O uso dos granitos em revestimentos de edificações

Aproximadamente 80% do volume total de granito processado é utilizado para revestimento de pisos, paredes e fachadas, além de tampos de pias, mesas e balcões. Por sua resistência à poluição atmosférica, a produtos de limpeza quimicamente agressivos e à abrasão, o material é convencionalmente especificável sem restrição para ambientes internos e externos.

granito2Da Redação –

Segundo alguns arquitetos, o granito é uma rocha nobre e de beleza imponente que valoriza em muito o projeto, pois o revestimento em granito proporciona classe e elegância além de resistência e facilidade de limpeza e manutenção. Existem peças em granito que resistem muito tempo praticamente intactas. Os granitos podem ser aplicados em diversos ambiente e peças, mantendo a originalidade onde quer que seja utilizado.

A rocha pode ser usada tanto para revestimentos verticais quanto em pisos. Quando indicado para paredes ou fachadas, a fixação utiliza argamassas e rejuntamento, com reforço de pinos metálicos, ou apenas pinos metálicos em revestimentos aerados/ventilados. Pode ser fixada no piso com uso de argamassas ou, ainda, ser elevada/flutuante, apoiada sobre suportes. As argamassas colantes flexíveis são preferíveis às soluções cimentícias convencionais, visando prevenir os efeitos de umidade ascendente e o surgimento de manchas.

Pode-se acrescentar que as rochas ornamentais e de revestimento, também designadas pedras naturais, rochas lapídeas, rochas dimensionais e materiais de cantaria, compreendem os materiais geológicos naturais que podem ser extraídos em blocos ou placas, cortados em formas variadas e beneficiados por meio de esquadrejamento, polimento, lustro, etc. Seus principais campos de aplicação incluem tanto peças isoladas, como esculturas, tampos e pés de mesa, balcões, lápides e arte funerária em geral, quanto edificações, destacando-se neste caso os revestimentos internos e externos de paredes, pisos, pilares, colunas, soleiras, dentre outros.

Do ponto de vista comercial, são basicamente subdivididas em granitos e mármores. Os granitos enquadram-se genericamente as rochas silicáticas, enquanto os mármores englobam as rochas carbonáticas. Alguns outros tipos litológicos, como os quartzitos, serpentinitos, travertinos e ardósias, também são muito importantes setorialmente.

Do ponto de vista mercadológico, os produtos do setor têm características das manufaturas, e não das commodities. Até para as rochas brutas, comercializadas em blocos, o preço não é fixado em bolsas de mercadorias, dependendo da percepção de valor estabelecida pelos consumidores a partir de vantagens funcionais e/ou atributos estéticos diferenciados.

Também como referência, salienta-se que o setor de rochas ornamentais é essencialmente integrado por micro e pequenas empresas, com nível de informalidade ainda relativamente elevado. Pela pulverização geográfica e empresarial das atividades produtivas, os dados setoriais, exceto das exportações e importações brasileiras, são sempre estimativos.

A NBR 15844 de 07/2015 – Rochas para revestimento – Requisitos para granitos especifica as características físicas e mecânicas típicas de granitos destinados a revestimentos de edificações. Não se destina às rochas carbonáticas (mármores, calcários e travertinos), ardósias, serpentinitos, esteatitos, xistos, arenitos, quartzitos, conglomerados e pegmatitos.

As rochas devem ser coesas e livres de características como fissuras, fraturas etc., que venham a afetar sua integridade estrutural para o uso pretendido. A cor, a textura e a estrutura das rochas, bem como as variações naturais permissíveis destas características, devem ser objeto de comum acordo entre o fornecedor e o comprador, devendo-se estabelecer uma amostra padrão constituída de pelo menos seis exemplares representativos, cada um com área mínima de 0,25 m², que será utilizada como referência no recebimento de material na obra.

Os valores de resistência mecânica (compressão e flexão) a serem considerados nos projetos de revestimentos devem ser o valor médio mínimo obtido entre as quatro condições de ensaio seguintes: seca ou saturada em água e paralela ou perpendicular à estruturação da rocha (estratificação, lineação, foliação, etc.). Os requisitos específicos para granito, na denominação comercial, como definido na NBR 15012, constam na Tabela 1 (disponível na norma).

Os granitos com valores de propriedades distintos daqueles mencionados na Tabela 1 devem ter suas características relevantes avaliadas pelo profissional tecnicamente habilitado, responsável pelo projeto. O conceito de rocha ornamental e de revestimento está baseado, sobretudo, em um método de extração e possibilidade de aplicação, conjugados a fatores estéticos, não importando a princípio seus aspectos genéticos e composicionais. Fica patente que qualquer material pétreo natural, passível de extração como bloco e com possibilidades de desdobramentos em chapas, com ou sem beneficiamento, pode ser considerado potencialmente uma rocha ornamental ou de revestimento.

Comercialmente, as rochas ornamentais são definidas essencialmente à luz de duas principais categorias, que são os granitos e os mármores, distinguidas com base na sua composição mineralógica. Os granitos abrangeriam as rochas silicatadas, ou seja, formadas por minerais estruturalmente constituídos por tetraedros de SiO4, ao passo que os mármores incluiriam as rochas composicionalmente carbonáticas.

Essas duas categorias de rochas respondem largamente pelas variedades de rochas ornamentais e de revestimento comercializadas, representando cerca de 80% da produção mundial. No Brasil, os granitos correspondem a 57% da produção nacional de rochas ornamentais, enquanto apenas 19% são relativos aos mármores.

As demais categorias, não menos importantes, correspondem os quartzitos, as ardósias, os serpentinitos, os esteatitos, os arenitos e os conglomerados. Entretanto, observa-se uma tendência do mercado de descrever comercialmente algumas dessas variedades como “granito”, em função simplesmente de apresentarem comportamento típico da categoria nos processos de extração, desdobramento e beneficiamento. Relativamente aos mármores e granitos, pela sua grande diversidade estético decorativa e, em geral, maior resistência às solicitações de uso, sejam elas naturais ou artificiais, são muito mais utilizados, sendo empregados em uma gama maior de situações.

Quanto aos granitos, o seu conceito comercial é muito genérico, abrangendo em sua essência as rochas composicionalmente silicatadas, com mineralogia principal definida a base de feldspatos, feldspatóides e quartzo, ou seja, minerais com dureza Mohs entre 6 e 7. Dependendo da variedade, pode incluir acessoriamente expressivo conteúdo de minerais máficos (escuros) notadamente biotita, anfibólios e piroxênios. É importante complementar, que os feldspatóides são constituintes característicos de rochas geologicamente classificadas como alcalinas que também primam geralmente pela ausência de quartzo.

Do ponto de vista da geologia, o granito comercial inclui tanto rochas ígneas quanto metamórficas, abrangendo, neste sentido, uma variada gama de tipos textural, estrutural e composicionalmente distintos, o que reflete em cores e padrões estéticos diversos. Dentre as rochas ígneas, os tipos mais comuns encontrados naturalmente e utilizados como rocha ornamental e de revestimento são os granitos sensu strictu, os quartzomonzonitos, os granodioritos e os quartzodioritos.

Constituem variedades plutônicas basicamente quartzo feldspáticas, fanero cristalinas, com mineralogia acessória representada principalmente por micas (biotita e muscovita) e anfibólios (hornblenda), em proporções variáveis. Apresentam granulação fina a grossa, porfirítica ou não, podendo exibir uma fraca anisotropia, dada por alinhamento mineral.

Essa distinção é mineralógica e é determinada pelo percentual de participação entre feldspatos alcalinos (potássicos) e plagioclásios (feldspatos de Na e Ca) na rocha, que vai dos granitos potássicos aos quartzodioritos sódico cálcicos. Equivalentes menos silicosos do granito, quartzomonzonito e granodiorito, ou seja, com menos de 10% de quartzo, correspondem respectivamente o sienito, o monzonito e o diorito.

Variedades comerciais dessas rochas incluem, entre outros, o juparaná, o vermelho capão bonito, o cinza mauá (granitos), o cinza prata, o azul fantástico (granodioritos), o preto águia branca e o preto tijuca (dioritos). Outras espécies ígneas também valorizadas no mercado como rocha ornamental e de revestimento, porém menos comuns na natureza, são as rochas sieníticas.

São termos plutônicos alcalinos constituídos predominantemente de feldspatos potássicos e, caracteristicamente, feldspatóides (sodalita, nefelina, leucita) nos tipos subsaturados em sílica. A mineralogia acessória pode incluir piroxênios e anfibólios alcalinos, que emprestam a cor escura à textura. São rochas fanero cristalinas, em geral isótropas, e de granulação média.

Uma variedade sienítica muito valorizada e comercializada no mercado é o denominado azul bahia. Um sodalita sienito de azul intenso, isótropo e de granulação média. O percentual do feldspatóide (sodalita) chega a corresponder a 30% da composição modal da rocha. É comercializado como blocos, chapas polidas e serradas, e ladrilhos.



Categorias:Normalização, Qualidade

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