Os riscos das emergências em túneis

Uma emergência em túnel exige demandas extremamente altas em soluções de comunicação e segurança. Os acidentes e falhas em áreas de túneis são extremamente perigosos para todos os envolvidos. Caso ocorra um incidente, é de importância fundamental que os usuários da estrada tenham a maior segurança possível, além de assistência imediata. Nesta situação, as centrais de chamadas de emergência são um potencial salva-vidas. Elas podem trabalhar em rede e ser equipadas com monitor no centro de controle, o que garante uma rápida localização de pessoas que precisam de assistência e que todos os postos de chamada sejam monitorados. Dessa forma, deve-se entender a operação dos sistemas eletroeletrônicos em túneis rodoviários e/ou urbanos, em situações de emergência e de segurança pública, além dos sistemas de sinalização e de comunicação de emergência relacionados com a prevenção e a proteção contra incêndio (incidentes) de usuários, cargas transportadas e patrimônio público ou privado.

Da Redação –

Por exemplo, se um ônibus com 25 passageiros e um veículo particular com várias pessoas sofrerem um grave acidente em um túnel da rodovia e um dos veículos pega fogo. Poucas situações são mais perigosas do que isso: há pessoas envolvidas, fumaça, pouca visibilidade e confusão. Os serviços de emergência recebem a primeira chamada em poucos minutos.

O que acontece depois? Deve existir um protocolo de emergência que será ativado. Logo após a chegada dos bombeiros, e apenas meia hora depois, todas as pessoas afetadas foram evacuadas e a situação está sob controle. Todas as partes envolvidas (centro de controle de túneis, equipe de socorristas, corpo de bombeiros, serviço de emergência 190, guarda civil, equipes de resgate e autoridades) agiram de acordo com um protocolo perfeitamente definido que garantiu que todos esses serviços e o grande número de especialistas e sistemas técnicos envolvidos funcionassem como um relógio.

A operação em túneis requer a elaboração de um plano que cubra todos os incidentes possíveis (quebras de veículos, acidentes, incêndio, infiltrações, etc.), incluindo os protocolos de resposta correspondentes. Os túneis mais longos geralmente têm galerias de serviços auxiliares, alguns possuem salas de controle técnico para supervisionar todos os equipamentos de segurança.

Saber tudo isso torna possível identificar riscos e desenvolver respostas apropriadas. O objetivo final é garantir que os usuários estejam tão seguros dentro do túnel como quando viajam ao ar livre pelo resto da rodovia. Os planos de emergência devem definir uma resposta coordenada entre os vários serviços de emergência, com o objetivo de garantir que as ações sejam claras e eficientes, com capacidade de fornecer uma resposta rápida 24 horas por dia, 365 dias por ano, acesso a bancos de dados e evacuação do túnel.

A maioria dos túneis possui sistemas de segurança próprios, como ventilação, iluminação, detectores de CO, postos SOS, saídas de emergência, detecção linear de incêndio, sistemas de alto-falante, mais câmeras internas e externas, todas conectadas através de fibra óptica. Existem também vários grupos de semáforos, dentro e fora do túnel, além de painéis de informações com indicações de tráfego e limites de velocidade. Todos esses sistemas são controlados a partir de uma unidade central e apoiados por um gerador de eletricidade independente para um eventual corte de energia.

A NBR 15981 de 12/2019 – Sistemas de segurança contra incêndio em túneis — Sistemas de sinalização e de comunicação de emergências em túneis especifica os requisitos para os sistemas de sinalização e de comunicação de emergência relacionados com a prevenção e a proteção contra incêndio (incidentes) de usuários, cargas transportadas e patrimônio público ou privado nos túneis urbanos, rodoviários, metroviários e ferroviários. Abrange os aspectos relacionados a: tipos de sinalização de emergência; a operação da sinalização de emergência; o sistema de comunicação de emergência; a segurança adequada aos usuários no interior do túnel; a prevenção e a proteção contra acidentes.

As disposições estabelecidas nesta norma não são aplicáveis aos túneis existentes, ou cuja construção ou implantação tenham sido aprovadas antes da publicação desta norma. Porém, quando houver necessidade de substituição ou mesmo de nova instalação de sistemas e/ou equipamentos relativos à sinalização e à comunicação de emergências, estes devem atender a esta norma.

Esta norma não impede a utilização de sistemas, métodos ou dispositivos com qualidade superior ou eficiência, durabilidade e segurança equivalentes ou superiores aos itens por ela recomendados. Os requisitos mínimos necessários para as sinalizações de segurança e de emergência em todos os túneis destinados ao transporte urbano, rodoviário, metroviário e ferroviário, existentes e/ou em projeto e/ou em construção, são apresentados a seguir.

Os requisitos para sinalização de segurança contra incêndio e pânico estão descritos nas NBR 13434, Partes 1 e 2 e ISO 16069. Os tipos de sinalização para túneis estão descritos nas NBR 15661, NBR 16484 e NBR 16736. A sinalização e sua fixação devem ser resistentes aos processos de manutenção e ao ambiente interno do túnel.

Os responsáveis técnicos pelo projeto e/ou construção do túnel e o atual gestor do túnel devem verificar se a execução da sinalização e/ou do sistema de comunicação de emergência e de proteção contra incêndio foi adequadamente realizada pelo fabricante antes e após a sua instalação, garantindo a sua confiabilidade de funcionamento antes, durante e depois do incêndio. Caso contrário, o gestor do túnel deve solicitar aos fornecedores a realização de ensaio para verificação da eficiência do funcionamento da sinalização, do sistema de comunicação de emergência e/ou dos dispositivos que auxiliem os sistemas de segurança e de proteção contra incêndio instalados no túnel.

Os sistemas de gestão da saúde e segurança ocupacional e de gestão ambiental, quando necessários, devem seguir os critérios das ISO 45001 e da NBR ISO 14001, respectivamente. A identificação para o transporte terrestre, manuseio, movimentação e armazenamento de produtos deve estar de acordo com a NBR 7500. Nos túneis rodoviários e urbanos, o posicionamento da sinalização de segurança em túneis rodoviários deve seguir os critérios das NBR 13434 Partes 1 e 2, NBR 15661 e ISO 16069. O posicionamento da sinalização de segurança em túneis rodoviários e urbanos é apresentado na tabela abaixo.

O posicionamento da sinalização de segurança para transporte de passageiros em túneis ferroviários deve seguir no mínimo os critérios da tabela 2 (disponível na norma). Pode ser utilizado o sistema fotoluminescente, de acordo com a ISO 16069, como alternativa ao sistema de lâmpadas de balizamento. O posicionamento da sinalização de segurança em túneis ferroviários deve seguir no mínimo os critérios da tabela 2 (disponível na norma).

Pode ser utilizado o sistema fotoluminescente, de acordo com a ISO 16069, como alternativa ao sistema de lâmpadas de balizamento. A sinalização de segurança a ser utilizada em túneis com transporte de passageiros e de cargas em túneis ferroviários deve estar de acordo com o 7.4.1. A sinalização de segurança a ser utilizada em túneis ferroviários com transporte exclusivo de cargas deve estar de acordo com o 7.4.2.

O sistema comunicação de emergência do túnel é composto pelos seguintes subsistemas: rede de comunicação de múltiplos tipos de serviços (dados, voz e vídeo); centros de controle (operacional e auxiliar/emergência); radiocomunicação; sonorização; controle de acesso e detecção de intrusão (detecção de incidentes); sinalização contínua para rota de fuga e saída de emergência; detecção de incêndio; detecção de gases e de fumaça; detecção da velocidade do ar; supervisão, aquisição de dados e registro de eventos.

Os seguintes sistemas são considerados na rede de comunicação de emergência do túnel: interfonia e comunicação fixa e móvel; CFTV; estações remotas (CLP); sonorização; DAI. Todo o sistema de comunicação de emergência do túnel deve ser projetado e instalado para ser redundante e independente, bem como deve atender às NBR 15661 e NBR 16484.

O sistema de comunicação de emergência (operacional) do túnel não pode ser instalado próximo ao sistema da sua redundância. A alimentação elétrica do sistema de comunicação de emergência do túnel (operacional e redundante) deve receber geração de pelo menos duas fontes comprovadamente independentes de energia elétrica.

O sistema de comunicação e de iluminação de emergência do túnel (operacional e redundante) deve estar conectado ao sistema de emergência elétrica do túnel (nobreak) e ao sistema de baterias do túnel. Estas alimentações não podem sofrer interrupções superiores a 0,5 s. O sistema de iluminação em túneis deve atender à NBR 5181. Os sistemas de comunicação de emergência e sinalização devem ter característica de redundância, falha segura e nível mínimo de degradação, garantindo a sua confiabilidade de funcionamento antes, durante e depois do incêndio.

O sistema de cabos para transmissão dos sinais e de energia dos sistemas de comunicação do emergência e sinalização deve ser projetado para permanecer ativo, antes, durante e depois de incêndio. Os critérios da arquitetura do sistema de comunicação de emergência para túneis urbanos e rodoviários estão descritos em seguida. O sistema de comunicação utilizado deve ser baseado em uma rede redundante Gigabit Ethernet em anel de fibra óptica ou tecnologias similares, encaminhado por eletrodutos ou leitos diferentes, em lados opostos no túnel.

Os dispositivos de controle devem ser instalados interligados entre si por meio de rede de dados com redundância, de modo a garantir a disponibilidade de comunicação entre eles. O sistema redundante deve ser instalado em locais e em caminhos independentes. Em caso de destruição ou dano local, o sistema deve ter condições de assumir o controle ou monitoramento deste local, informando simultaneamente a falha ocorrida ao centro de controle operacional (CCO).

O CCO é um local que pode ser compartilhado com vários túneis, onde devem ser instalados todos os equipamentos de operação e controle dos sistemas e subsistemas operacionais e de emergência, conforme a NBR 15661. O CCO deve ser provido de software capaz de receber todas as informações e dados, que permita a tomada das ações necessárias nas situações de operação normal e/ou de emergência, automática ou manualmente, por meio da parametrização deste software de controle de todos os sistemas e subsistemas para a segurança operacional e de emergência (SCADA). O CCO deve possuir atuação, de acordo com o caso, como centro de tomada de decisões em situação de emergência.

Em todos os túneis com comprimento igual ou superior a 1.000 m, devem ser instalados equipamentos de transmissão por rádio para a utilização pelos serviços de emergência. Nos túneis equipados com transmissores de frequência de rádio, deve haver sinalização adequada e clara, antes do emboque, que o túnel é dotado desse equipamento.

O sistema de radiocomunicação deve ser constituído por um sistema de cabo radiante ou por antenas direcionais adequadas para as bandas de frequências previstas. O sistema de radiocomunicação deve garantir cobertura adequada para uma distância de 300 m de cada lado em caso de ruptura do cabo. Quanto à sonorização, alto-falantes devem ser instalados em todos os ambientes, com no mínimo duas unidades em cada ambiente, interligadas as unidades e amplificadores distintos.

Em túneis, o posicionamento dos alto-falantes é determinado por critérios de integridade e uniformidade do som, mediante a realização de ensaios no local. O sistema de sonorização deve permitir anunciar mensagens às pessoas, condutores ou não, em caso de acidentes que obriguem a tomada de ações não previstas.

Este sistema deve ser dimensionado para ser audível e inteligível em situação de emergência, ou seja, como fluxo de veículos parado. Este sistema deve ser dividido em zonas, que ao mesmo tempo permitam que o sistema envie mensagens distintas em cada uma delas. O sistema deve poder anunciar mensagens automáticas e possuir alimentação secundária de emergência.

No CCO, o sistema de sonorização deve sinalizar: a supervisão do estado e funções do sistema; a detecção de avaria e erros dos equipamentos em menos de 100 s; o controle e a supervisão do caminho crítico (desde a alimentação de emergência até a linha de voz); a verificação da capacidade funcional dos alto-falantes (cobertura e inteligibilidade); a emissão simultânea de avisos de alerta e evacuação de zonas diferentes.

A detecção de incidentes em túneis urbanos e rodoviários deve ser efetuada pelo sistema de detecção automática de incidentes (DAI), que deve sinalizar instantaneamente o ocorrido ao usuário e ao operador do CCO do túnel. Esse sistema deve ser instalado em todos os túneis urbanos e rodoviários com comprimento igual ou superior a 1.000 m. Em túneis com comprimento inferior a 1.000 m, a instalação deste sistema deve ser avaliada pelo gestor do túnel.

O sistema de detecção de intrusos deve ser instalado no CCO, em salas, galerias e saídas de emergências. A sinalização de rota de fuga e de saída de emergência deve ser instalada em túneis rodoviários e urbanos a partir de 500 m de comprimento, conforme a NBR 15661. A fonte de energia de alimentação deste sistema (faixa contínua luminosa) deve ser de forma ininterrupta e garantida.

Pode ser utilizado o sistema fotoluminescente em toda a extensão do túnel, de acordo com a ISO 16069, como alternativa ao sistema luminoso. Este sistema deve ser instalado na parede, a 600 mm em relação ao piso e com largura de 50 mm. Esta sinalização deve atender ao conceito de lógica positiva e, em caso de emergência, deve indicar o sentido preferencial seguro da rota de fuga, de maneira pulsante.

A supervisão dos sistemas deve ser realizada por software específico, capaz de integrar e controlar o sistema com alto nível de automação, parametrizado, com servidores redundantes. Deve possuir capacidade de interação com: uma rede de comunicações; sistema de telefonia IP; sistema de sonorização; sistema de radiocomunicação; sistema de intrusão e controle de acesso, inclusive saída de emergência; sistema de CFTV; sistemas de detecção de incêndio e de fumaça; sistema de detecção automática de incidentes (DAI); sistemas de combate ao incêndio; sistema de detectores sísmicos; sistema de quadros elétricos; sistema de detecção de gases; sistema de detecção da velocidade do ar; sistema de ventilação; sistema de estação meteorológica; sistema de iluminação; e sistema de refrigeração.

Os modelos de manutenção da sinalização e do sistema de comunicação de emergência em túneis rodoviários, urbanos, metroviários e ferroviários, sua periodicidade e registro devem ser descritos no plano de manutenção do túnel, estabelecido pelo gestor do túnel, conforme as NBR 15661 e NBR 16484. A responsabilidade pelo planejamento e pela coordenação dos serviços de manutenção dos sistemas de sinalização e de comunicação de emergências instalados nos túneis é da empresa operadora ou gestora do túnel.

A NBR 16736 de 02/2019 – Proteção contra incêndio em túneis rodoviários e urbanos – Operação de emergência em túneis rodoviários e urbanos – Requisitos especifica os requisitos para operação dos sistemas eletroeletrônicos em túneis rodoviários e/ou urbanos, em situações de emergência e de segurança pública. Esta norma não impede a operação de sistemas, métodos ou dispositivos que possuam qualidade, poder de resistência ao fogo, eficiência, durabilidade e segurança equivalentes ou superiores aos itens por ele recomendados. Os sistemas operacionais devem ser projetados com o objetivo de preservar a vida dos usuários do túnel rodoviário e/ou urbano e das equipes operacionais e de manutenção.

Os sistemas operacionais são compostos por: sistema de ventilação; sistema de sinalização; sistema de alimentação de energia elétrica; sistema de circuito fechado de TV (CFTV), com ou sem detecção automática de incidente (DAI); sistema de comunicação; sistema de detecção e alarme de incêndio; sistema de combate de incêndio; sistema de painel de mensagem variável (PMV); sistema de supervisão e controle operacional (SSC).

Os sistemas operacionais devem ser projetados de acordo com as normas brasileiras para sistemas eletroeletrônicos e de incêndio e com a legislação em vigor, quando aplicáveis, e devem atender ao conceito de intelligent traffic system (ITS). Todos os sistemas operacionais devem estar interligados e integrados a um centro de controle operacional, conforme a Seção 6. Os sistemas operacionais devem operar 24 h por dia, sem interrupções.

Os sistemas projetados devem ter a confiabilidade necessária para atender às operações normais, anormais, especiais e de emergência do túnel. A operação dos sistemas deve ser efetuada por técnicos treinados e habilitados, conforme a Seção 10. Deve haver um manual de operação e de manutenção/ensaio para cada sistema operacional. Estes manuais devem estar atualizados e ser revisados periodicamente.

Os sistemas operacionais devem prever um contingenciamento (redundância). O centro de controle operacional (CCO) é o responsável pelo monitoramento e controle de todas as operações do sistema de túneis rodoviários e/ou urbanos, inclusive nas situações de anormalidade e emergência, de acordo com os procedimentos operacionais estabelecidos pelo gestor do sistema. Em caso de emergência, a tela da estação de operação do SSC pode ser reproduzida no vídeo wall ou em outros dispositivos, conjugada a outras imagens, de forma a permitir que o supervisor do CCO acompanhe todas as informações pertinentes a uma determinada ocorrência.

Nestes casos, os dados podem ser transferidos para uma estação de emergência localizada no CCO. No CCO, além dos supervisores e operadores, recomenda-se que seja previsto um espaço físico para membros de órgãos de emergência, como Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Os procedimentos operacionais para situações de emergência e de segurança pública dos sistemas eletroeletrônicos instalados no túnel devem ser elaborados antes do início da operação plena dos sistemas rodoviário e/ou urbano.

Estes procedimentos são de responsabilidade dos gestores destes sistemas nos túneis rodoviários e/ou urbanos. 7.2 Estes procedimentos operacionais devem ser revisados no máximo a cada cinco anos, ou após a ocorrência de uma anormalidade não prevista, ou após qualquer modificação no sistema operacional.

Os procedimentos de resposta para situações de emergência e de segurança pública são partes integrantes do plano de ação de resposta à emergência (PAE), detalhados na NBR 15661. Após a ocorrência da emergência e antes do retorno à operação normal, deve ser realizada inspeção das condições de segurança, de acordo com a NBR 15775.

Esta norma apresenta os procedimentos para a operação de emergência, considerando a segurança para prevenção e proteção contra incêndio em túneis destinados aos transportes rodoviários e urbanos de pessoas e/ou cargas, abrangendo os aspectos relacionados a: proteção à vida humana; controle e propagação do incêndio; controle e propagação da fumaça; redução de danos ao meio ambiente; meios de controle, extinção do incêndio e atendimento a emergências; condições de acesso às operações das brigadas de salvamento e combate a incêndio, pelos procedimentos operacionais implantados; redução de danos ao patrimônio e viabilização do retorno do sistema às condições normais de operação o mais breve possível.

Esta norma não é aplicável às instalações, equipamentos ou estruturas existentes ou cuja construção ou implantação tenha sido aprovada antes da data de entrada em vigor desta norma. Essa norma não se aplica aos sistemas de manutenção em túneis rodoviários e/ou urbanos e não é aplicável aos túneis subaquáticos.

Quando houver a substituição de sistemas e equipamentos específicos, estes devem atender a esta norma. As prescrições contidas nesta norma não impedem o desenvolvimento e/ou o uso de novas tecnologias ou métodos de operação de emergência aplicáveis ao âmbito desta norma.

Em caso de sinistro, a operação deve: manter os operadores do CCO habilitados para atender ao sinistro; prover os elementos necessários para interromper o tráfego no túnel, quando for preciso; apoiar o abandono de pessoas e de veículos do túnel; manter uma brigada de incêndio treinada e preparada para atender à demanda inicial do sinistro, de acordo com a NBR 14276; permitir e apoiar o acesso de veículos para socorro e resgate de vítimas do sinistro; acionar os agentes externos de atendimento as emergências (Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, SAMU, Defesa Civil, etc.).

Os sistemas de operação de emergência devem atender à NBR 15661. Os sistemas de ventilação do túnel operam em modo normal para prover a exaustão dos gases de escape produzidos por veículos a motor e em condições de emergência, para mitigar o calor e a fumaça produzidos em um sinistro. Os sistemas de ventilação no modo de operação normal diluem gases tóxicos e poluentes gerados pelos veículos a motor, com o objetivo de manter a qualidade de ar em níveis seguros.

Os sistemas de ventilação do túnel de emergência devem extrair a fumaça e mitigar o calor dentro do túnel em caso de incêndio. Os sistemas de ventilação também devem gerar fluxo, de forma a evitar a presença de fumaça nas rotas de escape e de emergência durante o processo de evacuação.

O sistema de ventilação de emergência deve ser acionado em pelo menos 2 min após a detecção do sinistro. A detecção pode ser automática ou manual. Se for manual, deve ser por meio do sistema de câmeras ou pela comunicação dos usuários à operação do túnel. Se for automática, deve ser por meio da detecção automática de incidente (DAI), de um sistema de detecção de incêndio de túnel ou pelos equipamentos de detecção da qualidade do ar (turbidez, CO, NOx, etc.).

O sistema de sinalização compreende o seguinte: balizamento; rotas de escape; ponto de suporte ao usuário; sistema de combate a incêndio. O CCO deve estar disponível para receber e acionar a sinalização de emergência do túnel, de acordo com a Seção 6. O CCO deve gerenciar constantemente as fontes de suprimento de energia elétrica e deve considerar o tipo de acionamento deste sistema no caso de: automático; manual.

No caso de sistema automático, assegurar que as contingências tenham sido efetivadas. No caso de sistema manual, providenciar o acionamento da alimentação alternativa. A configuração do sistema de sinalização de emergência deve atender à NBR 15981. O CCO tem que estar atento às imagens do CFTV e/ou do DAI. Em caso de sinistro, o CCO deve reservar a gravação de imagens. No caso do DAI, o CCO deve validar os alarmes.

O treinamento deve possibilitar ao pessoal técnico operacional do sistema rodoviário e/ou urbano: compreensão total do funcionamento do sistema operacional e respectivos equipamentos em situações de emergência e de segurança pública; uso correto do manual de operação do sistema; elaboração de relatórios operacionais; manutenções preventiva e corretiva; simulações em todo o sistema operacional e equipamentos, para verificação do funcionamento do sistema e desempenho das equipes em situações de emergência e de segurança pública.

O treinamento deve ser teórico e prático, com carga horária predefinida. Ao final do treinamento, os operadores devem estar credenciados a operar o sistema em situações de emergência e de segurança pública. Os programas de treinamento e de retreinamento são de responsabilidade do gestor da operação do túnel rodoviário e/ou urbano.

Os simulados operacionais de emergência para casos de incêndio devem ser realizados em periodicidade máxima de um ano. Após cada simulado, deve ser realizada uma reunião de avaliação dos resultados com a presença de todos participantes. Um novo treinamento deve ser aplicado periodicamente, conforme estabelecido pela autoridade competente ou pelo gestor da operação do túnel rodoviário e/ou urbano, dependendo da complexidade das operações.

Nos relatórios operacionais de emergência, devem constar as seguintes informações: alarmes, com a situação, data e hora; histórico em tabela ou gráfico histórico; eventos; impressão do gráfico sinóptico; sistema de segurança por senha; registro de cadastramento de operadores e de entrada e saída do sistema. Os relatórios operacionais devem ser preparados em casos de operações de emergência e de segurança pública.

Estes relatórios devem ser mantidos em arquivo pelo período mínimo de cinco anos. O sistema de supervisão deve gerar relatórios gerenciais com resumo de horas de funcionamento dos equipamentos, para programação de manutenção. Pode-se então antever e mesmo prevenir problemas antes que haja o comprometimento da operação dos sistemas dos túneis.



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