A vestibilidade de roupas para bebês, infantis e juvenis

Os presentes de produtos de vestuário nem sempre são fáceis, não apenas pela questão estética, mas principalmente por causa do seus tamanhos. As grandes diferenças encontradas nos tamanhos de vestuário adulto se refletem também no vestuário infantil, que aliado ao rápido crescimento dos bebês gera trocas e roupas sem ou com pouco uso. Dessa forma, pode-se indicar os tamanhos, de maneira direta e fácil de entender, das medidas corporais de bebês, crianças e adolescentes aos quais está destinado o vestuário.

roupa2A compra de roupas para bebês, crianças e adolescentes nem sempre é tarefa fácil para padrinhos, amigos e parentes, pois no Brasil os tamanhos das peças de vestuário do público de zero a dezesseis anos não são padronizados. As idades costumam ser a referência nas etiquetas, porém nem sempre correspondem, de fato, ao porte físico dos bebês, crianças e adolescentes. Com a entrada de produtos chineses ou de outros países orientais, isso acabou ficando muito complicado.

A modelagem plana utiliza os princípios da geometria para traçar diagramas bidimensionais que resultam em formas que recobrem a estrutura física do corpo, chamadas de moldes. Para isso, utiliza-se de ciências como a antropometria (estudo das medidas do corpo humano) e da ergonomia (ciência que auxilia na interação do homem com o meio em que vive).

O estudo das dimensões corporais é fundamental para os projetos de vestuário, iniciados geralmente pelo estilista ao enviar um desenho para o modelista, que por sua vez, interpreta o desenho e desenvolve a modelagem desta roupa com base em medidas corporais. Em consequência, ao se referir à normalização não se espera que os produtos tenham exatamente as mesmas medidas em diferentes marcas.

Há de se considerar que os diferentes materiais e as folgas dadas na modelagem irão proporcionar diferenças entre as peças, além de que há padrões de tolerâncias de medidas de peças prontas. Espera-se sim, que ao menos as medidas fundamentais que são os comprimentos, sejam respeitadas, pois é o principal fator de uma roupa não servir em bebês por crescerem muito mais na altura do que na circunferência nos primeiros meses de vida.

A NBR 15800 de 11/2009 – Vestuário – Referenciais de medidas do corpo humano – Vestibilidade de roupas para bebê e infanto-juvenil estabelece uma forma de indicação de tamanhos que indique, de maneira direta e fácil de entender, as medidas corporais de bebês, crianças e adolescentes às quais está destinado o vestuário. Aplica-se a roupas para bebês, roupas infantis e juvenis.

O objetivo desta norma é estabelecer um sistema de indicação de tamanhos que apresente, de forma direta e fácil de entender, as medidas corporais de crianças e jovens às quais está destinado o vestuário. Com a condição de determinar cuidadosamente a forma do corpo e de indicar por medidas apropriadas, este sistema permite ao cliente eleger seu tamanho adequadamente ao qual se destina.

Este sistema de indicação de tamanhos está baseado nas medidas do corpo e não nas medidas das peças. A eleição deste último sistema de medida do vestuário está reservada aos modelistas e aos fabricantes que se ocupam de todas as questões relativas ao estilo, corte e outros elementos da moda, devendo levar em conta igualmente as peças íntimas e roupas exteriores.

As medidas sugeridas nas tabelas do Anexo A foram obtidas a partir do estudo de tabelas em uso das diversas empresas participantes da comissão de estudo, tabelas de profissionais, tabelas de escolas de modelagem, medições de crianças em creches, escolas, etc. A indicação de tamanho de cada peça deve ser de forma clara e facilmente legível, em etiqueta.

Adicionalmente pode ser utilizada uma etiqueta de cartolina (tag), unida à peça. Os pictogramas devem ser suficientemente grandes e claros, de modo que sejam de fácil e imediata compreensão. Como orientação podem ser usadas as medidas do Anexo A.

As medidas secundárias que podem ser acrescentadas à indicação de tamanho podem ser informadas adicionalmente. Esses dados adicionais podem compreender um código, medidas corporais, indicação de referência de idade do futuro usuário ou as medidas da peça que facilitam e tornam mais úteis as informações.

Os exemplos de etiquetas dados na figura abaixo mostram os diferentes modos de etiquetar as peças confeccionadas, desde uma simples indicação das medidas de identificação sobre o pictograma normalizado até as formas mais complexas que facilitam pela inclusão de medidas complementares, tais como uma dimensão da peça ou um número do código. Quando a indicação do tamanho está acompanhada por um código, a separação dos dados, tal como indicado nos exemplos, permite identificar o número de código de tamanho como reconhecido pelo consumidor.

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A grade recebeu nomenclaturas que podem ser relacionadas com a idade do usuário, porém não é uma relação obrigatória, pois devem ser considerados os tipos éticos, genética, estilo, uso ou não de fralda etc. Essas indicações da relação de idade com nomenclatura da grade podem ser incluídas ou não nas etiquetas, cabendo à empresa de confecção julgar se dessa forma será mais esclarecedor ao seu consumidor ou se causará constrangimentos pela diferença de idade indicada na etiqueta da roupa e a idade do usuário.

Assim, na norma, podem ser conferidas as medidas em tabelas e figuras do perímetro do tórax/busto, do perímetro da cintura, do perímetro do baixo quadril, da extensão posterior do tronco do comprimento do tronco anterior (frente) à cintura, da extensão lateral entre a cintura e o baixo quadril, do comprimento da papila mamária até a incisura jugular, da largura entre papilas mamárias, do comprimento consolidado entre o extremo do ombro, cotovelo e pulso, do comprimento ombro a ombro, do perímetro do pulso, do perímetro do bíceps, do perímetro da coxa, do perímetro do joelho, do perímetro da panturrilha, do perímetro do tornozelo, do comprimento da cintura ao tornozelo, da altura do entrepernas, do comprimento da cintura ao joelho, do contorno do gancho da frente passando pelo cavalo até a curvatura do gancho das costas, do perímetro horizontal da cabeça, do perímetro do pescoço e do contorno entre a frente do pescoço, passando pelo gancho até das costas do pescoço.

Enfim, o consumidor brasileiro é que pode ser o grande beneficiado com a adoção e o aumento do número das normas de vestibilidade, pois terá um sistema confiável de medidas, obtendo segurança e agilidade no ato da compra. Portanto, a busca por uma constante e atual normalização dos tamanhos de vestuário infantil, especialmente de bebês deve ser estimulada, e usada obrigatoriamente pelas empresas de vestuário. Isso poderá diminuir a troca de produtos por causa de tamanhos, além de encantar os clientes em relação às marcas de roupas que utilizam o processo em vestuários das roupas para bebês, roupas infantis e juvenis.

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Hayrton Rodrigues do Prado Filho

hayrton@hayrtonprado.jor.br



Categorias:Editorial, Normalização

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