A informática em serviços de saúde

A informática em saúde usa a tecnologia da informação para organizar e analisar registros de saúde para melhorar os resultados de saúde. Abrange os recursos, dispositivos e métodos para utilizar a aquisição, armazenamento, recuperação e uso de informações em saúde e medicina. As ferramentas incluem terminologia médica, sistemas de informação e comunicação e tecnologia de computadores. A informática em saúde fornece acesso eletrônico a registros médicos para pacientes, médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, companhias de seguros e técnicos de informação em saúde. A área está crescendo rapidamente e há muitos programas de graduação e certificados nos níveis de graduação e pós-graduação.

saúde2Da Redação –

O uso da informática é visto em uma infinidade de processos dentro do cenário dos processos da saúde. Independentemente de pacientes internados ou ambulatoriais, os médicos e pacientes utilizam sistemas de portais online, registros médicos eletrônicos, dispositivos de coleta de dados, como máquinas de sinais vitais e glicosímetros, bem como dispositivos de dados pessoais e e-mail, para citar alguns. Ao considerar esses sistemas e como eles afetam o processo e o fluxo do cenário médico, é importante considerar não apenas a tecnologia em questão, mas também o fluxo de trabalho e o processo de coleta de dados.

O uso de informática em saúde não é apenas prevalente no ambiente clínico, mas também no ambiente gerencial. Na sociedade atual, a comunicação vem sendo realizada em uma infinidade de aplicações: verbal, física e agora eletrônica. Muitas vezes descobre-se que as pessoas podem entrar em contato usando vários aplicativos, como telefone, fax, pager, mensagens instantâneas, e-mail, etc.

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É crucial para aqueles que ocupam cargos gerenciais utilizarem esses sistemas de informação para auxiliar o seu trabalho e o de seus funcionários, ao mesmo tempo em que devem permanecer atentos para estabelecer limites e padrões. O gerenciamento do tempo é uma questão predominante no cenário da saúde, portanto, o uso da informática para auxiliar e organizar e não criar barreiras é essencial. Contudo, essas ferramentas de comunicação expansivas podem criar estresse e sentimentos de sobrecarga de processos.

Geralmente, os sistemas de informação no papel gerencial consistem em interpretar informações e modificar dados a serem utilizados nos processos de tomada de decisão. Os programas gerenciais facilitam as funções de folha de pagamento, agilizam o controle de materiais e auxiliam nos fatores financeiros e administrativos de seu papel.

O crescente campo da informática é de grande benefício para os gerentes de saúde em todos os níveis. O uso dessa tecnologia crescente pode beneficiar muito seu papel e melhorar a função de sua equipe.

Muitos técnicos do setor de saúde reconhecem que essa tecnologia em avanço deve ser utilizada como uma ferramenta de gestão, dando poder e autonomia aos enfermeiros e aos gerentes no uso mais eficiente dos recursos tecnológicos disponíveis. Um exemplo disso é quando uma unidade pode identificar documentação incompleta em um determinado ponto de atendimento.

O enfermeiro pode, então, construir um grupo de trabalho de colegas envolvidos no processo, incluindo um especialista em TI. Uma vez que este grupo identifica os problemas e os processos a serem melhorados, eles podem apresentar suas recomendações à administração. Assim, os sistemas de informação em saúde podem melhorar a comunicação, o gerenciamento do tempo e a entrega de informações entre funcionários e pacientes.

A informática clínica é usada no atendimento direto ao paciente, fornecendo aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, auxiliares e outros cuidadores informações que podem ser usadas para desenvolver um plano de cuidados. Os analistas podem sistematizar os dados ou imagens médicas ou ajudar os médicos a recuperar essas informações. Eles também podem desenvolver interfaces para sistemas de TI de saúde para ajudar os clínicos a ver e usar mais facilmente os dados de saúde.

A informática em enfermagem engloba as interações dos enfermeiros com os sistemas de TI em saúde. O campo tornou-se mais importante, já que a maioria dos sistemas de saúde e das clínicas médicas colocaram os registros dos pacientes online e confiaram às equipes de enfermagem para lidar com situações de transição de cuidados.

Os especialistas em informática em enfermagem tentam documentar com precisão as transições de cuidados – por exemplo, quando um paciente está saindo de um ambiente ambulatorial para um ambiente hospitalar ou de um hospital para um centro de reabilitação. Tal como acontece com a informática clínica, a ligada à enfermagem ainda está crescendo como um campo educacional em que os alunos podem receber certificados e diplomas acadêmicos.

Quando usada em saúde pública, a informática orienta os administradores de saúde governamentais e sem fins lucrativos na tomada de decisões baseadas em dados sobre políticas e programas de saúde pública, como registros de dados clínicos e prevenção de doenças crônicas. Os especialistas em análise de dados de saúde podem rastrear e extrair conhecimentos das informações obtidas que têm um valor cada vez maior para os programas de gerenciamento de saúde. Isso ajuda a monitorar e a melhorar a condição das pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade.

A ABNT ISO/TR 14639-2 de 01/2019 – Informática em saúde – Roadmap de arquitetura de e-Saúde baseada em competência – Parte 2: Componentes de arquitetura e modelo de maturidade constitui um guia para os requisitos e princípios das melhores práticas de negócios para que países e suas autoridades de saúde possam planejar e implementar o uso de tecnologia da informação e comunicação (ICT) para suportar o desenvolvimento e entrega de serviços de saúde. A arquitetura corporativa de referência é descrita em termos de componentes e capacidades que as autoridades de saúde podem utilizar como um framework para construir suas próprias arquiteturas de e-Saúde e também para mensurar a maturidade do uso de ICT de seus sistemas de saúde para suportar o desenvolvimento e entrega de serviços de saúde.

Vale a pena notar que, embora esta parte tenha sido desenvolvida tendo particularmente em mente os países de renda baixa e média, ela pode ser útil para qualquer país. Mesmo que em alguns aspectos a maturidade seja alta, países desenvolvidos podem ainda precisar de aconselhamento sobre componentes de arquitetura para alguns aspectos de um sistema de e-Saúde integral.

O desenvolvimento de arquiteturas de e-Saúde baseadas nas diretrizes estabelecidas nesta parte irá facilitar e otimizar os investimentos em Sistemas de Informação em Saúde para alcançar as metas seguintes: a informação sendo utilizada de forma custo-eficiente para a melhoria dos serviços de saúde; informação de saúde sendo harmonizada, consistente, acessível e pronta para ser utilizada de forma efetiva; pacientes, profissionais da saúde e formuladores de políticas com acesso aos dados corretos para tomar decisões sobre assistência médica, tratamentos e serviços de saúde; a informação apropriada fica disponível para suportar práticas baseadas em evidências e o planejamento de serviços de saúde, a qualidade e a segurança dos serviços de saúde, e para melhorar a saúde pública; melhorar a acessibilidade dos serviços de saúde; suportar a harmonização dos Sistemas de Informação em Saúde e as normas de informação de saúde.

Espera-se que esta parte seja uma valiosa fonte de informação para: o pessoal responsável pela política, planejamento e prestação de serviços de saúde; os que desenvolvem recursos para informação de saúde e política de e-Saúde em níveis nacional e regional em cada país; organizações não governamentais (ONG) e outras que busquem suportar ou implementar sistemas de coleta de informação, estatísticas e prestação de serviços de saúde em economias em desenvolvimento e emergentes; desenvolvedores e implementadores de sistemas e serviços de informação em saúde; instituições e estudantes acadêmicos e de pesquisa em informática em saúde; e outras partes interessadas do setor de saúde.

Assim, propõe também um modelo de maturidade e metodologia que as organizações podem levar em conta no desenvolvimento e evolução de suas capacidades de e-Saúde em áreas operacionais específicas de nível baixo, médio ou alto. A arquitetura corporativa de referência proposta identifica os componentes e capacidades necessários para suportar as diversas atividades de saúde junto com a governança, infoestrutura e infraestrutura de ICT necessária para um uso eficiente da informação no desenvolvimento e entrega de serviços de saúde.

O comitê ISO/TC 215 identificou a necessidade urgente de normas internacionais para arquiteturas de informação em saúde que incluam também requisitos que atendam aos países de economias em desenvolvimento, com imaturidade relativa na disponibilidade de recursos. Uma Força-Tarefa de Saúde Pública de especialistas internacionais, estabelecida pelo TC 215, produziu um relatório detalhando os desafios que estes países enfrentam e algumas das respectivas estratégias de padronização.

Esta Parte do ABNT ISO/TR 14639 oferece um guia de melhores práticas na identificação de requisitos de negócio e princípios para o planejamento do uso das tecnologias de informação e comunicação (ICT), para apoiar o desenvolvimento, coordenação e fornecimento de serviços de saúde por países e suas autoridades de saúde subordinadas. Uma das atividades que motivaram este trabalho se originou em uma reunião realizada em Bellagio, Itália, em março de 2010, para explorar como abordar a questão da “exclusão digital” entre países de alta e baixa renda.

Foram feitas as seguintes observações: há um aumento do interesse no desenvolvimento da infoestrutura de e-Saúde que suporte Sistemas de Informação em Saúde (HIS) eficientes em países de baixa renda, o que inclui responder os surtos de doenças, monitorar o estado de saúde da população e melhorar tanto a saúde pública quanto a individual; as normas internacionais sobre informática em saúde ajudam os países a tomar as decisões certas a respeito da arquitetura de e-Saúde de forma a reforçar seus sistemas de saúde.

As arquiteturas HIS que são não proprietárias e baseadas em normas internacionais podem ser mais robustas e à prova de obsolescência; o uso de normas internacionais sobre informática em saúde em países de baixa renda é dificultado pela falta de conhecimento e consciência a respeito das normas apropriadas, pelo acesso às normas e guias de implementação, e pela pouca participação nas atividades da Organização para o Desenvolvimento de Padrões (SDO), devido à quase total falta de financiamento para suportar tais atividades; d) as normas internacionais sobre informática em saúde existentes abordam de maneira insuficiente as necessidades dos países de baixa renda (LIC) para desenvolverem seus sistemas de monitoramento, saúde pública e cuidados ao paciente.

Um exemplo disto é a computação móvel e o uso de SMS para transmitir informação do paciente, lembretes e alertas. Portanto, é fundamental a participação dos LIC no processo de desenvolvimento de normas internacionais.

A participação nas atividades da ISO requer uma organização nacional de normas ou agência do governo como membro oficial da ISO. O desenvolvimento de normas internacionais tem custo. Uma quantia significativa de tempo e dinheiro precisa ser investida para preparar documentos, comentar as propostas e participar das reuniões da SDO, e para adotar, adaptar e localizar as normas.

Estes custos representam uma barreira genuína à participação dos países de baixa renda. O acesso às normas internacionais também tem um custo que é com frequência proibitiva para pessoas e organizações em países de baixa renda. Há o reconhecimento de que o modelo de negócio de algumas SDO se baseia na venda de normas internacionais como forma de suportar o processo de desenvolvimento das normas e seus custos operacionais.

O fortalecimento dos HIS pode ser promovido pelo uso de normas internacionais compartilhadas para as atividades de Monitoramento e Avaliação (M & E) em agências governamentais, organizações internacionais, doadores e outras partes interessadas. Entre as diversas SDO há duplicações e sobreposições em termos de normas internacionais sobre informática em saúde. Países de baixa renda precisam de um único conjunto de normas internacionais que sejam utilizáveis, com base no trabalho ISO/TC 215, HL7, e CEN/TC 251 do Conselho de Iniciativa Conjunta (JIC) para harmonizar as normas internacionais e facilitar a adoção e adaptação global internacional de normas organizacionais e regionais baseadas no processo para normas ISO.

Embora nem todas estas observações sejam abordadas no escopo deste Relatório Técnico, ele é uma tentativa de responder a algumas destas observações, fornecendo um framework robusto para países de baixa renda no planejamento da arquitetura de e-Saúde e desenvolvimento do sistema de saúde. Os outros itens serão abordados no momento oportuno. Esta parte examina diversas atividades e seus critérios para o uso eficiente da tecnologia da informação e comunicação (ICT) para suportar o planejamento, coordenação e entrega de serviços de saúde.

Pretende fornecer a orientação necessária sobre o uso da informação com base em um modelo de critérios pelo qual o desenvolvimento da competência de e-Saúde pode ser planejado, e o progresso na direção de seu uso eficiente pode ser avaliado. Ao preparar esta parte, o intuito original foi oferecer orientação a países emergentes e em desenvolvimento, e aos diversos grupos internacionais que levam a cabo os programas nestes países.

À medida que o trabalho avançava, ficou claro que o trabalho pode ser amplamente aplicado a todos os serviços de saúde e que há lições em potencial para todos à medida que é examinada a forma em que a informação é produzida, gerenciada e utilizada em diversos aspectos do trabalho. Importantes também foram a identificação das respectivas normas de informática em saúde e a função da padronização internacional no suporte a e-Saúde.

Esta parte se baseia nas lições de diversos países, inclusive daqueles cujas atividades encontram-se resumidas no ABNT ISO/TR 14639-1, tendo sido em grande parte inspirado nas experiências das atividades da Rede para Métricas em Saúde (framework OMS/HMN) patrocinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O foco particular desta parte é o potencial de ICT auxiliar na coleta, comunicação, armazenamento, processamento e uso da informação que suporta o planejamento, coordenação e entrega de serviços de saúde.

Não obstante, reconhece também a importância das medidas iniciais que envolvem a coleta de dados convencional e a necessidade de uma rota de migração de sistemas de gerenciamento da informação manuais para semiautomatizados e totalmente automatizados. A arquitetura de referência para a empresa, descrita nesta parte, representa um ponto de partida para o ponto de vista corporativo ou camada de negócio de uma arquitetura corporativa abrangente, que incluiria outras camadas ou pontos de vista, como as perspectivas informação/dados, computacional/função, engenharia e tecnologia.

Este modelo serviria, por exemplo, para ajudar a identificar iniciativas e explorar os atributos dos componentes que formariam uma estratégia de e-Saúde nacional. A arquitetura corporativa abrangente é normalmente configurada e mantida por meio de um processo estruturado que envolve o seguinte: uma abordagem organizada para assegurar que os investimentos em tecnologias ICT e sistemas de informação atendam às prioridades gerais para uma efetiva operação e entrega de serviços de saúde e a informação necessária para seu planejamento, desenvolvimento e melhoria contínua; identificar e descrever o principal atributo dos serviços de informação, componentes, atividades e políticas de e-Saúde necessárias para suportar os requisitos operacionais para serviços de saúde em uma dada jurisdição (ou organização); o desenvolvimento de requisitos estruturados para o planejamento e investimento mais detalhados em Sistemas de Informação em Saúde, e para o desenvolvimento e disseminação de políticas de informação em saúde.

Onde aplicável, esta parte do ABNT ISO/TR 14639 utiliza e faz referência aos princípios, políticas e especificações estipuladas nas normas internacionais correspondentes e nos frameworks arquiteturais existentes, comumente utilizados no setor de saúde, incluindo: ISO 12967, Health Informatics Service Architecture (HISA) the vision and principles of the World Economic Forum (WEF) Global Health Data Charter [4] como visto no Anexo A, e o Health Enterprise Architecture Framework (HEAF).

Uma abordagem em camadas à estruturação de arquiteturas e modelos de informação é proposta nesta parte, com base em abordagens similares, como o Modelo Geral de Componentes introduzido no Anexo B, o Health Metrics Network Framework da OMS, TOGAF e o Zachman framework. Particularmente, HISA e o HEAF foram especificamente desenvolvidos para auxiliar no processo de definir as arquiteturas de e-Saúde para uso em serviços de saúde. Ver Anexo C com mais informação sobre HISA.

Uma breve lista de normas internacionais sobre informática em saúde nas quais se baseiam os componentes de arquitetura pode ser encontrada no Anexo D. Ver 6.1.4 sobre governança e propriedade nacional na adoção e implementação de normas de e-Saúde. Em maio 2012, a OMS e ITU publicaram uma Ferramenta Estratégica Nacional de e-Saúde, que incorpora a maioria dos conceitos relevantes para uma Arquitetura Corporativa, sob medida para a criação de uma Estratégia Nacional de e-Saúde.

Isto resultou em um processo exaustivo, porém contínuo e mais fácil de entender e aplicar. Esta Ferramenta apresenta um completo conjunto passo a passo de métodos, listas de verificação e exemplos a serem utilizados por gerentes em nível de país ou região no desenvolvimento de uma Visão Estratégica de e-Saúde, um Plano de Ação de e-Saúde, e um Plano de Monitoramento e Avaliação.

A Ferramenta Estratégica Nacional de e-Saúde da OMS-ITU, o ISO/TR 14639-1 e esta parte do ABNT ISO/TR 14639 formam um conjunto complementar de ferramentas para o desenho e implementação de uma arquitetura de e-Saúde. Os componentes de arquitetura e suas características, como descrito nesta parte, foram desenhados para serem revistos e, quando aplicável, adotados por países e autoridades de saúde conforme suas necessidades específicas.

Particularmente, os componentes e características podem ser utilizados como requisitos modelo no desenvolvimento de arquiteturas corporativas, ou como meio de avaliar e melhorar a maturidade de e-Saúde. Cada componente é configurável para atender às necessidades locais por meio da descrição de características indicativas de uma gama de funcionalidades da mais básica até as mais avançadas.

As características de diversos níveis de competência para cada componente formam a base do modelo de maturidade subjacente; os pontos de partida típicos para o desenvolvimento de capacidades são fornecidos para cada um dos componentes no nível mais baixo de maturidade junto com os princípios básicos a que a arquitetura deve aderir. Há ênfase no desenvolvimento de arquiteturas de e-Saúde bem estruturadas, em camadas, com interfaces bem definidas e de preferência padronizadas entre os diversos componentes e camadas.

Há foco particularmente nos potenciais requisitos de e-Saúde correspondentes a países de renda média e baixa (LMIC). Esta parte descreve os componentes de uma arquitetura de e-Saúde que suporta um abrangente Sistema de Informação de Saúde (HIS). Nem todos os componentes estarão presentes em um país, dependendo das prioridades estratégicas e do nível de desenvolvimento.

O modelo de arquitetura de e-Saúde descrito nesta parte é o resultado das discussões entre o grupo de especialistas ISO/TC 215, especialistas convidados e representantes dos países. Foi procurado o aporte de países de alta, média e baixa renda, e especialistas em saúde pública. Mapeando a competência existente com os modelos arquiteturais e de maturidade, os países podem identificar lacunas em suas prioridades estratégicas.

Para facilitar esta análise, foram definidos níveis de maturidade (ou competência) para cada um dos componentes da arquitetura de e-Saúde. As arquiteturas corporativas de e-Saúde fornecem uma abordagem organizada que assegura que os investimentos em tecnologia ICT e sistemas de informação atendam a todas as prioridades para uma operação eficiente e entrega de serviços de saúde, e a informação necessária para seu planejamento, desenvolvimento e melhoria contínua.

Em geral, a arquitetura corporativa é uma ferramenta de modelagem que suporta e facilita o entendimento, análise e desenho de empresas. A arquitetura corporativa foca principalmente no uso da tecnologia da informação, mas tende a incluir todos os aspectos de uma empresa, e oferece várias perspectivas, por exemplo, as dimensões estratégica, tecnológica e de negócios.

Assim, a arquitetura corporativa de e-Saúde identifica e descreve o principal atributo dos serviços de informação de e-Saúde, seus processos, componentes, atividades e políticas necessárias para suportar os requisitos operacionais de serviços de saúde em uma jurisdição (ou organização). Esta parte foca particularmente nos possíveis requisitos de e-Saúde dos governos em países emergentes e em desenvolvimento e outras autoridades responsáveis por serviços de saúde nestas economias.

Uma vez desenvolvida, a arquitetura de e-Saúde oferece requisitos estruturados que permitem um planejamento e investimento mais detalhado em sistemas de informação em saúde, e para o desenvolvimento e disseminação de políticas de informação em saúde relativas às necessidades de economias emergentes e em desenvolvimento. Embora os diversos requisitos estabelecidos nesta parte possam ser utilizados para suportar qualquer atividade de planejamento ou aquisição de e-Saúde, o principal objetivo é ajudar países emergentes a desenvolver e manter arquiteturas corporativas de e-Saúde locais, especificando as áreas comuns de possíveis requisitos.

Estas especificações de requisitos facilitarão também o desenvolvimento, aquisição e implementação de sistemas de informação compatíveis. O desenvolvimento de uma arquitetura corporativa de e-Saúde envolve o uso de um processo estruturado [geralmente chamado de um framework de arquitetura corporativa; refere-se ao Grupo Aberto de Framework de Arquitetura (TOGAF), Zachman, etc. Um exemplo é o Framework de Arquitetura Corporativa em Saúde (HEAF) que está sendo especificamente desenvolvido para auxiliar no processo de descrever serviços de saúde. Outros esforços de padronização existentes em serviços de saúde e arquiteturas de serviços, por exemplo, ISO 12967 Health Informatics Service Architecture (HISA), representam elementos de boas práticas para adotar e estabelecer uma arquitetura corporativa em serviços de saúde;

Os componentes e requisitos estabelecidos nesta parte são desenhados para serem revistos e, se for o caso, adotados pela arquitetura de e-Saúde do país em questão, de acordo com suas necessidades específicas. Os componentes e requisitos são estruturados de acordo com os diferentes níveis dos modelos de maturidade e os componentes e requisitos fornecidos nesta parte são típicos, opcionais e configuráveis para atender às necessidades locais com qualquer arquitetura de e-Saúde específica.

Os componentes reconhecem a importância das camadas em uma solução de e-Saúde geral com interfaces entre as camadas bem definidas, e de preferência padronizadas. Países de baixa renda (LIC) têm acesso limitado às organizações de desenvolvimento de normas (SDO) para informática em saúde, ou às normas que estas criam devido a barreiras que incluem conhecimento, custo e idioma.

Embora estejam sendo feitos esforços para abordar estas barreiras, há problemas de educação, interpretação e adoção das normas adequadas, bem como o estabelecimento e verificação de critérios de conformidade, de preferência em nível nacional. No caso do ISO/TC 215, por exemplo, os países se tornam membros (NMB) dos correspondentes comitês-espelho da ISO, infraestrutura de normas e custos operacionais e de associação, incluindo viagens, que são altos para os LIC.

Como resultado desta situação, a OMS foi ficando cada vez mais envolvida nas atividades de desenvolvimento de normas internacionais para ajudar a representar os interesses dos LIC. Nestas SDO, um número desproporcional de países de alta renda (HIC) pode ter introduzido um viés contrário às necessidades dos HIC. Uma mudança das estratégias programáticas e de monitoramento em saúde pública para sistemas mais avançados de Registro Eletrônico de Saúde (EHR) e tecnologias móveis pode mostrar um viés dos HIC e também um paradigma.

As análises de Monitoramento e Avaliação (M & E) podem ajudar a estabelecer o impacto das diferentes abordagens e guiar a estratégia. Embora o fortalecimento do sistema de saúde (HSS) demande múltiplas frentes, pode haver confusão acerca das prioridades, quando necessidades concorrentes não são avaliadas contra um framework e os indicadores apropriados.

Modelos de maturidade, que foram descritos em diversos domínios, são uma maneira útil de combinar competência com a tecnologia apropriada. Esta parte do ABNT ISO/TR 14639 tenta aproveitar esta experiência para definir um modelo que possa ser utilizado para orientar a adoção de normas e estratégias relacionadas de uma forma apropriada, econômica e oportuna. Propõe que a capacidade do LIC seja avaliada em função do modelo de arquitetura de e-Saúde (eHAM), um modelo introduzido no ISO/TR 14639-1 que o ISO/TC 215 desenvolveu com o aporte da OMS. O eHAM identifica os principais componentes de uma arquitetura de e-Saúde.

Este modelo é utilizado nas Seções 6 e 7 como referência para os modelos de maturidade articulados nestas. Para informação mais detalhada sobre HISA, ver o Anexo C. A Introdução assinala os três principais elementos de um processo estruturado para configurar e manter a arquitetura corporativa abrangente. No ABNT ISO/TR 14639-1, o eHAM (modelo de arquitetura de e-Saúde) foi chamado de eHAMM (modelo de maturidade de arquitetura de e-Saúde). Foi renomeado nesta parte do ABNT ISO/TR 14639 para refletir mais claramente o fato de que o modelo de arquitetura comanda os modelos de maturidade.

O eHAM descreve a competência do país de fornecer direção no fortalecimento do sistema de saúde em termos de componentes e serviços que precisam ser construídos de acordo com estratégias nacionais bem definidas. No entanto, a construção dos componentes e serviços únicos para alcançar níveis mais altos de maturidade deve ser guiada por uma metodologia-padrão, que possa ser implementada por todas as entidades (incluindo os LIC) que desejem ter sistemas de informática em saúde robustos e interoperáveis em sua arquitetura de e-Saúde.

A metodologia deve também servir para assegurar que a empresa mantenha a propriedade e o controle de seu núcleo de ativos de informação, ao mesmo tempo em que mantém sua arquitetura aberta. A metodologia apresentada nas partes restantes da Seção 5 se baseia no conceito do repositório integrado de dados (IDR) da empresa, que é amplamente conhecido e aceito em modelagem de arquitetura corporativa como um componente capaz de manter e gerenciar o núcleo comum integrado da informação operacional.

A informação é gerada em tempo real pela consolidação dos dados de uma série de fontes clínicas, de forma a apresentar uma visualização unificada (juntamente com as classificações relacionadas e necessárias, terminologias, ontologias etc.), com relação ao núcleo do negócio da empresa de Saúde (ver, por exemplo, ISO 12967 HISA, conforme abordado no Anexo C). O IDR também pode ser importante para fins secundários, como levantamentos, pesquisa clínica, estatísticas, relatórios e análise ou, simplesmente, para manter todos os dados históricos validados para a empresa (os dados de produção atuais e em tempo real, necessários para as atividades diárias, que o IDR primário normalmente contém).

O conceito IDR surge também do Framework de Rede para Métricas em Saúde da OMS para Sistemas Nacionais de Informação em Saúde, como mostra a figura abaixo, mas neste caso refere-se principalmente aos propósitos secundários mencionados. A figura foi reproduzida da Referência [7], Figura 14, com a permissão da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Em seguida, a ISO 12967 HISA, brevemente descrita no Anexo C, deve ser utilizada para ajudar a identificar: as características básicas do componente IDR; a relação entre o IDR e os serviços de e-Saúde que manipulam dados; e como a abordagem incluindo o IDR permite implementar uma estratégia de migração na direção de uma arquitetura de e-Saúde de alta competência. O IDR tem um papel fundamental na arquitetura corporativa de e-Saúde. É amplamente reconhecido na literatura que há a necessidade de um componente que deve (também) manter e gerenciar um núcleo comum de informação relativo ao negócio principal da empresa, tornando disponíveis os ativos de informação existentes quando e onde forem necessários através de uma arquitetura-padrão de serviço, facilitando a interoperabilidade dos aplicativos existentes e protegendo os investimentos em uma estratégia que suporte a evolução.

A ISO 12967 HISA suporta este requisito, sendo utilizada para descrever como manter um repositório (ou conjunto de repositórios federados) que mantenha este núcleo de dados comuns e o deixe disponível para a empresa por meio de uma arquitetura de serviço. Em outras palavras, o escopo do IDR é basicamente suportar a arquitetura pela integração de seus ativos de informação comuns.

Os princípios gerais de HISA são: abertura segura e independência do fornecedor; que os ativos de informação comuns estejam separados dos aplicativos específicos ou tecnologia, sendo acessados através de serviços; assegurar que o modelo de informação e serviço esteja bem documentado; garantir que os dados que gerencia sejam de propriedade exclusiva da empresa de saúde. Estes princípios, entre outros, asseguram que a empresa seja capaz de acessar seus próprios ativos de informação e permitem a otimização de seus investimentos, uma vez que os dados estão sempre disponíveis onde e quando forem necessários para finalizar as atividades organizacionais ou estatísticas diárias relativas aos serviços de saúde, garantindo a interoperabilidade e evitando a replicação de dados redundantes entre os sistemas.

Como os ativos de informação comuns são consistentes e acessíveis a todos os usuários, automaticamente as atividades rotineiras diárias permitirão atender a outros requisitos fundamentais da empresa de saúde que são frequentemente subestimados ou tratados isoladamente, por exemplo: a criação automática de um registro de serviços de saúde vitalício; a combinação de custos, atividades e aspectos clínicos que suportem necessidades de pesquisa, estatísticas e gerenciais; a manutenção de um alto nível de qualidade dos dados, incluindo validação de dados.



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