O material particulado em suspensão no ar ambiente

O material particulado atmosférico é uma matéria sólida ou líquida microscópica suspensa na atmosfera da Terra. O material particulado é a soma de todas as partículas sólidas e líquidas suspensas no ar, muitas das quais são perigosas. Pode-se fazer a determinação da sua concentração total pelo método do amostrador de grande volume. Acompanhe no texto.

ar2Esta mistura complexa inclui as partículas orgânicas e inorgânicas, como poeira, pólen, fuligem como gotas de fumaça e líquido. Essas partículas variam muito em tamanho, composição e origem. Consistem em partículas sólidas microscopicamente pequenas ou gotículas de líquido suspensas no ar.

Quanto menores as partículas, mais profundas elas podem penetrar no sistema respiratório e mais perigosas elas são para respirar. O material particulado é principalmente um problema no inverno em locais com a queima de madeira sazonal que pode fazer uma contribuição substancial.

O material é frequentemente dividido em dois grupos principais, com base em seu tamanho: partículas grosseiras inaláveis que variam de 2,5 micrómetros a 10 micrómetros de diâmetro (PM10 – PM2,5); partículas finas que são encontradas na fumaça e neblina com um tamanho de até 2,5 µm (PM2,5).

Enquanto as partículas grosseiras inaláveis são encontradas perto de estradas e indústrias empoeiradas, partículas finas podem ser emitidas diretamente de fontes como incêndios florestais ou podem se formar quando gases emitidos de usinas, indústrias e automóveis reagem no ar. Dessa forma, as partículas são originárias de uma variedade de fontes estacionárias e móveis e podem ser emitidas diretamente (emissões primárias) ou formadas na atmosfera (emissões secundárias) pela transformação de emissões gasosas.

As fontes primárias são derivadas de atividades humanas e naturais. Uma porção significativa de fontes é gerada a partir de uma variedade de atividades humanas (antropogênicas).

Esses tipos de atividades incluem operações agrícolas, processos industriais, combustão de madeira e combustíveis fósseis, atividades de construção e demolição e arrastamento de poeira nas estradas. As fontes naturais (não antropogênicas ou biogênicas) também contribuem para o problema geral desse tipo de emissão. Incluem as poeiras levadas pelo vento e incêndios florestais.

As fontes secundárias podem emitir diretamente contaminantes do ar na atmosfera. Portanto, esses poluentes são considerados precursores da formação dos materiais particulados. Eles são secundários e incluem SOx, NOx, COVs e amônia. As medidas de controle que reduzem as emissões desses precursores tendem a ter um impacto benéfico nos níveis ambientais de particulados.

Abaixo um gráfico que resume a faixa de tamanhos de partículas, em mícron. Elas podem ser encontradas no ambiente. Ele fornece uma indicação de quão pequenos alguns desses alérgenos podem ser e assim determinar quais tipos de purificadores de ar são eficazes na remoção desses alérgenos do ar que se respira.

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O tamanho das partículas suspensas na atmosfera varia em quatro ordens de magnitude, de alguns nanômetros a dezenas de mícrons. As partículas maiores, chamadas frações grosseiras, são produzidas mecanicamente pela quebra de partículas sólidas maiores. Essas partículas podem incluir poeira levada pelo vento de processos agrícolas, solo descoberto, estradas não pavimentadas ou operações de mineração.

O tráfego produz poeira na estrada e turbulência do ar e nas costas marítimas a evaporação do mar pode produzir grandes partículas. Grãos de pólen, esporos de fungos e partes de plantas e insetos estão todos dentro dessa faixa de tamanho maior. A quantidade de energia necessária para quebrar essas partículas em tamanhos menores aumenta à medida que o tamanho diminui, o que efetivamente estabelece um limite inferior para a produção dessas partículas grosseiras de aproximadamente 1 µm.

As partículas menores, chamadas de fração fina, são em grande parte formadas a partir de gases. As menores partículas, menores que 0,1 µm, são formadas por nucleação, isto é, pela condensação de substâncias de baixa pressão de vapor formadas por vaporização a alta temperatura ou por reações químicas na atmosfera para formar novas partículas (núcleos).

Há quatro classes principais de fontes com pressões de equilíbrio baixas o suficiente para formar partículas no modo de núcleo e que podem produzir material particulado: metais pesados (vaporizados durante a combustão), carbono elementar (a partir de moléculas curtas geradas por combustão), orgânicos derivados do carbono e sulfatos e nitratos. As partículas nesta gama ou modo de nucleação crescem por coagulação, isto é, a combinação de duas ou mais partículas para formar uma partícula maior, ou por condensação, isto é, condensação de moléculas de gás ou vapor na superfície das partículas existentes.

A coagulação é a mais eficiente para um grande número de partículas e a condensação é mais eficiente para grandes áreas de superfície. Portanto, a eficiência da coagulação e da condensação diminui à medida que o tamanho da partícula aumenta, o que efetivamente produz um limite superior de tal forma que as partículas não crescem por esses processos além de aproximadamente 1 µm. Assim, as partículas tendem a se acumular entre 0,1 e 1 µm , a chamada faixa de acumulação.

As partículas de tamanho submicrométrico podem ser produzidas pela condensação de metais ou compostos orgânicos que são vaporizados em processos de combustão de alta temperatura. Também podem ser produzidas pela condensação de gases que foram convertidos em reações atmosféricas para substâncias de baixa pressão de vapor.

Por exemplo, o dióxido de enxofre é oxidado na atmosfera para formar ácido sulfúrico (H2SO4), que pode ser neutralizado por NH3 para formar sulfato de amônio. O dióxido de nitrogênio (NO2) é oxidado em ácido nítrico (HNO3) que, por sua vez, pode reagir com a amônia (NH3) para formar nitrato de amônio.

As partículas produzidas pelas reações intermediárias de gases na atmosfera são chamadas de partículas secundárias e, como o sulfato e nitrato, são geralmente os componentes dominantes das partículas finas. A combustão de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e a gasolina pode produzir partículas grosseiras a partir da liberação de materiais não combustíveis, isto é, cinzas voláteis, partículas finas da condensação de materiais vaporizados durante a combustão e partículas secundárias através das reações atmosféricas de óxidos de enxofre e óxidos de nitrogênio inicialmente liberados como gases.

Pode-se dizer que existem causas naturais das partículas, como os vulcões em erupção que lançam grandes quantidades de partículas, incluindo cinzas e gases vulcânicos na atmosfera, sendo que as erupções vulcânicas foram diretamente associadas à mudança climática desde o início dos estudos sobre o assunto. As tempestades de poeira causadas pelos ventos fortes podem captar vastas nuvens de partículas que, por sua vez, são dispersas na atmosfera e podem levar anos para retornar à superfície.

Os incêndios florestais e de pastagens geram uma fumaça que contém uma mistura complexa de partículas como o monóxido de carbono e o cianeto de hidrogênio, que são suspensos no ar e repousam na atmosfera. A vegetação viva emite partículas para o ar, como isopreno, metanol e esporos. Estas partículas podem ser levadas para cima pelo vento e adicionadas ao nível de partículas na atmosfera.

No caso da pulverização marítima, causada pela grande quantidade de plásticos que se decompõem em escala nano, podem ser encontradas partículas na água dos oceanos em todo o mundo. Elas são perigosas, pois podem ser lançadas no ar por forte pulverização marítima. Já os tornados e furacões podem coletar grandes quantidades de poeira e poluentes em repouso no campo, muito mais quando passam por cidades e encontram pó de cimento ou outros gerados pelo homem em níveis mais altos do que os poluentes em geral.

Igualmente, o homem pode causar problemas na geração de partículas. A queima de carvão ainda é usada na maioria dos países para gerar calor e suprir energia. Ela aumenta diretamente a quantidade de monóxido de carbono e outras partículas perigosas na atmosfera. A combustão de óleo diesel para movimentar motor a explosão emite um grande número de gases de escape contendo partículas perigosas em todo o mundo, em grandes quantidades. Devido às grandes quantidades desses poluentes nas cidades, inúmeras mortes são causadas por partículas.

A queima de madeira é uma causa de partículas em larga escala, usada para muitas finalidades, como aquecimento e geração de energia, o processo de combustão envia muitos materiais tóxicos de poluentes para a atmosfera, como a fuligem. Na construção civil, a poeira de cimento é uma grande parte dos poluentes globais em geral, por causa do pequeno tamanho de partículas da poeira que ficam suspensas no ar por algum tempo. O uso de veículos na indústria da construção e outros poluentes conhecidos faz com que as indústrias de construção precisem urgentemente de mudanças voltadas para a sustentabilidade.

No setor de demolição grandes quantidades de poeira são lançadas no ar e essas partículas são absorvidas pelo vento e, novamente devido ao seu pequeno tamanho, elas podem permanecer no ar por um longo tempo. As estradas estão cobertas de poeira microscópica e poluentes que são transportados pelo ar pelas mudanças de pressão de ar e vento causados quando um carro circula e isso acontece em todo o planeta.

Pesticidas e outros produtos químicos voláteis são enviados para o ar através de pulverizadores e jatos líquidos. O setor agrícola utiliza um grande número de veículos movidos a combustíveis como gasolina e diesel que todos contribuem para aumentar o nível de poluição do ar. Centenas de produtos químicos tóxicos estão presentes na fumaça do tabaco e, devido aos milhões de fumantes em todo o mundo, isso leva a mais poluição.

Todo esse problema afeta a saúde dos seres vivos, causando asma, pois a crescente taxa de diagnósticos tem sido associada ao aumento dos níveis de poluentes finos em todos os países do mundo, particularmente em áreas com maior poluição. O câncer de pulmão vem sendo causado pelas partículas finas que penetram profundamente no sistema respiratório humano e atacam os brônquios, afetando a saúde dos pulmões e levando a tumores cancerígenos.

A doença cardiovascular vem ocorrendo devido às numerosas partículas diferentes que têm efeitos drásticos sobre o coração e suas funções, novamente causadas pelas partículas finas que facilmente passam para o sistema humano não filtrado. A exposição a altos níveis de poluentes do ar levou a um aumento na quantidade de gravidez fracassada, especialmente em cidades com níveis mais altos de poluição.

Confirmada em 09/2018, a NBR 9547 de 09/1997 – Material particulado em suspensão no ar ambiente – Determinação da concentração total pelo método do amostrador de grande volume especifica um método de ensaio para a determinação da concentração mássica de partículas totais em suspensão (PTS) no ar ambiente, em um período de amostragem determinado, utilizando um amostrador de grande volume (AGV). O processo de medição é não-destrutivo e o tamanho da amostra coletada é geralmente adequado para posterior análise química.

Para o método de ensaio, usa-se como princípio um amostrador de ar, devidamente instalado em um local de medição, aspira uma certa quantidade de ar ambiente através de um filtro, dentro de um abrigo coberto, durante um período de amostragem de 24 h (nominais). A vazão imprimida pelo amostrador e a geometria do abrigo favorecem a coleta de partículas de até 25 μm – 50 μm (diâmetro aerodinâmico), dependendo da velocidade e da direção do vento.

Os filtros empregados são específicos para uma eficiência mínima de 99% para a coleta de partículas de ftalato de dioctil de 0,3 μm. O filtro é pesado (após equilíbrio de umidade) antes e após a coleta, a fim de se determinar o ganho líquido em massa. O volume de ar amostrado, corrigido para condições-padrão, é determinado a partir da vazão medida e do tempo de amostragem.

A concentração das partículas totais em suspensão no ar ambiente é calculada dividindo-se a massa das partículas coletadas pelo volume de ar amostrado, corrigido para condições-padrão, e expressa em microgramas por metro cúbico (μg/m³ em condições-padrão). Para amostras coletadas a temperaturas e pressões significativamente diferentes das condições-padrão, essas concentrações corrigidas podem diferenciar substancialmente das condições reais, particularmente a grandes altitudes.

A concentração de material particulado em condições reais pode ser calculada a partir da concentração corrigida, usando-se a temperatura e pressão reais durante o período de amostragem. Como aparelhagem, o filtro (caso se queira também realizar análise química da amostra, são necessárias outras especificações, além das aqui expressas) deve ter dimensões: 20,3 cm ± 0,2 cm x 25,4 cm ± 0,2 cm, com área de exposição nominal: 406,5 cm², feito com material: fibra de vidro ou outro relativamente inerte e não higroscópico, devendo ter eficiência de coleta: 99% no mínimo, conforme teste do ftalato de dioctil (FDO) para partículas de 0,3 μm de diâmetro (ASTM-2986).

A perda de carga recomendada: na faixa de 42 mmHg a 54 mmHg (5,6 kPa a 7,2 kPa) a uma vazão de 1,5 m³/min em condições-padrão (25°C, 760 mmHg ou 101 kPa) através da área de exposição nominal, pH: 6 a 10, integridade: perda de massa de no máximo 2,4 mg, furos: nenhum, tensão de ruptura: 500 g, no mínimo, para uma tira de filtro de 20 mm de largura, cortada na direção mais fraca (ver ASTM-D-828). Fragilidade: nenhuma rachadura ou separação de material após uma dobra simples na direção do maior comprimento. Recipiente protetor: envelope de papel ou estojo para proteção do filtro.

O amostrador deve possuir meios de aspirar a amostra de ar, por redução de pressão, através do filtro, a uma velocidade facial uniforme. O amostrador deve ser dotado de meios adequados que possibilitem: a instalação firme e sem vazamentos do filtro na casinhola de abrigo do amostrador; a conveniente troca de filtros; a ausência de vazamentos que possam causar erros na medição do volume de ar através do filtro; o ajuste da vazão visando acomodar variações na perda de carga no filtro, na voltagem da linha e na altitude.

O ajuste pode ser realizado por meio de um controlador automático ou manual de vazão. O ajuste manual, se empregado, deve ser projetado de tal forma que incorpore meios que dificultem ou evitem alterações não intencionais no valor ajustado. Vazão mínima de amostragem (filtro altamente carregado): 1,1 m³/min. Vazão máxima de amostragem (filtro limpo): 1,7 m³/min .

Motoaspirador: o motor deve ter capacidade para funcionamento contínuo por períodos de 24 h. A casinhola de abrigo do amostrador deve: manter o filtro na posição horizontal, pelo menos 1 m acima da superfície do piso do amostrador, de modo que o ar seja aspirado para baixo através do filtro; ser de forma retangular, com teto em duas águas, similar ao apresentado na figura abaixo; cobrir e proteger o filtro e o motoaspirador contra intempéries; descarregar o ar de exaustão a uma distância de pelo menos 40 cm da entrada de ar no amostrador; ser projetado para minimizar a coleta de material particulado localizado no piso, incorporando, para isso, um defletor entre a saída de exaustão e o piso.

O teto do amostrador deve formar beiral na casinhola de abrigo, conforme mostrado na figura e deve ser montado de modo que forme uma passagem de ar entre o teto e as paredes da casinhola em todos os lados do amostrador. A área de entrada do ar deve ser dimensionada de modo que a velocidade do ar esteja entre 20 cm/s e 35 cm/s para a vazão operacional recomendada, garantindo a captura efetiva das partículas.

A velocidade de captura é a relação entre a vazão de ar no amostrador e a área de entrada do ar, medida no plano horizontal, na borda inferior do teto. O ideal é que a área de entrada e a vazão operacional sejam selecionadas, de modo a se obter uma velocidade (do ar) de captura de (25 cm/s ± 2 cm/s).

O amostrador deve incorporar um dispositivo para indicação de vazão do aparelho. O tipo de dispositivo mais comum é o registrador contínuo de vazão, por meio de um registrador de pressão e um orifício. Outros tipos, que podem ser usados são o medidor de vazão mássica eletrônico, o de orifício com medida de pressão diferencial por manômetro de coluna ou aneroide e o rotâmetro. O dispositivo indicador de vazão deve permitir a calibração e leitura, em unidades de vazão correspondentes, com aproximação de 0,02 m³/min, em condições padrão, ao longo da faixa de 1,0 m³/min a 1,8 m³/min nas condições-padrão.

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Para indicar a temperatura aproximada do ar no orifício de exaustão do indicador de vazão, quando forem usadas correções: faixa: (- 40°C a + 50°C) (223 K a 323 K); resolução: 2°C (2 K). O barômetro deve indicar a pressão barométrica no orifício de exaustão do indicador de vazão, quando forem usadas correções: faixa: (500 mmHg a 800 mmHg ) (66 kPa a 1 060 kPa); resolução: ± 5 mmHg (0,67 kPa).

O programador de tempo deve ser capaz de dar partida e parar o amostrador no período de tempo de 24 h ± 1 h (1 440 min ± 60 min). Exatidão do programador: pelo menos ± 30 min (ver 4.6.8). Calibrador padrão de vazão (CPV), rastreável a um padrão primário oficial (ver 4.8.2). Faixa de vazão aproximada: 1,0 m³ /min a 1,8 m³/min. Resolução: 0,02 m³/min. Reprodutibilidade: ± 2% (duas vezes o coeficiente de variação) dentro de faixas normais de pressão e temperatura ambientes para a referida faixa de vazão.

A faixa de concentração aproximada do método é de 2 μg/m³ a 750 μg/m³ em condições-padrão. O limite superior é determinado pelo ponto no qual o amostrador não pode mais manter a vazão especificada devido à perda de carga acrescida pelo filtro carregado. Este ponto é afetado, entre outras coisas, pela distribuição granulométrica das partículas, pelo teor de umidade das partículas coletadas e pela variação de filtro para filtro.

O limite inferior é determinado pela sensibilidade da balança e pelas fontes inerentes de erro. A velocidades de vento entre 1,3 m/s e 4,5 m/s, verificou-se que o amostrador de grande volume coleta partículas de até 25 μm – 50 μm, dependendo da velocidade e da direção do vento. Para o filtro especificado, não há efetivamente limite inferior para o tamanho das partículas coletadas.

Com base em ensaios realizados por um único analista (repetibilidade), o desvio-padrão relativo (coeficiente de variação) é de 3,0%. O valor correspondente para a precisão interlaboratorial (reprodutibilidade) é de 3,7%. A exatidão absoluta do método é indefinida devido à natureza complexa do material particulado atmosférico e à dificuldade de se determinar a concentração real de material particulado.

Entretanto, o método aqui apresentado permite medidas de concentração de material particulado que atendem aos objetivos desta norma. A massa do material coletado no filtro representa a soma (integração) do produto da vazão instantânea pela concentração instantânea de partículas. Entretanto, a divisão desta massa pela vazão média ao longo do tempo de amostragem somente resulta na concentração real de material particulado desde que a vazão permaneça constante ao longo de todo o período.

O erro decorrente de uma vazão não uniforme depende da magnitude das variações instantâneas da vazão e da concentração de material particulado. Normalmente tais erros não são significativos, mas podem ser reduzidos ainda mais ao se equipar o amostrador com um mecanismo de controle automático que mantenha a vazão constante durante o período de amostragem. É recomendável o emprego de um dispositivo que mantenha a vazão constante.

A flutuação substancial ou não uniforme da vazão durante o período de amostragem pode acarretar erro apreciável no volume de ar estimado ao se empregarem as médias de vazão medidas antes e após a amostragem. Pode-se obter medidas mais exatas do volume de ar: equipando-se o amostrador com um dispositivo de controle que mantenha a vazão constante durante o período de amostragem; empregando-se um dispositivo calibrado para registro contínuo da vazão real durante o período de amostragem e integrando-se a vazão ao longo do período; usando-se qualquer outro meio que realmente meça o volume total de ar amostrado durante o período de amostragem.

O emprego de um registrador contínuo de vazão é recomendado, particularmente se o amostrador não estiver equipado com um dispositivo de controle para manter a vazão constante. As partículas voláteis coletadas no filtro podem se perder durante a amostragem, transporte ou estocagem do filtro antes da pesagem. Embora tais perdas sejam altamente inevitáveis, o filtro deve ser pesado novamente logo que possível após a amostragem.

Pode formar-se artificialmente material particulado na superfície de filtros de fibra de vidro alcalino pela oxidação de gases ácidos no ar amostrado, resultando daí uma determinação mais alta do que a verdadeira de partículas totais em suspensão (PTS). Este efeito geralmente ocorre no início do período de amostragem e é função do pH do filtro e da presença de gases ácidos.

Acredita-se que o fenômeno contribua apenas com uma pequena percentagem do ganho em massa do filtro, porém o efeito pode tornar-se significativo quando são coletadas massas relativamente pequenas de material particulado. Os filtros de fibra de vidro são comparativamente insensíveis a variações na umidade relativa, porém o material particulado coletado pode ser higroscópico. O procedimento de condicionamento minimiza mas não elimina completamente erros devido à umidade.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br

A extinção sem precedentes das espécies na Terra

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A natureza está declinando globalmente a taxas sem precedentes na história humana – e a taxa de extinção de espécies está acelerando, com graves impactos em pessoas ao redor do mundo, adverte um novo relatório da  Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES), cujo resumo foi aprovado na 7ª sessão do Plenário do IPBES, em reunião na semana passada (de 29 de abril a 4 de maio) em Paris.

“A esmagadora evidência da avaliação global do IPBES, de um vasto leque de diferentes áreas de conhecimento, apresenta um quadro sinistro”, disse o presidente do IPBES, Robert Watson. “A saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”.

“O relatório também nos diz que não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”, disse ele. “Através de uma mudança transformadora, a natureza ainda pode ser conservada, restaurada e usada de forma sustentável – isso também é fundamental para atender à maioria das outras metas globais. Por mudança transformadora, queremos dizer uma reorganização fundamental em todo o sistema, através de fatores tecnológicos, econômicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores.”

“Os Estados membros do Plenário do IPBES já reconheceram que, por sua própria natureza, a mudança transformadora pode esperar oposição daqueles com interesses investidos no status quo, mas também que tal oposição pode ser superada para o bem público mais amplo”, explicou Watson. O Relatório de Avaliação Global do IPBES sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos é o mais abrangente já concluído. É o primeiro Relatório intergovernamental de seu tipo e baseia-se na histórica Avaliação Ecossistêmica do Milênio de 2005, introduzindo formas inovadoras de avaliar as evidências.

Compilado por 145 autores especialistas de 50 países nos últimos três anos, com contribuições de outros 310 autores contribuintes, o relatório avalia as mudanças nas últimas cinco décadas, fornecendo uma visão abrangente da relação entre os caminhos do desenvolvimento econômico e seus impactos na natureza. Também oferece vários cenários possíveis para as próximas décadas.

Com base na revisão sistemática de cerca de 15.000 fontes científicas e governamentais, o relatório também extrai (pela primeira vez nessa escala) o conhecimento indígena e local, particularmente sobre questões relevantes para os povos indígenas e comunidades locais.

“A biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas são a nossa herança comum e a mais importante rede de segurança de apoio à vida da humanidade. Mas nossa rede de segurança está esticada quase até o ponto de ruptura”, disse a professora Sandra Díaz (Argentina), que presidiu a avaliação com o professor Josef Settele (Alemanha) e o professor Eduardo S. Brondízio (Brasil e EUA). “A diversidade dentro das espécies, entre espécies e ecossistemas, bem como muitas contribuições fundamentais que derivamos da natureza, estão declinando rapidamente, embora ainda tenhamos os meios para garantir um futuro sustentável para as pessoas e o planeta”.

O estudo conclui que cerca de 1 milhão de espécies animais e vegetais estão agora ameaçadas de extinção, muitas em décadas, mais do que nunca na história da humanidade. A abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres caiu em pelo menos 20%, principalmente desde 1900. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.

O quadro é menos claro para espécies de insetos, mas evidências disponíveis apoiam uma estimativa de mais ou menos 10% de ameaça. Pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção desde o século 16 e mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos usados para alimentação e agricultura foram extintas em 2016, com pelo menos mais 1.000 raças ainda ameaçadas.

“Ecossistemas, espécies, populações selvagens, variedades locais e espécie de plantas e animais domesticados estão encolhendo, deteriorando ou desaparecendo. A rede essencial e interconectada da vida na Terra está ficando menor e cada vez mais desgastada”, ressaltou Settele. “Essa perda é um resultado direto da atividade humana e constitui uma ameaça direta ao bem-estar humano em todas as regiões do mundo”.

Para aumentar a relevância política do relatório, os autores da avaliação classificaram, pela primeira vez nessa escala e com base em uma análise minuciosa das evidências disponíveis, os cinco direcionadores diretos da mudança na natureza com os maiores impactos globais relativos até agora. Esses culpados são, em ordem decrescente: mudanças no uso da terra e do mar; exploração direta de organismos vivos; mudança climática; poluição e espécies exóticas invasoras.

O relatório observa que, desde 1980, as emissões de gases do efeito estufa dobraram, elevando a temperatura média global em pelo menos 0,7 ° C – com a mudança climática já afetando a natureza do ecossistema e a genética – os impactos devem aumentar nas próximas décadas, em alguns casos, superando o impacto da mudança do uso da terra e do mar e outros fatores. Apesar do progresso para conservar a natureza e implementar políticas, o relatório também considera que as metas globais para conservar e usar a natureza de forma sustentável e alcançar a sustentabilidade não podem ser alcançadas pelas trajetórias atuais, e as metas para 2030 e além podem ser alcançadas apenas através de mudanças transformativas fatores políticos e tecnológicos.

Com bons progressos em componentes de apenas quatro das 20 Metas de Biodiversidade de Aichi, é provável que a maioria seja perdida até o prazo de 2020. Tendências atuais negativas na biodiversidade e nos ecossistemas minarão o progresso de 80% das metas avaliadas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, relacionadas à pobreza, fome, saúde, água, cidades, clima, oceanos e terra. A perda de biodiversidade é, portanto, mostrada não apenas como uma questão ambiental.

“Para entender melhor e, mais importante, abordar as principais causas de danos à biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas, precisamos entender a história e a interconexão global de fatores de mudança demográficos e econômicos complexos, bem como os valores sociais que sustentá-los”, avaliou Brondízio. “Os principais fatores indiretos incluem o aumento da população e o consumo per capita; a inovação tecnológica que, em alguns casos, diminuiu e em outros casos aumentou os danos à natureza; e, criticamente, as questões de governança e responsabilidade. Um padrão que surge é o da interconectividade global e do teleacoplamento (telecoupling) – com a extração e produção de recursos que ocorrem frequentemente em uma parte do mundo para satisfazer as necessidades de consumidores distantes em outras regiões”.

Outras constatações notáveis do relatório incluem:

– Três quartos do ambiente terrestre e cerca de 66% do ambiente marinho foram significativamente alterados pelas ações humanas. Em média, essas tendências foram menos severas ou evitadas em áreas mantidas ou gerenciadas por povos indígenas e comunidades locais.

Mais de um terço da superfície terrestre do mundo e quase 75% dos recursos de água doce são agora dedicados à produção agrícola ou pecuária.

– O valor da produção agrícola aumentou cerca de 300% desde 1970, a colheita de madeira bruta subiu 45% e aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos globalmente a cada ano – tendo quase dobrado desde 1980.

– A degradação da terra reduziu a produtividade de 23% da superfície terrestre global, até US $ 577 bilhões em safras globais anuais estão em risco de perda por falta de polinizadores e de 100 a 300 milhões de pessoas estão em risco por aumento das inundações e furacões devido à perda de habitats costeiros.

– Em 2015, 33% dos estoques de peixes marinhos estavam sendo colhidos em níveis insustentáveis; 60% foram pescados de forma sustentável, com apenas 7% colhidos em níveis inferiores aos que podem ser pescados de forma sustentável.

– As áreas urbanas mais do que dobraram desde 1992.

– A poluição plástica aumentou dez vezes desde 1980, de 300 a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, resíduos tóxicos e outros resíduos de instalações industriais são despejados anualmente nas águas do mundo e fertilizantes que entram nos ecossistemas costeiros produziram mais de 400 zonas mortas, totalizando mais de 245.000 km² – uma área combinada maior que a do Reino Unido.

– As tendências negativas na natureza continuarão até 2050 em todos os cenários de política explorados no relatório, exceto aqueles que incluem mudanças transformadoras – devido aos impactos projetados de mudanças crescentes no uso da terra, exploração de organismos vivos e mudanças climáticas, embora com diferenças entre regiões.

O relatório também apresenta uma ampla gama de ações ilustrativas para a sustentabilidade e caminhos para alcançá-las entre setores como agricultura, silvicultura, sistemas marinhos, sistemas de água doce, áreas urbanas, energia, finanças e muitos outros.

Destaca a importância de, entre outros, adotar abordagens integradas de gestão e intersetoriais que levem em conta as compensações da produção de alimentos e energia, infraestrutura, manejo de água doce e costeira e conservação da biodiversidade. Também identifica como um elemento-chave de políticas futuras mais sustentáveis a evolução dos sistemas financeiros e econômicos globais para construir uma economia global sustentável, afastando-se do atual paradigma limitado de crescimento econômico.



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