A ergonomia para os humanos

A ergonomia consiste no conjunto de disciplinas e normas técnicas que estudam a organização do trabalho no qual existem interações entre seres humanos e máquinas. Este termo se originou a partir do grego ergon, que significa trabalho, e nomos, que quer dizer leis ou normas.

ergoHayrton Rodrigues do Prado Filho –

Ah esses meus jagunços – apragatados pebas – formavam trincheira em chão e em tudo. Eles sabiam a guerra, por si, feito já tivessem sabido, na mãe e no pai. Só se aos uivos urros, se zurrava. Aí – como tomei chegada e peguei postura. Valia ver – comandar? Gritei: – “Chagas de Cristo!…” Os meus davam ainda outros gritos. A carabina, em mãos, coisa mexedora. A gente disparava dentro dos quintais, avançávamos. E de detrás das casas. E guardávamos o emboque da rua. Diz que lê?; diz-que escreve! Tiro ali era máquina. Aos tantos, juntos, relando – cinco deles, cinco dedos, cinco mãos. A gente tinha de caber em buracos escavacados. A cabeça da gente é que dá voltas, mesmo no esconderijo, como para se desviar. Mas não se tem medo a gasto. Eu dizia: fré! – e botava bililica na agulha. – Amanso! Eu queria que Diadorim não se descuidasse. Diadorim disse: – “Toma cautela, Riobaldo…” Diadorim se descabelou, bonitamente, o rosto dele se principiava dos olhos. Eu comandava? Um comanda é com o hoje, não é com o ontem. Aí eu era Urutu-Branco: mas tinha de ser o cerzidor, Tatarana, o que em ponto melhor alvejava. Medo não me conheceu, vaca! Carabina. Quem mirou em mim e eu nele, e escapou: milagre; e eu não ter morrido: milagremente. A morte de cada um já está em edital. Dia de minha sorte. O que digo e desdigo; o senhor escute. Mas o inimigo fuzuavatiroteio total. (Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa)

O principal objetivo da ergonomia é desenvolver e aplicar técnicas de adaptação de elementos do ambiente de trabalho ao ser humano, com o objetivo de gerar o bem-estar do trabalhador e consequentemente aumentar a sua produtividade. Em ciências econômicas, a ergonomia consiste na área que aborda tópicos relacionados com o contexto moderno de trabalho, especialmente na economia industrial.

Dois temas cruciais no âmbito da ergonomia são a segurança no trabalho e a prevenção dos acidentes laborais. Nesse contexto, a ergonomia sugere a criação de locais adequados e de apoios ao trabalho, criação de métodos laborais e sistemas de retribuição de acordo com o rendimento (valorização e estudo do trabalho, por exemplo). Também determina os horários de trabalho, assim como a sua nacionalização e contempla tudo através de uma perspectiva humanitária da empresa e das relações que se estabelecem nela. O seu conceito se aplica à qualidade de adaptação de uma máquina ao seu operador, proporcionando um eficaz manuseio e evitando um esforço extremo do trabalhador na execução do trabalho.

As lesões por esforço repetitivo (LER) são um dos problemas físicos mais comuns que pode causar limitações ou mesmo a incapacidade de trabalhar, por exemplo. Utilizar soluções ergonômicas no local de trabalho é uma iniciativa que pode aumentar significativamente os níveis de satisfação, eficácia e eficiência do trabalhador.

O fator humano (do inglês human factor) é um termo utilizado com o mesmo significado da ergonomia. Quando se fala em fatores humanos ou ergonomia, sua aplicação abrange áreas como: aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação, desenho de produtos adaptados ao ser humano, cuidados com a saúde física e mental, dentre outras áreas.

A ergonomia cognitiva é também conhecida como engenharia psicológica. A palavra cognitiva sugere uma relação com um conjunto de processos mentais, entre eles a percepção, a atenção, a cognição, o controle motor e o armazenamento e recuperação de memória.

Busca analisar o impacto que esses processos têm na interação do ser humano e outros elementos dentro de um sistema. Algumas áreas específicas são: carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computador e treinamento.

A ergonomia organizacional ou macroergonomia parte do pressuposto que todo o trabalho ocorre no âmbito de organizações. Busca potencializar os sistemas existentes na organização, incluindo a estrutura, as políticas e processos da organização. Algumas das áreas específicas são: trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética.

Segundo associações internacionais, a ergonomia é a disciplina científica relacionada com a compreensão das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema e a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral do sistema. Os termos ergonomia e fatores humanos podem ser usados de forma intercambiável, embora ergonomia seja frequentemente usada em relação aos aspectos físicos do ambiente, como estações de trabalho e painéis de controle, enquanto fatores humanos são frequentemente usados em relação ao sistema mais amplo em que as pessoas trabalham.

Ela se baseia na ciência que reúne conhecimentos de outras disciplinas como anatomia e fisiologia, psicologia, engenharia e estatística para garantir que os projetos complementem os pontos fortes e as habilidades das pessoas e minimizem os efeitos de suas limitações. Em vez de esperar que as pessoas se adaptem a um projeto que as force a trabalhar de forma desconfortável, estressante ou perigosa, os ergonomistas e os especialistas em fatores humanos procuram entender como um produto, local de trabalho ou sistema pode ser projetado para atender às pessoas que precisam usá-lo.

Para alcançar esse objetivo, deve-se entender e projetar a variabilidade representada na população, abrangendo atributos como idade, tamanho, força, capacidade cognitiva, experiência anterior, expectativas e objetivos culturais. Os ergonomistas qualificados são os únicos profissionais reconhecidos a ter competência na otimização do desempenho, segurança e conforto.

Normalmente não se percebe um bom projeto, a menos que seja excepcionalmente bom, porque não dá motivos para isso. Mas pode-se perceber um projeto ruim. Quando alguém se perde em um aeroporto com pouca sinalização, olhou desamparadamente para uma máquina com instruções incompreensíveis, cortou as mãos em embalagens fracas ou suspirou quando teve que mudar as coisas para alcançar algo que precisava, sabe-se que a falta de um projeto ergonômico pode ser incrivelmente frustrante.

A ABNT ISO/TS 20646 de 03/2017 – Diretrizes ergonômicas para a otimização das cargas de trabalho sobre o sistema musculoesquelético fornece informações e diretrizes para utilizar corretamente as várias normas ergonômicas sobre os fatores relacionados à carga de trabalho musculoesquelética (CTME) e ajuda a desenvolver atividades para reduzir ou otimizar a CTME, de forma eficaz e eficiente, em locais de trabalho e em atividades não profissionais. As atividades são baseadas em um processo de avaliação de risco. Esta Especificação Técnica destina-se principalmente para empregadores e pessoal técnico relacionado à ergonomia e saúde ocupacional, trabalhadores em empresas e trabalhadores em geral.

A prevenção da CTME nem sempre é uma questão de se reduzir a carga. A abordagem para reduzir a CTME também envolve a avaliação do ambiente de trabalho e da organização como um sistema, para identificar como as mudanças podem ajudar a gerir com segurança a CTME. Embora esta Especificação Técnica forneça ideias de medidas eficazes e eficientes para reduzir ou otimizar a CTME, não certifica a prevenção completa de problemas de saúde causados pela CTME.

Em linhas gerais, o aparecimento de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, como dor lombar e dores localizadas nos membros superiores e nos inferiores, está se tornando uma grande preocupação ergonômica tanto em países industrializados quanto nos que estão em processo de industrialização. A alta incidência de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho é um problema importante a ser resolvido, não só para melhorar a saúde dos trabalhadores e a qualidade de vida no trabalho, mas também para melhorar a produtividade.

Para resolver o problema dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados com o trabalho, é importante desenvolver a melhoria das medidas de prevenção primária, por meio das condições de trabalho, fornecendo orientações de saúde e treinamento adequados. Além disso, é preciso estabelecer medidas para a prevenção secundária, tratamento e realocação dos empregados afastados por tempo prolongado.

Acima de tudo, o estabelecimento de medidas preventivas primárias, principalmente medidas para melhorias da CTME, é considerado como a solução com melhor relação custo-benefício e melhora a qualidade de vida no trabalho. Várias atividades para melhoria das CTME já foram promovidas. Além disso, no que diz respeito à ISO/TC 159/SC 3, novas normas foram desenvolvidas para melhorar as condições de trabalho relativas aos fatores que causam a CTME.

No entanto, para aperfeiçoar a CTME, é indispensável adotar uma perspectiva ampla e inclusiva relacionada ao trabalho, e encontrar uma solução considerando os fatores mencionados anteriormente. Convém que a administração esclareça por escrito a CTME existente e a prevista, bem como possíveis problemas relativos à saúde e produtividade, e publique os objetivos e metas de melhorias, um cronograma básico para atingir as metas e a organização necessária para implementar a melhoria (ver Anexo A).

À medida que as organizações projetam, implementam e avaliam os planos de redução da CTME, convém que as organizações ao nível de empresa, departamento, bem como, consultoria desenvolvam as atividades de forma colaborativa. A participação de trabalhadores e/ou seus representantes é essencial. Convém que uma estrutura para gerenciar a CTME seja estabelecida ao nível empresarial, quer como parte de sistemas de gestão existentes para o projeto de trabalho ou segurança e saúde ocupacional ou como uma atividade de projeto especificamente designada.

Convém que o proprietário ou diretor executivo com autoridade geral de gestão seja responsável pelo estabelecimento e conduta desta organização. Refere-se a uma organização dentro de um departamento específico, para o qual convém que o gerente de departamento seja responsável. Sua função é elaborar, implementar e avaliar os planos de melhoria para o departamento.

O nível de consultoria se refere a uma organização que oferece consultoria relativa à validade da elaboração, implementação e avaliação dos planos de melhoria. A organização pode ser estabelecida dentro e fora da empresa.

Não convém que um plano de redução de risco CTME seja limitado a alguns fatores específicos que originam cargas sobre o sistema musculoesquelético. O desejável é que seja baseado no processo de avaliação de risco detalhada usando esta análise multifatorial no ambiente de trabalho. Convém que uma meta específica de ação seja estabelecida para eliminar ou reduzir riscos inaceitáveis.

Para estudar as características do trabalho, convém que os seguintes itens sejam descritos: processo de produção, conteúdo do trabalho e tarefas a serem executadas no local de trabalho; estatísticas sobre acidentes ocupacionais, incidência de doenças relacionadas ao trabalho e outras doenças, licença médica, etc.; organização do trabalho e sistemas de turnos;  horas de trabalho por dia, semana, mês ou ano; tempo de operação por dia, tempo de operação contínua e um sistema de descanso; características dos trabalhadores, como tamanho do corpo, força muscular, histórico de lesões e doenças que afetem o trabalho, experiência de trabalho, educação vocacional e treinamento, e idade; características do trabalho, como a carga de trabalho estatístico, inatividade física, trabalho repetitivo e manipulação manual.

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Na tabela acima há uma lista de verificação (checklist) orientada para a ação tem como objetivo verificar as condições de trabalho em geral relacionadas com à CTME, encontrar pontos de melhoria com prioridade e obter propostas para melhorá-los. A lista de verificação (checklist) pode ser usada por uma variedade de pessoas.

Recomenda-se que todos os membros de um comitê ou de uma força tarefa responsável pela melhoria da CTME tornem-se usuários da lista de verificação (checklist). Os itens a serem verificados são simplesmente exemplos de itens de uma lista de verificação (checklist) orientada para a ação. Os usuários também podem se reportar às referências dessa norma [20] e [25], quando adicionarem novos itens de verificação (checklist).

Atualmente, com o ritmo de trabalho intenso, as lesões musculoesqueléticas são uma das doenças mais comuns relacionadas com o trabalho. Afetam milhões de trabalhadores europeus, com um custo de milhares de milhões de euros para as entidades patronais. Combater as lesões musculoesqueléticas contribui para melhorar a vida dos trabalhadores, mas é também, sem dúvida, um bom negócio.

Afetam habitualmente a região dorso-lombar, a zona cervical, os ombros e os membros superiores; menos frequentemente afetam também os membros inferiores. Abrangem qualquer lesão ou perturbação das articulações ou outros tecidos. Os problemas de saúde variam entre dores intensas e mais fracas e situações clínicas mais graves, que exigem dispensa do trabalho e inclusivamente tratamento médico. Em casos mais crônicos, podem mesmo levar à incapacidade e à necessidade de deixar de trabalhar.

Os dois principais grupos de lesões musculosqueléticas são lombalgias ou as perturbações nos membros superiores relacionadas com o trabalho (comummente conhecidas como lesões por esforços repetitivos). A vigilância da saúde, a promoção da saúde e a reabilitação e reinserção dos trabalhadores que já sofrem de lesões musculosqueléticas são elementos que precisam igualmente de ser considerados numa abordagem de gestão destas lesões.

Pode-se acrescentar que é comum os trabalhadores reclamarem de dor nas costas, tensão nos ombros, braços doloridos e pernas cansadas. Estes sintomas fazem parte da sua vida? Se não aparecem constantemente, provavelmente pode ser que já tenha sentido um deles alguma vez. Os trabalhadores sofrem com os problemas ergonômicos, de ordem musculoesqueléticas. As lesões por esforços repetitivos (LER) e os distúrbios osteomoleculares (DORT) relacionados ao trabalho estão ligados aos problemas de postura, estresse e trabalho excessivo, podem ser caracterizados por: tendinite, bursite e outras doenças do gênero.

Mas este não é um problema sem solução. Algumas atitudes simples podem minimizar estes problemas e evitar outros mais sérios. Em relação ao material, por exemplo, é aconselhável levá-lo em mochilas e não nas mãos e braços. Para escrever no quadro, a sugestão é utilizar um quadro móvel ou uma plataforma de madeira no chão. Além disso, em vez de escrever no quadro todo o conteúdo da aula, opte por ditar parte dele ou fornecer um resumo da matéria impresso para os alunos. E quando precisar trabalhar diante do computador, controle o tempo e faça intervalos para descansar.

A NBR ISO 11226 de 10/2013 – Ergonomia – Avaliação de posturas estáticas de trabalho estabelece as recomendações ergonômicas para diferentes tarefas de trabalho. Fornece informações para aqueles envolvidos no projeto, ou reprojeto, do trabalho, tarefas e produtos que estejam familiarizados com os conceitos básicos de ergonomia, em geral, e de posturas de trabalho, em particular. Especifica limites recomendados para posturas estáticas de trabalho sem qualquer ou somente um mínimo de esforço, enquanto leva em conta aspectos como ângulos posturais e tempo.

A norma foi projetada para fornecer orientações na avaliação das variáveis de diversas tarefas, permitindo que os riscos à saúde da população trabalhadora sejam avaliados. Ela se aplica à população trabalhadora adulta. As recomendações fornecerão proteção razoável para quase todos os adultos saudáveis. As recomendações a respeito de riscos e proteção à saúde estão baseadas principalmente em estudos experimentais com respeito à carga musculoesquelética, ao desconforto/dor, e à resistência/fadiga relacionados às posturas estáticas de trabalho.

Dor, fadiga e distúrbios do sistema musculoesquelético podem ser resultado da manutenção de posturas de trabalho inadequadas, que podem ser causadas por situações de trabalho precárias. Fadiga e dor musculoesquelética podem influenciar o controle postural, o que pode aumentar o risco de erros e pode resultar na redução da qualidade do trabalho ou da produção, e em situações perigosas. Um bom projeto ergonômico é uma necessidade básica para evitar esses efeitos adversos.

Esta norma contém uma abordagem para determinar a aceitabilidade de posturas estáticas de trabalho. O seu conteúdo está baseado no conhecimento ergonômico atual e está sujeito a mudanças de acordo com pesquisas futuras. Convém que as tarefas e operações de trabalho possibilitem que haja VARIAÇÕES suficientes tanto físicas quanto mentais. Isso significa um trabalho completo, com VARIAÇÃO suficiente de tarefas (por exemplo, um número adequado de tarefas organizacionais, uma combinação apropriada de ciclos de tarefas longos, médios e curtos, e uma distribuição equilibrada de tarefas simples e complexas), autonomia suficiente, oportunidades para interação, informação e aprendizado.

Além disso, convém que toda a gama de trabalhadores possivelmente envolvidos com as tarefas e operações seja considerada, em particular as suas medidas corporais. Com relação às posturas de trabalho, convém que o trabalho ofereça variação suficiente entre as posturas sentada, de pé e caminhando. Convém que posturas inadequadas, como ajoelhada e agachada, sejam evitadas, sempre que possível.

A abordagem descrita na norma pode ser utilizada para determinar a aceitabilidade de posturas estáticas de trabalho. O procedimento de avaliação considera vários segmentos corporais e articulações, independentemente, em um ou dois passos. O primeiro passo considera somente os ângulos corporais (as recomendações estão, principalmente, baseadas nos riscos por sobrecarga das estruturas passivas do corpo, como ligamentos, cartilagens e discos intervertebrais). Uma avaliação pode conduzir para o resultado “aceitável”, “vá para o passo 2” ou “não recomendado”. Um resultado da avaliação “aceitável” significa que uma postura de trabalho é aceitável somente se VARIAÇÕES da postura estão também presentes (ver 3.1). Em qualquer eventualidade, convém que todo esforço seja feito para obter uma postura de trabalho mais próxima da postura neutra, se isto já não for o caso.

Um resultado da avaliação “vá para o passo 2” significa que a duração da postura de trabalho também precisará ser considerada (recomendações estão baseadas em dados de resistência). Convém que posições extremas das articulações sejam avaliadas como “não recomendadas”. Há vários meios para determinar as posturas de trabalho, por exemplo, observação, fotografia/vídeo, sistemas de medição tridimensional óptico eletrônico ou por ultrassom, dispositivos de mensuração posicionados sobre o corpo, como inclinômetros e goniômetros. O método apropriado depende, entre outras coisas, da precisão requerida na avaliação.

A NBR ISO 9241- Parte 151 – Ergonomia da interação humano-sistema – Orientações para interfaces de usuários da World Wide Web fornece orientação sobre o projeto centrado no ser humano para interfaces de usuário de software na web com o objetivo de aumentar a usabilidade. As interfaces Web de usuários atendem tanto a todos os usuários da Internet quanto aos grupos fechados de usuários, como os membros de uma organização, clientes e/ou fornecedores de uma empresa ou outras comunidades específicas de usuários.

A usabilidade é um fator-chave no projeto de um website de sucesso. Até agora não houve nenhuma norma internacionalmente aceita que abordasse especificamente a usabilidade da interface de usuário da World Wide Web (www ou web). As interfaces de usuários da Word Wide Web apresentam problemas de usabilidade particulares: os seus usuários são diversificados em conhecimentos, capacidades, idioma e outros fatores; por exemplo, uma interface de usuário da Word Wide Web que funciona bem para peritos no assunto pode não ser ótima para usuários comuns; os objetivos dos usuários variam consideravelmente – por exemplo, um site otimizado para um conjunto de tarefas (como transações de comércio eletrônico) pode não ser ótimo para os usuários cujas tarefas são diferentes (como a de busca de informações); diferentes web browsers ou agentes de usuário muitas vezes apresentam o conteúdo da web de maneiras diferentes – por exemplo, o leiaute das páginas individuais pode mudar de forma bastante dramática às vezes.

Assim, as recomendações e orientações fornecidas nesta parte da NBR ISO 9241 aplicam-se principalmente ao projeto do conteúdo de um website ou, mais genericamente, a uma aplicação na web, à navegação e interação do usuário, bem como a apresentação do conteúdo. A ISO 9241 foi originalmente desenvolvida como uma norma internacional com 17 partes sobre os requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com computadores. Como parte do processo de revisão de normas, uma grande reestruturação da ISO 9241 foi aceita para ampliar o seu escopo, para incorporar outras normas relacionadas e torná-la mais usável. O título geral da ISO 9241 revisada, ‘Ergonomia da interação humano-sistema” reflete essas mudanças e alinha as normas com o título geral. As múltiplas partes revisadas da norma são estruturadas como uma série de normas numeradas em “centenas”: a série 100 trata de interfaces de software, a série 200 do projeto centrado no ser humano, a série 300 de displays visuais, a série 400 de dispositivos de entrada física, e assim por diante. No Anexo A, há uma visão geral de toda a série ISO 9241.

Na Parte 151 da NBR ISO 9241 estão descritos os seguintes aspectos do projeto de interfaces de usurário na web: – decisões de projeto de alto nível e estratégia de projeto; – projeto de conteúdo; navegação e busca; e apresentação de conteúdo. As interfaces de usuário de diferentes tipos de agentes do usuário, como web browsers ou ferramentas adicionais, como ferramentas de autoria web, não são diretamente abordadas nesta parte da NBR ISO 9241 (embora algumas das orientações desta parte possam ser aplicadas a estes sistemas também).

As interfaces de usuários da web são apresentadas em um sistema de computador pessoal, sistema móvel ou algum outro tipo de dispositivo conectado à rede. Embora as recomendações apresentadas nessa parte se apliquem a uma ampla gama de tecnologias front-end disponíveis, o projeto de interfaces web para dispositivos móveis ou dispositivos do tipo smart pode exigir orientações adicionais que estão fora deste escopo; essa parte também não fornece orientações detalhadas sobre a execução técnica e questões de projeto estético ou artístico.

Enfim, os distúrbios musculoesqueléticos afetam os músculos, nervos, vasos sanguíneos, ligamentos e tendões. Os trabalhadores em muitas indústrias e ocupações diferentes podem estar expostos a fatores de risco no trabalho, como levantar objetos pesados, dobrar, passar por cima, empurrar e puxar cargas pesadas, trabalhar em posturas corporais desajeitadas e executar as mesmas tarefas ou tarefas semelhantes repetidamente.

Dessa forma, os empregadores são responsáveis por fornecer um local de trabalho seguro e saudável para seus trabalhadores. No local de trabalho, o número e a severidade dos distúrbios resultantes do esforço excessivo físico e seus custos associados podem ser substancialmente reduzidos pela aplicação de princípios ergonômicos.

A implementação de um processo ergonômico é eficaz na redução do risco de desenvolver as lesões em indústrias de alto risco tão diversas quanto construção, processamento de alimentos, combate a incêndios, empregos em escritórios, saúde, transporte e armazenamento. Assim, deve haver um forte compromisso da administração para o sucesso geral de um processo ergonômico. A gerência deve definir metas e objetivos claros para o processo ergonômico, discuti-los com seus funcionários, atribuir responsabilidades aos funcionários designados e comunicar-se claramente com a força de trabalho.

Uma abordagem ergonômica participativa é a ideal, na qual os trabalhadores estão diretamente envolvidos nas avaliações do local de trabalho, o desenvolvimento e a implementação da solução são a essência de um processo ergonômico bem-sucedido. Os trabalhadores podem: identificar e fornecer as informações importantes sobre perigos em seus locais de trabalho e auxiliar no processo ergonômico, expressando suas preocupações e sugestões para reduzir a exposição aos fatores de risco e avaliando as mudanças feitas como resultado de uma avaliação ergonômica.

O treinamento é um elemento importante no processo ergonômico, pois assegura que os trabalhadores estejam cientes da ergonomia e de seus benefícios, sejam informados sobre preocupações relacionadas à ergonomia no local de trabalho e compreendam a importância de relatar sintomas precoces das lesões. Um passo importante no processo ergonômico é identificar e avaliar problemas ergonômicos no local de trabalho antes que eles resultem em problema de saúde.

O relato antecipado pode acelerar o processo de avaliação e melhoria do trabalho, ajudando a prevenir ou reduzir a progressão dos sintomas, o desenvolvimento de ferimentos graves e as alegações subsequentes de tempo perdido. Existem muitas soluções possíveis que podem ser implementadas para reduzir, controlar ou eliminar os distúrbios no local de trabalho.

São necessários procedimentos estabelecidos de avaliação e ação corretiva para avaliar periodicamente a eficácia do processo ergonômico e garantir sua melhoria contínua e sucesso a longo prazo. À medida que um processo ergonômico é desenvolvido pela primeira vez, as avaliações devem incluir determinar se as metas estabelecidas para o processo ergonômico foram atendidas e determinar o sucesso das soluções ergonômicas implementadas.

Quem tem medo da Indústria 4.0?

As tecnologias fundamentais desta revolução estão progressivamente aparecendo com a introdução de inovações em áreas de inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica, para se dizer apenas as que estão em desenvolvimento avançado nesse momento.

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Victor Augusto Ferraz Young

Nos últimos anos, temos acompanhado o desenvolvimento e a introdução de uma série de inovações tecnológicas que devem provocar mudanças significativas no modo como produzimos bens e serviços. Inovações de grande envergadura terão inserção em diversos setores da vida, modificando relações de trabalho, a maneira como nos comunicamos, nos relacionamos e nos movimentamos. Pela dimensão do impacto que se espera com estas novas tecnologias, o conjunto de mudanças que virão têm recebido a alcunha de Quarta Revolução Industrial, ou mais coloquialmente, Indústria 4.0.

Podemos dizer que as tecnologias fundamentais desta revolução estão progressivamente aparecendo com a introdução de inovações em áreas de inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência dos materiais, armazenamento de energia e computação quântica, para se dizer apenas as que estão em desenvolvimento avançado nesse momento.

Nesse momento, o ponto que buscaremos salientar neste breve texto é o fato de que estamos diante de uma evolução tecnológica que pode nos levar a uma condição de substituição do trabalho humano atual a um grau muito mais elevado do que aquele já experimentado com a introdução de máquinas automatizadas dentro das linhas de produção industrial.

Não só o setor industrial, mas também a agroindústria e o setor de serviços devem ser amplamente impactados. É muito difícil saber exatamente quando, em que proporção e quais setores serão afetados primeiro.

O que é possível estimar é que, estando as economias abertas e interligadas da forma como estão hoje, assim que o uso dessas novas tecnologias for difundido em países centrais, rapidamente penetrarão as demais regiões do globo. A recente profusão de tecnologias digitais mais baratas por meio dos chamados devices (smartphones, tablets, smart tvs, laptops, etc.) e programas acessórios (Apps) nos antecipa a velocidade com que isso pode chegar às empresas e ao público em geral em um futuro não muito distante.

No último relatório do Fórum Econômico Mundial sobre esse assunto, estima-se que, em 2025, diversos setores econômicos passarão por um ponto de inflexão tecnológico com profundas mudanças na maneira de se conceber produtos e serviços. Dessa maneira, grande maioria dos segmentos produtivos, cedo ou tarde, deve ser afetada de maneira direta ou indireta.

Pensemos no grau de informatização da economia há 20 anos. A então chamada informatização atingia diretamente muitos setores econômicos, mas em um grande número de empresas não havia sequer a interligação em tempo real entre departamentos administrativos de uma única unidade produtiva. Mesmo assim, em poucos anos, processou-se uma revolução tecnológica que integrou informações corporativas a respeito de praticamente todo o volume do que é produzido e comercializado nas economias no mundo.

Quanto ao mundo do trabalho humano, isto é, o trabalho como o concebemos hoje dentro de uma estrutura de economia de mercado, há um grande desafio pela frente. Além de atividades mais rotineiras e repetitivas que na indústria já vinham sendo substituídas por máquinas há um bom tempo, há outras, que contemplam rotinas de maior complexidade, como por exemplo, telemarketing, medicina diagnóstica, rotinas de enfermagem, contabilidade, serviços de entrega e transporte, que poderão ser progressivamente substituídas por equipamentos e softwares capazes de responder aos problemas que se apresentam nestes tipos de função.

Há também a perspectiva de que outras atividades, como por exemplo, consultoria econômica, assessoria jurídica, auditoria fiscal, atendimento médico geral e até mesmo cirurgias de alta complexidade também passem a competir com robôs e sistemas de inteligência artificial. Neste ponto, é difícil fazer uma predição, pois ainda não há um consenso sobre como se realizará a acomodação da sociedade frente a estas mudanças, mas é possível conjecturar que atividades humanas tanto de caráter técnico como analítico e executivo sofrerão grande impacto, dada a velocidade e a quantidade de dados com que os novos sistemas informacionais poderão responder aos problemas em diversas áreas do conhecimento.

Pintamos, portanto, um cenário não muito animador, considerando-se o papel dado à maioria dos seres humanos no mundo atual como fornecedores de capacidades físicas e intelectuais para a transformação criadora e produtiva. Queremos dizer que a inserção da maioria das pessoas no presente sistema econômico se faz pela criação de valor dada pelas transformações promovidas pelo trabalho humano.

Nessa estrutura, uma pessoa cria valor e recebe certa recompensa (salário, etc.). Há, no entanto, a perspectiva de que as máquinas poderão muito em breve substituir parte desse trabalho em um número grande de atividades, inclusive reproduzindo-se e melhorando-se autonomamente.

Até o momento em que escrevo, não chegamos no que poderá ser o ponto inflexão, mas, como buscamos apresentar o fato dessa maneira, este pode tornar-se um desafio que deve ser tratado e que desde já devemos desenvolver reflexões a respeito. Se, por outro lado, partirmos para uma discussão mais pragmática que busque dar uma resposta ao desafio num primeiro momento, podemos considerar, em caráter meramente indicativo, algumas ações práticas que os profissionais poderão desenvolver para adaptar-se ao novo paradigma tecnológico.

Dessa forma, uma requalificação com embasamento técnico suficiente para compreender como funcionam as novas tecnologias, para poder atuar de uma forma conjunta com tais ferramentas e para poder participar do processo de transformação seria no mínimo fundamental. Outra questão é que o próprio processo de transformação tecnológica também exigirá adaptações culturais, regulatórias, éticas, etc., em que o fator humano deverá ser imprescindível por um longo tempo: espera-se que o ser humano seja o primeiro a programar a máquina e que seja ele aquele que modificará tal programação quando as decisões da máquina não se adequarem ao ser humano.

Não é possível avaliar o impacto de tantas tecnologias penetrando ao mesmo tempo no mundo dos negócios nos mais diversos países. O que é possível imaginar é que adaptações serão necessárias e que novas demandas a partir daí devem ser criadas.

Dessa maneira, novos nichos de negócios para produtos e serviços devem surgir para aqueles podem contar com algum capital para investir e que tenham desenvolvido as novas capacidades que serão requeridas. As novas ferramentas, por seu turno, ampliarão as possibilidades na área de pesquisa e desenvolvimento, dadas as novas grandezas em termos de informações e a velocidade com que estas serão tratadas.

Em resumo, os profissionais terão que se atualizar para uma nova etapa tecnológica, desenvolvendo mais amplos e mais variados conhecimentos nas diversas áreas do saber, desenvolvendo capacidade crítica para tratar e relacionar esses conhecimentos sem deixar de lado o que pode vir a se tornar um elemento muito importante, a empatia humana. Pois, a partir do momento que o elemento humano diminuir em nossas relações sociais de trabalho e de consumo, ele justamente passará a nos fazer falta e não estará disponível nas máquinas.

Victor Augusto Ferraz Young é economista, pesquisador do Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais (CERI) do Instituto de Economia da Unicamp, mestre e doutor em desenvolvimento econômico nesta mesma universidade, é também professor do curso de especialização em relações internacionais na disciplina de competitividade internacional.



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