As condições normativas de segurança dos guarda-corpos de edificações

Os guarda-corpos podem ser definidos como a proteção que fica localizada em sacadas, escadas, rampas, mezaninos e passarelas. Ele também é conhecido como gradil e balaustrada. Trata-se de uma medida de segurança que evita quedas de grandes alturas. Por esse motivo, seu uso é obrigatório quando há na edificação algum desnível com a altura maior que 1 m. Abaixo dessa medida, o projetista pode incluir outras barreiras de proteção, mas que não são obrigatórias.

guarda2Da Redação –

O guarda-corpo não é exigido em casos de rampas com inclinação menor que 30 graus, mesmo que sua altura total ultrapasse um metro. Além de ser um item de segurança, ele também pode ser pensado como parte da decoração.

Trata-se de um elemento que faz a diferença em um ambiente, complementando a composição com materiais e formatos diferenciados. O guarda-corpo costuma ser muito utilizado em escadas e pode ser feito com os seguintes materiais: concreto, vidro, aço inoxidável, alumínio, PVC e alvenaria.

A norma técnica especifica as condições mínimas de resistência e segurança exigidas para guarda-corpos de edificações, sejam de uso privativo (residencial) ou coletivo (prédios comerciais ou públicos. Assim, a NBR 14718 de 01/2008 – Guarda-corpos para edificação especifica as condições mínimas de resistência e segurança exigíveis para guarda-corpos de edificações para uso privativo ou coletivo.

Não se aplica às áreas de uso coletivo, tais como shopping centers, museus, hospitais, cinemas, teatros, centros ecumênicos, indústrias, aeroportos, rodoviárias e estações de transporte, mirantes, ginásios de esportes, estádios de futebol, passarelas sobre vias de transporte, viadutos e pontes em geral. Para os conceitos de acessibilidade e para as condições de saídas de emergência, devem ser seguidas as NBR 9050 e NBR 9077.

Os guarda-corpos devem resistir aos ensaios especificados na Seção 5 e eles podem ser vazados ou fechados. Em caso de fechamento de varandas envolvendo guarda-corpos, este conjunto (guarda-corpos mais elemento de fechamento) deve atender a esta norma e a NBR 10821, sendo o projeto e o desempenho do conjunto de responsabilidade do fornecedor do fechamento.

É obrigatória a existência de guarda-corpos em qualquer local de acesso livre a pessoas onde haja um desnível para baixo (D), maior do que 1,0 m, entre o piso onde se encontram as pessoas (zona de recepção) e o patamar abaixo, conforme representado na figura 4. Caso a rampa tenha um ângulo menor ou igual a 30°, não é obrigatória a existência de guarda-corpos, conforme figura.

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Qualquer material utilizado na composição de guarda-corpos deve manter suas características iniciais quanto à resistência e durabilidade, seguindo orientações das condições de manutenção previstas em normas e as pertinentes a cada material. As ancoragens e pontaletes podem ser de alumínio (NBR 6835), aço inox ABNT 304, aço inox austenítico ABNT 316 (conforme NBR 5601), quando em ligas aço-cobre ou aço-carbono, devem ser galvanizados apresentando espessura mínima da camada de zinco, conforme NBR 6323 ou tratamento que apresente desempenho igual ou superior à galvanização a quente.

Em relação aos guarda-corpos de alumínio, as partes aparentes devem ser protegidas por anodização ou pintura, conforme especificado nas NBR 12609 e NBR 12613 para anodização e na NBR 14125 para pintura. Os fixadores (parafusos, porcas, arruelas, etc.) devem ser de aço inoxidável ABNT 304, aço inox austenítico ABNT 316; os do sistema de ancoragem devem ser conforme 4.2. Para os guarda-corpos de aço, as ancoragens e pontaletes devem estar de acordo com 4.2.1. Os demais componentes devem ser conforme descrito em 4.2.3.1 e 4.2.3.2.

Para os de aço-carbono e liga aço-cobre, se não forem galvanizados, devem receber pintura ou tratamento que assegure a proteção contra corrosão durante sua vida útil, prevendo-se manutenção. Em aço inoxidável não necessita de proteção adicional de superfície.

Nos guarda-corpos de PVC que utilizam aço em seus perfis, devem ser seguidas as especificações descritas na norma. Na utilização de madeira, deve ser consultada a NBR 7190, que trata de estruturas de madeira. No caso de guarda-corpos de vidro, somente podem ser utilizados vidros em conformidade com a NBR 7199. Os vidros empregados devem atender às suas respectivas normas, como, por exemplo, o vidro laminado deve atender à NBR 14697.

A instalação deve estar de acordo com a NBR 7199. É vedada a utilização de massas à base de gesso e óleo (massa de vidraceiro). Os contatos bimetálicos devem ser evitados. Caso eles existam, deve-se prever isolamento ou utilização de materiais cuja diferença de potencial elétrico não ocasione corrosão galvânica. Como exemplo pode-se utilizar o alumínio em contato com aço inox austenítico passivado (não magnético).

O elemento de fechamento, qualquer que seja seu material quando submetido ao ensaio do Anexo C, deve atender aos critérios indicados em 5.3. Na utilização de elemento de fechamento em vidro, o seu uso e a sua instalação devem estar conforme a NBR 7199. No caso de guarda-corpos de vidro, somente podem ser utilizados vidros em conformidade com a NBR 7199. Os vidros empregados devem atender às normas brasileiras pertinentes como, por exemplo, o vidro laminado deve atender à NBR 14697.

A instalação deve estar de acordo com a NBR 7199. É vedada a utilização de massas à base de gesso e óleo (massa de vidraceiro). No caso de guarda-corpos (do tipo gradil), o espaçamento entre perfis verticais (vão-luz) não deve ser superior a 0,11 m.

A configuração do guarda-corpos deve prever componente de fechamento posicionado no lado interno, na medida em que houver apoios que permitam a escalada até a altura de 0,45 m. O espaçamento entre perfis horizontais acima desta cota não deve exceder 0,11 m.

No caso de guarda-corpos com desenhos ornamentais, as folgas entre perfis não devem permitir a passagem de um gabarito prismático de (0,25 x 0,11 x 0,11) m. Nas situações em que o guarda-corpos seja instalado num plano avançado em relação ao limite exterior do pavimento, a folga medida na horizontal em relação ao limite exterior não deve exceder 0,05 m e o espaçamento entre o elemento horizontal inferior do guarda-corpos e a borda exterior do pavimento não deve exceder 0,11 m.

Devem ser especificados em projeto os tipos, o espaçamento e demais detalhes da ancoragem do guarda-corpos, dimensionados de forma a garantir o desempenho nos ensaios previstos nos Anexos A a C. Somente serão admitidas ancoragens em partes estruturais ou em paredes dimensionadas aos esforços resultantes das cargas previstas nesta norma.

No caso de guarda-corpos com sistema de fixação por colagem com adesivo, a ancoragem deve ter profundidade mínima de 70 mm no concreto, independentemente da espessura de eventuais revestimentos. Os elementos dos guarda-corpos em aço galvanizado não devem sofrer danos no tratamento superficial, como solda, lixamento e outros.

Os guarda-corpos instalados em escadas devem ser ensaiados em protótipos de dimensões maiores ou iguais, instalados na horizontal. Posteriormente o calculista responsável pela obra deve verificar os resultados e avaliar a possibilidade de instalação na escada. Eles devem obedecer à mesma limitação de afastamento descrita no item 4.3.3.

Na zona dos degraus o afastamento do último elemento horizontal em relação à aresta exterior do piso deve ser menor ou igual a 0,05 m. Para a realização dos ensaios de desempenho, deve ser utilizado um único protótipo, instalado nas condições previstas em projeto, para a sequência descrita em 4.4.2. A sequência dos ensaios prescritos nesta norma, realizada em protótipo, deve ser esforço estático horizontal, esforço estático vertical e resistência a impactos, conforme Anexos A, B e C.

Por ocasião dos ensaios, o fabricante deve apresentar projeto com elevação e cortes, em escala, contemplando todas as partes típicas do sistema, materiais e acabamentos. Os ensaios são destrutivos e devem ser realizados em protótipos, em laboratório ou local na obra que permita a instalação de todos os equipamentos, com acesso no piso para os lados interno e externo do protótipo. A sequência de ensaios no mesmo protótipo deve ser: esforço estático horizontal, esforço estático vertical e resistência a impactos. Caso o protótipo seja reprovado em algum item durante a realização dos ensaios, estes devem ser finalizados.

Para o esforço estático horizontal, qualquer tipo ou modelo de guarda-corpos, quando submetido ao ensaio descrito no Anexo A, deve atender aos critérios indicados a seguir. A pré-carga e carga de uso não deve apresentar ruptura de qualquer de seus componentes; não deve ocorrer afrouxamento ou destacamento de componentes e dos elementos de fixação; a deformação horizontal, quando o guarda-corpos for submetido à pré-carga (200 N/m), não deve superar 7 mm.

A deformação horizontal sob carga (deslocamento do peitoril) com aplicação de carga de uso (400 N/m ou 1 000 N/m, conforme o uso privativo ou coletivo respectivamente) não deve superar 20 mm e a deformação horizontal residual deve ser limitada a 3 mm, após retirada da carga de uso. O ensaio de carga de segurança tem como objetivo avaliar a função do guarda-corpos após uma eventual sobrecarga.

Na prática a ocorrência desta sobrecarga, como tumultos, impactos violentos, colisões, entre outros, remete a uma avaliação estrutural do guarda-corpos e, havendo a necessidade, ele deve ser substituído. Após a aplicação da pré-carga e da carga de uso, aplicar carga de segurança equivalente a 1,7 vez a carga de uso (680 N/m ou 1 700 N/m, conforme o uso privativo ou coletivo respectivamente). A deformação horizontal sob carga deve ser limitada a 150,0 mm, garantindo a função do guarda-corpos. Não é necessária a avaliação da deformação residual.

O ensaio de impacto tem como objetivo avaliar a função do guarda-corpos após um eventual acidente. Na prática a ocorrência deste impacto violento ou colisão remete a uma avaliação estrutural do guarda-corpos e, havendo a necessidade, ele deve ser substituído. Qualquer tipo ou modelo de guarda-corpos, quando submetido ao ensaio descrito no Anexo C, deve atender aos critérios indicados a seguir.

Não deve ocorrer ruptura ou destacamento das fixações e não deve ocorrer queda do elemento de fechamento ou de suas partes. São tolerados: afrouxamento de fixações; ruptura ou deformação em qualquer elemento do guarda-corpos, desde que ela não permita a passagem de um gabarito prismático de (25 x 11 x 11) cm. O modelo ou tipo que não atender a qualquer um dos requisitos desta norma deve ser rejeitado.

A instalação do guarda-corpos deve seguir rigorosamente as condições previstas no projeto, consideradas para a avaliação do protótipo. Deve ser cuidadosamente inspecionada a correta fixação das ancoragens à estrutura da edificação. A integridade individual dos componentes do caixilho e a sua correta colocação devem ser objeto de inspeção visual.

Deve ser destacado o tipo de uso a que se destina (privativo ou coletivo). Para a manutenção, no caso de o guarda-corpo sofrer algum dano ou apresentar componentes soltos durante a sua utilização, o usuário deve verificar as condições dos componentes e sistemas de fixação para providenciar a manutenção corretiva ou, eventualmente, substituição. Os componentes do guarda-corpos não devem apresentar defeitos que comprometam o desempenho ou a durabilidade.



Categorias:Normalização, Qualidade

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