Os equipamentos ultrassônicos para fisioterapia

Entre os vário tipos de tratamentos e recursos usados na fisioterapia, o ultrassom é um dos mais conhecidos e a prática clínica tem mostrado que muitos pacientes relatam melhora na dor após o seu uso e mais facilidade na recuperação de cirurgias e de lesões. O ultrassom na fisioterapia pode ter diversas aplicações e variar entre o pulsado e o contínuo, dependendo das indicações para o paciente e das opções de tratamento do fisioterapeuta. O equipamento ultrassônico projetado para fisioterapia consiste em um transdutor ultrassônico gerando ondas contínuas ou quase contínuas de energia ultrassônica em frequências na faixa de 0,5 MHz a 5 MHz.

fisioterapia2Da Redação –

O ultrassom utiliza frequências sonoras entre 1 e 3 MHz, que são inaudíveis para os seres humanos, mas capazes de penetrarem no corpo, movendo partículas internas e estimulando a reabsorção de líquidos inflamatórios. Justamente por isso, esse aparelho costuma ser mais indicado para o tratamento de tecidos moles, sobretudo em questões que necessitem de uma ação anti-inflamatória, analgésica e até para conseguir soltar pequenas aderências.

As ondas do ultrassom penetram no nosso corpo de maneira inversamente proporcional à frequência. Assim, se for utilizado um ultrassom com frequência de 3 MHz, por exemplo, será trabalhada uma superfície de até 1 cm de profundidade. Já a frequência de 1 MHz consegue chegar a até 3 cm de profundidade.

Entender essa relação é muito importante, afinal é o fisioterapeuta quem faz o controle da frequência a ser usada, indicando, assim, a profundidade que as ondas sonoras penetrarão no paciente. Normalmente, a terapia com ultrassom é indicada para lesões de tecidos moles e pode (ou não) ser acompanhada de outros tipos de tratamentos fisioterápicos. Sua ação está voltada para a redução da dor e dos estados inflamatórios, oferecendo maior mobilidade funcional e reduzindo o tempo de recuperação dos pacientes.

Existem basicamente dois tipos de ultrassom usados na fisioterapia. O pulsado em que o ultrassom promove uma ação fisiológica no tecido, mas sem produzir calor. Ele realiza uma massagem mecânica, dispersa toxinas e os fluidos de edemas e provoca a quebra de calcificações.

No contínuo, o aparelho promove maior quantidade de calor graças à vibração das partículas celulares, que age de maneira profunda na musculatura, aumentando o fluxo sanguíneo, favorecendo a circulação dos nutrientes, reduzindo os espasmos musculares e eliminando a formação fibrótica. O ultrassom é muito utilizado para uma ampla variedade de lesões, principalmente porque ele não oferece nenhum tipo de dificuldade ou de desconforto para os pacientes.

Por ter um caráter anti-inflamatório e de analgesia bastante importante, o aparelho costuma ser usado em problemas como artralgias, anquilose, artroses, bursites, braquialgia, ciatalgia, lesões musculares, fibroses, edemas e tendinites. Outras indicações são para casos de disfunções osteomioarticulares (como fraturas, luxações, contraturas, etc.), condições inflamatórias crônicas ou agudas e fibroedema geloide.

Entre os benefícios comprovados do ultrassom podem ser destacados os aumento da taxa de metabolismo no tecido; aumento do fluxo sanguíneo e da cicatrização tecidual; redução da sensibilidade dos elementos neurais; alívio da dor; redução dos espasmos musculares; e aumento da extensibilidade do colágeno. Por causa de permitir o aumentos do colágenos, esse tipo de equipamento pode ser usado na área dermatofuncional, no reparo de sequelas pós-cirúrgicas (principalmente no caso de fibroses) e para a melhora da pele em feridas ou cicatrizes provenientes de queimaduras.

A recomendação para o tratamento de pacientes com o ultrassom é observar o local em que o aparelho será usado, bem como o tipo de lesão a ser tratada; optar pelo modo pulsado ou contínuo; atentar para o grau de tolerância da intensidade do ultrassom pelo paciente. O tempo máximo de exposição ao aparelho deve ser de 4 a 5 minutos, sempre realizando movimentos circulares com o transdutor, que não deve ser movimentado muito rápido e nem ficar parado em um mesmo local. É muito importante controlar a intensidade de acordo com o nível de tolerância do paciente, já que intensidades maiores que as indicadas podem causar dor local ou irradiada, reduzindo os efeitos do ultrassom e causando desconforto.

A NBR IEC 61689 de 03/1998 – Ultrassom – Sistemas de fisioterapia – Prescrições para desempenho e métodos de medição na faixa de frequências de 0,5 MHz a 5 MHz é aplicável para equipamento ultrassônico projetado para fisioterapia consistindo de um transdutor ultrassônico gerando ondas contínuas ou quase contínuas de energia ultrassônica em frequências na faixa de 0,5 MHz a 5 MHz e especifica métodos de medição e caracterização do desempenho de saída baseados em métodos de ensaios de referências e de rotina, características a serem declaradas pelos fabricantes, prescrições para desempenho e segurança do campo ultrassônico gerado e critérios de aceitação para aspectos de desempenho.

Os fabricantes devem declarar nos documentos acompanhantes para cada tipo de cabeçote aplicador os valores nominais para os seguintes parâmetros: potência de saída declarada (20%); área de radiação efetiva (AREN) do cabeçote aplicador (20%); intensidade efetiva para os mesmos ajustes do equipamento como o valor nominal da potência de saída declarada; frequência de trabalho acústica (10%); relação de não uniformidade do feixe (RNF) (±30%); intensidade máxima do feixe; tipo de feixe; duração de pulso, período de repetição de pulso, fator de operação e a relação entre a potência de saída máxima temporal e a potência de saída, para cada ajuste de modulação (5%); forma de onda de modulação para cada ajuste de modulação.

Onde apropriado, os números fornecidos entre parênteses são as tolerâncias que definem a faixa de valores aceitáveis para os resultados ou das medições para referência de ensaios de tipo especificados na cláusula 8 ou as medições de ensaio de rotina especificadas na cláusula 9. A faixa de temperatura deve ser especificada para os parâmetros declarados acima. A faixa de tensões de rede também deve ser especificada.

Para equipamento de fisioterapia ultrassônico que utiliza um cabeçote aplicador capaz de operar em mais de um valor nominal da frequência de trabalho acústica, os parâmetros especificados acima devem ser declarados para cada valor nominal da frequência de trabalho acústica. Além disso, para equipamento de fisioterapia ultrassônico que pode utilizar um redutor para cabeçote, os parâmetros especificados acima devem ser declarados para cada combinação de redutor para cabeçote e cabeçote aplicador.

A potência de saída declarada não deverá variar mais que ±20% para variações de ± 10% da tensão de alimentação de rede. Não é permitido qualquer reajuste manual do aparelho para obter conformidade com esta prescrição. A conformidade deve ser verificada pela medição da potência de saída declarada, de acordo com 8. 1 a 90%, 100% e 110% do valor declarado da tensão de alimentação.

A intensidade efetiva máxima absoluta deve ser menor ou igual a 3,0 W/cm². A conformidade deve ser verificada pela determinação da potência de saída máxima absoluta declarada, de acordo com 8.1, e da área efetiva mínima absoluta de radiação, de acordo com 8.3. A relação de não uniformidade máxima absoluta do feixe deve ser menor ou igual a 8,0. A conformidade deve ser verificada por medição de acordo com 8.3.

Todas as medições devem ser realizadas sob condições de campo aproximadamente livre, a uma temperatura de 22°C ±3°C. Se as medições são executadas em qualquer outra temperatura, um ensaio deve ser realizado para mostrar que os resultados, determinados de acordo com 8.5 e 9.3, não são dependentes da temperatura na qual os ensaios são realizados. Água desgaseificada deve ser utilizada para a medição da potência ultrassônica (ver 8.1). Água desgaseificada não é essencial para as medições do hidrofone (ver 8.2).

A água desgaseificada é essencial para evitar cavilação quando as unidades de fisioterapia são operadas próximas ou na potência de saída total. Informação sobre preparação de água disponível para medições de fisioterapia podem ser encontradas na IEC 854. Todas as medições devem ser realizadas após um tempo de aquecimento apropriado, especificado pelo fabricante.

O recipiente de ensaio utilizado para todas as medições do hidrofone deve ser suficientemente grande para permitir a imersão tanto do cabeçote aplicador quanto do hidrofone. Em geral, o tamanho do tanque deve estar em conformidade com 5.2.2 da IEC 1102. A posição relativa e a orientação angular do cabeçote aplicador e do hidrofone deveriam ser ajustáveis para os propósitos de alinhamento de acordo com a IEC 1102.

Os graus de liberdade completos do movimento de ambos podem ser fornecidos, embora a prescrição mínima seja de que ou o cabeçote aplicador ou o hidrofone deveria possuir três graus independentes de movimento de translação. As medições deveriam ser realizadas sob condições de campo livre. Para alcançar estas condições pode ser necessário alinhar as paredes do recipiente de ensaio tanto quanto os suportes utilizados para segurar o cabeçote aplicador e o hidrofone com absorvedores ou refletor (es) angulado (s) de absorção baixa ou dispersão.

As condições de campo livre serão suficientemente atingidas quando o eco global for reduzido por mais do que 25 dB. Vários métodos podem ser utilizados para verificar a conformidade para redução de eco dos materiais utilizados na parede do tanque. Um exemplo para verificar a absorção ou dispersão dos materiais utilizados é dado abaixo.

A conformidade para a redução global de eco de um absorvedor acústico pode ser verificada utilizando o seguinte procedimento. A redução de eco deveria ser medida na frequência de trabalho acústica do cabeçote aplicador sob ensaio utilizando rajada de tom do ultrassom, com o absorvedor acústico localizado no campo afastado do transdutor ultrassônico excitado separadamente.

Alguns cabeçotes aplicadores são conhecidos por produzir feixes assimétricos reprodutíveis. Neste casos, o cabeçote aplicador deve suportar uma marcação sobre seu alojamento identificando a direção que produz o desvio máximo do valor da área da seção transversal do feixe determinada de exames de meia-linha individuais relativos ao valor médio, em cada um dos quatro planos de medição.

Um dos eixos de translação do hidrofone deve ser paralelo a esta direção (ver 8.3.3). Todas as medições da área de radiação efetiva deveriam ser tomadas com o equipamento ajustado no modo de ondas contínuas para intensidades menores do que 0,5 W/cm² para evitar cavitação. Água desgaseificada não é contudo necessária para essas medições, embora cuidados deveriam ser tomados para assegurar que bolhas de ar não estejam presentes na face do cabeçote aplicador ou sobre o hidrofone.

Medições da área da seção transversal do feixe são realizadas em potências baixas para proteger a ponta de prova dos hidrofones utilizados. A validade da extrapolação destes valores para níveis de potência maiores, mais típicos de tratamento terapêutico. é demonstrada no anexo H. A determinação da área de radiação efetiva do cabeçote aplicador para o propósito de medições de referência deve ser realizada utilizando varredura global a várias distâncias da face do cabeçote aplicador.

Estes procedimentos podem também ser utilizados para medições de rotina de acordo com a cláusula 9. Todas varreduras globais devem ser grades quadradas com o ponto central no eixo de alinhamento do feixe e em um plano perpendicular ao eixo de alinhamento do feixe. A varredura não deve ser um movimento contínuo mas deve ser realizada em passos discretos com os valores de tensão eficaz ou de pico medidos em cada ponto.

Com o ponto central estando no eixo de alinhamento do feixe, há necessariamente um número ímpar de pontos medidos em cada linha. Os limites da varredura global devem ser suficientemente amplos tal que o nível do sinal em qualquer parte externa à fronteira varrida é pelo menos 26 dB abaixo do sinal de pico. Entretanto, para cabeçotes aplicadores tendo ZN <130 mm, o nível excedendo os limites da varredura global deve ser pelo menos 32 dB abaixo do sinal de pico.



Categorias:Normalização, Qualidade

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