Os ensaios de telhas, blocos e tijolos cerâmicos

As telhas, os blocos e os tijolos cerâmicos são fabricadas com argila analisada e preparados em processo de prensagem ou extrusão e queimados de forma a permitir que os produtos atendam às condições normativas.

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Da Redação –

As telhas cerâmicas devem garantir a segurança das residências contra a ação do vento, poeira, ruídos, sol, chuva, granizo e outras intempéries. Por isso, são fundamentais e é uma das mais antigas e acessíveis opções de telha disponíveis, sendo uma opção muito popular, adequando-se muito bem ao clima tropical e oferecendo uma ótima relação de custo-benefício

Devem apresentar um som metálico, parecido ao de um sino, quando suspensas por uma extremidade e devidamente percutidas (suavemente com cabo do martelo). As principais exigências que devem ser atendidas são: ausência de fissuras, esfoliações, quebras ou rebarbas que prejudiquem o perfeito acoplamento entre as telhas; queima adequada e uniforme; peso reduzido; fraca absorção de água e impermeabilidade; regularidade de forma, dimensões e coloração; superfície sem rugosidade; arestas finas; baixa porosidade; e resistência à flexão.

Não devem apresentar esfoliação, defeito em forma de escamação ou desagregação da massa cerâmica em partes da telha e fissura, abertura estreita que atravessa total ou parcialmente o corpo da telha na direção de sua espessura.

Não podem ter rebarbas, não podendo apresentar sobra de material presente nas suas bordas prejudicando o encaixe ou as condições especificadas. Não devem estar quebradas, pois se faltar alguma parte prejudica seu encaixe ou as condições especificadas.

A NBR 15310 de 02/2009 – Componentes cerâmicos – Telhas – Terminologia, requisitos e métodos de ensaio estabelece os requisitos dimensionais, físicos e mecânicos exigíveis para as telhas cerâmicas, para a execução de telhados de edificações, bem como estabelece seus métodos de ensaio. Os requisitos citados se aplicam aos componentes considerados acessórios da cobertura, quando explicitado. As telhas cerâmicas, apresentando ou não tratamentos superficiais, devem atender aos requisitos desta norma.

As telhas cerâmicas devem ser fabricadas com argila conformada, por prensagem ou extrusão, e queimadas de forma a permitir que o produto atenda às condições determinadas por esta norma. Deve trazer, a identificação do fabricante e os outros dados gravados em relevo ou reentrância, com caracteres de no mínimo 5 mm de altura, sem que prejudique o seu uso.

Nessa inscrição deve constar no mínimo o seguinte: identificação do fabricante, do município e do estado da federação; modelo da telha; rendimento médio (Rm) da telha, expresso em telhas por metro quadrado, com uma casa decimal, sendo obrigatória a gravação T/m²; dimensões na sequência: largura de fabricação (L) x comprimento de fabricação (C) x posição do pino ou furo de amarração (Lp) (quando não houver pino), expressos em centímetros, podendo ser suprimida a inscrição da unidade de medida; galga mínima (Gmin) expressa em centímetros, com uma casa decimal, sendo obrigatória a gravação da grandeza Gmin.

As telhas simples de sobreposição devem trazer gravada sua especificação de uso “capa” ou “canal”. As telhas especificadas como “capa” estão dispensadas da gravação “posição do pino ou furo de amarração (Lp)”  Para fins de comercialização a unidade é o metro quadrado de telhado. Recomenda-se a explicitação do número de unidades de telhas, correspondente à quantidade de metro quadrado de telhado comercializado.

A telha pode apresentar ocorrências como esfoliações, quebras, lascados e rebarbas que não prejudiquem o seu desempenho. Igualmente, são admissíveis eventuais riscos, escoriações e raspagens causadas por atrito feitas nas telhas durante sua fabricação, embalagem, manutenção ou transporte. Deve apresentar som semelhante ao metálico, quando suspensa por uma extremidade e percutida.

Para a fabricação de qualquer modelo de telha, deve existir o respectivo projeto de modelo de telha. O projeto é de responsabilidade do fabricante da telha. A telha deve ser fabricada de acordo com o projeto de modelo de telha e este deve ser utilizado como referência para dirimir dúvidas que envolvam o fabricante e o consumidor. Todo o modelo de telha deve atender a todos os requisitos gerais e específicos desta norma e o respectivo projeto de modelo de telha, garantindo assim a eficácia e eficiência do modelo no sistema de cobertura.

O projeto de modelo de telha deve constar de no mínimo documentos gráficos que permitam o pleno entendimento do modelo projetado. O projeto de modelo de telha deve indicar no mínimo as suas características geométricas e dimensionais, a galga mínima determinada conforme anexo E, o rendimento médio calculado conforme anexo A, a declividade de utilização e sua massa seca. Como sugestão de um documento gráfico para o projeto de modelo de telha podem ser encontrados no anexo F documentos gráficos do projeto de modelo de telha com as indicações e dimensões de modelos de telhas, que devem ser adotados como o padrão de informações necessários.

A retilineidade e planaridade se aplicam às telhas planas de encaixe, telhas planas de sobreposição, telhas simples de sobreposição e telhas compostas de encaixe. O valor da retilineidade para telhas planas não deve ser superior a 1% do comprimento efetivo, bem como da largura efetiva. O valor da retilineidade para telhas simples de sobreposição e telhas compostas de encaixe não deve ser superior a 1% do comprimento efetivo. O valor da planaridade não deve ser superior a 5 mm, independentemente do tipo de telha.

Os ensaios devem ser executados conforme o anexo A. No caso dos tipos de telhas que apresentem bolsas (por exemplo, os modelos de telhas romanas) a verificação da retilineidade deve ser executada na parte central do canal. A absorção de água (AA) deve ser seu limite máximo admissível de 20%. Essa determinação pode ser aplicada em acessórios cerâmicos retirados do lote de fornecimento das telhas, desde que o produtor e o usuário final estabeleçam acordo particular para esse fim.

A absorção de água dos acessórios, contudo, não pode ser utilizada para caracterizar as telhas. Uma vez requerido o ensaio dos acessórios por meio de acordo entre produtor e usuário final, aplicam-se todas as definições, procedimentos e cálculos utilizados para a determinação da absorção de água das telhas.

Quanto à impermeabilidade, quando submetida ao ensaio para verificação da impermeabilidade, a telha não deve apresentar vazamentos ou formação de gotas em sua face inferior, sendo, porém, tolerado o aparecimento de manchas de umidade. Os ensaios devem ser executados conforme anexo B.

O surgimento eventual de gotas na face inferior das telhas, devido à permeabilidade, não deve ser confundido com a formação de gotas na face inferior das telhas por causa da condensação da umidade do ar ambiente. As cargas de ruptura à flexão não devem ser inferiores às indicadas na tabela abaixo.

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Para cada ensaio são necessários 12 corpos-de-prova, divididos previamente em dois grupos, para os ensaios da primeira amostragem ou amostragem simples (seis corpos-de-prova) e para os ensaios da segunda amostragem (seis corpos-de-prova. Sugere-se que, por questão de racionalidade, os ensaios de absorção d’água, impermeabilidade e ruptura à flexão sejam efetuados após aprovação nos ensaios de planaridade, retilineidade e dimensões. Para que o lote seja aceito na primeira amostragem ou na amostragem simples, é necessário que o número de unidades não conformes, para cada um dos ensaios ou verificações consideradas, seja igual ou inferior ao indicado na coluna de aceitação.

Para que o lote seja rejeitado na primeira amostragem ou na amostragem simples, é necessário que o número de unidades não-conformes, para qualquer um dos ensaios ou verificações consideradas, seja igual ou superior ao indicado na coluna de rejeição. Caso o número de unidades não conformes, para cada um dos ensaios ou verificações consideradas, resulte maior que o indicado na coluna de aceitação e menor que indicado na coluna de rejeição, devem ser repetidos os ensaios ou verificações que impossibilitaram a aprovação do lote, empregando-se as unidades constituintes da segunda amostragem.

Para que o lote seja aceito na segunda amostragem, é necessário que a soma das unidades não-conformes da primeira e da segunda amostragens, para cada um dos ensaios ou verificações consideradas, seja igual ou inferior ao indicado na coluna de aceitação. Para que o lote seja definitivamente rejeitado, é necessário que a soma do número de unidades não-conformes da primeira e segunda amostragens, para qualquer um dos ensaios ou verificações consideradas, seja igual ou superior ao indicado na coluna de rejeição.

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Já os blocos cerâmicos são um dos componentes básicos de qualquer construção de alvenaria, seja ela de vedação ou estrutural. São produzidos a partir da argila, geralmente sob a forma de paralelepípedo, possuem coloração avermelhada e apresentam canais/furos ao longo de seu comprimento.

Os blocos de vedação são aqueles destinados à execução de paredes que suportarão o peso próprio e pequenas cargas de ocupação (armários, pias, lavatórios) e geralmente são utilizados com os furos na posição horizontal. Os estruturais ou portantes, além de exercerem a função da vedação, também são destinados à execução de paredes que constituirão a estrutura resistente da edificação, podendo substituir pilares e vigas de concreto. Esses blocos são utilizados com os furos sempre na vertical.

Podem ser utilizados em alvenaria estrutural, em que as paredes também têm a função de sustentar a construção. Pode dispensar estruturas de concreto armado, suportando vários pavimentos.

Este tipo de bloco não pode ser cortado ou serrado e as paredes estruturais não podem ser removidas ou alteradas depois de prontas. Por isso, há uma diversificada família de blocos estruturais (que inclui peças como blocos inteiros, meios-blocos, blocos compensadores, blocos 45° e canaletas, entre outros) que tornam possível a execução de paredes com encaixes adequados.

O sistema também permite a execução de projetos racionalizados – com a redução de perdas de materiais, a diminuição de entulho e maior agilidade na obra. O fundamental é que esses materiais obedeçam às normas técnicas em sua fabricação.

A NBR 15270-1 de 11/2017 – Componentes cerâmicos – Blocos e tijolos para alvenaria – Parte 1: Requisitos especifica os requisitos dimensionais, propriedades físicas e mecânicas de blocos e tijolos cerâmicos a serem utilizados em obras de alvenaria com ou sem função estrutural e executadas de forma racionalizada ou não. Estabelece os critérios para verificação e aceitação dos blocos e tijolos cerâmicos fornecidos para a execução das obras de alvenaria. A NBR 15270-2 de 11/2017 – Componentes cerâmicos – Blocos e tijolos para alvenaria – Parte 2: Métodos de ensaios especifica métodos para a execução dos ensaios dos blocos e tijolos cerâmicos estruturais e de vedação.

O bloco/tijolo cerâmico deve ser fabricado por conformação plástica de matéria-prima argilosa, contendo ou não aditivos, e queimado a temperaturas elevadas. Os blocos e tijolos devem trazer gravada, em uma das suas faces externas, a identificação do fabricante e do bloco ou tijolo em baixo relevo ou reentrância, com caracteres de no mínimo 5 mm de altura, sem que prejudique o seu uso, com no mínimo as seguintes informações: identificação do fabricante com CNPJ e a razão social ou nome fantasia; dimensões nominais, em centímetros, na sequência largura (L), altura (H) e comprimento (C), na forma (L × H × C), podendo ser suprimida a inscrição da unidade de medida, em centímetros; indicação de rastreabilidade: lote ou data de fabricação; telefone do serviço de atendimento ao cliente ou correio eletrônico ou endereço do fabricante, importador ou revendedor/distribuidor; para blocos/tijolos da classe EST, as letras EST (indicativas de sua condição estrutural) após a indicação das dimensões nominais.

Os blocos e tijolos são comercializados conforme sua aplicação, vedação (VED) ou estrutural (EST), e de acordo com os requisitos estabelecidos nas Tabelas 1 e 2 (disponíveis na norma). A classificação VED indica uso exclusivo para vedação, podendo ser VED15 ou VED30. A classificação EST indica uso estrutural e uso como vedação racionalizada, podendo ser EST40, EST60, EST80 e outras.

As denominações 15, 30, 40, e assim por diante, indicam a resistência característica mínima do bloco ou tijolo em quilograma-força por centímetro quadrado (kgf/cm²), aproximando 1 kgf/cm² igual a 0,1 MPa. Os blocos ou tijolos não gravados com as letras EST são considerados classe VED. Para fins de comercialização, o padrão é a unidade. O bloco ou tijolo cerâmico não pode apresentar defeitos sistemáticos, como quebras, superfícies irregulares ou deformações que impeçam o seu emprego na função especificada.

As características visuais do bloco ou tijolo cerâmico com face à vista devem atender aos critérios de avaliação da aparência especificados em comum acordo entre fabricante e comprador. As determinações das características geométricas dos blocos e tijolos devem seguir os ensaios da NBR 15270-2:2017, Anexo A.

As características geométricas dos blocos de vedação e estruturais são as seguintes: medidas das faces (largura, altura e comprimento) – dimensões efetivas ou reais; espessura dos septos e paredes externas dos blocos; desvio em relação ao esquadro (D); planeza das faces (F); área bruta (Ab); e área líquida (Aliq), para blocos estruturais.

As características geométricas dos tijolos de vedação e estruturais são as seguintes: medidas das faces (largura, altura e comprimento) – dimensões efetivas ou reais; desvio em relação ao esquadro (D); planeza das faces (F); área bruta (Ab), para tijolos perfurados; e área líquida (Aliq), para tijolos perfurados estruturais.

As propriedades físicas dos blocos e tijolos cerâmicos de vedação e estruturais são as seguintes: massa seca (ms); índice de absorção d’água (AA). As determinações das características físicas dos blocos e tijolos devem seguir os ensaios da NBR 15270-2:2017, Anexo B.

A característica mecânica dos blocos e tijolos cerâmicos de vedação (classe VED) é a resistência à compressão individual (fb). A característica mecânica dos blocos e tijolos cerâmicos estruturais e de vedação racionalizada (classe EST) é a resistência à compressão característica (fbk). Para execução da inspeção geral, adotar amostragem simples para 4.2 (identificação) e dupla amostragem para 4.5 (características visuais), conforme a tabela abaixo, sendo os lotes de fornecimento constituídos de acordo com o disposto em 7.2.

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Na primeira amostragem, para que o lote seja aceito na primeira amostragem, é necessário que o número de unidades não conformes para os ensaios ou verificações consideradas seja igual ou inferior ao indicado na coluna de aceitação. Para que o lote seja rejeitado na primeira amostragem, é necessário que o número de unidades não conformes para os ensaios ou verificações consideradas seja igual ou superior ao indicado na coluna de rejeição.

Caso o número de unidades não conformes para os ensaios ou verificações consideradas resulte acima do indicado na coluna de aceitação e menor que o indicado na coluna de rejeição, devem ser repetidos os ensaios ou verificações que impossibilitaram a aprovação do lote, empregando-se as unidades constituintes da segunda amostragem.

Então, na segunda amostragem, para que o lote seja aceito na segunda amostragem, é necessário que a soma das unidades não conformes da primeira e da segunda amostragens para os ensaios ou verificações consideradas seja igual ou inferior ao indicado na coluna de aceitação. Para que o lote seja definitivamente rejeitado, é necessário que a soma do número de unidades não conformes da primeira e segunda amostragens para os ensaios ou verificações consideradas seja igual ou superior ao indicado na coluna de rejeição. As tabelas abaixo indicam o sumário dos ensaios para a avaliação da conformidade dos blocos e tijolos, com a finalidade de caracterização, aceitação ou rejeição, conforme a NBR 15270-1.

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Eventuais dúvidas com relação a resultados de ensaios devem ser dirimidas em laboratórios pertencentes à Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios (RBLE). Os blocos ou tijolos que constituem as contraprovas devem ser mantidos em condições adequadas para ensaios pelo seu proprietário, fabricante ou construtor.

Os métodos de ensaio para blocos e tijolos cerâmicos previstos nesta norma são os relacionados a seguir: determinação das características geométricas (ver Anexo A); determinação das características físicas (ver Anexo B); determinação da resistência à compressão dos blocos cerâmicos estruturais e de vedação (ver Anexo C); determinação do índice de absorção inicial (ver Anexo D); determinação de eflorescência (ver Anexo E); determinação de massa específica aparente de amostra de blocos e tijolos cerâmicos, com emprego da balança hidrostática (ver Anexo F).



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