Os vidros resistentes a impactos balísticos

O vidro blindado é constituído por uma combinação de dois ou mais tipos de vidro, um é um pouco mais resistente e outro um pouco mais fragilizado. A camada fragilizada torna o vidro mais elástico, fazendo com que ele se flexione, ao invés de se estilhaçar. É um tipo de multilaminado, ou seja, várias camadas reforçadas compostas por várias lâminas de vidro comum. Todas elas são intercaladas por películas plásticas como o polivinil butiral ou por resinas. Além das lâminas de vidro e películas ou resinas intermediárias, eles têm como principal finalidade a desaceleração dos projéteis. Essas películas por fornecerem alta resistência para impactos físicos, como ataques feitos com martelos e machados. Conheça melhor os aspectos visuais e ópticos dos vidros de segurança resistentes a impactos balísticos.

vidro2Da Redação –

A violência urbana tem levado a população a buscar cada vez mais formas de garantir a segurança. Uma delas é a blindagem. Esse tipo de vidro serve para veículos e também são bastante aplicados na construção civil — em guaritas, por exemplo.

Embora as aplicações veiculares ou arquitetônicas tenham aumentado no país, muito sobre esse material ainda é desconhecido. O vidro blindado é um tipo de multilaminado, ou seja, é reforçado por várias lâminas de vidro float intercaladas por películas plásticas como o polivinil butiral (PVB) ou por resinas.

Ele devem ser testados e oferecer proteção balística para os ocupantes de automóveis, construções residenciais ou comerciais. Além das lâminas de vidro e películas ou resinas intermediárias, que têm como finalidade a desaceleração dos projéteis, o blindado também costuma levar em sua composição materiais como lâminas de policarbonato (tipo de plástico composto por ligações de carbono com oxigênio) e o poliuretano, que promove a adesão entre as camadas de policarbonato.

Também pode contar com uma película interna para evitar o desprendimento dos estilhaços do vidro. No entanto, não há uma fórmula única para a composição do vidro blindado. Antes de serem comercializados, os vidros blindados precisam ser registrados junto ao Exército brasileiro, que então realiza os testes do material.

Os ensaios de resistência balística a avaliação do impacto (compreendendo o ângulo de incidência, a velocidade do projétil, a munição e o impacto pela bala num determinado ponto do corpo de prova);o posicionamento e a sequência dos disparos a serem feitos; a preparação dos corpos de prova — ou seja, a amostra do vidro blindado a ser testado deve ser acondicionada em ambiente com temperatura e umidade do ar especificados; a face do ataque; a presença de umidade.

A resistência é determinada pelo tipo de munição e o corpo de prova é considerado aprovado se não houver perfuração na folha de alumínio que é colocada a uma distância de 15 cm sobre a face contrária à face do vidro alvejado. Após a conclusão do procedimento, o Exército emite o Relatório Técnico Experimental (Retex) sobre o ensaio, informando se o produto foi aprovado ou não para o nível de proteção que ele se propõe a conferir.

A NBR 16218 de 10/2013 – Vidros de segurança resistentes a impactos balísticos para veículos rodoviários blindados — Aspectos visuais e ópticos — Requisitos e métodos de ensaio estabelece os requisitos mínimos para avaliação dos aspectos visuais e ópticos dos vidros de segurança resistentes a impactos balísticos empregados em veículos rodoviários blindados e os respectivos métodos de ensaio para sua avaliação. Para os requisitos e métodos de ensaio de resistência balística, deve ser utilizada a NBR 15000.

A característica principal, que modifica as propriedades ópticas e/ou mecânicas do vidro de segurança resistente a impactos balísticos, não altera as funções que este pretende executar em um veículo. O termo também engloba as marcas ou marcações da forma especificada pelo portador da homologação, se houver. São consideradas características principais: marca do fabricante ou de comércio; forma e dimensão: comprimento, largura, altura de segmento, raio mínimo de curvatura e categoria de forma (plano ou curvo) para todos os vidros; espessura nominal, assim como a natureza dos materiais componentes do vidro é relacionada diretamente com o nível de resistência balística a que o vidro pertence; tratamento especial do vidro.

A característica secundária é capaz de modificar as propriedades ópticas e/ou mecânicas de um vidro e altera a função que este pretende executar em um veículo. A extensão de tais modificações é avaliada em relação aos índices de dificuldade. São consideradas características secundárias: coloração dos componentes do vidro resistente a impactos balísticos; presença ou ausência de filamentos condutores elétricos; presença ou ausência de bandas solares ou serigrafia.

Todo vidro resistente a impactos balísticos deve ser identificado por seu número de série de fabricação, que deve ser inserido de forma visível e indelével no vidro. Todo vidro resistente a impactos balísticos também deve conter, de forma indelével e visível, após montado, a logomarca do fabricante do produto.

Para a identificação do critério de classificação balística deve-se consultar a NBR 15000. A metodologia para determinação das áreas dos vidros automotivos A, B e C está descrita no Anexo A e ilustrada no Anexo B. Os critérios de aceitação em relação às falhas e aos valores aceitáveis para as áreas A, B e C estão descritos nas tabelas abaixo.

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Para as falhas na Área D, nas aplicações fixas, as áreas D não são avaliadas com relação a falhas superficiais, no entanto não podem apresentar mais que duas lascas de no máximo 2 mm de extensão cada. A profundidade da lasca não pode exceder 1/3 da espessura da lâmina externa. A lasca não pode apresentar entalhe ou falha que leve a uma propagação, com consequente quebra da lâmina de vidro.

Nas aplicações móveis, não pode existir lasca nas arestas ou bordas, as quais não podem apresentar qualquer falha que venha a danificar a guia de deslizamento ou vedação. Nas bordas inferiores são admissíveis falhas, desde que não interfiram na função e segurança e/ou desde que não comprometam a integridade do produto.

Os vidros resistentes a impactos balísticos, quando ensaiados de acordo com a NBR 9503, devem ter transmissão luminosa mínima de 60 % para vidros necessários à dirigibilidade do veículo (para-brisas e portas dianteiras) e de 28 % para os outros vidros, independentemente da sua classificação quanto à resistência balística.

A avaliação da distorção óptica deve ser feita conforme descrito em 5.4 e aplica-se à área A do para-brisa e à área B1 do vigia, sendo que os resultados obtidos não podem ultrapassar 0,04 dioptria tanto para a área A do para-brisa como para a área B1 do vigia. Quanto à separação da imagem secundária, os vidros de segurança devem obedecer às seguintes condições, quando ensaiados conforme a NBR 9497: dois métodos de ensaio podem ser aplicados: método de ensaio de mira; ou método de ensaio com colimador.

Um tipo de vidro do para-brisa é considerado aprovado no que concerne à separação da imagem secundária, se nas peças submetidas aos ensaios a separação da imagem primária não ultrapassar os 25´ de arco na área A. Os vidros da parte externa dos corpos de prova, após ensaiados conforme a NBR 9498, são considerados aprovados se a difusão de luz não for superior a 2%.

O revestimento plástico interno do pacote deve ser submetido a um ensaio por 100 ciclos, de acordo com as exigências especificadas na NBR 9498 e é considerado aprovado com relação à resistência à abrasão, se a dispersão de luz resultante da abrasão da peça não exceder 4%.

Em resumo, o vidro laminado balístico é um material que é construído a partir de uma combinação de materiais de camada intermediária ou de baixo ferro e policarbonato de ferro ou de camada intermediária de PVB. Ele é construído através de um processo de colagem de alta temperatura e vácuo negativo, chamado laminação, que faz camadas de material de policarbonato ou PVB entre dois pedaços de vidro.

Este processo em várias camadas e espessuras pode criar um vidro resistente a impactos que pode suportar a força de certas balas de uma arma ou rifle, dependendo da espessura do vidro e dos materiais utilizados. Quando uma bala é disparada contra o vidro laminado resistente a balas, a bala acertará e perfurará a camada externa da camada de vidro do lado da ameaça.

Isso reduzirá a velocidade e quebrará e achatará ou expandirá a estrutura das balas, absorvendo o choque de energia cinética através das múltiplas camadas laminadas. Portanto, a bala não penetrará completamente como por meio do lado oposto que se torna seguro, composto de material de policarbonato transparente. Isso se deve à capacidade do material de policarbonato em absorver a energia final da bala ao entrar na última camada de material resistente à balística.



Categorias:Normalização, Qualidade

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1 resposta

  1. Está na hora do emprego de uma terminologia técnica.
    Existe aço blindado? Não, aço é um material, assim como ‘vidro’ também é um material. Logo um material aprovado segundo a norma NBR 15000, não é um material blindado (a não ser que esteja protegido em alguma redoma) e sim de resistência balística.
    Mesmo assim ainda está incoerente. Quando falamos de produtos, não chamamos uma peça de aço ou aço dotado de rosca, de aço. Passam a se denominar por exemplo de barra, bujão, porca, parafuso, prisioneiro, …
    E o produto final de vidro ou plástico, com forma, dimensões e massa definidos? Ex. copo, garrafa e jarra entre outros.
    Massa de vidro é ‘vidro’, vidro em chapa é denominado ‘vidro float’, vidro float cortado denomina-se ‘lâmina de vidro’ e um produto final de segurança com ou sem resistência balística é simplesmente ‘vidro’ novamente?
    Infelizmente ainda não foi adotada a norma de vocabulário, ISO 3536.
    Outros países que são membros do ISO TC 22 adotam o termo glazing (e), vitrage (f), Verglasung (d), aqui também deu trabalho substituir a expressão ‘fechamento plástico’ por ‘envidraçamento plástico’ (NBR 16578).
    Um veículo blindado (blindagem a partir de uma empresa blindadora, fabricado com componentes de resistência balística) tem por objeto a proteção (blindagem) dos seus ocupantes contra ameaças externas.
    Aguardemos pela harmonização, enquanto isso vamos de ‘vidro blindado’.
    19W40.

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