Por que proteger a cabeça dos trabalhadores?

Os ferimentos na cabeça são bastante comuns na indústria e representam de 3% a 6% de todos os ferimentos nos países industrializados. Geralmente são graves e resultam em um tempo médio perdido de cerca de três semanas. As lesões sofridas são geralmente o resultado de golpes causados pelo impacto de objetos angulares, como ferramentas ou parafusos, caindo de uma altura de vários metros; em outros casos, os trabalhadores podem bater com a cabeça no chão ou sofrer uma colisão entre um objeto fixo e a cabeça. Dessa forma, é importante ter consciência sobre os tipos e classes de capacetes de segurança para uso ocupacional e os seus requisitos quanto às características físicas e de desempenho.

capacete2Da Redação –

As lesões são variáveis , como a perfuração do crânio resultante da aplicação de força excessiva em uma área muito localizada, como por exemplo no caso de contato direto com um objeto pontiagudo ou com arestas afiadas; a fratura do crânio ou das vértebras cervicais que ocorre quando uma força excessiva é aplicada em uma área maior, estressando o crânio além dos limites de sua elasticidade ou comprimindo a porção cervical da coluna vertebral; e as lesões cerebrais sem fratura do crânio resultantes do deslocamento repentino do cérebro dentro do crânio, o que pode levar a contusão, concussão, hemorragia cerebral ou problemas circulatórios. A compreensão dos parâmetros físicos responsáveis por esses vários tipos de lesões é difícil, embora de fundamental importância, e há considerável desacordo na extensa literatura publicada sobre esse assunto.

Alguns especialistas consideram que a força envolvida é o principal fator a ser considerado, enquanto outros afirmam que é uma questão de energia ou da quantidade de movimento. Outras opiniões relacionam a lesão cerebral à aceleração, à taxa de aceleração ou a um índice de choque específico.

Na maioria dos casos, é provável que cada um desses fatores esteja envolvido em maior ou menor grau. Pode-se concluir que o conhecimento dos mecanismos dos choques na cabeça ainda é apenas parcial e controverso. A tolerância ao choque da cabeça é determinada por meio de experimentação em cadáveres ou em animais.

Com base nos resultados das análises de acidentes sofridos pelos trabalhadores da construção usando capacete, parece que as lesões na cabeça devido a choques ocorrem quando a quantidade de energia envolvida no choque é superior a cerca de 100 J. Outros tipos de lesões são menos frequentes, mas não devem ser esquecidos. Elas incluem queimaduras resultantes de respingos de líquidos quentes ou corrosivos ou material fundido ou choques elétricos resultantes do contato acidental da cabeça com peças condutoras expostas.

Por isso, o uso dos capacetes de segurança objetiva proteger a cabeça do usuário contra riscos e choques mecânicos. Além disso, pode fornecer proteção contra outros, por exemplo, mecânicos, térmicos e elétricos.

Um capacete de segurança deve atender a alguns parâmetros a fim de reduzir os efeitos nocivos dos choques na cabeça. Deve limitar a pressão aplicada ao crânio, espalhando a carga sobre a maior superfície possível.

Isso é conseguido fornecendo um arnês suficientemente grande que se aproxima de várias formas do crânio, juntamente com uma concha dura o suficiente para impedir que a cabeça entre em contato direto com objetos que caem acidentalmente e para proteger se a cabeça do usuário atingir uma superfície dura. A carcaça deve, portanto, resistir à deformação e perfuração.

Ele deve desviar os objetos em queda por ter uma forma arredondada e lisa. Um capacete com saliências salientes tende a prender objetos que caem ao invés de desviá-los e, assim, retém uma energia cinética um pouco mais que os capacetes perfeitamente lisos.

Ele deve dissipar e dispersar a energia que lhe pode ser transmitida de forma que ela não seja totalmente repassada para a cabeça e o pescoço. Isso é conseguido por meio do arnês, que deve ser fixado com segurança à carcaça dura, para que possa absorver um choque sem ser desconectado da carcaça.

O arnês também deve ser flexível o suficiente para sofrer deformação sob impacto sem tocar na superfície interna do invólucro. Essa deformação, que absorve a maior parte da energia de um choque, é limitada pela quantidade mínima de folga entre a concha dura e o crânio e pelo alongamento máximo do arnês antes que ele se quebre.

Outros requisitos podem ser aplicados aos capacetes usados para tarefas específicas. Isso inclui proteção contra respingos de metal fundido na indústria siderúrgica e proteção contra choque elétrico por contato direto no caso de capacetes usados por técnicos em eletricidade.

Os materiais utilizados na fabricação de capacetes devem manter suas qualidades de proteção por um longo período de tempo e sob todas as condições climáticas previsíveis, incluindo sol, chuva, calor, temperatura de congelamento de bela e assim por diante. Os capacetes também devem ter uma boa resistência à chama e não devem quebrar se caírem sobre uma superfície dura a uma altura de alguns metros.

Em resumo, pode-se dizer que a cabeça é uma parte muito delicada do corpo humano e as lesões sofridas nessa parte do corpo podem ser muito graves, razão pela qual a sua proteção é tão importante. Os ferimentos na cabeça, em média, são responsáveis por um em cada dez feridos não fatais relatados, que ainda podem ter efeitos de mudança de vida. Mesmo após um pequeno traumatismo craniano, a função cerebral pode ser temporariamente prejudicada, algo geralmente chamado de concussão. Isso pode levar a dificuldades como dores de cabeça, tontura, fadiga, depressão, irritabilidade e problemas de memória.

Enquanto a maioria das pessoas se recupera desses sintomas em duas semanas, algumas podem ter problemas por meses ou até anos após um pequeno ferimento na cabeça. No entanto, existem condições mais graves que podem ocorrer com um golpe na cabeça, como aneurismas cerebrais e hemorragias.

A proteção da cabeça deve ser feita por um equipamento de proteção individual (EPI) e, dependendo da forma de proteção selecionada, ele pode ser usado para evitar ou diminuir os danos ao crânio causados por um impacto de objetos que caem ou voam, protegem o usuário da eletrocussão de baixa tensão e fornecem proteção contra o risco de bater na cabeça e emaranhar os cabelos. Geralmente protege a área do couro cabeludo e, às vezes, a mandíbula e a nuca.

A NBR 8221 de 10/2019 – Capacete de segurança para uso ocupacional – Especificação e métodos de ensaio estabelece os tipos e as classes de capacetes de segurança para saúde e segurança no trabalho, fixa os requisitos mínimos quanto às características físicas e de desempenho, e prescreve os ensaios para a avaliação dos referidos capacetes, os quais são destinados à proteção da cabeça contra impactos, penetração e riscos elétricos no uso ocupacional. Os capacetes de segurança para uso ocupacional destinam-se a reduzir a quantidade de força de um golpe de impacto mas não podem oferecer total proteção à cabeça em casos de impacto e penetração severos.

O uso de capacetes de segurança nunca deve ser visto como substituição às boas práticas de segurança e controles de engenharia. Alterações, acoplamento de outros equipamentos de proteção individual (EPI) ou adição de acessórios podem afetar o desempenho do capacete. Eles são projetados para oferecer proteção acima das linhas de ensaio, que são claramente definidas nesta norma.

Os capacetes podem se estender abaixo das linhas de ensaio por estilo ou propósitos práticos, mas isso não implica proteção abaixo destas. O capacete de segurança é classificado conforme a proteção oferecida quanto aos riscos de impacto e elétricos, sendo classificado como Tipo I ou Tipo II, quanto à sua proteção contra impactos e Classes G, E ou C, quanto a sua proteção contra riscos elétricos.

O capacete Tipo II contempla os requisitos do capacete Tipo I, assim como o capacete Classe E contempla os requisitos das Classes G e C. O capacete Classe G contempla os requisitos da Classe C. O capacete de segurança Tipo I é concebido para reduzir a força de impacto resultante de um golpe no topo da cabeça.

O capacete de segurança Tipo II é concebido para reduzir a força de impacto resultante de um golpe no topo ou nas laterais da cabeça. O capacete de segurança Classe G é concebido para reduzir o risco de choque elétrico quando houver contato com condutores elétricos de baixa tensão, e é ensaiado com 2.200 V. Essa tensão não busca ser um indicador da tensão na qual o capacete protege o usuário.

O capacete de segurança Classe E é concebido para reduzir o risco de choque elétrico quando houver contato com condutores elétricos de alta tensão, e é ensaiado com 20.000 V. Essa tensão não busca ser um indicador da tensão na qual o capacete protege o usuário. O capacete de segurança Classe C não oferece proteção contra riscos elétricos.

Cada capacete deve ter marcações permanentes e legíveis, em qualquer região do casco, contendo as seguintes informações: nome ou marca de identificação do fabricante ou importador; data de fabricação; lote de fabricação. Cada capacete deve ter marcações legíveis, em qualquer região do casco, contendo as seguintes informações: a) número e ano desta norma; indicações aplicáveis de Tipo e Classe.

Cada capacete deve ser acompanhado por instruções do fabricante com as seguintes informações: instruções de colocação e retirada do sistema de suspensão no casco; método correto para ajuste de tamanho da suspensão; instruções sobre limitações e utilização; orientações sobre higienização, vida útil, cuidado e manutenção periódica; se aplicável, instruções sobre montagem e ajuste para uso invertido. Devem constar nas instruções a forma de identificação e a correta interpretação da data de fabricação, e quando o número do lote for o mesmo da data de fabricação, esta informação também deve constar nas instruções.

Quando o capacete possuir acessórios e/ou jugular, estes devem ser acompanhados por instruções de montagem, ajuste e utilização. O capacete de segurança Tipo I para uso invertido deve atender aos requisitos de ensaio de transmissão de força, quando montado na posição invertida na cabeça padrão.

O capacete de segurança Tipo II para uso invertido deve atender aos requisitos de ensaio de transmissão de força, atenuação de energia de impacto lateral e penetração excêntrica, quando montado na posição invertida na cabeça-padrão. Quando medido para alta visibilidade, o capacete para alta visibilidade deve demonstrar cromaticidade que esteja dentro de uma das áreas definidas na tabela abaixo e o fator de luminância total (Y expresso como porcentagem) deve ser superior ao mínimo correspondente na tabela abaixo.

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As cabeças padrão para os ensaios descritos nesta norma devem atender aos requisitos do Anexo A e para o ensaio de transmissão de força, devem atender ao Anexo B. As dimensões constantes nos Anexos A e B devem ter tolerâncias de ± 1,0%. As dimensões fornecidas nos Anexos A e B para confecção das cabeças padrão de ensaios são referentes a um perfil completo de cabeça, porém estas dimensões só são relevantes para esta norma acima das linhas de ensaio, sendo então permitida a construção de cabeças com adaptações dimensionais abaixo destas linhas de ensaio.

Para o procedimento de marcação da linha de ensaio dinâmico (LED), a cabeça-padrão deve estar firmemente posicionada com o plano-base na horizontal. A amostra de ensaio deve ser colocada sobre a cabeça padrão, em sua posição normal de uso, centralizada em relação ao plano médio-sagital e paralela ao plano-base, de acordo com seu índice de posicionamento.

A amostra que pode ser utilizada na posição invertida deve ser montada conforme instruções do fabricante para uso invertido, sendo então colocada sobre a cabeça padrão e centralizada em relação ao plano médio-sagital e paralela ao plano base, de acordo com seu índice de posicionamento. Uma massa de (5,0 ± 0,1) kg deve ser aplicada uniformemente sobre o topo do capacete (por exemplo um saco de areia).

Mantendo a massa e a posição descritas, desenha-se uma linha na superfície externa do capacete, coincidindo com as interseções da superfície do capacete e os planos seguintes: um plano “k”, em milímetros, acima e paralelo ao plano de referência na porção anterior da cabeça de ensaio de referência; um plano vertical transversal “b”, em milímetros, atrás do centro do eixo central vertical, em uma vista lateral; um plano “j”, em milímetros, acima e paralelo ao plano de referência na porção posterior da cabeça de ensaio de referência.

O equipamento de ensaio de atenuação de energia de impacto lateral deve ter um sistema guia que atinja velocidades de impacto exigidas por esta norma. O atrito entre o carro em queda e o sistema guia deve ser minimizado pelo uso de materiais de rolamento apropriado. As bigornas de ensaio devem ser feitas de modo que possam ser intercambiáveis na base e devem ser fixadas de forma que nenhuma energia seja absorvida por deformações.

A base deve ser de aço de espessura de pelo menos 25 mm. Deve haver uma esfera de montagem conectada ao sistema guia que permita adequada fixação das cabeças de impacto, de forma que esta possa ser girada sobre a esfera e fixada em uma posição predeterminada, mas que não saia desta posição no momento de impacto. Um acelerômetro deve ser montado dentro da esfera, tendo o eixo (ou eixo vertical, no caso de um acelerômetro triaxial) dentro de 2,5° de alinhamento vertical.

O sensor de velocidade deve ser capaz de registrar velocidades em uma taxa mínima de 100 kHz e sua posição deve ser ajustável, de modo que a velocidade de impacto seja medida a não mais que 2,0 cm a partir do ponto de impacto. Caso o mecanismo guia de queda possua um flag para acionar o sensor de velocidade, este deve ter uma altura máxima de 26 mm. O feixe luminoso, visível, infravermelho etc., deve ter fendas de emissão/recepção de funcionamento perpendicular ao trajeto do percurso do flag. A resposta em frequência do sistema de aquisição de dados e do acelerômetro deve estar em conformidade com a SAE J211, Classe de Canal 1000, devendo atender também às especificações da tabela abaixo.

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Um objeto simulador do flag utilizado para medição da velocidade de ensaio deve cair em queda livre através do detector do sensor de velocidade, de uma altura conhecida, superior a 1 m, sendo então a velocidade medida comparada com a velocidade real, calculada conforme a seguir. Este simulador deve ser grande o suficiente para acionar o detector adequadamente e ter massa suficiente para minimizar os efeitos do atrito aerodinâmico. Os dois valores de velocidade não podem diferir entre si mais do que 1,0% V = (2·g·h)1/2, onde: V é a velocidade real, expressa em metros por segundo (m/s); g é a constante gravitacional, que equivale a 9,806654 m/s²; h é a altura de queda, expressa em metros (m).

Como método alternativo, caso o sensor de velocidade possua saída elétrica do seu elemento receptor, medir a largura do pulso nesta saída, com um osciloscópio de memória calibrado, registrando este valor. Medir a altura do flag do sensor de velocidade com um paquímetro calibrado. Calcular a velocidade média, dividindo a altura do flag pelo tempo registrado no osciloscópio.

Os valores de velocidade calculado e indicado pelo equipamento de ensaios não devem diferir entre si mais do que 1,0%.Como procedimento de repetibilidade do sistema, realizar três impactos consecutivos da cabeça padrão fixada ao mecanismo guia, com o plano base na horizontal, no meio de calibração montado sobre a base de ensaio ou dispositivo apropriado, com velocidade de (3,0 ± 0,1) m/s. O valor de repetibilidade é a média das três leituras máximas da desaceleração em cada impacto, sendo que nenhum destes valores pode exceder ± 5,0% do valor médio.



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