As normas técnicas para os freios de automóveis

O sistema de freio é um dos componentes mais importantes de um veículos, sendo composto por pastilhas, discos e tambores. Essas peças, incluindo o fluído do freio, devem ser verificadas periodicamente porque ficam expostas a temperaturas altas e demandam um esforço mecânico contínuo e devem ser fabricadas conforme as normas técnicas. Atualmente, os veículos são fabricados com o sistema de freio misto, composto por dois discos na frente e dois tambores atrás. Em alguns modelos há discos nas quatro rodas, proporcionando uma frenagem mais estável. Já a tecnologia antitravamento do sistema de freio ABS (Antilock Braking System) funciona por meio de um dispositivo eletrônico que modula a pressão do fluido de freio nas rodas, impedindo que elas travem nas freadas mais bruscas. Esse sistema é comandado por um controle instalado próximo ao motor, ligado a quatro sensores conectados nas rodas. Quando o freio é acionado, os sensores identificam a velocidade das rodas e calculam qual roda deve se movimentar mais devagar para evitar uma derrapagem. Importante para os freios é conferir o nível do fluído de freio a cada 30 dias; substituir o fluido de freios a cada 10 mil km ou 12 meses, fazer a inspeção do sistema de freio a cada 10 mil km; evitar sobrecarregar o veículo além da capacidade especificada pelo fabricante; não substituir as peças do sistema de freio por outras de características diferentes; e não alterar as características do veículo, como suspensão e rodas, por exemplo. E sempre use materiais de atrito que cumpram as normas técnicas para não se ter riscos aos ocupantes dos veículos.

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Mauricio Ferraz de Paiva –

Quando um veículo é desenvolvido, o sistema de freios é cuidadosamente projetado para atender as normas mais exigentes que existem, pois deve ser acima de tudo confiável. Não pode falhar.

Por isso, é muito importante também que o dono do carro realize revisões frequentes e mantenha sempre a manutenção em dia. Isso porque o sistema de freios possui componentes que se desgastam com o uso, sendo os principais as pastilhas e sapatas, os discos e/ou tambores, e o fluido de freio.

É importante realizar periodicamente uma checagem completa, que verifica desde o pedal até as pastilhas de freios, com atenção especial para a espessura dos discos, a condutividade do fluido e avaliação dos componentes que podem apresentar vazamentos, sendo que ao menor sinal de problema é necessário a substituição do componente defeituoso ou gasto.

O fundamental é garantir segurança dos ocupantes do veículo. Atualmente, o Inmetro estabeleceu a certificação compulsória (obrigatória) do material de atrito utilizado no sistema de freios, ou seja, todos têm que cumprir as normas técnicas. O material de atrito é a principal matéria prima das pastilhas e lonas de freios utilizadas em automóveis de passeio, veículos comerciais (ônibus e caminhões), motocicletas, entre outros meios de transporte.

Isso não aumenta o custo para produzir os componentes, mas estabelece os requisitos para que os produtos comercializados no mercado de reposição tenham qualidade similar aos produtos originais, instalados na fase de produção de um veículo novo. Com isso, o consumidor poderá ficar mais tranquilo ao comprar as novas pastilhas de freios, independente da marca escolhida, pois todas que estarão disponíveis no mercado deverão ser produzidas, avaliadas e testadas com rigor, de acordo com as normas técnicas (ABNT, SAE, etc.).

As que não passam nos testes, simplesmente não poderão ser comercializadas e, se forem, quem produz, vende e também quem instala ficam sujeitos às penas previstas na lei. Em consequência, trata-se de um serviço de utilidade pública e isso se resume, no final das contas, em uma forma de prevenção contra acidentes, com potencial redução no número de feridos e mortes de vítimas de trânsito.

Deve-se destacar que os itens de segurança veicular devem ter níveis de qualidade padronizados de acordo com as normas técnicas atualizadas, para evitar que o consumidor coloque a vida em risco com a utilização de produtos de baixa qualidade. Afinal, o consumidor não é um especialista e muitas vezes adquire o produto pelo menor preço, e nem sempre esta é a opção mais adequada.

A certificação compulsória para materiais de atrito para freios de veículos rodoviários automotores foi instituída pela Portaria Inmetro nº 55 de 28 de janeiro de 2014, e deve ser aplicada a automóveis, camionetas, caminhonetes, comerciais leves, caminhões, caminhões tratores, ônibus e micro-ônibus, das categorias M e N e categoria O. Ficam de fora nesta primeira etapa motocicletas e demais veículos categoria L (menos de quatro rodas), assim como máquinas, implementos e equipamentos agrícolas.

Os fabricantes de material de atrito necessitam obrigatoriamente cumprir algumas normas técnicas. A NBR ISO 6311 de 10/2006 – Veículos rodoviários automotores – Lonas de freio – Resistência interna ao cisalhamento do material de atrito – Procedimento de ensaio especifica um método de medição da resistência interna ao cisalhamento (tensão) de materiais de atrito de freio. Aplica-se a materiais de atrito para pastilhas de freios a disco e lonas de freios a tambor a serem utilizados em freios de veículos rodoviários automotores.

A NBR 14958-1 de 08/2012 – Veículos rodoviários automotores – Material de atrito – Parte 1: Requisitos e métodos de ensaio para pastilhas de freio a disco destinadas ao uso em freios de veículos das categorias M1, M2 e N1 especifica métodos para ensaios do material de atrito para conjuntos de pastilhas de freio a disco para veículos com carga máxima indicada até 3,5 t, utilizando ensaios de laboratório. Essas pastilhas são destinadas ao uso em freios de atrito a disco que são parte do sistema de freios de veículos rodoviários automotores, autorizados para uso em vias públicas.

A NBR 14958-2 de 08/2012 – Veículos rodoviários automotores – Material de atrito – Parte 2: Requisitos e métodos de ensaio para lonas de freio a tambor destinadas ao uso em freios de veículos das categorias M1, M2 e N1 especifica os requisitos e o método de ensaio do material de atrito para conjuntos de lonas de freio a tambor para veículos com carga máxima indicada até 3,5 t, utilizando-se ensaios de laboratório. Essas lonas são destinadas ao uso em freios de atrito a tambor que são parte do sistema de freios de veículos rodoviários automotores, autorizados para uso em vias públicas.

A NBR 14958-3 de 08/2012 – Veículos rodoviários automotores – Material de atrito – Parte 3: Requisitos e métodos de ensaio para pastilhas de freio a disco destinadas ao uso em freios de veículos das categorias M3, N2, N3, O3 e O4 especifica os requisitos e os métodos de ensaio do material de atrito para pastilhas de freio a disco utilizadas em veículos com carga máxima indicada acima de 3,5 t, utilizando-se ensaios de laboratório. Essas pastilhas de freio são destinadas ao uso em freios de atrito a disco que são parte do sistema de freio de veículos rodoviários automotores e veículos rebocados (reboques e semirreboques), autorizados para uso em vias públicas.

A NBR 14958-4 de 08/2012 – Veículos rodoviários automotores – Material de atrito – Parte 4: Requisitos e métodos de ensaio para lonas de freio a tambor destinadas ao uso em freios de veículos das categorias M3, N2, N3, O3 e O4 especifica um método de ensaio para material de atrito empregado nas lonas de freio a tambor utilizadas em veículos com carga máxima indicada acima de 3,5 t, utilizando-se ensaios de laboratório. Essas lonas de freio são destinadas ao uso em freios de atrito a tambor que são parte do sistema de freio de veículos rodoviários automotores e veículos rebocados (reboques e semirreboques), autorizados para uso em vias públicas.

E, por fim, a NBR 14958-5 de 08/2012 – Veículos rodoviários automotores – Material de atrito – Parte 5: Requisitos e métodos de ensaio para lonas e pastilhas de freio destinadas ao uso em freios de veículos da categoria L que especifica os requisitos e os métodos de ensaio de material de atrito empregado nas lonas e pastilhas de freio utilizadas em veículos rodoviários da categoria L.

Enfim, os sistemas de freios são um dos itens de segurança do veículo e é muito complexo no que refere a manutenção, sendo composto de componentes de fricção e de sistema hidráulico. Os componentes de fricção são todos aqueles que agem utilizando o atrito entre partes para efetivar a frenagem do veículo, já os componentes hidráulicos do freio são para potencializar as forças das peças que entraram em atrito ou são utilizados para acionar determinadas peças que farão o freio a funcionar.

As peças de fricção são: o disco de freio que pode equipar a parte dianteira ou a dianteira e a traseira; o tambor de freio que é utilizado na parte traseira do veículo. Em modelos mais antigos são também utilizados na dianteira; a pastilha de freio que é utilizada em conjunto com os discos; as lonas de freio que são utilizadas com os tambores de freio.

As peças que formam o sistema hidráulico são: o cilindro mestre, que direciona o fluído de freios para acionar o freio de cada roda; o servo freio que tem a função de aumentar a força empregada no pedal de freio que por sua vez irá acionar todo o sistema; o cilindro de roda, que é um componente que acionará o freio traseiro quando este utilizar o sistema com tambores; e a pinça de freio, onde se encaixa as pastilhas e através de pressão hidráulica em seus êmbolos pressiona as pastilhas de encontro com o disco.

Já o ABS é um sistema que controla os freios comuns. Ao se deparar de repente com um obstáculo no meio da rua, o instinto do motorista é enfiar o pé no freio bruscamente. Nos carros sem ABS, isso faz com que o veículo, mesmo com as rodas paradas, comece a derrapar, arrastando-se sem o domínio do motorista. Já o ABS simula o comportamento de um motorista experiente: para aos poucos. Assim, as rodas não travam, aumentando a eficiência da direção.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br



Categorias:Normalização, Opinião

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