A conformidade do cabeamento industrial

Pode-se dizer que o cabeamento estruturado é um método padronizado de cabear uma rede, considerando as normas de segurança, as melhores práticas e um maior aproveitamento de recursos dos equipamentos. Quando se fala em cabeamento estruturado, as pessoas relacionam a ideia ao ambiente de rede disposto de cabos responsáveis pela integração de serviços (dados e telecom), passando por algumas das instalações do edifício (entrada, armário de telecomunicações e sala de equipamentos, por exemplo). No caso do setor industrial, a estrutura deve suportar uma extensa gama de serviços de telecomunicações, como automação, controle e aplicações de monitoramento para uso em instalações industriais ou áreas industriais dentro de outros tipos de edificações, compreendendo um ou múltiplos edifícios em um campus.

cabeamento2Da Redação –

O cabeamento estruturado aplicado à indústria não se limita aos escritórios e outros terminais, pois as máquinas e os equipamentos também usam o cabeamento estruturado na comunicação com outros sistemas de produção e controle. Os sistemas de automatização industrial estão cada vez mais conectados e mais eficientes, os computadores pessoais industriais precisam de conexão de alta qualidade para responder dentro do tempo hábil aos comandos dos operadores.

O ambiente industrial é muito complexo e, dependendo do setor de atuação, os componentes do cabeamento estruturado aplicado à indústria enfrentam ambientes altamente nocivos como: alto nível de umidade; poeira e particulados; agentes corrosivos; e ação mecânica (movimentos). Assim, em dentro de uma indústria, o sistema de cabeamento estruturado é responsável por conectar as diferentes tecnologias de sistemas baseados em padrões de instalação. Indo muito além da utilização em escritórios, a conexão entre os complexos sistemas de automação é o que tem determinado os elevados índices de eficiência industrial.

Para oferecer respostas ágeis, os computadores industriais demandam a implementação de uma conexão de qualidade, com alta velocidade de transferência de dados e alta disponibilidade. Em busca dos melhores resultados é preciso prever os danos que são comuns nos sistemas de cabeamento, causados por: poeira e materiais particulados, umidade elevada, agentes corrosivos e desgastes constantes.

No Brasil, é comum recorrer a instalações improvisadas dos sistemas de cabeamento que promovem a conexão de toda uma rede de computadores, ignorando as etapas de planejamento e procedimentos técnicos. A má estruturação do sistema de cabeamento costuma ser responsável por cerca de 70% dos problemas apresentados na rede e pelos riscos à segurança do tráfego de dados. No cenário nacional, pode-se constatar que, infelizmente, grande parte das empresas e indústrias não possui um sistema estruturado, o que implica em uma necessidade frequente de manutenções, perda de rendimento e dificuldades para futuras expansões da infraestrutura de informática.

A NBR 16521 de 10/2016 – Cabeamento estruturado industrial especifica um cabeamento estruturado que suporta uma extensa gama de serviços de telecomunicações, como automação, controle e aplicações de monitoramento para uso em instalações industriais ou áreas industriais dentro de outros tipos de edificações, compreendendo um ou múltiplos edifícios em um campus. Esta norma abrange o cabeamento balanceado e o cabeamento em fibra óptica.

Esta norma baseia-se e adota como referência os requisitos da NBR 14565. Contém requisitos adicionais apropriados a instalações industriais nas quais a distância máxima em que os serviços de comunicações têm que ser distribuídos é de 10.000 m. Os conceitos desta norma também podem ser aplicados às instalações que não se enquadram neste intervalo.

Além dos requisitos da NBR 14565, esta norma especifica: uma estrutura modificada e configuração para cabeamento genérico dentro de instalações industriais as quais as aplicações de tecnologia da informação são utilizadas para suporte ao processo de monitoramento e funções de controle; opções de implementação; requisitos adicionais que refletem a gama de ambientes operacionais em instalações industriais.

A segurança (segurança elétrica e proteção, incêndio etc.) e requisitos de compatibilidade eletromagnética (EMC) estão fora do escopo desta norma e são cobertos por outras normas e regulamentos. Porém, as informações deste documento podem ser de ajuda a estes padrões e regulamentos.

A importância da infraestrutura do cabeamento de tecnologia da informação em edifícios é semelhante à de outros serviços fundamentais da edificação, como aquecimento, iluminação e energia elétrica. Como acontece com outros serviços, interrupções de serviço podem ter consequências graves.

A má qualidade do serviço devido à falta de previsão no projeto, o uso de componentes inadequados, instalação incorreta, má administração ou suporte inadequado podem ameaçar a eficácia de uma organização. Historicamente, o cabeamento em edifícios abrange tanto aplicações específicas como de uso geral.

O crescimento subsequente do cabeamento estruturado projetado de acordo com a NBR 14565 tem suportado o desenvolvimento de aplicações de alta taxa de transferência de dados com base em um modelo de cabeamento padronizado. Esta norma reconhece o benefício do cabeamento estruturado para interconectar várias partes de equipamentos em instalações industriais ou áreas industriais e outros tipos de instalações (dentro e entre edifícios).

Esta norma especifica, para instalações industriais: um sistema de cabeamento estruturado independente de aplicações e de fornecedores e com cabos e hardware de conexão padronizados; requisitos para infraestruturas que suportam automação crítica, controle de processos e aplicações de monitoramento em uma variedade de ambientes industriais; um sistema de cabeamento flexível, de modo que modificações sejam fáceis e economicamente viáveis; diretrizes sobre o cabeamento estruturado para profissionais de construção, produção e controle; aplicação e uso além dos requisitos dos requisitos das áreas industriais; um sistema de cabeamento capaz de suportar aplicações atuais e que serve como base para desenvolvimentos futuros de produtos, bem como padrões de novas aplicações. Esta norma de cabeamento estruturado industrial, definida entre as interfaces mostradas na figura abaixo, contém apenas componentes passivos.

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Para um sistema de cabeamento estar em conformidade com esta norma: a estrutura e a configuração devem estar em conformidade com os requisitos da Seção 5; as interfaces para o cabeamento na tomada de telecomunicações (TO) devem estar de acordo com os requisitos da Seção 9, com respeito à combinação de interfaces e ao desempenho, quando submetidas a condições ambientais locais, como definido no ambiente aplicável da Seção 6; hardware de conexão em outros locais na estrutura do cabeamento deve estar de acordo com os requisitos da Seção 9, quando sujeito a condições ambientais locais, como definido pela classe ambiental aplicável da Seção 6; canais devem estar de acordo com os requisitos de transmissão aplicável à classe de desempenho da Seção 6, quando sujeitos a condições ambientais locais, como definido pelo ambiente aplicável da Seção 6.

Isto deve ser alcançado por uma das seguintes opções: um projeto e implementação de canal que assegurem que a classe de desempenho prescrito na Seção 6 seja obtida; a fixação de componentes apropriados para um projeto de link permanente que atenda à classe de desempenho descrita no Anexo A. O desempenho do canal deve ser assegurado onde um canal é criado, somando-se mais que um cordão em cada extremo de ligação de um link permanente, de acordo com os requisitos do Anexo A; usando os modelos de referência da Seção 7 e componentes de cabeamento compatíveis de acordo com os requisitos das Seções 8 a 10, com base em uma abordagem estatística de modelagem de desempenho; regulamentos locais relativos à segurança e emissões eletromagnéticas devem ser respeitados.

Os requisitos de desempenho de transmissão da Seção 6 são também obtidos quando as condições ambientais locais para os canais estão de acordo com as implementações de referência do Anexo C e os componentes de cabeamento são compatíveis com os requisitos das Seções 8 a 10. Os métodos de ensaio que asseguram conformidade com os requisitos de canal e enlace da Seção 6 e o Anexo A, respectivamente, são especificados na IEC 61935-1 e no Anexo B.

O tratamento de resultados de medições/medidas que não satisfaz os requisitos desta seção, ou mente dentro da precisão de medida pertinente, deve ser documentado claramente dentro de um plano de qualidade, como descrito na ISO/IEC 14763-2. O ambiente local aplicável da Seção 6 ao cabeamento, ou componentes do cabeamento, é o mesmo do ambiente externo ou ambiente modificado criado por uso de técnicas de instalação atenuantes.

A palavra “canal” se refere ao cabeamento passivo entre as interfaces descritas nas Seções 5 e 6, sendo usada especificamente neste contexto ao longo desta Norma.  O uso de componentes adequados, quando sujeitos a certas condições ambientais, não assegura que o canal resultante atenda à classe de desempenho de transmissão aplicável da Seção 6, quando sujeitos a estas condições ambientais.

A instalação e a administração do cabeamento, conforme esta norma, devem ser executadas de acordo com a série ISO/IEC 14763. Esta norma não especifica quais níveis de amostragem e ensaios devem ser adotados. Os parâmetros de ensaio medidos e os níveis de amostragem aplicados para uma determinada instalação devem ser definidos no plano de especificação e qualidade de instalação para uma instalação executada conforme a ISO/IEC 14763-2.

As especificações marcadas “ffs” são preliminares e não são requeridas para conformidade com esta norma. Além dos distribuidores especificados na NBR 14565, esta norma especifica os seguintes elementos funcionais e interfaces para o cabeamento estruturado em instalações industriais: cabeamento de chão de fábrica; distribuidor intermediário (ID); cabeamento intermediário; tomada de telecomunicações (TO); e interface de rede (NI).

Os esquemas de cabeamento estruturado para instalações industriais podem conter até quatro tipos de subsistemas: backbone de campus, backbone de edifício, subsistema de cabeamento de chão de fábrica e subsistema de cabeamento intermediário. Além disso, um cabeamento é necessário para conectar telecomunicações, controle de processos e equipamentos de monitoramento ao sistema de cabeamento estruturado, porém este é de aplicação específica e, portanto, não especificado nesta norma.

O subsistema de cabeamento de chão de fábrica estende-se de um FD aos ID conectados a ele e inclui: os cabos de chão de fábrica; a terminação mecânica dos cabos, incluindo o hardware de conexão (interconexão ou conexão cruzada), tanto no FD quanto nos ID, incluindo patch cords e/ou jumpers; quaisquer conexões passivas ao cabeamento de backbone de edifício. Embora os cordões de equipamento estejam incluídos em um canal, eles não são considerados parte do subsistema de cabeamento de chão de fábrica, por serem de aplicação específica.

O cabeamento estruturado industrial tem que ser projetado de acordo com as diretrizes da NBR 14565 e operar dentro das condições ambientais definidas na Seção 6. As caixas de passagem e de emenda podem ser associadas aos caminhos do cabeamento estruturado. Para os efeitos desta norma, tanto as caixas de passagem quanto de emenda são consideradas espaços.

As caixas de passagem devem ser utilizadas para lançamento de cabos pela infraestrutura do edifício ou edifícios e não podem abrigar emendas. Para este efeito, devem ser usadas caixas de emendas. Ambas as caixas devem ser acessíveis para serviços. As caixas de emendas e de passagem devem ser instaladas em trechos retos dos caminhos de cabos e não podem ser usadas como curvas.



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