobiliadas ou não).

Se medições com difusão adicional forem requeridas, por exemplo, devido aos requisitos regulamentares ou porque o resultado do ensaio é para ser comparado com uma medição de laboratório de um elemento ensaiado similar, então a introdução de três difusores será em geral suficiente, cada um com uma área de pelo menos 1,0 m². Todos os métodos de medição para o procedimento-padrão ou o procedimento de baixa frequência são equivalentes. Em caso de litígio, o isolamento a ruído aéreo determinado utilizando métodos de medição sem um operador dentro da sala de emissão e/ou sala de recepção deve ser considerado como sendo o resultado de referência.



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